Pregação preparada pelo Pr. Abram de Graaf

Leitura: Apocalipse 19

Texto: Isaías 25:06-09

Queridos irmãos em Cristo Jesus,

O nosso texto é um pouco complicado, não porque ele é escuro ou difícil, de jeito nenhum. O texto é muito claro e fala diretamente sobre o banquete abundante que o Senhor organizará no final dos tempos. Um banquete grande e chique com muitos convidados e com muitos vinhos excelentes e carnes gordurosas. Ele é complicado devido a esses detalhes, que deixam muitas pessoas com dúvidas. Li vários comentários sobre este texto: alguns não sabem dizer nada sobre ele e simplesmente pulam o assunto, outros não acreditam no que está escrito e dizem que o profeta usa uma metáfora. Quer dizer: não haverá tal banquete no futuro, nem carnes gordurosas, nem vinhos velhos. A profecia de Isaías é uma visão, que não combina com a realidade, assim muitas pessoas trataram versículo 6, mas quando devem falar a respeito do versículo 7, sobre a destruição da morte, elas não têm nenhum problema para dizer que isso vai acontecer sim. Algumas pessoas acreditam sim na destruição da morte e na ressurreição da carne, mas não acreditam no banquete do Senhor o qual estará preparado para todos os povos.

Um banquete com carnes gordurosas e com vinhos excelentes parece vulgar. As pessoas não acreditam que isso pode acontecer. O Senhor não fará isso, elas dizem! Mas eu lhe pergunto: será? A profecia de Isaías fala sobre o que acontecerá no futuro na Nova Terra. Fala sobre a morte e a destruição da morte, e fala também concretamente sobre o banquete do Senhor. Ambas as coisas acontecerão no futuro e o Apocalipse de João confirma isso. O Apocalipse 19 fala sobre o banquete do Senhor, e Apocalipse 20 fala sobre a destruição da morte; e finalmente experimentaremos a alegria eterna na cidade santa, a nova Jerusalém onde Deus nos enxugará as lágrimas dos olhos. Muitos elementos da profecia de Isaías voltaram nas visões de João. Ele viu o que Isaías viu! O problema está na nossa mente e não devemos pensar que um banquete é banal nos olhos do Senhor, porque existem muitas passagens na bíblia que nos mostram o contrário.

Por exemplo, a história da visita do Senhor Deus junto com dois anjos à Abraão. Lemos sobre isso em Gênesis 18, 6-8. De repente o Senhor apareceu a Abraão e Abraão correu para cuidar dos seus visitantes. Ele preparou um banquete para o Senhor e seus anjos: muito pão assado ao baralho, uma coalhada, leite e ainda por cima um novilho inteiro! Podemos pensar o que quiser, mas Abraão ofereceu um banquete abundante ao Senhor Deus e seus anjos. E eles comeram!

O Senhor não tinha problemas com isso. Ele até convidava as pessoas para comer na sua casa. Quem visitaria o Senhor Deus na sua casa, no seu templo, foi convidado para participar num banquete juntos com a sua família e parentes. Um banquete com carne no Templo do Senhor. A carne dos sacrifícios servia como alimentação: tanto o dono do boi, como também a sua família e também os sacerdotes podiam comer dessa carne. E eles comiam na presença do Senhor, na casa do Senhor.

Até existe uma lei sobre isso. Encontramos essa lei em Deuteronômio 14, 26. Esta parte fala sobre os dízimos. O israelita devia levar os seus dízimos para o templo e a lei diz: Esse dinheiro, dá-lo-ás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, ou ovelhas, ou vinho, ou bebida forte, o qualquer coisa que te pedir a tua alma; come-o ali perante o Senhor, teu Deus, e te alegrarás, tu e tua casa e o levita.

Uma vez por três anos o Senhor mandou o israelita fazer isso; a casa de Deus, na presença do Senhor. Carne, vinho e até bebida forte. Tudo o que a sua alma deseja. Um banquete na casa de Deus!

E até os Salmos cantam sobre isso. Salmo 23 olha para o futuro e diz: Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários; unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda. Transborda de que? Transborda de vinho, que era a bebida comum nos banquetes. E salmo 36 diz: Fartam-se da abundância da tua casa, e na torrente das tuas delícias lhes dá de beber. Nós não devemos espiritualizar essas delícias como Calvino fez em nosso texto, mas concretizar essas delícias como Isaías fez: carnes gordurosas e vinhos velhos e excelentes! Essas foram as delícias que Deus ofereceu ao seu povo na sua casa.

E pensem também no primeiro milagre que Jesus Cristo fez durante s bodas de Canã da Galileia. No meio da festa o vinho acabou; então isso significa que os participantes já beberam bastante. Jesus poderia ter dito: está bom, já beberam bastante! Mas nada disso. Jesus transformou mais que 800 litros de água num vinho excelente, de primeira qualidade, que deu vontade em todos participante de beber mais. Jesus não era igual a João Batista, que vivia comento mel e gafanhotos. Jesus comia bem e bebia vinho. Por causa disso as pessoas disseram apontando Jesus: Eis aí um glutão e bebedor de vinho (Mt. 11, 19). Jesus parecia assim. Ele sabia apreciar um bom vinho. O Senhor é assim. Ele mesmo criou as uvas, que servem para fazer vinho: (O Chardonnay, o Pinot \blanc, O Malbec, O Merlot e o Cabernet Sauvignon). Foi Deus quem criou essas uvas. Ele nos deu para comer e para beber. Deus não é contra isso. Deus não quer que ficaremos viciados em álcool; Deus nos avisa contra o excesso de beber. O alcoólatra e o beberrão não entrarão no reino dos céus, mas isso não quer dizer que não haverá vinho nenhum na Terra Nova.

Já falamos sobre isso uma vez: Jesus mesmo disse no final da sua vida, quando celebrou a santa ceia com os seus discípulos e tomou o copo de vinho em suas mãos; naquele momento ele lhes prometeu (Mt. 26, 29): Digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino do meu Pai. Jesus podia dizer isso, pensando na profecia de Isaías 25, 6. Ele sabia – mais do que qualquer outra pessoa- que haverá um banquete no final dos tempos. Um banquete com carne gordurosa e vinhos velhos e excelentes para todos os povos.

E não diga que este vinho não é verdadeiro como muitos pentecostais pensam. O vinho é um verdadeiro vinho com certa percentagem de álcool, porque é impossível fazer um vinho velho sem álcool. O álcool não é um problema, mas sim o excesso de álcool.

O álcool tem também um aspecto bom, a bíblia reconhece e menciona: O uso do vinho dá alegria as pessoas. Eclesiastes 9, 7 diz: Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho, pois DEUS já de antemão se agrada das tuas obras. Este aspecto domina também o mandamento que Deus deu ao seu povo em Deuteronômio 12, 15. Esse texto oferece algumas etiquetas a respeito de comer a carne e as ofertas. Neste trecho o Senhor repete três vezes o seguinte. Ele disse: O comerás perante o Senhor, teu Deus, no lugar que o Senhor, teu Deus, escolher; tu, e teu filho, e tua filha, e teu servo, e tua serva, e o levita que mora na tua cidade; e perante o Senhor, teu Deus, te alegrarás em tudo o que fizeras (Dt. 12, 7, 12 e 18). Deus repetiu isso três vezes para que entendermos bem que comer e beber não é banal na presença do Senhor, mas o Senhor tem prazer observar a nossa alegria.

Também quando celebramos a Santa Ceia na igreja. A Santa Ceia é também um jantar na casa de Deus, na presença do Senhor. Nós diminuímos os ingredientes da Santa ceia à um pedacinho de pão e à um copinho de vinho, mas lembra-se bem que no início não era assim. Quando Jesus instituiu a Santa Ceia havia muito mais coisas na mesa: pão asmo, ervas, cordeiro inteiro e bastante vinho. Na congregação de Corinto houve tanto vinho na mesa que certos membros beberam demais e ficaram bêbados. O apóstolo Paulo criticou a congregação por causa disso e é por causa disso que diminuímos os ingredientes de tal forma, que a Santa Ceia se tornou uma ceia simbólica. Mas quando pudéssemos celebrar a Santa Ceia como Deus queria que celebrasse as suas festas na sua presença, nós sentiríamos mais alegria a comunhão que Deus queria nos oferecer. E com certeza nós teríamos menos dificuldades com essa profecia de Isaías que profetiza sobre o grande banquete do Senhor; com certeza Isaías pensou nas regras e costumes que Deus mandou na sua lei.

A idéia que o Senhor organizará um banquete, não era chocante para os israelitas. Ao contrário! Isso combinava com as coisas que a lei de Deus os tinha ensinado. Comer carne e beber vinho na presença do Senhor não era um problema. O que era chocante era a mensagem que esse banquete seria para todos os povos! Todos os povos serão convidados para esse grande banquete!

Todos os povos! Nós podemos nos imaginar como essa mensagem era uma surpresa para Israel. A lei do Senhor deixou bem claro que Israel era o povo querido de Deus. Eles podiam entrar na casa do Senhor e todos os outros povos foram excluídos! A comunhão ficou limitada à Israel. Mas aqui em Isaías 25, 6 abre-se o panorama do profeta. Deus lhe deu a visão que no futuro todos os povos serão convidados para o grande banquete.

Para nós isso não traz nenhum problema. Nós já aprendemos que a separação entre Israel e os gentios acabou. O Evangelho foi para todos os povos depois do dia de Pentecoste! Jesus enviou os seus discípulos até aos confins da terra. E conhecemos a visão de João sobre a nova Jerusalém. João viu que os representantes de todos os povos entrarão na cidade santa. Ele viu também que certas pessoas não entrarão: Os ímpios, os idólatras, os assassinos, os impuros, os feiticeiros e todo aquele que ama e pratica a mentira ficarão fora da cidade. Só aquele que lavou as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, ele ou ela pode entrar na Nova Jerusalém e podem participar do banquete do Senhor.

Isaías profetizou sobre este banquete! O banquete será um verdadeiro banquete. Com carne gordurosa e com vinhos velhos e excelentes. O Senhor nos convidará na Nova Terra, ele nos convidará para o monte Sião, onde haverá um verdadeiro banquete, que supera as nossas expectativas. Isso não será um jantar comum e barato com algumas garrafas de vinho, que foram comprados no supermercado, mas este banquete será um banquete que nem um restaurante de 5 estrelas pode nos oferecer.

Sabe por que não? Porque a alegria desse banquete é especial. O motivo de ter esse banquete é especial. O motivo de alegria não estará na carne gordurosa, nem nos vinhos velhos e excelentes. O motivo de ter esse banquete é o fato que o Senhor destruirá todos os seus inimigos e especialmente o último inimigo, que é a morte.

Isaías falou sobre isso no versículo seguinte. O Senhor destruirá neste monte a coberta que envolve todos os povos e o véu que está posto sobre as nações. Ele tragará a morte para sempre e, assim, enxugará as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo. A morte da morte. A vitória da vida. O Senhor soberano. Esse será o motivo da nossa grande alegria. Isso caracterizará o banquete do nosso Senhor.

Hoje a Santa Ceia nos prepara para isso. Pois aqui na Santa Ceia nós nos lembramos da morte e da ressurreição de Jesus Cristo. Jesus Cristo instituiu a Santa Ceia para que lembremos sempre a sua morte, mas também a sua promessa: Digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino do meu Pai. Baseado nessa promessa e observando a profecia de Isaías, nós aguardamos com grande expectativa a abundância do banquete do Senhor; o banquete do Casamento do Cordeiro, quando ele beber conosco o vinho e velho e excelente no reino do seu Pai. Esse banquete será uma festa. A nossa alegria será observar o nosso Salvador Jesus Cristo. Ele estará no foco da nossa atenção. Talvez nem toquemos a carne nem bebamos o vinho, tão grande será a nossa alegria ver o nosso querido Senhor e Salvador Jesus! Pensem nisso irmãos! Que lugar bonito é para onde eu vou. Vou morar com Jesus Cristo que é meu Salvador! Amém Senhor.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

*** Encontre mais sermões do Pr. Abram de Graaf em: bramdegraaf.com

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Pr. Abram de Graaf

O pastor Abram de Graaf é “Doctorandus” (Drs) em Teologia e um dos professores do Instituto João Calvino (Aldeia, Camaragibe-PE). Ele é pastor da Igreja Reformada de Hamilton, Canadá, enviado como missionário às Igrejas Reformadas do Brasil, desde o ano 2000. É Diretor do Projeto Dordt-Brasil. Ele mora em Maceió e também desenvolve projetos nessa cidade.

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