Pregação preparada pelo Pr. Manoel Luís Ferreira

Leitura: Miquéias 06.01-08

Texto: Miquéias 06.06-08

INTRODUÇÃO

Amados irmãos em Cristo Jesus, nosso SENHOR; prezados ouvintes!

Você lembra quando saiu procurando um trabalho? Você se lembra quando saiu procurando o seu primeiro emprego? Talvez haja sido mais ou menos assim: Você foi de indústria em indústria, de empresa em empresa, preencheu fichas, participou de entrevistas… Muitos, particularmente, não gostam de nada disso. Acham até, que isso é a pior coisa do mundo… ou quase. Há algo que algumas pessoas consideram ainda pior do que isto: depois de contratado, os primeiros dias no novo trabalho. Isso realmente é frustrante para tantos. Há quem afirme: “Eu queria fazer as coisas, mas não sabia exatamente como. Eu queria desempenhar bem minhas tarefas, mas não sabia o que deveria fazer”! Realmente, é incômodo demais para alguns! Estar em uma posição de responsabilidade e não saber o quê, exatamente, se espera de você, é incômodo mesmo! Talvez cada um de nós já haja passado por esta experiência na vida. Algumas pessoas têm este mesmo problema com sua religião. É triste dizer, mas há pessoas que não têm certeza a respeito do que Deus espera delas como cristãs. Talvez cada um de nós já tenha sentido isto: A incerteza, o desejo de saber ardentemente se Deus está contente ou triste conosco… se estamos fazendo o bastante em nossa vida para agradar o nosso bom Pai celestial, ou se Ele, Deus, ainda espera que façamos mais do que isso. Hoje podemos resolver este problema, irmãos. Nosso texto não nos deixa qualquer dúvida. A Palavra de Deus responde claramente a pergunta:

Tema: O que Deus quer de mim?

  • 1. Que eu não tente pagar meus pecados
  • 2. Que eu receba a salvação revelada em Jesus Cristo
  • 3. Que eu mostre minha gratidão numa vida que reflete o Amor de Deus

1. Que eu não tente pagar meus pecados
O profeta Miquéias viveu em Judá, durante os reinados de: Jotão, Ezequias e Acaz. O mínimo que podemos dizer deste período é que eram tempos muito escuros para o povo escolhido de Deus. Eles viviam completamente distantes do Senhor e prestavam culto aos deuses cananitas, especialmente ao deus Baal. Muitos dos judeus até sacrificavam seus próprios filhos ao deus Moloque. Miquéias é chamado por Deus para ser um profeta de terror entre eles, para chamar a atenção para o fato de que seriam destruídos caso não voltassem ao Senhor.  Alguns judeus escutaram. Eles perceberam suas maldades e quiseram viver novamente conforme a vontade de Deus. Mas como fazer isso? Eles tinham vivido muito tempo longe do culto a Deus e não tinham certeza sobre o que Deus esperava deles. Como deveriam viver? Que tipo de sacrifícios deveriam oferecer? Que ofertas deveriam trazer? Como poderiam agradar a Deus? Esta é a mesma pergunta que os pecadores fazem ao longo dos anos: O quê preciso fazer para ser salvo? O quê, exatamente, Deus requer de mim? E Miquéias lhes responde de tal forma a não deixar dúvidas, primeiro dizendo o que não deveriam fazer: Tentar pagar, eles mesmos, seus míseros pecados. As pessoas foram levadas a usar seus bens pessoais num esforço de satisfazer os falsos deuses. Eles sacrificavam gados, colheitas, óleo, produtos preciosos, num esforço de encobrir seus pecados. Não façam isso com o verdadeiro Deus, diz Miquéias. Isso não  funciona: O que é que eu levarei quando for adorar o Senhor? O que oferecerei ao Deus Altíssimo? Será que apresentarei a Deus bezerros de um ano para serem completamente queimados? Não. Miquéias diz que isso não é o suficiente para agradar a Deus. Será que o Senhor contentar-se-á se eu oferecer milhares de carneiros ou milhares de rios de azeite? Não tente pagar seus pecados, é o que Miquéias nos diz. E sobre um sacrifício humano? E se sacrificássemos nossos próprios filhos para pagar nossos pecados. Quem sabe Deus nos perdoa. Será que devo, mesmo, oferecer o meu filho mais velho como um sacrifício para pagar os meus pecados e as minhas maldades, as quais cometo dia e noite diante de Deus? Não! Claro que não! De maneira nenhuma! Miquéias nos diz que nada disso funcionará. Não há nada que possamos dar ou fazer que seja o suficiente para pagar a conta de nossos pecados para com Deus. Isso não fará a menor diferença. Em Isaías 1:11, Deus nos diz: “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? – diz o SENHOR. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes”. É incrível, mas cerca de 99% das pessoas ainda pensa que podem pagar seus pecados! Inclusive muitos que se chamam cristãos, ainda pensam que é preciso fazer algo para pagar seus pecados. E se não podemos pagar todos eles, ao menos deveríamos ajudar fazendo o bastante para pagar alguns deles. E isso nos causa uma incerteza terrível: Será que fiz o suficiente? Quanto Deus espera que eu faça? Quando precisar comparecer diante de Deus, no Juízo Final, será que terei feito o bastante para ir ao céu? A resposta é: NÃO! Não importa o quanto nos esforcemos e façamos para tentar obter o favor de Deus, ainda será insuficiente. A Lei de Deus nos pede uma vida completamente santa, sem pecados e não apenas uma demonstração de boa intenção. Deus quer que acertemos bem no alvo, mas nossa pontaria é terrível. O apóstolo Paulo escreve em Romanos 3:20 o seguinte: “Visto que ninguém será justificado diante dele (Deus) por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”. Ninguém é aceito por Deus por fazer o que a lei manda, porque a lei faz com que as pessoas saibam que são pecadoras e precisam urgentemente do favor de Deus para serem salvas da miséria e da morte.

2. Que eu receba a salvação revelada em Jesus Cristo

Certa vez um pregador disse: Sempre que visito uma Igreja, ouço a mesma pergunta: “Você ama o Senhor?” Mas esta não é a pergunta correta. A pergunta correta é: “O Senhor me ama?” Isto é verdade. Deus não requer uma certa quantia do nosso amor para que sejamos salvos, pois nunca conseguiríamos amá-LO o suficiente. Ele também não pede um certo número de obras como pagamento pelos nossos pecados, nenhuma obra nossa é boa o suficiente para pagar pecados. Ainda que nos esforçássemos ao longo de um milhão de anos, nunca faríamos o suficiente. Não amamos a Deus como deveríamos amá-LO; mas Deus, nos amou! E no seu amor, Deus providenciou uma maneira diferente de sermos salvos. O que Deus nos pede? Que deixemos de tentar pagar nossos pecados e que recebamos a salvação revelada em Jesus Cristo. Para a pergunta dos judeus sobre o que é bom e como podemos estar bem diante de Deus, Miquéias responde: O Senhor já nos mostrou o que é bom. Deus mostra claramente a sua justiça, bondade e misericórdia por todos nós. Ele faz isto dando seu Filho Jesus a cada um de nós. Até mesmo o incrédulo, com sua consciência endurecida, sabe que Deus requer castigo para o pecado. Mas, louvado seja Deus, ao invés de dar este castigo a nós, pecadores e verdadeiros merecedores deste terrível castigo, Deus castigou seu inocente Filho, o SENHOR Jesus, por nós. Numa sombria sexta-feira, numa colina desolada nos arredores de Jerusalém, o castigo que nos traz a paz estava sobre Cristo e pelas suas pisaduras fomos sarados. Pendurado na cruz maldita, Jesus sofreu todos os tormentos do inferno que nós deveríamos sofrer. Ele se tornou nosso substituto e pagou o preço dos nossos pecados. Aquilo que mil sacrifícios de animais não puderam fazer, que dez mil rios de óleo não puderam fazer, que nenhum sacrifício, por maior que seja, nunca poderá fazer, o precioso sangue de Jesus Cristo fez por todos nós. O Senhor já nos mostrou o que é bom. O Senhor mostrou o que é ter misericórdia, tendo misericórdia de nossas almas. Por causa da cruz de Jesus, nossos pecados foram perdoados. Por que Jesus obedeceu perfeitamente a Lei de Deus, nós somos totalmente aceitos por Deus e fomos revestidos com a veste branca da justiça de Cristo. Jesus fez isto e está pronto. No capítulo 7:18-19, o profeta Miquéias regozija-se dizendo: “Quem, Ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados na profundeza do mar”. Você percebe o que isto significa? Que não precisamos ter qualquer dúvida ou medo sobre o que Deus requer de nós – tudo o que Deus requer para a nossa salvação foi cumprido por Jesus Cristo. Que alívio! Não precisamos fazer coisa alguma. Tudo está pronto para nós. Tudo o que é preciso é receber esta salvação pela fé, e não precisamos nos preocupar: Deus também nos dá a fé.

3. Que eu mostre minha gratidão numa vida que reflete o Amor de Deus

Há ainda mais uma coisa: Deus ficaria feliz com um “muito obrigado”. E o que Deus quer como sinal da nossa gratidão? O que Ele quer que façamos é o que é direito, que amemos uns aos outros com dedicação e que vivamos em humilde obediência ao nosso Deus. Devido ao seu grande amor por nós, Deus gostaria que nós demonstrássemos nossa gratidão vivendo uma vida que reflete o amor que Ele teve por nós. E isso não é muito. Vez ou outra vemos artistas reclamando e processando revistas por publicarem fotos suas sem o devido pagamento. Outros ganham fortunas por algumas fotos (nem sempre recomendáveis, é verdade). Até já ouvimos alguém dizer que se lhe pagassem alguns milhares de reais, poderiam fotografá-lo como quisessem. De certa forma, isso parece uma disputa, com vencedores e perdedores. Deus anunciou publicamente que, em Jesus Cristo, todo mundo que crer, eu e você, inclusive, somos ganhadores da salvação eterna. O que Ele pede em troca? Apenas gratidão. Nada mais. A verdade é que um cristão que sabe que está livre do pecado e da morte, será naturalmente grato. Como podemos nos regozijar em nosso Salvador? Aprendendo com as exigências de Miquéias, que façamos o que é direito, que amemos uns aos outros com dedicação e que vivamos em humildade e obediência ao nosso Deus. Estas são coisas que naturalmente vêm da nossa fé. É como agradecer a alguém que lhe dá mil reais. Como poderíamos honrar mais ao Deus que nos salvou, do que vivendo uma vida direita? Depois que Deus foi tão misericordioso para conosco, como poderíamos deixar de ser  amáveis, generosos, perdoadores para com aqueles que estão ao nosso redor? Estes são frutos naturais da nossa fé em Cristo. E a força para isso nós obtemos do próprio Cristo, que disse: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele,  esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (João 15:5). Agora nós esperamos o dia em que Jesus nos receberá no paraíso divino que Ele conquistou para cada um de nós. Enquanto isso, no entanto, vamos viver na graça, produzindo frutos que mostrem nossa gratidão ao Salvador. E ouçam, não nos preocupemos com dúvidas e medos sobre o que Deus requer de cada um de nós. Em Cristo Jesus, cada um de nós tem tudo o que Deus exige.

Amém.

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Pr. Manoel Luís Ferreira

Pastor da Igreja Reformada em Unaí-MG, servindo na congregação missionária em Brasília.

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