Pr. Clarence Stam

Leitura: Neemias 05

Texto: Neemais 05

INTRODUÇÃO:

Amada congregação de nosso Senhor e salvador Jesus Cristo,

Lemos na semana passada como Neemias foi chamado para tratar com a pressão de fora, ou melhor, externa, as ameaças de Sambalate e a conspiração das pessoas que viviam ao redor de Judá, para que parassem a construção dos muros de Jerusalém. A ameaça foi contornada com medidas vinda das orações: a construção do muro continuou.

Agora estamos no capitulo 5 com um problema muito diferente, talvez até mais sério: uma ameaça interna. Dissensão na igreja é mais perigoso que a pressão de fora. E isto se torna especialmente verdade quando o problema envolve a questão econômica, dinheiro. E a distribuição dos bens na congregação do Senhor.

Nós lemos que veio um grande clamor do povo que era o mais pobre da região. A causa deste clamor talvez tenha sido alguma fome que havia naquele tempo (verso 3). Neste tempo os pobres ficaram mais pobres e os ricos podiam manter seu padrão de vida, explorando os que tinham muito pouco ou nada. Mas havia mais do que somente fome aqui.

Eu não posso deixar de notar que o clamor dos pobres está relacionado com a construção dos muros de Jerusalém. E isto faz parte da responsabilidade de Neemias, pois ele foi o homem que ordenou a reconstrução dos muros em primeiro lugar, e tinha de tratar com a briga que este projeto causou.

Tudo isto ocorreu porque as pessoas foram chamadas para construir o muro, elas não poderiam suprir suas necessidades diárias, e isto significa que elas perderam sua renda; e isto é um serio problema, especialmente em momentos de fome e necessidades. Sem o dinheiro eles começaram a pedir emprestado, para saírem do desespero. Mas havia alguns israelitas que tiravam vantagens desta situação, e Neemias teve de tratar com este problema por causa da obra do Senhor.

Você provavelmente deve ter se perguntado como estas pessoas que estavam construindo o muro, estavam providenciando as necessidades de sua família. De fato, eles não estavam conseguindo. O povo estava se endividando, e o próprio amor que deveria estar sendo manifestado, na verdade não estava sendo demonstrado. Então, é compreensível, que tenha havido um grande lamento. Eu proclamo a vocês o evangelho de nosso Senhor sob o seguinte tema:

Tema: O Senhor demonstra o poder do amor cristão na pobreza de Israel

  • 1. A evidencia da falta de amor
  • 2. O dever de expressar o amor
  • 3. O poder da experiência do amor

1. A evidencia da falta de amor

É dito no verso 1: foi grande o clamor do povo e de suas mulheres contra os judeus seus irmãos. O povo aqui eram as pessoas que estavam envolvidas na reconstrução do muro. Especialmente os mais pobres, o povo comum, que já viva na pobreza e que agora estava mais necessitado. Perceba que suas esposas recebem uma atenção especial. Isto é compreensível, pois as esposas ficavam em casa tomando conta das crianças, e são elas as primeiras a sentir o peso da pobreza: elas não podiam alimentar suas crianças.

Foi bom seus maridos terem ido construir o muro. Todas as pessoas estavam preparadas para sacrificar alguma coisa pela causa do Senhor. As mulheres de Israel sabiam da grande batalha pela sobrevivência em um ambiente hostil. Mas a situação se tornou tão desesperadora que estas mulheres fizeram um grande protesto.

E devemos ler cuidadosamente: elas não estavam protestando contra o fato de que os tempos estavam difíceis. A ira delas não era dirigida contra o Senhor. Nem contra os inimigos de Israel. É dirigida contra os seus irmãos judeus. Este é o tema do protesto no texto. Elas estão irritadas pela forma como seus próprios irmãos estão tratando o povo mais pobre neste momento de dificuldade.

Do texto podemos discernir três grupos de pessoas. E também podemos notar três tipos de queixas; todas, entretanto, indo ao mesmo tema. O primeiro grupo é o de trabalhadores que recebem por quantidade de horas que trabalham, são os jornaleiros. Estes são os pobres de verdade. Desde que estão trabalhando para Neemias, não receberam nenhuma renda, e se tinham algum dinheiro guardado, devem ter gasto rapidamente. A queixa deles era: nossos filhos e filhas são numerosos; de maneira que para sobrevivermos e comermos precisamos ganhar algum alimento (verso 2). Notem bem: eles não estão pedindo dinheiro, mas comida. Eles precisam comer, mas ninguém está ajudando estas famílias.

O segundo grupo parece ser mais abastado, pois eles têm campos e casas, mas também estão passando por necessidades. Eles dizem: temos hipotecado nossas vinhas e campos e casas para nos alimentarmos, neste período de fome (verso 3). Alguns sugerem que esta fome aconteceu no período de Neemias, mas esta fome pode ter acontecido antes dele aparecer em cena. Por causa da fome estas pessoas pediram emprestado e deram como garantia suas propriedades e quando começou o trabalho no muro, não ganharam mais dinheiro e quando chegou o tempo de acertar as contas, não tinham dinheiro para pagar os empréstimos, então começaram a perder suas propriedades.

O terceiro grupo tinha ainda outro problema. Estas pessoas tinham já haviam hipotecado suas terras. Daí tinham de pagar a hipoteca e ainda as taxas imperiais sobre suas terras. As taxas do rei, como eram chamadas, eram muito altas, e tinham de ser pagas. Não há escapatória das taxas, todos nós sabemos disto muito bem quandoas recebemos em nossa casa, principalmente agora no começo do ano. Para pagar esta taxa, eles somente tiveram um caminho: vender seus filhos e filhas como escravos. Eles dizem (verso 5): nós não temos como evitar isto, porque nossos campos e nossa vinhas pertencem a outros. Eles não podiam mais pagar as taxas nem emprestar dinheiro de suas propriedades, a única alternativa foi: vender seus filhos como escravos. Esta queixa deve ter sido horrivelmente dolorosa para Neemias, porque ele, sendo apontado como governador por Artaxerxes, era responsável por reunir e enviar as taxas imperiais.

E notem a menção feita sobre as filhas no verso 5: algumas de nossas filhas já estão reduzidas à escravidão. Isto sugere muito mais que trabalhar para outras pessoas, geralmente filhas que eram vendidas como escravas, eram também abusadas sexualmente pelos patrões. E isto acontece, como eles se queixam: “no entanto, nós somos da mesma carne que eles, e nossos filhos são tão bons quanto os deles.” Podemos ver que os judeus estavam abusando dos próprios judeus. Não eram os inimigos, nem os estrangeiros, mas os irmãos da própria casa. Alguns destes judeus levavam vantagem desta nova situação, usavam a necessidade de reedificar os muros para enriquecerem a si mesmos à custa dos seus irmãos.

Agora é importante notar que a lei de Moisés proibia escravidão de um judeu para com outro (Êxodo 21:2-11; Levítico 25:39-43). Não foi Israel redimido da casa da servidão pelo Senhor? De fato, os judeus poderiam pagar seus débitos a outros judeus trabalhando, mas não sendo tratados como escravos.

Situações como esta, sem dúvida, existiam antes de Neemias chegar, mas agora, através da edificação dos muros, os problemas estavam ficando pior, e isto gerou o clamor do povo. O povo simplesmente não podia suportar mais isto, e a frustração chegou ao ponto de desenhar-se um tipo de conflito ou rebelião. O resultado disto seria: a construção vai parar, não por causa dos inimigos, mas por causa da falta de amor, em Israel.

Pois o que mais seria isto que falta de amor? A lei de Deus — mesmo quando fala sobre judeus trabalhando para outros judeus para pagar um debito — exige compreensão e amor para com os outros. A lei era: você não vai lucrar em cima daqueles que são pobres, pois deste jeito ele permanecerá pobre. Seu propósito não é o de explorar o pobre, mas, de redimí-lo. Quando houver pessoas que não poderem se alimentar, você dará a elas comida, tanto quanto elas precisarem, pois não deve haver mendigos na terra do povo do pacto do Senhor. Você não pode levar vantagem sobre nenhum de seus irmãos. Realmente, até mesmo estrangeiros tinham certos direitos quando viviam entre o povo de Deus.

Isto era uma falta de amor que se tornou evidente neste problema socioeconômico. Eles estavam tratando um ao outro como estranhos, ao invés de irmãos e irmãs. E o pior é que eles usavam a obra do Senhor para atender aos seus lucros. Fazendo isto eles colocavam em risco a obra de Deus.

Agora chegamos à real razão disto tudo: se existe falta de amor de um para com os outros, deve existir, então, uma falta de amor para com o Senhor. Pois, não são os dois muito similares? Amarás o Senhor teu Deus… e o segundo semelhante a este é: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Falta de amor pelo próximo em geral e em especial pelo povo de Deus é falta de amor pelo Senhor. Todo pecado contra a segunda parte da lei vem de pecados contra a primeira parte da lei.

Anteriormente, vimos em Neemias 3 como o povo se colocou a trabalhar na edificação do muro. Que expressão da comunhão dos santos, dissemos naquela ocasião. Mas agora lemos que por trás desta visão de unidade havia uma falta de amor, uma exploração maligna, que gerou uma grande confusão no meio do povo de Deus. Pode ter parecido bonito — todos trabalhando juntos no início — mas de fato não era tudo isto. Na realidade os irmãos estavam tratando uns aos outros como escravos, e o serviço ao Senhor se tornou difícil por causa desta atitude. Não é realmente agradável quando a bíblia nos permite olhar por detrás dos bastidores?

É interessante que séculos depois o Senhor Jesus Cristo encontrou o mesmo problema enquanto ministrava na Galiléia e em Judá. O rico estava explorando o pobre, havia mendigos em toda a parte. A letra da lei estava sendo mantida, mas o amor exigido não era mostrado. O próprio Cristo disse: Deus não quer sacrifício mas misericórdia. Quão maravilhosa é nossa religiosidade externa quando não precisamos demonstrar amor a Deus e ao próximo. As pessoas simplesmente não tomavam conta umas das outras. Isto é a comunhão dos santos? Isto é realmente o povo de Deus, o corpo de Cristo?

O serviço ao Senhor é exigido. O principio é que nós todos devemos agir e dar nossas bênçãos a fim de que todos possam servir ao Senhor com alegria. Quando este princípio não é honrado, uma profunda insatisfação encontra raiz dentro da comunhão dos santos. E o resultado é que a obra de Deus não progride.

2. O dever de expressar o amor

O amor está em falta. Mas isto não invalida o mandamento. Nos versos 6-11 lemos sobre a exigência e como ele é expressado por Neemias.

Sua primeira reação é ficar irado (verso 7). Esta é uma ira espontânea e justa, uma santa indignação contra a maneira que os filhos de Deus estão sendo tratados. Agora você sabe que quando alguém fica irado, ele está em uma situação perigosa. Pois a ira é uma porta para o diabo trabalhar. Quando começamos a perder espaço, o diabo começa a ganhá-lo.

Mas notem como Neemias age nesta triste e penosa situação. Posso enumerar alguns pontos aqui. Primeiro, é dito no verso 7 que Neemias, embora muito irado, não foi até as profundezas desta ira e agiu impensadamente. A ira não justifica agir irracionalmente e de uma forma descontrolada. Ele diz: “depois de ter considerado comigo mesmo…”. Neemias cuidadosamente pensou sobre a questão. Eu vejo aqui o poder do Espírito guiando Neemias. Este tipo de situação, se não for cuidadosa e sabiamente manuseada, pode causar mais problemas. O rico pode se tornar defensivo e o pobre pode se tornar militante, e trazer resultados desastrosos. Neemias procura o melhor caminho para tratar com este problema. Alguns especialistas em situações como esta pedem para você contar até dez, Neemias deve ter contado até mil, pelo menos. Primeiro pense muito bem no que vai dizer, e como você vai dizer.

Então lemos que ele primeiro convoca uma reunião com os nobres e os oficiais. Agora notem isto também: Neemias não chama outras pessoas para falarem sobre os problemas, nem outros para darem conselhos sobre a situação. Não. Ele chama os responsáveis pelo que estava acontecendo. Neemias também não os adverte na frente dos pobres, ao contrário, ele faz esta reunião de uma forma privada. Ele fala confidencialmente com os nobres e os oficiais. Ele não os expõe publicamente, mas fala privadamente. Neemias não é um líder unificador que procura explorar o sentimento público, mas de fato ele é um edificador que busca comunhão, que se direciona primeiro àqueles que são responsáveis.

E o que ele diz? Será que ele fala de uma forma diplomática e faz uso de uma linguagem bem polida? Afinal de contas não é sempre assim que se faz? Dê um pouco agora, e diga o resto depois? Nem sempre. O que é notável aqui é que Neemias vai direto ao assunto sobre as práticas que estavam sendo executadas. O pecado nunca deve ser coberto na igreja nem escondido, pois não há favoritismo para com Deus. Ele diz a eles: vocês são usurários, cada um para com seu irmão. Esta tradução não é tão boa, a melhor seria: VOCÊS ESTÃO COBRANDO USURA DE SEUS IRMÃOS.

Usura. Ela era proibida pelo Senhor, e os nobres e ricos o sabiam muito bem. Pagamento justo é uma coisa, usura é outra. Usura não somente significa taxas exorbitantes, caras, mas também significa fazer do outro um escravo e confiscar suas propriedades. Usura é um sinal de falta de amor, e o Senhor proibe isto.

Neemias disse que este problema terá de ser resolvido publicamente. Então o próximo passo é uma outra convocação (verso 7, parte final). Nesta reunião todos estão presentes, os transgressores e as vitimas. Todos estão envolvidos.

A primeira coisa que Neemias faz na reunião é lembrar a todos o profundo parentesco que eles têm. Ele diz primeiro: nós resgatamos os judeus, nossos irmãos que foram vendidos às gentes… Notem que Neemias diz: NÓS. Alguns destes judeus nobres e alguns dos oficiais tinham se envolvido no resgate de seu próprio povo das mãos dos gentios. Isto é dito em favor dos nobres. Você sempre deve lembrar o que as pessoas fazem de bom, ou fizeram de bom quando estiver tratando com seus pecados e faltas. Os exilados na Pérsia e os nobres na Palestina, todos fizeram o seu melhor para libertar os judeus da escravidão. Neemias diz, não nos esqueçamos disto.

Mas Neemias mostra quão contraditória era a situação, pois libertaram os judeus para serem escravos deles mesmos. Ou seja: de um lado eles estão edificando a comunhão, redimindo os judeus escravos, e por outro estão quebrando esta comunhão pois estão fazendo deles mesmos escravos uns dos outros. “e vós outra vez negociareis vossos irmãos para que sejam vendidos a nós?” Como pode a família de Deus, que somos irmãos e irmãs, tratar-nos desta forma? Não estamos destruindo a comunhão que estamos construindo?

Que linguagem poderosa. O que você pode responder a isto? Notem o que o texto diz: então se calaram e não tinham nada a dizer. Eu fiquei feliz quando li isto. Este silencio é uma admissão de culpa. Não há desculpa para esta prática ímpia. Não tente defender seus pecados; se você se sente incriminado, admita a sua culpa, e se você não tiver nada a dizer, realmente não diga nada, seu silêncio fala mais alto.

Então Neemias é encorajado a continuar. O Senhor está dando está oportunidade para que este problema seja resolvido propriamente. Primeiro ele diz para todos que andem no temor do Senhor. Este pecado, como qualquer outro pecado, é primeiro contra o Senhor. Eles tinham de começar a temer ao Senhor verdadeiramente. Então ele adiciona: não devíeis andar no temor do Senhor, por causa do opróbrio dos gentios, nossos inimigos? Não é realmente terrível quando os inimigos podem dizer: vocês não são tão diferente de nós; de fato, são piores, pois não tratamos os nossos irmãos como vocês fazem. O nome do Senhor tem se tornado um motivo de escárnio, e os israelitas estão causando este escárnio. Realmente, às vezes há pecados mais graves na igreja que no mundo. E com isto fazemos do nome do Senhor um motivo de escárnio.

No verso 10 encontramos um problema que muitos comentaristas não conseguem resolver. Neemias, dizem eles, parece admitir alguma culpa quando ele diz: ler o verso 10. Um grande líder deve admitir suas faltas publicamente, muitos dizem. Certo. Mas Neemias não está admitindo nenhuma culpa a este respeito. Ele simplesmente diz: emprestamos dinheiro e trigo, e exigi o pagamento no tempo devido, e isto é certo, mas esta usura deve terminar. Eu acho que Neemias e seus homens estavam dando um exemplo. Realmente, como poderia Neemias se tornar tão irado com a prática deles, se ele mesmo estava engajado neste pecado? Isto teria sido hipocrisia. Ele de fato estava dizendo: sigam nosso exemplo, emprestar e ajudar, certo, mas sem usura. E ele adiciona a isto uma exigência de restituição: ler o verso 11. Notem bem aqui o que é dito: a restituição deve ser total, cem por cento de restituição. Esta é a medida correta e completa do amor.

Você não pode somente dizer: é, realmente estamos errados, nos desculpe, eu não farei isto novamente. Não, na comunhão dos santos sempre se há um passo a mais: devemos devolver o que pegamos ilegalmente. O amor restaura, retorna em cem por cento. É maravilhoso quando compreendemos a profundidade desta exigência. Se fraldamos alguém, especialmente na igreja, pedindo mais do realmente precisamos, devemos restituir completamente. Doutra forma não haverá real reconciliação e restauração da comunhão. O amor não exige uma medida pela metade.

3. O poder da experiência do amor

Agora vemos em nosso texto a vitória do amor, e como o amor é experimentado. Alguém poderia esperar os nobres e oficiais dizerem: desculpe, o que é nosso é nosso; iremos parar com isto, mas restituir não! Isto está longe de acontecer. Mas não é isto o que eles dizem. Ao contrário, eles estão desejosos de restituir (verso 12). Eles vão restituir tudo e vão parar com esta prática ímpia. Eles irão seguir Neemias ao pé da letra.

O que seria isto se não o poder do Espírito do Senhor? O povo não faria com sua própria força. Isto me lembra o período depois de pentecostes, quando ninguém na congregação dizia que o que possuía era propriamente seu, mas todos usavam seus dons para o benefício de toda a igreja. E não havia sequer um necessitado entre eles. De fato, isto era o Espírito santo de Deus que quebra nossos corações para experimentarmos o amor de Cristo uns pelos outros. Realmente, vemos aqui uma prefigura da comunhão ainda maior que nos é apresentada pelo novo testamento quando lemos o livro de Atos, capítulo 4.

Agora o que é notável aqui é que Neemias não pára neste ponto. Ele não diz: ok! O problema está resolvido, voltemos ao nosso trabalho. Ao contrário, ele convoca os sacerdotes (verso 12, parte final). Neemias faz os nobres jurarem na presença dos servos de Deus. Por que um juramento? Porque Neemias sabe a natureza de seu povo. É fácil prometer alguma coisa, mas é mais difícil fazer o que foi prometido, principalmente quando se trata de dinheiro. Poderia ser que alguns dos nobres continuassem sem cumprir com suas obrigações. Por isto ele não apenas toma suas palavras, mas os faz jurar em um juramento diante dos sacerdotes de Deus, ou seja, diante do próprio Deus. Neemias conhecia a natureza humana.

E ele adiciona um gesto simbólico. Ele sacode a sua túnica (verso 13). Como se estivesse esvaziando seus bolsos. Não há nada escondido. E ele diz: assim faça Deus com vocês, retirem vocês e sejam despojados se não cumprirem esta promessa!

Tudo isto mostra a seriedade do problema. E este problema continua sendo sério hoje. Quando Ananias e Safira fingiram ter dado tudo, mas tinham segurado alguma quantia, eles foram realmente despojados. Você não pode fazer parte da igreja do Deus do amor se você somente busca os seus interesses. Você deve dar mais que receber. Este é o estilo de Jesus Cristo. Ele constantemente deu tudo, até sua própria vida, a fim de que nós também déssemos a nossa. Com ele não havia necessitado. Ele proveu tudo para seus apóstolos e para todos os que o seguiam. Ele uma vez perguntou: quando enviei vocês, vocês precisaram de alguma coisa? Eles responderam: não. Cristo tomou conta dos seus e ainda toma conta hoje. Nossa tarefa agora é experimentar juntos este amor de Cristo através de uma ajuda mútua e no serviço.

Quando edificamos a igreja hoje, não podemos deixar outros estarem debaixo de situações difíceis enquanto outros estão simplesmente preocupando-se consigo mesmos. Quando o rico fica mais rico e o pobre mais pobre na igreja, alguma coisa está drasticamente errada. O amor de Cristo não está sendo experimentado. Somente juntos podemos realmente edificar a igreja. Ricos e pobres devem fazer seus sacrifícios juntos. Somente manteremos estas coisas se todos nós fizermos nossa parte.

Bem, lemos no verso 13: ler. Todos se comprometeram. Nós faremos isto juntos. Falaram alto e claramente: amém, diante de toda a congregação. Eles louvaram a Deus, porque amor em ação é um dom de Deus para o seu povo. “E o povo fez segundo a sua promessa”.

E qual foi o resultado de tudo isto? Eles continuaram a trabalhar e a edificar juntos. A unidade da fé e os propósitos foram restaurados. Todos podiam trabalhar e comer, e ninguém foi deixado de fora deste cuidado. É notável que na igreja de pentecostes, este elemento veio a ser o centro da vida da igreja. Atos 4:34 mostra que não havia necessitados entre eles. Certamente, alguns tinham mais que outros, pois sempre é assim. Mas ninguém tinha carência de coisa alguma, pois assim é que deve ser onde somos membros de Cristo e uns dos outros. Nestes problemas mostramos se somos a igreja verdadeira de Cristo ou não. A igreja daquele que deu tudo para nós, até sua vida, deve ser a primeira a dar tudo uns pelos outros. Como poderíamos agir diferentemente do Senhor Jesus Cristo? Tendo experimentado seu amor, devemos experimentar o amor um pelo outro. Pois todos aqueles que buscam primeiro o reino dos céus e sua justiça, disse Jesus, não carecerão de nada.

Amém.

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Pr. Clarence Stam

17 de setembro de 1948 - 1 de janeiro de 2016.

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