Pregação preparada pelo Pr. Manoel Luís Ferreira

Leitura: Neemias 04.01-23

Texto: Neemias 04.19

INTRODUÇÃO

Amados irmãos no SENHOR Jesus Cristo, prezados ouvintes! Conta-se que um homem observava um grupo de pessoas que estava trabalhando em um grande terreno, preparando-o para uma linda construção. Então passou um dos que estava trabalhando com um carrinho de mão cheio de entulhos, o tal homem que observava perguntou o que ele estava fazendo. A resposta foi que ele estava, como era tão visível, empurrando um carrinho cheio de entulhos. Logo após, veio outro trabalhador também com um carrinho cheio de entulhos. A mesma pergunta foi feita. Este homem então parou, largou o carrinho no chão, ergueu os olhos para ver toda a extensão do terreno e respondeu: “Estou ajudando a construir um grande prédio para a igreja do Senhor Jesus Cristo se reunir”.

Muitos estão servindo ao Senhor como o primeiro trabalhador: sem a visão da grandiosidade do que estão fazendo. Sem a visão da grandiosidade da obra magnífica, da obra grandiosa do nosso Deus. Para estes, o trabalho de Deus não passa de uma atividade qualquer entre tantas outras que eles fazem, se é que fazem, diariamente, como por exemplo: O trabalho secular, o cuidado da família, o curso escolar, etc. Se temos apenas uma visão míope, uma visão curta, sobre a extensão e grandiosidade da obra de Deus, certamente nossa disposição para o trabalho no reino será deficiente, faltosa, indiferente. Precisamos crer que servimos a um Deus grande, que tem um grande projeto para a salvação do homem atolado em seus míseros pecados. Tal é a grandiosidade deste projeto, que o Deus Todo-Poderoso investiu nele o que tinha de mais precioso, seu único Filho, Jesus Cristo. Neemias entendeu assim também a obra do SENHOR Deus. Ele não cruzou os seus braços enquanto não viu toda aquela obra terminada. Neemias doou-se por inteiro a esta obra, de tal maneira que ele não queria afastar-se um instante do canteiro de obras para que esta obra não parasse de jeito nenhum. Ouçam as palavras de Neemias: “Enviei-lhes mensageiros a dizer: Estou fazendo grande obra, de modo que não poderei descer; por que cessaria a obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?”. O amor de Neemias por esta obra é muito grande, ao ponto de contagiar todos os judeus para trabalharem juntos com muita coragem e força de vontade, pois a obra é muito grande. Por isso, meditemos com Neemias e com todo o povo sobre o seguinte tema:

Tema: Grande e extensa é a obra!

  • 1. NESTA OBRA, OS FIÉIS SÃO DESPREZADOS! Versos 1-4
  • 2. NESTA OBRA, O NIMO PARA TRABALHAR VEM DO SENHOR! Versos 6, 9, 14
  • 3. NESTA OBRA, CUIDA-SE UNS DOS OUTROS! Verso 16

1. NESTA OBRA, OS FIÉIS SÃO DESPREZADOS! Versos 1-4

Irmãos, que obra grandiosa esta de reconstruir o muro da cidade de Jerusalém. De fato, não era apenas a reconstrução do muro da cidade de Jerusalém, mas a reconstrução de toda a cidade de Jerusalém, a começar pelo muro. Jerusalém foi completamente destruída quando o rei Nabucodonosor, rei da Babilônia, por volta do ano 587 a.C. a invadiu, destruindo-a por completo e levando os seus moradores como exilados para a Babilônia. Sobre isto podemos ler no segundo livro dos Reis: “No sétimo dia do quinto mês, do ano décimo nono de Nabucodonosor, rei da Babilônia, Nebuzaradã, chefe da guarda e servidor do rei da Babilônia, veio a Jerusalém. E queimou a Casa do SENHOR e a casa do rei, como também todas as casas de Jerusalém; também entregou às chamas todos os edifícios importantes. Todo o exército dos caldeus que estava com o chefe da guarda derribou o muro em redor de Jerusalém. O mais do povo que havia ficado na cidade, e os desertores que se entregaram ao rei da Babilônia, e o mais da multidão, Nebuzaradã, o chefe da guarda, levou cativos” (2 Reis 25:8-11). Depois de setenta anos (70 anos) no cativeiro babilônico, os judeus puderam voltar para Jerusalém. Mas nem todos voltaram e os que voltaram do exílio não haviam progredido muito na reconstrução da cidade de Jerusalém. Agora, quase noventa e três anos (93 anos) depois que a primeira leva de judeus havia retornado do exílio, encontramos Neemias empenhado na reconstrução do muro da cidade de Jerusalém. Não seria uma tarefa muito fácil, visto que os rivais estavam prontos para desestimular e ridicularizar os fiéis nesta grande obra. Pois a reconstrução do muro da cidade representava fortalecimento e resistência aos que quisessem atacar esta cidade com a finalidade de roubar, matar e profanar o sagrado Templo de Deus.

Irmãos, esta obra é grande e extensa! E nesta obra os fiéis são escarnecidos, ridicularizados e desprezados. Portanto, para entendermos melhor tudo isto, vejamos bem os versículos 1-4: Neste trecho Neemias nos esclarece a situação usando algumas palavras chaves, as quais caracterizam bem o que os judeus estavam passando e como eles estavam sofrendo naquele momento. Logo no versículo 1, já podemos perceber a raiva, a ira de Sambalá contra os judeus. Pois Sambalá ouviu que os judeus prosperavam na edificação do muro. De fato, o prosperar do povo de Deus incomoda a muitos. A reconciliação do povo de Deus com o próprio Deus deixa o diabo indignado. E esta indignação do diabo está presente aqui na pessoa de Sambalá. Visto que Sambalá ardeu em ira e se indignou muito e escarneceu dos judeus. O Espírito Santo, por meio de Neemias, usa a palavra “escarnecer”. Ele usa uma palavra bem forte, com a finalidade de deixar bem claro e sem nenhuma sombra de dúvidas o quanto os judeus estavam sofrendo na reconstrução do muro de Jerusalém. Neemias diz mais sobre a terrível maledicência de Sambalá contra os judeus no versículo 2. Assim Sambalá refere-se aos judeus: “Que fazem estes fracos judeus?… Darão cabo da obra num só dia? Renascerão, acaso, dos montões de pó as pedras que foram queimadas?”. E também Tobias disse no versículo 3: “Ainda que edifiquem, vindo uma raposa, derribará o seu muro de pedra”. Então, por causa de tudo isto Neemias clama no versículo 4: “Ouve, ó nosso Deus, pois estamos sendo desprezados;…”. Irmãos, quanto sofrimento! Mas, por que os judeus estavam sofrendo tanto? Será que era apenas por estarem reconstruindo o muro da cidade? Eu creio que não! Eu acredito que era muito mais do que simplesmente reconstruir o muro da cidade de Jerusalém. Era reconstruir as suas próprias vidas com Deus. Era recuperar para com Deus um tempo perdido por um passado corrupto, sujo, nojento e totalmente idólatra; afastado e banido da face do santo Deus. Uma das coisas que o diabo menos quer é que nos voltemos para Deus e que tentemos reconstruir nossa vida com Deus outra vez adorando-O e servindo-O com total amor e dedicação. É nesta hora que os inimigos aparecem! Eles nos escarnecem, nos ridicularizam e nos desprezam. Esses inimigos da cruz de Cristo tentam nos desanimar e desviar de fazermos a vontade de nosso Deus com insultos que pensam eles nos levarão para longe de nosso bom Pai celestial. Todavia, isto não funciona, visto ser Deus quem não se separa dos seus fiéis! Por isso há ânimo na construção, por isso há ânimo na obra do SENHOR Deus.

2. NESTA OBRA, O NIMO PARA TRABALHAR VEM DO SENHOR! Versos 6, 9, 14

Irmãos, nada provém de nossa capacidade, inteligência ou estratégia. Tudo vem de Deus. O que temos, o que somos e tudo o que viermos a ser ou a ter, provém de Deus. Quem não entende que não passamos de “instrumentos” nas mãos de Deus, não estará apto para a grande e extensa obra do SENHOR Deus.

Nesta grande e extensa obra de reconstruir o muro de Jerusalém, Neemias e os demais judeus entenderam que a construção seguia com firmeza porque todos tinham ânimo para continuar trabalhando. Ouçam as palavras do Espírito Santo conforme escritas no versículo 6: “Assim, edificamos o muro, e todo o muro se fechou até a metade de sua altura; porque o povo tinha ânimo para trabalhar”. Irmãos, Neemias nos diz que o povo tinha ânimo para trabalhar! Mesmo que, às vezes, alguns deles se sentissem cansados por causa do trabalho pesado (versículo 10). Quer dizer: Havia alegria, havia força de vontade, havia dedicação e havia regozijo no fazer a obra do SENHOR Deus. Mas, de onde vem todo este ânimo para o povo judeu trabalhar na obra da reconstrução do muro? A resposta a esta pergunta encontramos nos versículos 9 e 14. No versículo 9 Neemias diz: “Porém nós oramos ao nosso Deus…” e no versículo 14 ele diz: “… lembrai-vos do Senhor, grande e temível…”. Quando o povo pôs-se a orar a Deus, qual era a situação em que o povo se encontrava nesse momento da obra? O povo pôs-se a orar a Deus no momento mais difícil da construção. A situação podemos ler nos versículos 7 e 8: “Mas, ouvindo Sambalá e Tobias, os arábios, os amonitas e os asdoditas que a reparação dos muros de Jerusalém ia avante e que já se começavam a fechar-lhe as brechas, ficaram sobremodo irados. Ajuntaram-se todos de comum acordo para virem atacar Jerusalém e suscitar confusão ali”. Irmãos, foi nesta situação! Situação de ataque dos inimigos que o povo de Deus pôs-se a orar a Ele. Era um momento por demais terrível, era um momento negro e totalmente desanimador neste instante da obra. Os inimigos estavam vindo para atacar e suscitar confusão em Jerusalém. É exatamente nesta hora que Deus dá ânimo aos seus fiéis para continuarem na obra. Na dor, na pressão, no sofrimento da vida, oremos ao Senhor Deus, busquemos a Ele, pois Ele nos ouve, quando na angústia clamamos a Deus com um coração totalmente sincero e arrependido. Não precisamos temer ou querer desistir de Deus quando as dificuldades nos sobrevêm. Tenhamos ânimo, irmãos, “… lembrai-vos do Senhor, grande e temível…”; é Ele, é este SENHOR quem nos anima para prosseguirmos com Ele. E assim, irmãos, animados e fortalecidos, podemos, nesta obra de Deus, cuidar uns dos outros.

3. NESTA OBRA, CUIDA-SE UNS DOS OUTROS! Verso 16

Irmãos, esta obra de construir ou reconstruir o muro de Jerusalém não era uma obra de Neemias e nem do povo judeu em particular e nem para glória destes, esta era primeiramente uma obra de Deus, o qual estava realizando-a por meio destas pessoas. E nesta obra de Deus, o povo, os irmãos, a comunidade em comum acordo precisava cuidar uns dos outros; visto que a defesa da comunidade não poderia ser simplesmente uma questão de cada homem lutar por si mesmo. Mas da comunidade inteira, isto é, de um cuidando do outro. Enquanto um trabalha o outro o protege com todo carinho e amor. Isto pode significar o seguinte para nós hoje: Enquanto um irmão passa por um problema em sua vida, seja lá em que área for, os outros estão ajudando-o a superar tal problema por meio da oração, incentivo pessoal e encorajamento, estando por trás desse irmão, fazendo-o seguro para continuar firme na obra do SENHOR Deus; como fica claro do versículo 16: “Daquele dia em diante, metade dos meus moços trabalhava na obra, e a outra metade empunhava lanças, escudos, arcos e couraças; e os chefes estavam por detrás de toda a casa de Judá”.

Irmãos, que aparato de defesa os irmãos da proteção tinham em mãos e no corpo para protegerem a si e a seus irmãos de um ataque nesta luta medonha. Havia uma guarda para proteger àqueles que trabalhavam no muro! Isto quer dizer que eles não estavam sozinhos na obra. Com a ajuda dos outros irmãos por detrás deles, eles se sentiam muito mais seguros para encarar as suas tarefas. Como precisamos, irmãos, uns dos outros. Como precisamos, irmãos, uns da proteção dos outros. Se estes irmãos não se dispusessem para proteger, para cuidar dos outros irmãos, a construção do muro poderia até chegar ao fim, mas certamente seria de uma maneira muito mais penosa. Devemos sempre estar atentos contra os nossos inimigos espirituais, sem, todavia, esperar que a nossa guerra termine quando a nossa obra de reconstruirmos, de novo, nossa vida com Deus acabar. A Palavra de Deus é a espada do Espírito, a qual sempre devemos ter à mão e nunca teremos que buscá-la em nossos labores e conflitos espirituais. Todo cristão verdadeiro é trabalhador e soldado, que trabalha com uma mão e luta com a outra. Agindo assim, Satanás teme atacar tal cristão que está sempre atento, porque, se atacado, o Senhor peleja por ele. Desta maneira, devemos esperar o fim de nossa vida sem tirarmos a armadura, até que terminem a nossa obra e guerra; então seremos recebidos no repouso e no gozo de nosso Senhor.

CONCLUSÃO

Concluindo, irmãos, quero lhes dizer: Vão para casa com entusiasmo. Pois sem entusiasmo, os melhores planos do mundo estão bem mais sujeitos ao fracasso. Porém, com entusiasmo, nenhuma tarefa é demasiado grande e nenhuma oposição forte demais. Sigamos o exemplo de nosso SENHOR Jesus Cristo, mesmo o diabo lhe fazendo forte oposição não conseguiu desviá-lO de pagar os nossos pecados na cruz. Vejam as palavras do próprio Neemias diante das investidas dos inimigos que punham obstáculos ao que ele estava realizando: “Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer. Por que cessaria esta obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?” (Neemias 6:3). No contexto do presente versículo, notamos Sambalá, Tobias, Gésem, o arábio e muitos outros inimigos do povo de Deus naquele tempo, em suas tentativas frustradas de parar a construção do muro de Jerusalém. Agora intentam um plano sinistro para matar Neemias. Armam-lhe uma cilada, convidando-o para vir ao vale de Ono, onde seria assassinado. Porém ele diz: Como poderei cessar esta obra? Sua convicção e presteza na obra do SENHOR Deus o livrou! Quem considera grande e excelente a obra de Deus em sua vida, não cede jamais às pressões exteriores que poderiam causar o seu afastamento da grande obra de Deus. Animem-se irmãos, ajudem-se nas dificuldades. Mesmo que vocês sejam desprezados pelo inimigo, Deus jamais vos desprezará.

Amém.

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Pr. Manoel Luís Ferreira

Pastor da Igreja Reformada em Unaí-MG, servindo na congregação missionária em Brasília.

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