Sermão preparado pelo pastor Elissandro Rabelo
Leitura: Marcos 01.28-39
Texto: Marcos 01.35.39

Amados irmãos em Cristo e caros visitantes

O Senhor Jesus iniciou o seu ministério terreno na região da Galiléia, especialmente na cidade de Cafarnaum onde ele morava. Na sinagoga dessa cidade, ele exerceu a sua autoridade de Filho de Deus através do seu ensino e da expulsão de um demônio. Esse ato provocou admiração das pessoas que ali estavam e fez com que a fama de Jesus se espalhasse rapidamente por toda a região da Galiléia.

Depois desse acontecimento na sinagoga de Cafarnaum, Jesus continuou o seu trabalho naquela cidade. Ele saiu da sinagoga com seus discípulos e foi para a casa de Pedro onde curou a sua sogra que estava com febre. Até aqui Jesus curou um enfermo e libertou um homem do poder do demônio. Toda cidade ficou sabendo dessas coisas. Então, o que aconteceu? “À tarde, ao cair do sol, trouxeram a Jesus todos os enfermos e endemoninhados” (Mc. 1.32). Havia uma grande multidão em frente da casa onde Jesus estava, e ele curou muitos enfermos e libertou muitos endemoninhados.

Vemos que no seu primeiro dia em Cafarnaum, Jesus teve muito trabalho. Era ainda o início da sua missão e muitas outras coisas ele tinha de fazer para cumprir o grande propósito da sua vinda ao mundo que era dar a sua vida em resgate por muitos (Mc. 10.45). Jesus sabia que tinha muito trabalho pela frente entes de enfrentar a cruz. Ele sempre buscou a orientação do Pai e mostrou fidelidade e sabedoria em todo seu trabalho. Ele sabia muito bem qual era o programa de trabalho que o Pai tinha determinado para ele e estava disposto a cumpri-lo. Cada ato, cada palavra sua era mais um passo para cumprir a obra que o Pai lhe dera para fazer: destruir as obras do diabo e salvar um povo para si.

Ao longo dos seus três anos de ministério entre os homens, qual foi a prioridade de Jesus? A que obras ele deu maior importância? Lendo com atenção os evangelhos, percebemos que todo o ministério público de Jesus foi marcado pelas seguintes atividades: pregação e ensino, oração, curas, milagres e expulsão de demônios. O início do seu trabalho em Cafarnaum já nos mostra Jesus realizando estas obras. Agora observe que o nosso texto tem a intenção de mostrar quais as atividades que Jesus deu prioridade no seu trabalho: oração (1.35) e pregação (1.38). Nosso texto afirma que Jesus orava e que ele veio para pregar. A maior parte do tempo de Jesus foi gasta em oração e pregação. Vamos atentar para estas duas obras importantes realizadas por Jesus. A mensagem do nosso texto é esta:

JESUS DEU PRIORIDADE À ORAÇÃO E À PREGAÇÃO NO SEU MINISTÉRIO TERRENO

Vejamos duas coisas no nosso texto:

1) Jesus Orava Continuamente
2) Jesus Veio para Pregar

1) Jesus Orava Continuamente

No verso 35 lemos o seguinte: “Tendo Jesus se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava”. Jesus saiu da casa em que estava ali em Cafarnaum, estando ainda escuro, procurou um lugar solitário para entrar na presença de Deus em oração. A prática da oração era um ato contínuo na vida de Jesus. Ele orava durante horas e especialmente em ocasiões importantes. Os evangelhos nos dão muitas referências à prática da oração na vida de Jesus. Ele orou na ocasião do seu batismo no rio Jordão (Lc. 3.21). Jesus orou antes de escolher os doze apóstolos (Lc. 6.12). Jesus orou na ocasião da sua transfiguração (Lc. 9.29). Jesus orou na hora da sua angústia no jardim do Getsêmani (Mc. 14.32). Por que Jesus orava continuamente ao Seu Pai Celestial? Para dar graças a Deus pelas bênçãos que Deus estava realizando por meio dele. Para pedir sabedoria a fim de realizar perfeitamente a obra do seu Pai. Para receber conforto e livramento nas horas de angústia e tentação. Mas especialmente ele orava porque tinha prazer de falar com o Seu Pai, de estar na presença dele. Jesus se alegrava na íntima comunhão com Seu Pai por meio da oração. Jesus manifestou humildade e confiança ao recorrer ao Seu Pai em oração. Vemos nisso que sua natureza humana se revelava na sua necessidade de orar ao Pai.

Nosso texto diz que Jesus orava. Marcos não especifica a oração de Jesus, mas só quer enfatizar a prática da oração na vida de Jesus. Olhando o contexto, pode ser que Jesus agradeceu a Deus pelas bênçãos recebidas no seu primeiro dia de trabalho em Cafarnaum. Pode ser também que ele pediu forças e sabedoria para continuar o seu trabalho que estava apenas começando. Não sabemos ao certo. Mas a lição que aprendemos aqui no nosso texto é que Jesus dava valor e prioridade à prática constante da oração, pois ele tinha prazer de estar na presença de Deus. Se o dia estava cheio de atividades, ele orava de madrugada. Tem pessoas que pegam esse texto e colocam como uma norma orar de madrugada. Tem até uma música “evangélica” que diz que o crente deve orar de madrugada porque a fila é menor. Isso é tolice. É negar o poder e a soberania de Deus. Deus está com os ouvidos abertos para nos atender a qualquer hora do dia. Não importa se você ora de madrugada, durante o dia ou à noite. O que importa é que você busque o Senhor sempre e que Deus está atento á sua oração a qualquer hora do dia.

Meus irmãos, Jesus nos mostra com seu exemplo e ensino que a vida cristã deve ser marcada pela prática constante da oração. Ele é o modelo de oração para sua igreja. Ele orava com constância e diligência. E sendo um fiel praticante da oração, Jesus ensinou e encorajou seus discípulos a orarem sempre ao Pai Celeste (ver Mt. 7.7-11; Lc. 18.1-8). Os primeiros discípulos aprenderam a lição do Senhor e deram prioridade à prática da oração em suas vidas e ministério (ver At.1.14, 24,25; 2.42; 6.4,6; 13.3). Vemos que oração era prática comum na vida da igreja primitiva e dos apóstolos. Estes sempre buscavam a orientação do Senhor para fazerem seu trabalho e tomarem decisões importantes. Pela graça de Deus, eles foram imitadores de Cristo na prática da oração.

E você meu irmão, minha irmã? Como está a sua vida de oração? Tem imitado o Seu Mestre nesse aspecto importante da vida cristã que é a prática da oração? Você tem feito um bom proveito desse meio maravilhoso que Deus nos deu para nos aproximarmos dele que é a oração? Você ora constância? Dar prioridade à oração ou ela é apenas um apêndice na sua vida? Você busca a orientação de Deus para tomar decisões importantes na sua vida? Pede sabedoria? Agradece pelas bênçãos do Senhor na sua vida? Recorre a ele na hora da angústia? Pede pra Deus abençoar seu trabalho e sua família, ou vive como se não dependesse dele, negligenciando a prática da oração?

Meus irmãos! Devemos estar atentos a certos perigos que tentam nos afastar de uma vida de comunhão com Deus por meio da oração. A preguiça de orar, a acomodação espiritual pode atrapalhar nossa vida de oração. A alegria de viver em pecado nos afasta de Deus e da oração. Mas eu quero chamar a sua atenção para um outro perigo. É o perigo do ativismo diário. Às vezes ficamos tão envolvidos com nosso trabalho diário, com tantas atividades para fazer, que nos esquecemos de estar a sós com Deus em oração. Temos tantas coisas para fazer que parece faltar tempo para orar. Alguém pode até alegar falta de tempo para orar. Mas isso é uma desculpa vazia. O nosso problema não é a falta de tempo para orar, mas é o nosso pecado mesmo de negligenciar o momento precioso de estar na presença de Deus em oração. Quem não ora porque diz que tem muita coisa para fazer, mostra falta de amor e de confiança em Deus e também uma atitude de tolice, pois você quer fazer tantas coisas sem buscar a direção e a benção de Deus. Lembre-se do que Jesus disse: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo. 15.5). Daniel tinha de cuidar de muitas coisas no governo da Babilônia, contudo, diz a Bíblia que ele orava três vezes ao dia (Dn. 6.11). Mais do que Daniel, Jesus tinha muito para fazer. Sua agenda estava cheia de atividades a cada dia. Mas ele sempre deu prioridade à oração, reservando tempo para estar a sós com Deus.

Se você não tem perseverado na oração, arrependa-se e busque hoje mesmo o Senhor confessando a ele o seu pecado de ser negligente na oração e pedindo a ele que lhe dê alegria de orar e viver em comunhão com ele. Olhe para Jesus. Seja encorajado com o exemplo do Seu Mestre em buscar continuamente a Deus em oração. Assim como ele, peça ao Pai que lhe dê sabedoria e força para realizar a obra que ele tem para cada um de nós. Pois, se o Santo de Deus buscava continuamente o Seu Pai em oração, quanto mais nós que somos fracos e pecadores necessitamos orar mais ao Senhor. Valorize a oração e a pratique. Não deixe de orar em casa com seus filhos e por seus filhos. Não desperdice o momento precioso de participar das reuniões de oração na igreja talvez para ficar em casa assistindo televisão ou fazendo outras coisas que não edificam. Precisamos orar mais irmãos. Sem oração não há crescimento. O crescimento da nossa vida espiritual, a edificação da igreja, a conversão dos pecadores acontece quando priorizamos e praticamos a oração.

2) Jesus Veio para Pregar

Além da oração, Jesus deu prioridade à sua atividade de pregação. A primeira coisa que ele fez ao se manifestar entre os homens foi pregar o evangelho (Mc. 1.14,15). Pregar foi o que ele mais fez durante os três anos de seu ministério. Aqui no nosso texto Jesus enfatiza a importância da pregação afirmando que ele veio para pregar (Mc.1.38). Jesus valorizou a pregação. Isso se torna ainda mais claro quando atentamos para o contexto em que ele fez essa afirmativa.

Enquanto ele orava num lugar deserto, seus discípulos estavam à sua procura (37). Eles procuravam o Senhor com diligência. Estavam determinados a encontrá-lo. Será que tinham algo importante para informar ao Mestre? Em sua busca diligente, eles encontraram Jesus orando e lhe interromperam dizendo: “Todos te buscam” (37). O que essas palavras de Pedro e dos outros discípulos nos revelam? Por que eles procuraram diligentemente por Jesus? A intenção dos discípulos ao saírem em busca de Jesus é informar-lhe de que as pessoas de Cafarnaum estão á sua procura e os discípulos querem trazer Jesus para o meio da multidão para que ele atenda as necessidades daquelas pessoas. Por que os moradores de Cafarnaum estavam á procura de Jesus? Observe o seguinte: logo no início da noite, Jesus curou muitos doentes e expulsou muitos demônios ali em Cafarnaum. Já por volta da madrugada, muitas pessoas estavam à sua procura. E essas pessoas procuravam Jesus por causa das curas e das expulsões de demônios que Jesus realizou ali. Elas queriam novos milagres. Esperavam curas e expulsões de demônios. Não estavam interessadas no ensino e pregação de Jesus, mas em curas e milagres.

Agora como Jesus reagiu aquela situação? Ele aproveitou a oportunidade para realizar mais milagres em Cafarnaum? Ele promoveu um culto de libertação? Qual a reação de Jesus? Qual sua resposta diante daquela situação? Jesus, porém, lhes disse: “Vamos a outros lugares; ás povoações vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois para isso é que vim” (v.38). Essa resposta do Senhor nos revela verdades importantes sobre ele mesmo e sua obra:

1) Jesus afirma que veio para pregar: “A fim de que eu pregue… pois para isso é que vim”. “Eu vim” expressa não simplesmente a sua saída de Cafarnaum para pregar em outros lugares, mas a sua vinda do céu para a terra a fim de exercer o seu ofício de Profeta entre os homens. Jesus sempre se referiu ao propósito de sua vinda ao mundo. Nós sabemos que o grande e principal propósito de sua vinda foi realizar a obra de redenção por meio do seu sacrifício (Mc. 10.45). Tudo o mais que ele fez, contribuiu e culminou nessa grande obra de dar a sua vida (oração, curas, pregação, milagres). A pregação do evangelho foi um propósito específico de seu ministério e algo que Jesus deu muita importância. Por que Jesus foi ungido com o Espírito Santo? Para pregar o evangelho da salvação (ver Is.61.1,2). A prioridade está na pregação. Jesus proclamou publicamente e com autoridade o evangelho que recebera de Deus. Ele veio chamar pecadores á fé e ao arrependimento e ele fez isso por meio da pregação (Mc.1.15; 2.17). A pregação estava acima dos milagres. As pessoas queriam curas e milagres, mas Jesus valorizou a pregação. Ele não estava preocupado apenas com o bem estar físico do corpo, mas com a cura da alma. Os milagres serviam apenas para confirmar sua mensagem e mostrar a todos que ele era o Cristo Prometido a quem todos deviam abraçar com fé. Por isso, Jesus deu grande importância á pregação.

2) Jesus confirma o chamado dos seus discípulos para serem pescadores de homens. Diante da proposta dos discípulos para voltar a Cafarnaum e atender aqueles que o buscavam, Jesus diz para eles: “Vamos”. Observe que um pouco antes Jesus os tinha escolhido e chamado para serem pescadores de homens (17). Eles não precisavam mais lançar redes ao mar, mas pregar o evangelho para levar homens a Cristo. Por isso, Jesus os chama a estarem com ele a pregar (vamos). Naquele momento, os discípulos não entendiam ainda que a pregação era a principal obra de Cristo e seria a principal obra deles também. Jesus está preparando os seus discípulos para serem pregadores do evangelho. Logo depois, Jesus os envia especialmente para pregar (ver Mc. 3.14).

3) A pregação de Jesus é para todos: vamos a outros lugares, às povoações vizinhas (38, 39; 6.6). Jesus iniciou seu ministério em Cafarnaum, mas não se limitou àquela cidade. Ali já tinham sido feitas muitas coisas (milagres, pregação). Jesus está à procura de outros lugares. Ele quer distribuir sua graça também nas cidades vizinhas de Cafarnaum. Ele pregou por toda a Galiléia, uma província habitada tanto por judeus como por gentios. Depois ele seguiu também para a região da Judéia. Vemos que ele buscou primeiro as ovelhas perdidas da casa de Israel, mas também estendeu sua mensagem aos gentios. Ele fez isso e também enviou os seus discípulos a pregarem o evangelho a todas as nações (Mc. 16.15; Mt. 28.19; At.1.8). Seus apóstolos cumpriram a ordem do Senhor. Eles fizeram milagres, mas a principal tarefa deles foi pregar o evangelho. Eles valorizaram a pregação seguindo o exemplo de Cristo (At.5.42; 6.2,4; 8.4; 9.20.; I Co. 1.17).

O ministério de Cristo e seus apóstolos nos mostram que a pregação deve ser a obra mais importante na vida da igreja. Deve ser a tarefa principal do ministro da palavra e também o principal elemento do culto público. Infelizmente temos visto hoje uma realidade diferente em muitas igrejas que se dizem evangélicas. A pregação fiel do evangelho que Deus usa para salvar o pecador tem sido colocada de lado. Há pastores que parecem mais empresários, animadores de palco ou curandeiros do que pregadores do evangelho. O que vemos são cultos de libertação e prosperidade, mas nada de pregação viva que chama o pecador ao arrependimento e à fé em Cristo. É muito triste vermos hoje como muitas pessoas, a exemplo dos moradores de Cafarnaum, têm buscado a Jesus nas igrejas com motivações erradas: curas, milagres, prosperidade material e não a glória de Cristo pela pregação da palavra nem a sua conversão (Jo. 6.24-27).

Meus irmãos, o Senhor nos chama a buscar primeiro o seu reino e a sua justiça e ele nos promete que outras serão acrescentadas (Mt. 6.33). Ele nos chama a valorizar a pregação e o ensino da palavra de Deus. Pois é por meio da pregação que ele salva pecadores e nos fortalece na fé e nos faz crescer na graça e no conhecimento de Cristo. Cristo se agrada dos membros da sua igreja que se alegram em vir à sua casa ouvir com prazer, atenção e humildade a sua palavra que é proclamada a cada domingo nos cultos públicos e nos estudos bíblicos oferecidos pela igreja. Você ama a Cristo? Então, valorize a pregação do evangelho! Ensine a palavra aos seus filhos! Fale de Cristo para outros! Seja um instrumento de Cristo na divulgação do evangelho e faça isso com suas palavras e conduta!

Meus irmãos! Ainda hoje o Senhor Jesus continua cumprindo o seu propósito de pregar o evangelho a todas as nações. Através de suas igrejas fiéis, ele continua proclamando sua mensagem de salvação ao mundo a fim de converter pecadores e edificar a sua igreja. Ouça o evangelho de Cristo, creia nele e serás salvo. Lembre-se que o evangelho de Cristo será pregado até o dia da sua volta, quando ele virá par reunir o seu povo e viver com ele por toda a eternidade no novo céu e na nova. Essa benção de viver com Cristo para sempre é para todo aquele que crer e vive de acordo com o seu evangelho. Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Elissandro Rabêlo

Pastor na Igreja Reformada em Cabo Frio - RJ.