Pregação preparada pelo Pr. Ralph Boersema

Leitura: 2º Reis 16

Texto: Isaías 12

Prezada congregação de Jesus Cristo,

Isaías 12 é um capítulo muito admirável. Ele está cheio de gratidão, louvor e alegria na salvação do SENHOR. Ele canta de emoção. Louva a glória de Deus.

Este cântico de agradecimento e louvor é especialmente maravilhoso porque quando o SENHOR o deu a Judá, este povo estava numa situação incrívelmente triste. Judá parecia não ter nenhum motivo de alegria. Neste tempo reinava um homem chamado Acaz, que foi um dos piores reis que Judá jamais teve. Por causa da sua maldade o SENHOR não estava dando nenhuma benção a seu povo. Ao contrário, Deus lhes trouxe grandes calamidades, muita miséria e castigos pesadíssimos. Por isso, Isaías 12 é realmente uma profecia sobre o futuro do povo de Judá. Este canto alegre inspira grande esperança no povo, cantando da alegria que eles vão sentir no futuro.

Assim, esta profecia que estamos estudando hoje vai também dar alegria a você. Deus quer hoje deixar o seu coração emocionado com gratidão. Ele inspira em você um sentimento maravilhoso de gratidão e amor ao SENHOR Deus. Este capítulo maravilhoso lembra as coisas ruins da vida, mas faz você esquecer-se do mal e transbordar de alegria e gratidão a Jesus Cristo, o Salvador que nasceu entre nós, mais de 2000 anos atrás para revelar o amor profundo de Deus.

Voltando agora para Acaz, aquele rei ruim, vejamos a miséria que ele, junto com a maioria do povo, “compraram” de Deus. Ele era descendente de Davi, mas não agia nem um pouco como o bom rei Davi. Ao contrário, Acaz seguia a rebeldia dos reis das dez tribos. Fez ídolos e imagens de toda qualidade. Ofereceu sacrifícios aos deuses pagãos nos morros e debaixo de árvores dedicadas às religiões pagãs.

Acaz era tão mau e tinha um desprezo tão grande à vida do filho que Deus lhe tinha dado como um presente precioso, que matou e sacrificou esse seu filho a um dos deuses nojentos dos povos incrédulos. Acaz estava disposto a fazer tudo para manipular estes deuses. Como muita gente, talvez ele pensasse que devia fazer promessas e sacrifícios para todas as religiões para de alguma maneira alcançar favores de qualquer um. Mas em tudo que fazia ficava claro que desprezava completamente ao único Deus verdadeiro e assim provocava a ira santo do SENHOR.

Durante o reinado de Acaz, o rei da Síria e o rei de Israel vieram com seus grandes exércitos contra as cidades de Judá. Tiveram muitos sucessos e até chegaram a cercar Jerusalém, a cidade capital. Faltava pouco para capturá-la. Mas, até nesta hora, sob ameaça de morte, quando os inimigos podiam entrar em Jerusalém a qualquer momento, Acaz e seu povo não se arrependeram. Não se humilharam perante Deus para pedir perdão e ajuda dEle. Não, Acaz mandou pedir ajuda do rei da Assíria. Ele voluntariamente se sujeitou a este rei. Tirou toda a prata e todo o ouro do templo magnífico que Salomão tinha construído para o SENHOR Deus, também os tesouros do palácio e deu tudo de presente para o rei da Assíria. O irmão não deve se confundir quanto aos nomes. Havia duas nações: a Síria e a Assíria. Foi a Síria, junto com as dez tribos do Israel, que estavam atacando a Jerusalém. Foi da Assíra que Acaz buscou ajuda contra eles.

Como Judá tinha caído desde os tempos esplêndidos de Davi e Salomão! Na época de Salomão o reino de Israel tinha sido muito, muito grande e tinha tanto ouro por toda parte que o ouro não era mais considerado de muito valor. Neste tempo de Davi e Salomão Israel vivia feliz sob o amor e o cuidado do SENHOR. Mas agora restava para Judá somente a cidade de Jerusalém e ela estava ameaçada de invasão a qualquer momento. Do segundo livro das Crônicas sabemos de outros castigos que Deus infligiu no seu povo. No capítulo 28 lemos que os sírios levaram muitos prisioneiros para Damasco. Acaz sofreu uma grande derrota na guerra contra as Dez Tribos. Em um só dia o rei Peca matou cento e vinte mil soldados valentes do exército de Judá. O filho do rei Acaz foi morto como também o chefe do palácio e o primeiro-ministro. Também levaram como prisioneiros duzentas mil mulheres e crianças e pegaram muitos objetos de valor e os levaram consigo para a cidade de Samaria. A Bíblia diz: “Deus fez isso porque o povo de Judá havia abandonado o SENHOR, o Deus dos seus antepassados” (2 Crônicas 28.6).

Acaz definitivamente recusou-se a se humilhar perante o maravilhoso SENHOR Deus, o Deus de amor, o Todo-poderoso. Em vez disso procurou o socorro do rei da Assíria. Para conseguir a ajuda desse homem descrente e inimigo de Deus, Acaz teve de humilhar-se como servo dele e oferecer-lhe muitas riquezas. Na sabedoria humana, Acaz rejeitou o socorro de Deus e procurou a ajuda de um homem que não tinha nem um por cento do poder do SENHOR. Este rei inimigo também não tinha nem uma ínfima parte do amor de Deus. Este rei ajudou Acaz, mas somente contra uma parte de seus inimigos. Depois, o rei da Assíria traiu Acaz. Ele começou a oprimir Judá e exigir um imposto muito alto.

Além de todos os seus problemas políticos, devemos mencionar ainda o altar absurdo que Acaz mandou construir dentro do templo. Foi um altar grande, uma cópia exata de um altar em Damasco, a capital da Síria. Dentro do templo santo o ídolo dos homens recebeu mais honra do que o Deus Eterno.

A profecia do nosso capítulo foi enviada por Deus no meio desta miséria incrível. É uma profecia alegre, de consolação. Não queremos dizer que Deus simplesmente desculpou Acaz e seu povo. Não é que o SENHOR não falou palavras de repreensão. Os capítulos 7 e 8 de Isaías declaram bem nitidamente o castigo do SENHOR. Contudo, aqui no capítulo 12 Deus fala palavras de muito amor e carinho. É uma mensagem alegre que animou muito o fiel crente da época de Acaz.

Antes de passar para esta parte muito agradável, quero chamar a sua atenção para a miséria dos tempos de hoje. Não devemos pensar que a rebeldia contra Deus é coisa do passado. Hoje em dia presenciamos muito essa mesma desobediência. No Brasil, por exemplo, quase todos têm algum conhecimento da Bíblia. Pode ser um conhecimento muito falho, mas quase todos sabem que podem encontrar Deus mediante a Bíblia. A grande maioria, porém, simplesmente se recusa de seguir as Escrituras. As religiões do espiritismo, da adoração dos santos inventados pelos homens, da política, do dinheiro, fama sexo, esporte e álcool são todas igualmente tão erradas quanto as religiões falsas da época da Bíblia. Por isso podemos também entender que Deus castiga o Brasil, e muitos outros países, por causa da nossa falta de amor e respeito a Ele. Nesse ponto devemos também dar uma advertência muita séria a nós mesmos. Será que você deixou toda religião falsa? Tem crentes que ainda participam das festas dos santos. Outros dão valor ao horóscopo. Ainda outros participam de atividades de curandeiros ou outros elementos religiosos inventados pelos homens. Você está totalmente livre deste tipo de rebeldia? Isaías nos dá uma mensagem de grande alegria e muito amor. Mas você só pode participar desta consolação se amar a Deus de todo o seu ser e com um coração puro. Neste capítulo não temos palavras de amor para hipócritas, mas sim para verdadeiros filhos e servos do SENHOR.

Eu já disse que nos capítulos 7 e 8 Isaías fala muitas palavras de Deus de advertência e castigo. Mas depois disso, nos capítulos seguintes, Ele começa a animar seu querido povo. Deus não fala somente palavras duras de tal maneira que o povo fique totalmente desanimado e sem esperança. O SENHOR não deixa seus filhos ficarem arrasados e desesperados. Ele é o Deus de compaixão. Como um Pai amoroso Ele sabe exatamente quando deve consolar seus filhos. Ele lhes dá na hora certa a esperança e ânimo que eles necessitam.

Assim, os capítulos 9 a 11 são bastante animadores. Principalmente porque anunciam a vinda do Senhor Jesus Cristo. Nesses capítulos encontramos vários textos muito conhecidos sobre o nascimento do nosso Salvador. Deixe-me ler alguns destes trechos. Isaías 9.2 canta com júbilo: “O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz.” Logo depois, no versículo 6 ele canta ainda dizendo: “Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.” Também o capítulo 11 fala sobre Jesus Cristo quando diz: “Um ramo surgirá do tronco de Jessé, e das suas raízes brotará um renovo. O Espírito do SENHOR repousará sobre ele, O Espirito que dá conhecimento e temor do SENHOR. E ele se inspirará no temor do SENHOR. Não julgará pela aparência, nem decidirá com base no que ouviu; mas com retidão julgará os necessitados, com justiça tomará decisões em favor dos pobres. Com suas palavras, como se fossem um cajado, ferirá a terra; com o sopro de sua boca matará os ímpios. A retidão será a faixa de seu peito, e a fidelidade o seu cinturão” (vs. 1-5).

Essas palavras nos dão uma descrição de Jesus Cristo que nos anima grandemente. É muita consolação saber que Cristo julga retamente e se importa de verdade com os pobres e oprimidos. Para nós esta mensagem da vitória de Cristo fica ainda mais animadora porque sabemos que Jesus já chegou. No capítulo 12 Deus nos diz: “Naquele dia você dirá: ‘Eu te louvarei, SENHOR! Pois estavas irado contra mim, mas a tua ira desviou-se, e tu me consolaste. Deus é a minha salvação; terei confiança e não temerei. O SENHOR, sim o SENHOR é a minha força e o meu cântico; ele é a minha salvação!” (vs. 1-2) Queridos irmãos e irmãs, aquele dia do qual o texto fala é o dia alegre do nascimento e vitória de Cristo. É o dia alegre do Novo Testamento. É o dia feliz que continua até o dia de hoje. Isaías disse de antemão como o povo ia cantar de alegria e gratidão. E nós hoje conhecemos a realidade da Salvação e cantamos animados e alegres este canto de Isaías 12.

O filho grato de Deus entende o sentido real das misérias desta vida. Ele vê a mão do SENHOR pessoalmente dirigindo tudo que se passa. Sabe também que o sofrimento no mundo é resultado da ira de Deus. O cântico do crente diz a Deus: “Pois estavas irado contra mim.” O crente dedicado não reclama e não se surpreende com as injustiças do mundo. Ele não diz que a miséria é uma injustiça. Ele não reclama dos opressores que se tornam cada vez mais ricos. O filho obediente de Deus não insiste que tem o direito de ter uma vida mais sossegada. O crente que tem sua mente esclarecida sabe muito bem que ele mesmo é grande pecador. Ele próprio já fez muita injustiça e não tem guardado nenhum dos mandamentos do SENHOR. Todos nós certamente merecemos a ira feroz e justa de Deus.

Ao falar sobre a ira merecida do SENHOR, quero esclarecer que não estou justificando a exploração do pobre pelo rico neste mundo. Certamente as injustiças sociais contrariam as justas leis de Deus e temos a responsibilidade divina de chamar atenção para os grandes males da nossa sociedade. Não estou falando agora desse assunto. Estou explicando como todo crente, quer pobre, quer rico confessa que diante de Deus ele nunca tem direito de reclamar contra a miséria que o SENHOR traz na sua vida. Deus é muito justo em ficar grandemente irado conosco.

Voltemos agora para o texto que diz: “Pois estava irado contra mim, mas a tua ira desviou-se, e tu me consolaste” (vs.1). Escutem, irmãos, estas palavras gratas: “E tu me consolaste”. Elas nos lembram das palavras de Deus em Isaías 40: “Consolem, consolem o meu povo, diz o Deus de vocês. Encoragem a Jerusalém e anunciem que ela já cumpriu o trabalho que lhe foi imposto, pagou por sua iniqüidade”(vs. 1-2a).

Da mesma maneira Deus fala palavras de amor e consolação a vocês hoje. Cristo é a sua consolação. Ele já comprou para você, crente, o perdão completo de todos os seus pecados. O SENHOR diz a voce hoje: “Escute meu filho, tenha bom ânimo. Eu sei que você pecou, e sim, a maldição e as aflições da vida são pesadas. Mas lembre-se, meu filho, minha, filha, criancinhas, Eu lhe dei o meu Filho amado.”

Com isso o filho de Deus diz junto com Isaías: “Deus é a minha salvação!” Eu não posso salvar a mim mesmo. Nem o rei da Assíria ou nunhum dos poderosos deste século é nosso salvador. Um emprego bom, uma casa adequada, um amor feliz, também não é a salvação. Deus é minha salvação! Somente Ele é a base da alegria e louvor do cristão.

Continuemos a leitura do cântico feliz de Isaías. Com ele dizemos: “Eu te louvarei, SENHOR! Deus é a minha salvação; terei confiança e não temerei.” Para nós jamais há motivo para realmente ficarmos com medo. Os incrédulos devem estar com muito medo da ira do SENHOR. Mas para o crente, Jesus Cristo já pagou nosso sofrimento na cruz. Não temos medo da morte. “Com alegria vocês tirarão água das fontes da salvação.” (vs. 3) Aqui Deus fala de Jesus Cristo e do Espírito Santo. São eles fontes de água e salvação para vocês. Sabemos isso por João 7.37-39, onde Cristo diz: ” ‘Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.” Ele estava se referindo ao Espírito, que mais tarde receberiam os que nele cressem.

Deus é a sua salvação. Como você expressa sua alegria nessa realidade? Beba! Vá para o SENHOR Deus e beba. E como você faz isso? De três maneiras. Primeiro, você anda com Deus. Vive perto dele orando sempre e estudando a Bíblia todos os dias. Dessa maneira o Espírito do SENHOR guia você. No instante em que você orar menos e ler menos a Bíblia, você já começa a se distanciar de Deus e você recebe menos da água viva na sua vida. Depois da oração e leitura bíblica tem uma segunda maneira de beber da água da vida. Você vive com Cristo quando você cumpre tudo na sua vida conforme as instruções dele. Ame a sua própria esposa e viva com ela em harmonia e veja as fontes de água viva que encherão seu coração. Faça as pazes com seus pais e ajude-lhes sempre e você terá a água refrescante do Espirito Santo dentro de você. Para ter essa renovação diária, a energia divina, você faz todo o seu serviço para Cristo e guarda os mandamentos dele com toda diligência. A terceira maneira de beber a água do Espírito é testemunhar de Cristo às pessoas ao seu redor. Você mesmo bebe do Espírito quando evangeliza.

A experiência de alegria da salvação de Deus faz você clamar animado para todos os seus conhecidos sobre como Deus é bom e maravilhoso. É assim que canta o resto do hino de Isaías: “Naquele dia vocês dirão: Louvem o SENHOR, invoquem o seu nome; anunciem entre as nações os seus feitos, e façam-nas saber que o seu nome é exaltado. Cantem louvores ao SENHOR, pois ele tem feito coisas gloriosas, sejam elas conhecidas em todo o mundo. Gritem bem alto e cantem de alegria, habitantes de Sião, pois grande é o Santo de Israel no meio de vocês”. (vs. 4-6)

Clamem, gritem, cantem, para todo o mundo ouvir sobre Deus e a sua salvação. Ele estava irado conosco, mas não está mais. Ele perdoou os nossos pecados. Ele mesmo habita no meio do seu povo. Foi Jesus Cristo quem morou como homem entre nós e depois enviou seu Espírito para continuar sempre conosco. É desse Deus maravilhoso e só dEle que você pode beber das fontes da água viva.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Ralph Boersema

Bristol, VA, EUA. Presbítero docente (ministro da Palavra) da Maranatha Canadian Reformed Church (Igreja Reformada Canadense Maranata), Surrey, BC, Canadá. Bacharel em Artes (B.A.), Waterloo Lutheran University (Universidade Luterana de Waterloo), Waterloo, ON, Canadá, 1968; Mestre em Divindade (M.Div.), Westminster Theological Seminary (Seminário Teológico Westminster), Filadélfia, PA, EUA, 1972; Certificado, Theological College of the Canadian Reformed Churches (Faculdade Teológica das Igrejas Reformadas Canadenses), Hamilton, ON, Canadá, 1973; Mestre em Teologia (Th.M.), Westminster Theological Seminary (Seminário Teológico Westminster), Filadélfia, PA, EUA, 1974; estudos de doutorado (incompleto), University of South Africa (Universidade da África do Sul). Pastor, Canadian Reformed Church (Igreja Reformada Canadense), Calgary, AB, Canadá, 1973-77; Missionário, Pernambuco, Brasil, 1979-00; Instrutor, Teologia Sistemática, Seminário Presbiteriano do Norte, Recife, Brasil, 1984, 88, 90-91; instrutor, Aconselhamento Pastoral e Evangelismo, Centro de Estudos Teológicos das Igrejas Reformadas do Brasil, Recife, PE, Brasil, 2003. Autor, Not of Works: Norman Shepherd and His Critics (Não por Obras: Norman Shepherd e Seus Críticos), e Obedient Faith (Fé Obediente) – contribuinte. Instrutor, FITRef, Latim, Comunicação Oral, Aconselhamento Bíblico, 2001-.

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