Pregação preparada pelo Pr. Adriano Gama

Leitura: Êxodo 16.01-10; João 06.01-51

Texto: João 06.22-40

Amada Congregação do Senhor,

O Senhor Jesus falou essas palavras [Quais palavras? João 6:35-40? – Resposta: As palavras que acabamos de ler], mais ou menos, um ano antes de sua morte na Cruz. A Páscoa estava próxima (Jo 6.4). Jesus Cristo havia alimentado quase cinco mil homens. Ele fez isso com apenas 5 pães e 2 peixinhos. Um grande milagre.

Esse milagre de Jesus Cristo fez com que uma multidão fosse atrás d’Ele. O Povo foi à procura de Jesus em Cafarnaum. A multidão encontrou Jesus dentro de uma sinagoga (Jo 6.59).

Mas, qual o interesse dessa multidão em buscar Jesus?

Era a Palavra d’Ele?

Não. Eles buscavam o pão desta terra (Jo 6.26).

Note como a multidão tinha apetite pelo pão desta terra. As pessoas chegaram a atravessar o mar da Galileia. Veja como o ser humano é interessante: Pelo apetite do pão terreno o homem chega a atravessar um mar.

Você e eu somos movidos por nossos apetites. Aquelas pessoas buscaram a Jesus movidas pelo apetite para comer o pão desta terra.

Mas, qual foi a resposta de Jesus para o povo que buscava o pão da terra?

Jesus Cristo não aceitou o esforço deles. Jesus exortou o povo a trabalhar, “não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, (…)”.

A exortação de Jesus é a introdução do sermão na Sinagoga de Cafarnaum. O sermão sobre o Evangelho do Pão da vida. Esse mesmo evangelho chamo todos a ouvir no seguinte tema:

Tema: Jesus é o pão da vida; Jesus é o alimento para vida eterna. Aquele que d’Ele se alimenta tem a vida eterna e ressurreição final.

Meus amados irmãos, Jesus revelou qual o interesse da multidão (v.26). Esse interesse não era Jesus. O povo não buscava Aquele que o Pai, pelos sinais, mostrou que era o Salvador.

O povo buscava o que Jesus podia dar. No caso, o pão terreno. O pão que mata a fome de comida desta terra. O pão terreno que precisamos para manter nossa vida terrena. O pão que perece!

Nunca faltarão pessoas que buscam Jesus Cristo por seus apetites terrenos. Nunca faltarão pessoas que pensam em Jesus em termos de um supridor de necessidades materiais. Hoje pessoas vão atrás de um “jesus” que dará a elas saúde, um carro, um bom emprego, uma esposa ou marido, ou poder nesta terra. Aconteceu isso nos dias de Jesus. Naqueles dias as pessoas buscaram Jesus pelo pão que perece.

Jesus exortou o povo a parar de buscar d’Ele o pão terreno. Jesus exortou o povo a trabalhar pela comida que “subsiste para a vida eterna”. Essa comida deve ser a prioridade de todo nosso trabalho e nossa atenção nessa vida.

O pão terreno se estraga. A comida que Jesus quer que o povo busque não se estraga, permanece para sempre, permanece para a vida eterna.

Jesus explicou sobre a fonte dessa comida imperecível. Ela não se compra no mercado. Não é o mero homem que tem essa comida para dar.

A comida imperecível é um dom do Filho do homem (v.27). Jesus chama atenção do povo para o Messias, o Filho do Homem. Jesus chama atenção para Ele. Jesus, o Filho do Homem, tem o poder para dar a comida imperecível. O testemunho desse poder é testemunhado por Deus, o Pai.

Deus, o Pai, confirmou com o seu selo, ou seja, Deus pôs sobre Jesus todos os sinais que mostram que Ele era o Messias, o Cristo, o Filho do Homem. No batismo de Jesus, o Pai revelou que Jesus é quem tem o Espírito Santo, para nos salvar. Jesus operou milagres maravilhosos que mostravam que Ele era o Filho de Deus. Não havia como duvidar que Jesus é quem dá a comida para a vida eterna. O povo não compreendeu Jesus. O povo era muito materialista e entendeu de modo literal as palavras de Jesus. Eles ainda continuam a pensar em obras terrenas como meios de salvação (veja o v.28). O povo desejou saber quais obras Deus requer deles: O que Deus quer que façamos?

A resposta de Jesus é clara e direta (veja o v.29). A obra que Deus requer é a fé no Filho do Homem. Deus requer verdadeira fé n’Aquele que Ele enviou, a saber: Jesus Cristo.

Deus, o Pai, não requer obras para que o homem seja salvo por elas. Deus requer verdadeira fé em Jesus Cristo, para que o homem receba o perdão dos pecados e a vida eterna.

Os materialistas entenderam que Jesus se revelou como enviado de Deus. Eles entenderam a lógica das palavras de Jesus, mas não compreenderam a verdade da Palavra. Eles pediram um sinal de Jesus, para que pudessem crer n’Ele (v.30).

Você pode imaginar esse pedido? Mais sinais? Um dia antes, Jesus tinha alimentado uma multidão com poucos pães e alguns peixinhos! Mas, o incrédulo pede sinais, para mostrar a incredulidade dele.

Nem todas as vezes, o desejo de um sinal é fruto da fé. No caso desses judeus, o pedido de um sinal era fruto da incredulidade deles.

Os judeus incrédulos não creram que Jesus era o Filho do Homem. Eles não creram que Ele tinha a comida que não perece. Eles não creram e, por isso, pediram um sinal.

O povo incrédulo citou a Escritura para fundamentar a incredulidade deles! O povo quis comparar e confrontar Jesus com Moisés. O homem pode estar em incredulidade mesmo quando cita a Escritura.

Os judeus incrédulos falaram que Moisés era um verdadeiro libertador, pois ele deu pão do céu ao povo no deserto. Com base na Escritura eles estavam exigindo de Jesus um sinal, um milagre que saciasse a fome materialista deles (vs. 30,31).

O Senhor Jesus não saciou a incredulidade dos incrédulos. Jesus não veio para satisfazer os pecadores incrédulos. Jesus não multiplicou pães, nem fez cair comida do céu. Ele tinha poder para fazer isso. Mas, Jesus não fez.

O que Jesus fez?

Jesus falou a verdade de Deus ao povo (v.32). O verdadeiro pão que dá a vida eterna, o pão do céu, não foi o que Moisés deu.

O pão do céu é o pão que o Pai dá! Esse pão é o pão de Deus, isto é, pão que desceu do céu. Esse pão dá vida ao mundo (v. 33).

O pão de Deus não era somente para os judeus. O alvo de Deus é alimentar o mundo, ou seja, dar a comida da vida eterna a homens, mulheres e crianças provenientes de todas as raças, línguas, tribos e nações.

O povo ouviu e pediu a Jesus o pão de Deus. Mas, o pedido não era conforme a palavra de Jesus. O povo queria o pão de Deus todo dia, pois pediram “dá-nos sempre desse pão” (v.35).

Os ouvintes não entenderam a verdade que Jesus falou. Era mais uma manifestação do desejo mundano deles. Talvez pensassem algo parecido com o maná, ou, em uma nova multiplicação de pães para todo dia.

Então, Jesus foi muito mais claro. Ele revelou quem é o pão de Deus, o pão vindo do céu, o pão que dá vida ao mundo. Jesus disse (v.35): “Eu sou o pão da vida!”. Não outra coisa ou outro é o pão da vida, mas “Eu Sou” – disse Jesus.

Jesus é o “Eu Sou”. A vida eterna está em Jesus, pois Ele é o “Eu Sou”. Aquele que existe por Si só! Aquele que tem a vida em Si mesmo! Ele é o pão da vida.

Jesus acrescentou a promessa da vida eterna, dizendo (v.35): “(…) o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede”. Que promessa maravilhosa do Salvador maravilhoso! Em Jesus encontramos a comida e a bebida que nos alimenta para vida eterna.

Somente em Jesus encontramos tudo o que é necessário para a vida eterna. Somente Jesus nos satisfaz a fome e sede de justiça. Somente em Jesus recebemos o que precisamos: o perdão de todos os nossos pecados e a vida eterna!

O Salvador Maravilhoso e a promessa maravilhosa não foram recebidos pelos ouvintes de Jesus. Jesus acusou seus ouvintes de incredulidade (v.36).

Os incrédulos viram o testemunho de Deus sobre Jesus. Jesus tinha feito muitos milagres diante do povo. Mas, o povo não conseguiu reconhecer que Jesus era o Filho de Deus, o Salvador. Os incrédulos não creram em Jesus.

Essa passagem nos faz pensar no clamor por milagres que hoje se faz. Jesus operou milagres, mas isso não fez os incrédulos irem a Ele. Não são milagres que levam os incrédulos crerem e irem a Jesus.
Quem leva pessoas a crer e irem a Cristo Jesus?

É o Pai (veja o v. 37). O Pai celestial faz homens irem a Jesus e crerem no Seu Filho. Jesus não tem problema com a doutrina da predestinação. Ir a Jesus é uma obra soberana de Deus. Jesus tem a certeza de que veio para receber os pecadores que o Pai deu a Ele. Não é em vão a missão do Filho do Homem, pois o Pai levará pecadores para Jesus.

Esses pecadores que vão a Jesus podem ter a certeza da salvação, pois Jesus prometeu (ainda no v. 37): “(…) o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”.

Aqui vemos que a segurança de nossa salvação não está em nossas mãos. A segurança de nossa vida eterna está em Jesus Cristo. Ele prometeu não lançar fora os eleitos do Pai. Se formos levados a Cristo Jesus, então, podemos ter a certeza da nossa permanência na salvação, pois Jesus não nos lançará fora.

Sabe por quê?

Porque Jesus desceu do céu para fazer a vontade do Pai (v.38).

Qual a vontade do Pai?

Veja o verso 39.

As palavras de Jesus são claras: “E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; (…)”.

Se alguém diz que os crentes não podem ter a certeza da vida eterna, então, essa pessoa diz que Deus é fraco e Jesus é um mentiroso.

O Cristão pode ter a certeza da salvação pela fé em Cristo. A nossa salvação não se perde, porque a vontade do Pai é a nossa salvação em Cristo.

Quem nos separará do amor de Cristo? Quem frustrará a vontade de Deus para nossa salvação?

A vontade soberana de Deus é que Jesus salve todos os Seus eleitos.

Nem a morte frustrará a vontade de Deus para Seus filhos amados, pois a vontade do Pai é “que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia”.

A ressurreição física faz parte da obra salvadora que Cristo realiza em nós. Jesus é quem vai nos ressuscitar por Seu poder. Por isso, nem a nossa última inimiga, a morte, pode frustrar a vontade salvadora de Deus. A ressurreição final é uma realidade que Jesus garante aos Seus amados.

Nós podemos confiar nessa promessa maravilhosa, pois quem nos promete é o Salvador poderoso e fiel. Jesus tem o poder de cumprir essa promessa maravilhosa. Jesus morreu em nosso lugar e por nossas transgressões. Mas, ao terceiro dia, Jesus ressuscitou fisicamente.

A ressurreição de Jesus é a garantia que nossos pecados são perdoados e da nossa ressurreição gloriosa. Por Sua ressurreição física, Jesus nos garante a justiça, a vida eterna e a nossa ressurreição final.
Jesus garantiu que desceu do céu, como o pão de Deus, o pão da vida, para nos dar a vida que a morte não pode matar. A vida eterna em corpo e alma!

Agora, a vontade do Pai é salvar pecadores através da fé. Jesus disse (veja o v. 40): “De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir [olhar] o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”.

Se o homem deseja ser salvo, então, o pecador deve olhar para Jesus e crer que Jesus é o Filho de Deus. O Pai estabeleceu isso. A vontade do Pai é esta “que todo homem que vir [olhar] o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”.

Como posso ver Jesus?

Pelo evangelho! O evangelho, fielmente pregado, revela Jesus ao pecador. Quando o pecador ouve a pregação fiel do evangelho, então, ali, Jesus é revelado como o pão da vida.

O evangelho verdadeiro não leva o pecador a buscar a salvação em si mesmo, em outras pessoas ou nas suas boas obras. O evangelho é claro: Olhe somente para Jesus! Creia somente em Jesus Cristo para que você seja salvo! O evangelho é o instrumento de Deus para levar pecadores cegos a verem somente Jesus e crerem somente em Jesus para a salvação!

Quem crer no evangelho pode ter a certeza da vida eterna e da ressurreição final, para viver com o Pai em corpo e alma. Essa é a vontade do Pai: salvar-nos por meio da verdadeira fé no Evangelho de Cristo.

Então, Jesus nos chama a vê-Lo como o pão do céu, o pão de Deus, o pão da vida. Devemos buscar esse Pão, Jesus. Devemos ter esse pão como o primeiro alimento da nossa cesta básica. Somente quem come desse pão tem a vida eterna em corpo e alma.

Agora, alimentar-se de Jesus é crer n’Ele como o único Salvador. Jesus diz no evangelho: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede”. Crer é o meio de nos saciarmos de Cristo para a vida eterna. Pois a vontade do Pai é está: “que todo homem que vir [olhar] o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”.

Portanto, nós, pela graça de Deus, por meio da fé verdadeira, nos alimentemos de Jesus Cristo. Ele é o pão da vida. Jesus é a comida e a bebida que nos garante a ressurreição e vida eterna, em corpo e alma. Jesus é a certeza e a segurança de nossa salvação. Jesus é a certeza de nossa ressurreição. Por isso, creiamos somente em Cristo Jesus, Ele diz a nós que ““De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir [olhar] o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”.

Amém.

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Pr. Adriano Gama

Ministro da Palavra e dos Sacramentos da Igreja Reformada em Maragogi (AL). É missionário na Congregação Reformada em Colombo (PR).

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