Pregação preparada pelo Pr. Abram de Graaf

Leitura: Lucas 01:05-22

Texto: Lucas 24:50-53

Queridos irmãos em Jesus Cristo,

Hoje nós nos lembramos do fato que o nosso Jesus subiu ao céu. Lucas nos conta esta história no início do livro dos Atos e no fim do seu evangelho. Vamos ler o que está escrito sobre isso [ leitura do texto Lucas 24, 50-53 ].

É interessante vermos, irmãos, como Lucas escreveu o seu evangelho. Lucas fez uma pesquisa sobre a vida de Jesus e ele ordenou cuidadosamente o material que ele tinha encontrado. Ele fez isso com um alvo especial. Ele queria que o seu público entendesse a história de Jesus. E o seu público foi as pessoas que não conheciam a religião dos judeus. Lucas escreveu para os gentios. Ele escreveu seu livro em primeiro lugar para Teófilo: um gentio, igual a Lucas antigamente. Mas Lucas ouviu as histórias de Jesus e saiu para fazer uma pesquisa; para fiscalizar esta história. E depois disso ele escreveu tudo num livro: o Evangelho de Lucas. E neste evangelho ele mostra que Jesus é o Filho de Deus, que foi enviado para salvar o MUNDO INTEIRO. Não somente para salvar OS JUDEUS, mas também OS GENTIOS.

Sabendo disso, é interessante para descobrir que Lucas teve muito interesse para O CULTO DOS JUDEUS NO TEMPLO. Mais do que os outros evangelistas, Lucas nos informa sobre uns encontros perto do templo. Por exemplo, só Lucas nos informa sobre O SERVIÇO DE ZACARIAS NO TEMPLO, só Lucas fala sobre A APRESENTAÇÃO DE JESUS NO TEMPLO, E SOBRE O ENCONTRO DE ANA E SIMEÃO COM MENINO JESUS NO TEMPLO, E SOBRE O MENINO JESUS QUE ENSINOU NO TEMPLO TENDO 12 ANOS. E há muito mais no evangelho de Lucas: A PURIFICAÇÃO DO TEMPLO, A DESTRUIÇÃO DO TEMPLO, etc.

É interessante descobrir isso, pois que valor tem isso para um gentio? A posição do gentio em relação ao culto judaico no templo é igual a nossa posição. Nós temos pouco conhecimento do culto no templo. Se vivêssemos naquela época não poderíamos participar neste culto. Então por que dar tanta atenção para este culto? Não é interessante para quem não é judeu, como nós. Apesar disso Lucas dá muita atenção nisso. Parece que ele quer nos mostrar alguma coisa. Não é coincidência que o livro dele começa e termina com o serviço do sacerdote. No inicio: o sacerdote Zacarias, que está no templo. E no fim os apóstolos que voltam para o templo, louvando e glorificando a Deus. No início: o povo calado por causa do sacerdote Zacarias que não diz nada; e no fim: os discípulos cantando por causa do sacerdote significativo, que eles viram. Talvez não é bem claro na primeira vista, mas no fim do evangelho de Lucas se fala sobre o sumo-sacerdote. No versículo 50 está escrito sobre Jesus: que ele LEVANTOU AS MÃOS E OS ABENÇOOU. Levantar as mãos é um ato sacerdotal. Especialmente se for feito para ABENÇOAR. É um ato sacerdotal.

Então, irmãos, parece que Lucas quer mostrar alguma coisa: no início do evangelho o povo não recebeu nenhuma benção, pois o sacerdote falhou e aqui no fim os discípulos receberam uma eterna benção do próprio Senhor. Me parece que Lucas quer mostrar-nos que Jesus Cristo acabou com o culto antigo dos Judeus. O culto dos Judeus acabou e o culto de Cristo começou e continua perante Deus no céu.

  • 1. O nosso culto não está ligado com o templo em Jerusálem
  • 2. O nosso culto é dirigido por Cristo, o nosso Sumo-Sacerdote
  • 3. O nosso culto é para todo mundo

1. O nosso culto não está ligado com o templo em Jerusálem

Queridos irmãos, para entender o fim do evangelho de Lucas é bom para dizer alguma coisa sobre o culto dos judeus naquela época. O culto dos judeus teve o seu centro no templo, que estava em Jerusalém. Ao lado do norte da cidade batia o coração do culto de Israel. Todos os judeus andavam para lá servirem a Deus. Ali eles cantavam os salmos 84, 87, 100, e os salmos 121 até 134.

Então irmãos, o salmo já mostra claramente que os servos do Senhor estavam lá servindo a Deus durante noite e dia. Lá em Jerusalém, lá no templo, se encontrava o centro do culto a Deus. Para lá foi Zacarias, quando foi escolhido para fazer o seu serviço. Ele foi para Jerusalém para fazer os sacrifícios necessários conforme a lei de Deus: Os holocaustos, os sacrifícios de paz e o sacrifício pelos erros dos sacerdotes. E quando ele terminasse, ele entraria no templo para levar o sangue dos animais à arca para fazer expiação dos pecados de todo povo de Israel. E no mesmo momento os representantes do povo estavam esperando fora do santuário para receber a benção do sacerdote. A benção sacerdotal que encontramos em Números 6. A mesma benção que nós regularmente recebemos no fim do nosso culto.Esta benção só podia ser recebida lá no templo, pois foi o único lugar que Deus escolheu. Deus santificou este lugar para o culto da reconciliação. Lá os sacrifícios deviam ser preparados e lá havia a arca da aliança com a tampara da reconciliação. Todos os sacerdotes iam para lá servirem a Deus.

Mas o que acontece com Jesus? Jesus NÃO ENTRA NO TEMPLO para abençoar os seus discípulos. Jesus torna as suas costas ao templo e a Jerusalém! Ele sai da cidade e anda na direção de Betânia, para o Monte das Oliveiras. Este monte das oliveiras se encontra também ao norte da cidade, mas fora da cidade em frente ao templo. Jesus estava neste Monte das Oliveiras quando ele profetizou sobre a destruição de Jerusalém e do templo (Mc. 13,5). Agora Jesus está de novo no Monte das Oliveiras. O templo está no outro lado. Então houve uma separação. Jesus se distanciou do culto no templo, pois este culto não vale mais. Não precisava mais ser feito sacrifícios, pois o único sacrifício que salva já foi feito. Este único sacrifício acabou completamente com todos os sacrifícios e com o culto no templo.

Jesus já anunciara isso na sua conversa com a mulher samaritana (João 3). Ela lhe perguntou aonde eles deviam adorar a Deus. No monte Ebal, conforme o costume dos samaritanos, ou no monte de Jerusalém conforme o costume dos judeus. Na sua resposta Jesus já deixou claro que no futuro as pessoas adorarão a Deus nem no monte Ebal, nem em Jerusalém, mas em todo canto. Naquela conversa Jesus já mostrou que o culto em Jerusalém era temporal. E agora Jesus mostra que a hora chegou para deixar o culto antigo. Não mais em Jerusalém, nem no Ebal, mas em todo o mundo Deus pode ser adorado. Toda a terra é santificada. Por isso Jesus mandou os seus apóstolos por toda a terra, para proclamar o evangelho a todos até os confins da terra. Tanto judeus, quanto gentios devem ouvir o evangelho, devem seguir a Jesus Cristo, que morreu para salvar o mundo. Cristo deve ser servido tanto em Jerusalém quanto fora da cidade. Sirva a Cristo, na igreja, mas também em casa e também no seu trabalho! Em todo lugar! Pois desde o dia da ascensão de Cristo o verdadeiro culto a Deus acontece no céu e não em Jerusalém, nem em Meca, nem em qualquer outro lugar neste mundo. Pelo Espírito somos unidos com Cristo, que nos manda a sua benção do céu. Escolhendo este outro monte em frente do templo, Jesus deixa claro que começou o culto novo.

2. O nosso culto é dirigido por Cristo, o nosso Sumo-Sacerdote

O culto antigo dos judeus tinha algumas condições. Descobrimos isso, se olharmos ao sacerdote Zacarias que se apresenta no início do evangelho. Zacarias foi chamado para servir no templo, pois ele cumpriu as condições: Ele foi membro da tribo de Levi e fazia parte da casa de Arão. Ele foi casado com Isabel, uma filha da casa de Arão. Então Zacarias vivia conforme as leis, que Deus tinha dado em respeito do serviço no templo.

E Jesus? Quando ele subiu ao céu levantou as mãos para abençoar os discípulos, ele podia fazer isso? Ele não era da tribo de Levi, não foi descendente de Arão. Ele não fazia parte da tribo dos sacerdotes, mas apesar disso ele levantou as mãos e abençoou os discípulos.

Ele podia fazer isso? Normalmente não. A lei proíbe isso! Mas Deus mostra que Cristo recebeu o direito de fazer isso. Cristo conquistou este direito. Ele mostra o seu direito quando ele levanta as suas mãos. As suas mãos PERFURADAS! Estas mãos perfuradas, são mãos SACERDOTAIS. As mesmas mãos foram perfuradas para FAZER O SACRIFÍCIO ÚNICO que podia satisfazer a ira de Deus. São as mãos do SUMO-SACERDOTE, QUE SE TORNOU HOLOCAUSTO por causa do pecado do mundo. Ele foi O CORDEIRO DE DEUS que foi dado para reconciliação dos pecados. POR CAUSA DESTE ÚNICO SACRIFÍCIO todo o culto no templo acabou. Jesus fez o sacrifício necessário. Ele acabou com este culto antigo e agora ele CONTINUA com este trabalho, pois é ele que lhes dá A BENÇÃO DE DEUS! E esta benção tem valor! Tem um valor eterno, pois o sacrifício tem um valor eterno. Esta benção abrange toda história da igreja! Ela foi dada aos apóstolos, mas eles receberam esta benção sendo representantes de toda igreja: a igreja de todo o tempo e de todos os lugares. Quando nós recebermos a benção no fim deste culto, esta benção é baseada na benção eterna que Cristo deu à sua igreja quando ele subiu ao céu. Esta benção foi com os apóstolos quando entraram no mundo; e eles compartilharam esta benção com todos, que procuravam a sua salvação perto do sumo-sacerdote Jesus Cristo, que subiu ao céu.

Isso serve também para nós, irmãos. Então o que podemos esperar da benção de Cristo? Que efeito tem esta benção na nossa vida? Uma benção não é somente um voto, mas uma benção é uma PROMESSA, que depois de algum tempo se realiza. Podemos pensar na benção que Isaque deu a Jacó. Ele abençoou Jacó e prometeu-lhe prosperidade e um país fértil. Esta benção foi dada a Jacó e não a Esaú. Se Esaú quer receber esta benção ele não consegue. Jacó recebeu esta benção e ele e os seus filhos receberão esta benção. E a Bíblia mostra isso, pois depois de algum tempo a benção se realizou. Israel se multiplicou e recebeu Canaã, um país fértil.

A benção de Deus é uma promessa que tem uma garantia, pois é Deus quem deu esta promessa. E Deus fará o que ele promete. Por isso esta promessa é muito mais do que um voto, ou um desejo. A benção de Deus é uma promessa, que será realizada. Cedo ou tarde. Assim também a benção que Jesus deu. Jesus é o herdeiro da promessa. A PROMESSA DA VIDA ETERNA. Esta promessa foi lhe dado por causa do único sacrifício que ele fez na cruz. E aqui, no Monte das Oliveiras, Cristo faz os seus discípulos co-herdeiros da promessa que ele recebeu do seu Pai. E cada vez, irmãos, que esta benção é dada a vocês, Cristo vos lembra que vós também sois co-herdeiros da promessa, que Cristo conquistou para vocês. Cristo dá esta garantia. E os apóstolos devem transmitir esta benção a todos no mundo que crêem em Cristo.

3. O nosso culto é para todo mundo

Os apóstolos, irmãos, foram testemunhas da obra sacerdotal de Jesus Cristo. Eles viram que Jesus foi crucificado; eles ouviram que o véu do templo rasgou-se no mesmo momento; eles viram que Cristo levantou as mãos e foi levado ao céu. Com as mãos levantadas Jesus subiu da terra. E quando Jesus entra no céu, uma nuvem fecha a vista, como um véu. Eles viram tudo acontecer, mas não ficaram tristes. Como o povo nunca ficava triste quando o sumo-sacerdote entrava no templo e passava o véu. Ninguém ficou triste, pois sabiam que ele estava lá no templo para realizar a expiação dos pecados. Ele estava lá em favor do povo que estava fora. Assim Jesus também: ele entrou no templo celestial para realizar a expiação dos pecados dos apóstolos. Isso é o verdadeiro culto a Deus. Por isso eles voltam para Jerusalém. Com alegria. Eles viram que o culto do Antigo Testamento acabou. O culto do Antigo Testamento foi renovado em Jesus Cristo. Ele é o sumo-sacerdote conforme a ordem de Melquisedeque. Pelo sacrifício dele ele conseguiu uma expiação eterna. Ele recebeu a promessa da vida eterna de Deus. Todo mundo deve saber disso. E os apóstolos devem proclamar isso. Por causa disso não é estranho que os apóstolos voltam para Jerusalém, e para o templo antigo. Eles devem começar lê, pois lá havia muitas pessoas que ainda esperavam a sua salvação no culto antigo. Eles esperam a salvação do sumo sacerdote humano, mas eles devem saber que este sumo-sacerdote não vale mais. O Sumo-sacerdote chegou e estabeleceu o novo culto, baseado num sacrifício eterno, e com uma benção eterna. Por isso eles voltam ao templo: os outros devem saber! E por causa disso, eles ficavam no templo o tempo todo. Louvando e glorificando a Deus! E por causa disso, nós nos reunimos hoje, irmãos, louvando e glorificando a Deus. A ascensão de Cristo é um bom motivo de fazer isso.

A ASCENÇÃO DE CRISTO É O INÍCIO DO NOSSO NOVO CULTO A DEUS.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Abram de Graaf

O pastor Abram de Graaf é “Doctorandus” (Drs) em Teologia e um dos professores do Instituto João Calvino (Aldeia, Camaragibe-PE). Ele é pastor da Igreja Reformada de Hamilton, Canadá, enviado como missionário às Igrejas Reformadas do Brasil, desde o ano 2000. É Diretor do Projeto Dordt-Brasil. Ele mora em Maceió e também desenvolve projetos nessa cidade.

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