Pregação preparada pelo Pr. Abram de Graaf

Leitura: João 15:09-27

Texto: João 15:28-25

Queridos irmãos em Cristo,

Vocês sabiam que o Evangelho de João foi um dos últimos livros do Novo Testamento? O apóstolo João foi o último apóstolo que morreu. Ele ficou muito velho. Tão velho, que as pessoas pensavam que o apóstolo João não ia morrer. No fim do evangelho lemos uma notícia sobre isso (João 21,23) dizendo que se tornou corrente entre os irmãos o dito de Jesus que aquele discípulo não morreria; mas Jesus não tinha dito isso, mas ele dissera: “Se eu quero que ele permaneça, até que eu venha, que te importa?” João mesmo fala sobre isso e refuta a idéia da sua imortabilidade. Mas ele ficou muito velho. João é o único apóstolo que conhecia a história da igreja do primeiro século.

Ele conhecia a história de Jesus, a ressurreição, e como Jesus subiu ao céu. João estava lá em Jerusalém quando o Espírito Santo desceu no dia de Pentecostes. João encontrou Paulo e ouviu sobre as suas viagens missionárias. João viu a igreja crescer, mas ele experimentou também as perseguições que vieram depois. As perseguições pelos Judeus, em Jerusalém e em vários outros lugares. A resistência dos Judeus contra o evangelho de Jesus Cristo. Como eles expulsaram os apóstolos das sinagogas. Talvez ele viu como Estevão foi apedrejado pelos Judeus; e como o Rei Herodes assassinou o seu irmão Tiago (Atos 12) e perseguiu Pedro. A igreja foi espalhada pelo mundo inteiro. E depois das perseguições dos Judeus, chegaram as perseguições dos Romanos. Com certeza João ouviu as historias horríveis de Pedro e Paulo, que morreram em Roma. Pedro foi crucificado e queimado e Paulo morreu pela espada. Eles pegaram João também e o condenaram a exílio na ilha de Patmos onde João teve as suas visões; depois disso ele voltou para Éfeso e provavelmente terminou a sua vida lá.

Os Judeus e os Romanos odiavam a religião de Jesus Cristo e tentaram extinguir os cristãos, mas não conseguiram. O sangue dos mártires foi a semente da igreja. Por causa das perseguições e talvez possamos dizer graças às perseguições a igreja cresceu. E naquela situação escreveu João o seu evangelho.

Quem sabe isso, entende melhor as palavras proféticas do nosso Senhor Jesus Cristo, que João se lembrou. As palavras proféticas sobre o ódio do mundo, que encontramos em João 15, 18-27 [Vamos ler este trecho].

É claro, irmãos, que Jesus fala profeticamente sobre o ódio do mundo. Pois os profetas do Antigo Testamento já falaram assim. Moisés por exemplo! Ele já revelou que desde o início existe uma inimizade entre a serpente, que é o diabo e a mulher, que será a mãe do Salvador. Em Gên. 3,15 está escrito: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente”. Desde aquele momento houve uma separação entre as pessoas aqui na terra. Num lado havia as pessoas, que foram escolhidas por Deus. E no outro lado havia as pessoas que foram dominadas pelo diabo.

Por causa disso matou Caim o seu irmão Abel (Gên. 4); toda geração de Caim era uma geração com ódio e violência. E por isso eles pereceram no dilúvio. Mas Noé com a sua família foi salvo. E depois do dilúvio o diabo continua o seu trabalho contra os descendentes da mulher. O faraó do Egito estava a serviço do diabo, pois queria matar todo povo de Israel;

Israel vivia no mundo e o mundo o odiava. Pensem na história de Ester. Hamã queria destruir o povo de Israel, mas Deus o salvou. Isso é o padrão da história do mundo. Num lado o povo de Deus e no outro lado o mundo. E entre eles: a inimizade. O diabo queria destruir o plano de Deus; queria impedir a vinda de Jesus Cristo. Por isso ele endemoniou Herodes para matar o menino Jesus; e depois disso ele endemoniou os Judeus para que eles fizessem planos para assassinar Jesus. E isso foi ódio mesmo.

Jesus fala sobre isso. Ele disse (João 15,18.25): Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Odiaram-me sem motivo! Sem motivo! Irmãos. Isso quer dizer: foi ódio mesmo. Pois ódio é sem motivo. Uma pessoa pode estar com raiva, porque fulano matou o seu pai. Esta pessoa tem um motivo para estar com raiva. Mas se uma pessoa estiver com raiva sem motivo, isso é estranho. É ódio mesmo. O mundo reage assim, irmãos. Com ódio. Sem motivo.

Pois qual motivo o mundo pode ter para matar Jesus Cristo? Ele nasceu e ainda não fez nada e Herodes já queria assassiná-lo. E quando Jesus começou o seu trabalho os líderes dos Judeus tomaram uma posição de inimizade. Eles já logo no início fizeram um plano para tirar a vida de Jesus (Mc. 3,6). E o que Jesus fez de errado? Ele curou muitas pessoas; ele salvou pecadores, ele mostrou às pessoas o amor do seu Pai. Ele cumpriu o grande mandamento. Que mandamento é esse? Jesus nos disse (Mt. 22,37-40): “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: amarás a teu próximo como a ti mesmo. Destes dois madamentos dependem toda a lei e os profetas.”.

Toda a vida de Jesus mostra isso: o grande amor por seu Pai no céu e o seu grande amor por seus próximos. Jesus falou sobre isso no trecho anterior (João 15, 9-17) [Vamos ler este trecho]. Prestem atenção, irmãos. Jesus disse: “Ninguém tem maior amor do que este: De dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos”. Foi exatamente isso o que Jesus Cristo fez: ele deu a própria vida em favor dos seus amigos. Em favor de ti em favor de mim. Ele deu a prova do seu grande amor.

É por isso as pessoas não gostam dele, nem de Deus. Jesus já disse (15,23): “Quem me odeia, odeia também a meu Pai”. Pois Jesus e o Pai são um só. Ninguém viu a Deus, mas Jesus Cristo, que vem do pai, o revelou (João 1,18). O amor de Cristo é o amor do Pai. O que Jesus fez, foi conforme o plano de Deus. O plano de Deus para salvar o mundo.

Já logo no início Deus mostrou o seu amor. Ele procurou os primeiros homens (Adão e Eva) e prometeu salvá-los. Ele deu a sua promessa e revelou o seu plano. E este plano será cumprido em Jesus Cristo.Ele revelou o Pai, Ele mostrou o amor profundo dele. E é exatamente isso o que o mundo não gosta.

Vou tentar explicar isso. Imagine, irmãos, que todo mundo é negro. Homens, mulheres, crianças. Todos são negros. E de repente vem uma pessoa branca.

Isso seria um choque, pois naquele momento todos os outros descobrem que são negros. A mesma coisa aconteceu com Jesus. No momento que ele apareceu, cumprindo os mandamentos de Deus, cumprindo as regras de amor. Mostrando amor puro a todos. Isso foi um choque. Pois naquele momento as pessoas sentiram o que faltava na sua vida; sentiram que faltava amor. No encontro com Jesus as pessoas descobriram que não tinham amor por Deus.

Até as pessoas que estavam cumprindo a lei de Deus rigorosamente, (os fariseus, os saduceus e os sacerdotes) até eles descobriram que faltava muito na sua vida. Pois Jesus Cristo os mostrou claramente que a religião deles foi uma religião falsa. Não foi a religião que Deus queria. Foi uma religião com leis, e regras e mandamentos, mas sem coração. Eles estavam cumprindo a lei de Deus, eles estavam exigindo muitas coisas, mas o que faltava era o amor. E sem amor por Deus, ou sem amor pelos próximos, cada religião significa nada.

Paulo já descobriu isso: “ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei; E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, Se não tiver amor, nada disso me aproveitará”.

O amor, já disse isso antes, irmãos! o amor é como o sal na comida. Sem sal a comida não tem sabor; as pessoas comem e não gostam, mas com sal a comida fica gostosa. Assim o amor. O amor é o sal da nossa vida. O amor dá sabor à vida. Todo mundo gosta de receber amor. Mas nem todo mundo gosta de DAR amor, nem consegue DAR amor. RECEBER AMOR é fácil, mas DAR amor é muito difícil. Se Deus exigir amor, todo mundo fica com vergonha; se Deus insistir nisso, todo mundo fica irritado; se Deus mandar os seus profetas, o mundo fecha os ouvidos; e se persistir, o mundo os assassinará. Se Deus mandar o seu filho, o exemplo para todos, o mundo fica revoltado e exige a morte dele. “Crucifica-o! Crucifica-o! E Pilatos disse: Tomai-o vós outros e crucificai-o; porque eu não acho nele crime algum!” (João 19,6). Crime algum Jesus cometeu. Sem motivo eles odiaram Jesus! Pois ele não tinha feito nada mal. Pois ele foi perfeito. E assim Ele os acusou cada dia, mostrando-lhes as suas fraquezas, os seus pecados, os seus crimes, a falta de amor, o tamanho do ódio, que estava neles.

É assim, irmãos, no encontro com Cristo vamos descobrir os nossos pecados, as nossas falhas. O apóstolo Pedro descobriu isso no mar de Galiléia depois da pesca maravilhosa (Lc. 5,8). Pedro vendo isso, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador. Vendo o poder e a misericórdia do Senhor. Ele descobriu o seu pecado. O apóstolo João descobriu isso na ilha da Patmos (Apoc. 1,9). Ele encontrou o senhor e quando o viu, caiu a seus pés como morto”(1,17). O profeta Isaías teve um tal experiência (Is. 6). Homens piedosos, que amavam o Senhor. Até eles descobriram que foram pecadores.

A presença do Senhor revela os nossos pecados. Revela especialmente este pecado: a falta de amor. Quem não ama Jesus Cristo; ou quem não amou Jesus Cristo, ele não poderá ficar na presença dele. A sua consciência o acusará. Ele não poderá olhar nos olhos do Senhor. Ele não poderá ficar na presença do Senhor. Ele fugirá como Adão e Eva. Eles fugiram e Deus os procurou. Mas no momento que Cristo voltar, ninguém pode mais fugir. Naquele momento é tarde demais. Deus não procurará mais. Ele faz isso agora.

Então irmãos, tende cuidado, não recuseis ao que fala. Lembre-te da palavra que está escrita em Hebreus 12, 25-29 [terminar com este texto. Ler completamente] tende cuidado, não recuseis ao que fala => porque o nosso Deus é fogo consumidor.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Abram de Graaf

O pastor Abram de Graaf é “Doctorandus” (Drs) em Teologia e um dos professores do Instituto João Calvino (Aldeia, Camaragibe-PE). Ele é pastor da Igreja Reformada de Hamilton, Canadá, enviado como missionário às Igrejas Reformadas do Brasil, desde o ano 2000. É Diretor do Projeto Dordt-Brasil. Ele mora em Maceió e também desenvolve projetos nessa cidade.

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