Sermão preparado pelo pastor Marcel Mattos Tavares
Leitura: Hebreus 10.1-25
Texto: Salmo 15

Introdução

Queridos irmãos e irmãs no Senhor Jesus,

Você já foi convidado(a) para uma festa de casamento? Certamente que sim! O que é requerido de você em festas de casamento? É necessário ter em primeiro lugar um convite. O convite é a permissão para que você entre na festa. Em segundo lugar, é necessário ter as roupas adequadas. Você não vai entrar num casamento com suas roupas de entrar na granja, não é verdade? Geralmente você vai procurar uma roupa adequada, a sua melhor roupa. Então, perceba que para entrar em uma festa é necessário a permissão (convite), e também usar as roupas apropriadas.

O salmista Davi pergunta ao SENHOR: quem habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? Davi está perguntando quem vai à grande festa! Davi sabe que é preciso receber do próprio Deus a permissão (o convite). Além disso, é necessário estar com vestes apropriadas (as qualificações morais). O convite temos diante de nós nesta manhã (o evangelho de Cristo). As vestes, vamos ver nesta pregação. Por isso, o tema deste sermão pode ser resumido no seguinte:

Tema: Deus nos chama a olharmos para as características dos cidadãos dos céus

  1. A pergunta do salmista
  2. A resposta de Deus

1. A pergunta do salmista

Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? Na poesia hebraica geralmente o escritor usa duas frases para dizer a mesma coisa. Quando o salmista usa as palavras habitar e morar, ele quer dizer a mesma coisa. E quando ele usa tabernáculo e santo monte também quer apontar para o mesmo lugar.

Essas duas frases querem apontar para uma realidade espiritual. Tabernáculo e Santo Monte são sombras de uma realidade celestial. O salmista pergunta quem pode ter permanencia nesta realidade espiritual, cujo tabernáculo ou monte santo são sombras.

O tabernáculo no Antigo Testamento simbolizava a presença de Deus no meio do seu povo. Ele estava rodeado por uma cerca que separava aquilo que é santo daquilo que é comum. A santidade do tabernáculo é percebida quando entramos nEle.

Eu convido você agora a entrar no tabernáculo. O interior era divido em dois cômodos. O primeiro era o Santo Lugar, e passando dele chegava o lugar chamado Santo dos Santos. No Santo lugar, à direita, ficavam os pães da proposição, e à esquerda ficava o candelabro. Uma cortina dividia o Santo Lugar, do Santo dos Santos. Na frente desta cortina ficava um altar de ouro (altar para incenso). No Santo dos Santos ficava a Arca da Aliança.

Todos estes objetos estavam carregados de significado. Para entrar através da cerca e ficar na área do pátio, onde estava construído o tabernáculo, era necessário fazer um sacrifício. Sem expiação da culpa (sem sangue) não há como se chegar na presença de Deus. Dentro do Santo Lugar, onde só entravam os sacerdotes, o candelabro, à esquerda, deveria estar aceso o tempo todo. Os sacerdotes deveriam cuidar para que sempre existesse óleo para alimentar aquela luz. Isto era um símbolo de que a presença de Deus nunca se apagava (nem de dia e nem de noite). Deus nunca dorme! Os pães da proposição, à direita, simbolizavam o povo de Deus que estava sempre em sua presença. Esses pães eram oferecidos a Deus e comidos pelos sacerdotes. Aqueles pães alimentavam os sacerdotes. Eles apontavam para o verdadeiro pão da vida (Cristo), que foi oferecido a Deus e que alimenta seu povo para a vida eterna.

O altar de ouro, onde os sacerdotes queimavam incenso representava a oração do povo de Deus. Esta fumaça do incenso enchia o Santo dos Santos e o Santo lugar com aroma suave. A cortina que dividia o Santo Lugar do Santo dos Santos tinha imagens de querubins voando. A Arca da Aliança, dentro do Santo dos Santos, mostrava que Deus estava entronizado entre estes querubins. Na tampa da arca, feita de ouro, estava o propiciatório, onde o sangue do sacrifício anual era derramado pelo Sumo Sacerdote. Esse sangue apontava para o sangue de Cristo que seria derramado na presença de Deus para a expiação dos pecados do seu povo.

Quem poderia habitar alí então? Os sacerdotes entravam e saiam. O Sumo Sacerdote, uma vez por ano, derramava o sangue na tampa da Arca e saia correndo. Ninguém poderia habitar ali! Somente pelo sangue de Cristo poderíamos nos achegar na presença de Deus! Cristo veio! Ele cumpriu aquelas sombras. Ele agora é o nosso tabernáculo. O Apóstolo João diz Cristo tabernaculou entre nós (Jo 1).

Mas agora este Tabernáculo está nos céus a destra de Deus Pai. Então, a pergunta avança ainda mais dentro da realidade celestial. Quem habitará nos céus na presença de Cristo? Como podemos nos preparar para estarmos morando com ele para sempre?

Quando Cristo cumpriu as profecias, ele rasgou a cortina do Templo de alto até abaixo. Ele abriu o Santo dos Santos para nós (O livro de Hebreus fala sobre isso. ). Ele é o nosso convite de entrada! Não precisamos ir a Jerusalém para buscarmos a presença de Deus. Tão pouco devemos ficar em casa para buscarmos a presença de Deus. Jesus disse a mulher samaritana em João 4 que não adoraríamos mais em Jerusalém. E onde estamos ensaindo a nossa morada no céu hoje em dia? Na igreja! No culto estamos na presença de Deus.

Perceba então como é importante o culto para sua morada futura. O culto é um prelúdio da nossa morada nos céus. Por isso você não pode faltar cultos! No culto entramos no Santo dos Santos cobertos pelo sangue de Cristo! Estamos na presença dEle! No culto também estamos vivendo um já e um ainda não. Estamos já morando no tabernáculo (somos o corpo de Cristo). Estamos já na Sião Celestial e na presença de Deus e dos anjos. Mas ao mesmo tempo ainda não realizamos isto plenamente. Ainda estamos esperando subirmos para Cristo!

Agora, perceba que toda esta realidade dos céus, da qual estamos falando, nos deve também estimular a uma vida santa. O texto mostra que você não pode viver uma vida de pecados e pensar que vai habitar com Deus! Não é que por meramente você está sentado num banco de Igreja, que você vai habitar com Cristo. Desde o Antigo Testamento, Deus sempre requereu santidade do seu povo.

Quem pode morar no tabernáculo de Deus, no Santo Monte? Quais devem ser as qualificações morais (as roupas do casamento)? Isto nos leva ao segundo ponto.

2. A resposta de Deus

Nos versos 2 a 5, Deus nos mostra as características requeridas daqueles que vão ingressar nos céus. Aqui não temos uma lista exaustiva. Mas o que temos aqui já comunica que Deus requer santidade.

Estes versos mesclam afirmações e negações. Percebam os versos abaixo. Verso 2 “o que vive com integridade…”. Verso 3 “o que não difama…”. Verso 4 “o que, a seus olhos, tem por desprezível ao réprobo…”. Verso 5 “o que não empresta o seu dinheiro com usura…”. A ideia é apontar para o padrão da Lei (os Dez Mandamentos). Lá também temos afirmações e negações. “Honra teu pai e tua mãe”. “Não matarás”. Então, Deus exige perfeição!

Quando Deus fez uma aliança com Abrão (Gn 17.1), Ele disse: “anda na minha presença e sê perfeito”. É a mesma ordem para nós que estamos em aliança com Ele. “_Anda na minha presença e sê perfeito”. A palavra que temos no verso 2 : “integridade” é a mesma palavra traduzida como perfeito no texto de Gênesis 17.1 que fala de Abrão.

Agora, será que conseguimos ser perfeitos pela própria força? A resposta é não! Assim como o Sumo Sacerdote só entrava no Santo do Santos com o sangue do Yom Kipur (Dia da Expiação), e derramava este sangue em cima da Arca uma vez no ano, nós só podemos chegar diante de Deus, de forma perfeita, pelo sangue de Cristo.

Então, a perfeição nos é dada pela fé. Pela fé somos tornados justos, integros e verdadeiros diante de Deus. Ninguém vai ao Pai senão por Ele (Jesus)(Jo 14).

Mas, essa fé é mostrada através das obras. Tiago diz “a fé sem obras é morta” (Tg 2). Como saber se você tem esta perfeição que é fruto da fé? Através das obras! As obras confirmam a sua fé. As obras mostram a sua gratidão pela salvação!

Então temos aqui neste versículos de 2 até 5, não uma exigência farisaica, mas uma vida de gratidão que nos é requerida. Se temos uma vida de gratidão, verdadeiramente temos fé, e o sangue de Cristo nos fez cidadãos do reino dos céus.

No versículo 2, integridade (íntegro de conduta), justiça (pratica a justiça), verdade (de coração fala a verdade) são dons de Cristo pela fé.

No verso 3 estas três coisas são descritas em termos mais práticos. Veja! Aquele que vive uma vida de gratidão pela salvação não vive pecando com a língua: difamação, calúnia (verso 3). Você vive assim falando mal do seu irmão? Fazendo fofoca dele? Ou você gosta de ouvir alguém falando mal dele(a)? Inventando histórias sobre ele(a)? Saiba, isto não é viver em gratidão! Desta forma você não demostra que tem o sangue de Cristo sobre você e portanto não vai morar nos céus!

Versículo 4 (ler). Quem anda em gratidão rejeita a companhia daqueles que desejam andar em seus pecados. É melhor perder a amizade de pessoas assim! Mas aqueles que vivem em gratidão honram os que temem a Deus e vivem de maneira piedosa!

– Que mantém a sua palavra, mesmo quando sai prejudicado. Você cumpre com sua palavra (seus contratos)? Ou você é homem sem palavras?

Talvez alguém possa dizer: _ah! Eu realmente fiz um negócio com fulano, mas as coisas não aconteceram como deveriam, houve algumas burocracias no caminho, tive até certos prejuízos financeiros com um terceiro, e portanto, não pude honrar com a minha palavra. Agora eu preciso fazer mais investimentos para ter mais capital e finalmente cumprir minha palavra com fulano.

Meu irmão(a), que você sofra o prejuizo! A palavra de Deus lhe chama a manter a palavra, mesmo que ela vá lhe causar prejuízos. Você não pode voltar atrás! Jesus diz sim sim, não não o que passar disso procede do maligno, é mentira! Quem vai confiar em você, um mentiroso? O pai da mentira é o diabo (Jo 8.44)!

Um outro exemplo de como alguém pode ser reprovado neste assunto é o de alguém que faz negócios mas já com uma intenção deliberada de não cumprir com sua palavra. Esse é o chamado “malandro”. Ele só pensa em si e não no próximo. Isto é algo abominável, que demostra algo muito terrível no coração! Uma atitude assim é comparada a um homem muito perverso, o qual a Bíblia descreve como homem de Belial (ler Provérbios 6.12-15).

Queridos, Deus sempre abençoa a fidelidade! As circunstâncias não são desculpas para pecarmos contra Deus e o próximo! Deus nunca nos traz algo na vida para que fiquemos apertados e pequemos contra Ele. A culpa é sempre nossa!

Não importa o “rolo”(problema) em que alguém se coloque, o caminho da fidelidade é sempre o caminho pelo qual as coisas vão se resolver! Deus abençoa o que fala a verdade.

O versículo 5, mostra que aquele que será recebido nos céus tem disposição em dar o seu dinheiro com liberalidade. Se ele vai emprestar, ele não cobra juros pelo empréstimo ao seu irmão. Ele não quer ser um agiota, que empresta com uma mão, mas quer tirar com outra. Ele não tem interesse pessoal (ganho) quando ajuda o seu próximo. Abra em Deuteronômio 23.19-20 (ler)

Este assunto sobre emprestimos pressupõe também que certa pessoa é bem controlada com suas finanças. Ele é um bom mordomo das coisas do seu Senhor. Ele pode emprestar dinheiro. Ele pode até mesmo dar o seu dinheiro sem problemas. No seu orçamento este assunto já é algo previsto! Ele faz o bem ao seu próximo!

Ainda, esta pessoa piedosa que confia na perfeição de Cristo e vive em gratidão, não aceita nenhum tipo de acordo contra alguém inocente. Ele não aceita suborno. Deuteronômio 16.19 diz que o suborno subverte a causa dos justos. Ele também não paga suborno a alguém. Ele não vive dando “jeitinhos” nas coisas. Sempre que há o pagamento de propina alguém mais fraco sai perdendo. Por exemplo, alguém que paga propina a um juíz, para que um processo corra mais rápido, irá estar passando na frente de alguém que também precisa que sua situação seja resolvida. A outra pessoa que não subornou o juíz fica lá esperando o seu processo sair para que ela possa tocar seu trabalho, mas nunca nada é resolvido em sua causa, porque há sempre pessoas pagando os juízes. Alguém que aceita suborno ou suborna está indo contra a justiça que emana de Deus. Crentes devem confiar na justiça de Deus e devem estar dispostos a sofrer o prejuízo. Alguém que se deixa subornar ou que suborna outro, não pode morar nos céus! O próprio Senhor Jesus foi entregue por suborno (30 moedas de prata).

Irmão, aqui temos apenas algumas áreas da nossa gratidão, não um check list. A gratidão que Deus exige de nós cobre muitas outras áreas da vida. O que Deus requer de nós é que, contrangidos pelo seu amor, entreguemos todo o nosso coração a Ele. Quem assim o faz o texto mostra que jamais serão abalados. Eles podem se alegrar e confiar que já estão vivendo na presença de Deus e ainda irão gozar disso muito mais abundante e plenamente na presença de Cristo nos céus.

Portanto irmãos e irmãs, o convite para o grande casamento, para a glória nos céus, onde viveremos para sempre na presença de Deus, vem pela pregação da Palavra. Esta pregação nos convida a fé no sacrifício de Cristo Jesus, a nossa justiça. Essa fé em Cristo é vista com obras de gratidão. Todos os que vão para o grande casamento na presença do SENHOR estão vestidos de todas estas obras da justiça de Cristo. Quem está em Cristo e ama fazer a sua vontade jamais será abalado. Estes habitarão na Sião Celestial para sempre. Na gloriosa presença daquele que tabernaculou entre nós. Amém!

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

Pr. Marcel Tavares

Pastor na Igreja Reformada do Brasil Maranata, em Unaí-MG. Bacharel em divindade pelo Instituto João Calvino.