Pregação preparada pelo Pr. Adriano Gama

Leitura: Marcos 16.01-09

Texto: Marcos 16.06

Amada congregação do Senhor Jesus,
A páscoa é um tempo muito “gostoso” e alegre. Mas, a páscoa de hoje, com chocolates, coelhinhos, ovos, velas e girassóis, não lembra a páscoa que vemos na Bíblia.

Quando estudamos a Bíblia, aprendemos que a páscoa foi uma festa criada por Deus. Ela marca a retirada do povo de Deus do Egito e do domínio de Faraó (Êxodo 12.1-18; 20.1,2). Ela era comemorada, mais ou menos, no mês de abril do nosso calendário.

O povo de Deus se reunia em família, para fazer uma refeição rápida. O cardápio da refeição era: Um cordeiro sem defeito e bem assado, pães sem fermento (chamados asmos) e ervas amargas. O povo também devia comer rapidamente a páscoa e estar bem vestido como se estivessem prontos para sair de casa.

O cordeiro tinha um lugar especial na páscoa. Ele devia ser morto, e o seu sangue ser colocado nas ombreiras e vergas das portas das casas de quem o comesse. Esse sangue livraria o povo do juízo de Deus, que vinha com o Destruidor.

A páscoa foi criada por Deus para que o povo d’Ele sempre lembrasse que Ele é o Salvador que nos salva da escravidão do pecado e do diabo (Êx 12.24-28).

A páscoa preparou o povo de Deus para receber Jesus Cristo. Jesus foi considerado por João Batista, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.35,36). Jesus, como um “cordeirinho”, foi sacrificado uma só vez. Na páscoa, Jesus foi pendurado na cruz maldita.

Mas, a páscoa não é uma mensagem amarga e triste para a Igreja de Cristo. A páscoa nos traz uma mensagem de muita alegria. A mensagem do anjo é o puro evangelho e o tema de nossa pregação:

Tema: Jesus ressuscitou, não está mais na sepultura.

Amados irmãos, o evangelho de Marcos nos leva para o domingo após a sexta de páscoa. Na sexta-feira de páscoa, Jesus foi morto na cruz e sepultado no túmulo (veja Mc 15.46). O sábado havia passado (v. 1). Algumas de nossas irmãs iam ao sepulcro onde o corpo de Jesus havia sido colocado. Dentre essas irmãs estavam Maria Madalena, Maria a mãe de Tiago (uma tia de Jesus), e Salomé.

Nossas irmãs foram ao túmulo para cuidarem do corpo de Jesus. Era um costume antigo usar perfumes preciosos para preservar os corpos daqueles que morriam. Por isso, “compraram aromas para irem embalsamá-lo” e, bem cedo, se dirigiram ao túmulo onde o cadáver de Jesus havia sido sepultado (vs. 1,2).

As nossas irmãs amavam muito Jesus. Elas gastaram dinheiro com perfumes preciosos. As irmãs amavam seu mestre. Por isso, foram cedo ao túmulo pondo em risco suas vidas, pois os líderes judeus ainda queriam acabar com os discípulos de Jesus. O amor delas por Jesus superou a fragilidade física que elas tinham. As nossas irmãs nem tinham força para remover a grande pedra que ficava no túmulo. Por isso, elas se preocuparam com a grande pedra (v.3). O amor delas pelo Senhor era maior e mais pesado que a grande pedra do túmulo.

Agora, as nossas irmãs não esperavam os acontecimentos daquela manhã de domingo. Em verdade, foi um domingo de grandes surpresas para elas.

A primeira surpresa foi que a “pedra já estava removida” (v.3). A pedra era muito grande. Ela fechava a parte do túmulo onde havia sido depositado o corpo de Jesus. Somente homens poderiam removê-la do local. Mas, essa grande pedra havia sido removida.

Então, quem removeu aquela pedra?

A remoção da grande pedra foi uma obra do grande Deus. O apóstolo Mateus disse que, logo cedo, no domingo, um grande terremoto aconteceu; “porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela” (Mt 28.1-3).

As irmãs não sabiam dessa obra de Deus. Foi uma grande surpresa ver que a pedra grande havia sido removida. Elas ficaram surpresas e entraram no túmulo.

A segunda surpresa veio quando elas chegaram mais perto de onde o corpo do Senhor havia sido depositado. Elas viram um jovem vestido de branco (v. 5). Esse jovem era um anjo do SENHOR (Mt 28.2).

Os anjos são mensageiros de Deus. Eles foram criados por Deus para servi-Lo. Em relação a Jesus, os anjos sempre estiveram presentes para servi-Lo. Foram anjos do SENHOR que anunciaram o nascimento de Jesus aos homens. Eles auxiliaram Jesus nos momentos de provação no deserto e no Getsêmani. Naquele domingo de páscoa, um anjo serviu novamente a Jesus.

O serviço do anjo espantou nossas irmãs. Quem de nós não seria tomado de surpresa e medo numa situação daquela? O desejo das discípulas era chegar no túmulo para cuidar do corpo do Senhor. Mas, o que foi encontrado? Um anjo brilhante como um relâmpago. Um jovem que tinha uma veste alva como a neve (Mt 28.2,3). Era uma visão forte para uma manhã de domingo, ainda escura e carregada pela tristeza da sexta-feira. Então, ver o anjo foi uma visão que causou muito medo.

O anjo disse (v. 6): “Não vos atemorizeis;…”. O anjo quis tranquilizar o coração das irmãs aflitas, surpresas e apavoradas. Na maioria das vezes, o medo atrapalha a nossa atenção. As crianças quando têm medo, não prestam muita atenção às palavras de seus pais. Um coração tranquilo ouve melhor qualquer mensagem, especialmente, o evangelho. Assim, também as nossas irmãs estavam cheias de medo. Por isso, elas precisaram ouvir: “Não vos aterrorizeis”.

O anjo continuou a falar a mensagem consoladora. Ele revelou que sabia o que elas desejavam encontrar e o que havia acontecido com Jesus. O anjo disse: “[…] buscais a Jesus, a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado”. As irmãs buscavam cuidar do corpo de Jesus. Ele foi conhecido como o homem da humilde vila de Nazaré. Por isso, o anjo chamou Jesus de “o Nazareno”.

O anjo sabia o que havia acontecido com o Senhor: “Jesus … que foi crucificado”. Essa mensagem confirmava que Jesus foi morto de verdade, na cruz. As irmãs não testemunharam na sexta-feira de páscoa uma fantasia. Verdadeiramente, Jesus foi morto na maldita cruz.

Porém, o anjo dá a boa notícia, o evangelho da salvação: “Ele ressuscitou, não está mais aqui;…” Que mensagem alegre naquela páscoa triste. Jesus, que foi morto na cruz e que teve seu corpo depositado no túmulo, não está morto.

A mensagem mais preciosa para os crentes foi e sempre será: Jesus ressuscitou! A mensagem da ressurreição é a principal doutrina de nossa fé. O apóstolo Paulo disse que “… se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (1Co15.17). Não existe cristianismo onde não existe a fé na ressurreição corporal de Cristo.

A ressurreição de Jesus é a garantia de que nossos pecados foram perdoados e que somos justos diante de Deus (Rm 4,25). O SENHOR Jesus pagou o preço do nosso pecado, morrendo na cruz. Na ressurreição, Ele conquistou para nós a justiça perfeita diante de Deus. Pela verdadeira fé no Cristo ressuscitado, recebemos esse perdão e essa justiça que vem de Deus. Por isso, não adianta falar de um Jesus Cristo que não ressuscitou corporalmente.

A ressurreição de Cristo nos garante que nós podemos viver uma nova vida. Cristãos confessam e vivem a ressurreição espiritual. Pois nós fomos espiritualmente ressuscitados com Cristo, quando cremos na ressurreição d’Ele. Assim, a ressurreição de Cristo nos dá a certeza de que podemos viver vidas santificadas para Deus, vidas de boas obras.

A ressurreição de Cristo nos dá a segurança de que a nossa morte física não é o fim de nossa existência. Os crentes que morreram não estão perdidos (1 Co 15.18). Se Cristo ressuscitou, então, o Seu povo ressuscitará também. Ele é “a cabeça” da Igreja e a igreja é “o Seu corpo”. Se a cabeça ressuscitou, então, seu corpo ressuscitará. Se morrermos em Cristo, temos a certeza de que ressuscitaremos à semelhança d’Ele. Por isso, os crentes enfrentam a morte com medo, mas esperançosos de que seremos ressuscitados para a vivermos com o Senhor eternamente, em corpo e alma.

Em resumo, a ressurreição do Senhor Jesus nos faz sermos os homens, as mulheres, os jovens e as crianças mais felizes da terra, pois cremos e confessamos: Jesus ressuscitou.

O anjo retirou a pedra, não para ajudar a Jesus, mas para que as mulheres pudessem ver a sepultura vazia. Ele chamou as mulheres e disse (v. 69): “…vede o lugar onde o tinham posto.” Não havia um corpo na sepultura. Ela estava vazia. Ora, esse era um claro testemunho da ressurreição. Jesus está vivo e não morto!

O anjo, depois de mostrar a sepultura vazia, deu uma ordem para as nossas irmãs. Elas deveriam sair do túmulo e dizer aos discípulos e a Pedro uma mensagem: “O SENHOR Jesus vai adiante de vós para a Galiléia; lá o vereis, como ele vos disse”.

O Mestre, depois de estabelecer a Sua Ceia, disse (veja Mc. 14.27,28): “… Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas. [v.28] Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia”.

Jesus cumpriu Suas palavras. Ele foi ferido e os Seus discípulos O abandonaram. Jesus entregou-se para ser morto. Ninguém tirou a sua vida. Jesus, espontaneamente, deu Sua preciosa vida por Suas ovelhas. Jesus, ao terceiro dia, tomou a sua vida de volta para si. Ele ressuscitou. Jesus cumpriu a Sua palavra. Ele estava a caminho da Galileia para se encontrar com os seus amados discípulos.

A mensagem que Jesus ia para Galileia era uma prova de que Jesus não deixou de amar Seus discípulos fracos. Ele estava cumprindo seu plano salvador, apesar das fraquezas e pecados de Seus discípulos.

Nós precisamos ser lembrados que Jesus não nos ama por que temos uma fé forte e inabalável. Você lembra o que aconteceu na sexta-feira daquela páscoa? Os discípulos de Jesus O haviam abandonado. O apóstolo Pedro, tão convicto de sua fé por Jesus, negou ser um discípulos do Filho de Deus. Mas, notem que Jesus destacou Pedro dentre os discípulos!

Onde estavam os discípulos no domingo de Páscoa? Eles estavam escondidos, outros fugiam pelo caminho de Emaús, pois temiam os judeus. As discípulas foram mais corajosas que os discípulos. Elas, pelo menos, arriscaram-se indo ao túmulo para cuidar do corpo de Jesus. Mas, as irmãs estavam em fraqueza. Elas foram cuidar do corpo de um Senhor morto. As discípulas não tinham a esperança de encontrar o SENHOR, vivo. Então, os discípulos e discípulas de Jesus eram fracos na fé!

Se o amor de Jesus fosse baseado em nossa “fé forte”, então, como Jesus poderia continuar amando Seus discípulos, como Ele iria para a Galileia se encontrar com eles?

Será que Jesus nos ama porque somos fortes na fé? A nossa felicidade é que temos um Mestre amoroso e Todo-poderoso que, apesar de nossos pecados e fraquezas, nos ama muito.

Jesus amou e morreu por Seus discípulos fracos. Ele foi poderoso para vencer a morte, e ressuscitou para a salvação dos Seus fracos discípulos.

Nossa salvação é baseada no amor, na bondade, na misericórdia e na graça de Jesus. A atitude de Jesus em ressuscitar e buscar seus discípulos na Galileia mostra isso. Jesus ressuscitou e continuou sendo o amável, o bondoso e poderoso Salvador de Seus discípulos.

As nossas irmãs saíram às presas do sepulcro. Os corações delas estavam cheios de temor; “e, de medo, nada disseram a ninguém” (veja o v. 8). Elas, mesmo tendo ouvido a mensagem do anjo e visto o sepulcro vazio, permaneceram terrificadas. Foram para seus irmãos: os discípulos e Pedro (Mt 28.8). Elas cumpriram a missão delas. Mas, o temor de nossas irmãs somente passou quando elas puderam ver seu amado SENHOR vivo na Galileia.

Conclusão:

Muitas vezes Jesus falou aos Seus discípulos sobre Sua morte e ressurreição. Mas, vemos que as discípulas esqueceram as palavras de Jesus. O que aconteceu? O que levou as irmãs esquecerem as palavras de Jesus?

A visão dos sofrimentos e da crucificação produziu um trauma muito grande em nossas irmãs. Esse trauma abalou a fé e fez as irmãs esquecerem, momentaneamente, o evangelho.

Os traumas emocionais podem nos enfraquecer na fé e até nos levar a esquecer o evangelho. Essa realidade pode ser vista na vida dos discípulos e discípulas de Jesus.

Os traumas emocionais podem ter várias causas: podem ser causados pela morte de uma pessoa amada, por um casamento quebrado, por um emprego perdido, uma doença. Os traumas na alma podem durar pouco ou muito tempo (alguns dias, um ano ou durante a vida). Além disso, não temos forças em nós para nos libertarmos deles. Mas, podemos ter a certeza de que o Espírito Santo usa o evangelho para que superemos os nossos traumas emocionais. O Espírito Santo usa o evangelho para curar a nossa alma abatida.

Nós precisamos pensar: Qual o primeiro remédio que busco quando sofro traumas emocionais? Será que busco o auxílio do evangelho e da oração? Será que busco encher a minha mente com a doutrina da ressurreição de Cristo? Será que corro logo para um psicólogo e para a farmácia?

Será que a psicologia e os remédios são os meus primeiros recursos? Qual o lugar do evangelho para curar os meus traumas emocionais? Será que tenho buscado lembrar que Cristo ressuscitou e, assim, sou vitorioso sobre todos os traumas amargos da vida?

Se sofrermos com traumas emocionais precisamos orar e recorrer ao evangelho da ressurreição. O evangelho nos diz: Jesus ressuscitou!

Jesus não subestima os traumas de nossa alma. Ele sabe o que é sofrer traumas emocionais. Ele sofreu traumas emocionais terríveis, especialmente, na cruz. Mas, Jesus ressuscitou. Ele venceu a morte. Então, será que Jesus tem poder para curar os traumas emocionais que sofremos? Será que Ele não pode nos salvar de todo sofrimento, fruto do pecado (seja de nossos próprios pecados ou de pecados feitos contra nós)?

Você pode confiar que a mensagem da ressurreição traz alívio e consolo para a alma ferida e abatida. Por isso, use os auxílios que Cristo dá: Seu Espírito, Sua Palavra, Seus sacramentos, Sua comunhão que é vivida na comunhão com nossos irmãos. Use esses meios de graça para provar alívio e cura espiritual para sua alma triste. Foi o evangelho quem curou o trauma de nossas irmãs (veja Lc 24.5-11).

Outra coisa, a páscoa não é um momento de amargor e de tristeza para os cristãos. Mas, de doçura e alegria. Sabe por quê? Porque a sexta-feira em que Jesus morreu, já passou, e o domingo da ressurreição já aconteceu. Jesus morreu, mas também ressuscitou na páscoa.

Os judeus têm hoje uma páscoa sem sentido, pois desconsideram Jesus Cristo, Aquele que foi morto e ressuscitou de entre os mortos. Os judeus ainda esperam um salvador. Mas, o Salvador já veio, morreu, ressuscitou e está nos céus. Por isso, a páscoa judaica não tem sentido para os cristãos hoje.

O mundo também tem uma páscoa sem sentido. Qual o sentido de uma páscoa que não aponta para Jesus Cristo? Nenhum sentido tem, uma páscoa dessa! Uma páscoa que não aponta para Jesus é como chorar a morte e festejar a ressurreição de alguém que não existe! Essa é a páscoa do mundo. Por isso, o mundo quer enganar nossas crianças com coelhinhos e chocolates gostosos. A páscoa do mundo é um ataque de Satanás ao evangelho.

As crianças estejam atentas ao engano do mundo. O chocolate dados a nós na época da páscoa é gostoso e nos deixa felizes. Mas, a ressurreição de Cristo é quem adocica e alegra a vida do cristão. A salvação que temos em Jesus é mais “gostosa” que o chocolate. Somente crendo em Jesus ressuscitado é que podemos ter uma vida alegre e “gostosa”.

A doçura e alegria em nossa vida, não são somente uma vez no ano (na época da páscoa). Por causa da fé na ressurreição de Cristo, a nossa vida é alegre e doce todo dia do ano, especialmente, todo domingo. Mais, especialmente, no domingo em que tomamos a Ceia do Senhor.

O cristão não mais comemora a páscoa como os judeus. Jesus é a nossa páscoa. Ele, na noite que foi traído, colocou a Sua Ceia no lugar da páscoa. Assim, temos uma páscoa alegre e doce todos os dias, especialmente, no domingo, o dia da ressurreição do SENHOR Jesus.

Por isso, o domingo é o novo Dia do SENHOR. Foi num domingo que Jesus venceu a morte. Foi num domingo que nossas irmãs ouviram o evangelho: Jesus ressuscitou! Foi num domingo que Jesus se reuniu com Seus discípulos e revelou seu poder sobre a morte.

Assim, depois da ressurreição, Cristo estabeleceu o domingo para que Seus discípulos adorassem a Ele em Espírito e em verdade. Nós estamos aqui, especialmente, nesse domingo de páscoa, sendo lembrados e alegrados com evangelho da nossa salvação: Jesus ressuscitou. Ele não mais está na sepultura.

Amém.

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Pr. Adriano Gama

Ministro da Palavra e dos Sacramentos da Igreja Reformada em Maragogi (AL). É missionário na Congregação Reformada em Colombo (PR).

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