Sermão preparado pelo pastor Jim Witteveen
Leitura: Gênesis 04.17-26
Texto: Gênesis 04.17-26

Amada Congregação do Nosso Senhor Jesus Cristo:

Quando somos jovens, quando temos a vida toda pela frente, existe a tendência de ser idealista. Temos grandes sonhos. Temos grandes planos e altas aspirações. Tenho certeza que muitos de nós que temos alguns anos de vida atrás de nós podem lembrar de uma época em que sonhamos em realizar grandes feitos, fazer algo realmente notável, único, algo que nos permitiria criar um nome para nós mesmos. Nós sonhamos sobre sucessos futuros. Fantasiamos sobre se tornar famoso. Imaginamos uma época em que nosso nome surgirá na conversa como exemplo de alguém que fez algo realmente incrível.

Depois, ficamos mais velhos, e a vida real começa. Percebemos rapidamente que, no trabalho e na atividade dia-a-dia, nunca vamos escrever aquele grande romance que os alunos estudarão nas universidades no futuro. Percebemos que nossa habilidade com a guitarra nunca vai levar a ter a nossa foto na capa de uma revista. Percebemos que nunca vamos inventar o próximo grande produto. Nunca seremos o próximo Steve Jobs ou como aquele homen que inventou Facebook. A maioria de nós percebe que somos apenas pessoas médias. Não somos diferentes de todos os outros. Não nos destacamos na multidão. Ninguém olha duas vezes quando nós passamos.

E algumas pessoas se perguntam: o que as pessoas dirão sobre mim no meu enterramento? Quando tudo estiver dito e feito, qual será meu legado? Muitas vezes, vai ouvir os jovens dizendo: “Eu só quer fazer a diferença nessa vida.” Mas o que acontece se você nunca faz muita diferença? É bem provável que isso será exatamente o que acontecerá com a grande maioria de nós – fora de nosso próprio círculo, nossa própria família, nossa própria igreja, praticamente todos nós vamos nos tornar exemplos das palavras de Salomão em Eclesiastes 1.11: “Já não há lembrança das coisas que precederam; e das coisas posteriores também não haverá memória entre os que hão de vir depois delas.”

Aprendemos aqui em Gênesis 4 sobre um grupo de pessoas, ou melhor, dois grupos de pessoas, que não foram esquecidos. Nós recebemos muitos detalhes sobre o primeiro grupo – eles realizaram algumas coisas incríveis durante suas vidas; esses eram homens que realmente deixaram uma marca no mundo, um legado duradouro. Só aprendemos uma coisa sobre o segundo grupo; parece que as pessoas mencionadas no último versículo de Gênesis 4 não eram grandes inventores; elas não se tornaram famosos por suas proezas na batalha; aos olhos do mundo, essas pessoas não eram dignas de lembrança – até mesmo para o autor de Gênesis, seus nomes não valem a pena ser anotados.

Mas aqui na segunda parte de Gênesis 4, temos dois caminhos claramente definidos para nós, uma separação, a antítese de que falamos há algumas semanas – a divisão entre a semente da mulher e a semente da serpente, mostrada ao longo da história – em linhas familiares, de geração em geração. Então aqui nós vemos a semente da serpente, ficando conhecido – esse é nosso primeiro ponto. Mas então vemos a semente da mulher, encorajando o conhecimento do SENHOR – e esse é nosso segundo ponto.

Então continuamos de onde paramos na semana passada, depois que o SENHOR sentenciou Caim por assassinar seu irmão. Para Caim, a vida continua. Sua esposa tem um filho e o chama Enoque. E então o homem que foi condenado a ser fugitivo e andarilho torna-se o primeiro homem que construiu uma cidade. Provavelmente foi bastante primitiva, construída usando materiais e tecnologia mais rudimentares, mas era uma cidade, um lugar onde as pessoas moravam próximas umas das outras, um grupo de moradias cercadas por uma muralha, como todas as cidades construídas por grande parte da história do mundo.

Caim, com toda a culpa e todo o medo que ele carregava consigo, não suportava viver como seus irmãos, sem a proteção de uma muralha, sem a proteção oferecida por viver lado a lado com pessoas afins. Ele chama sua cidade Enoque, o nome de seu filho. Ele vê esse avanço como motivo de orgulho, e o nome que ele dá à cidade mostra que ele a via como monumento para si mesmo e para sua linhagem.

Nossa passagem não fala explicitamente sobre Caim sendo endurecido em seu pecado, mas tudo que vem depois da sua punição mostra que Caim está fazendo exatamente isso – continuando a caminhar pelo caminho pecaminoso que ele escolheu, ignorando seu Criador, criando seu próprio reino em vez de trabalhar para construir o reino de Deus, criando um bom nome para si mesmo e para sua raça.

E os pecados dos pais são visitados nos filhos, até a terceira e quarta geração, e depois até a quinta geração, quando chegamos a Lameque. Lameque é o primeiro polígamo, o primeiro homem que tomou duas esposas para si mesmo. Talvez Lameque tenha visto isso como uma maneira de construir seu próprio império mais rapidamente – mais esposas equivalem a mais filhos, mais filhos equivalem a mais poder, mais influência. Porque se há algo que definiu Lameque, foi esse desejo de poder. Você poderia chamar Lameque o primeiro guerreiro. Seu ancestral Caim, que provavelmente ainda estava vivo e morava perto, atacou e matou seu irmão num ataque de raiva, mas Lameque não era assassino irrefletido e impensado; ele era mais do que um homem com temperamento incontrolável. Ele era frio, calculista, implacável. Ele era homem violento, mas sua violência foi violência com propósito muito claro.

Pode ser que ele está se gabando para suas esposas, para fortalecer sua própria reputação na família. Ele pode estar tentando intimidá-las, para assustá-las. Mas qualquer que seja sua razão para falar nesta maneira, o orgulho dele deixa claro que ele foi deliberado em suas ações; ele era planejador. Ele não era teimoso, agindo antes de pensar. Ele era valentão, ele estava no comando, e ele queria que todos soubessem disso.

Ele se compara a Caim e sua comparação é registrada para nós de uma maneira poética. Sabemos que o Senhor Jesus usou o mesmo tipo de expressão de maneira exatamente oposta, quando Pedro pergunto a ele com que frequência deveria perdoar alguém que pecava contra ele:

“Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mateus 18.21-22).

Lameque não quer ter nada a ver com perdão – não haverá perdão na vida de Lameque. É a vingança que vence; é o poder que é importante – a reputação de ser implacável que faz o homem seguro. Enquanto todos soubessem que, enquanto Caim seria vingado sete vezes, Lameque exigiria setenta e sete vinganças, Lameque conseguiria manter seu status. O texto diz que os filhos de Lameque eram os pais daqueles que moram em tendas, os pais daqueles que fazem instrumentos musicais; poderíamos dizer que Lameque era pai de todo ditador, todo líder ímpio que já reprimiu uma nação para manter o poder. Mais tarde, Deus confrontaria o pensamento desse tipo de política de força, em Êxodo 21.23-25:

“Mas, se houver dano grave, então, darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, golpe por golpe.”

Que barbaridade, os críticos dizem hoje. É indecoroso – nojento. Olho por olho, dente por dente. Como alguém, numa sociedade moderna e iluminada, pode acreditar que esse é um princípio duradouro da lei? Mas o fato é que toda a ética do “olho por olho” que a Lei nos ensina era para combater a maldade de Lameque e seus filhos espirituais, homens que matariam um homem que os ferisse, homens que matariam jovens por atacarem eles. Deus queria que a punição se encaixasse com o crime.

Lameque queria que o castigo fosse lembrado. Ele queria que as pessoas fiassem admiradas diante dele. Ele queria que as pessoas tivessem medo. Seu pai, Caim, quisera ficar famoso construindo uma cidade. Caim queria deixar um legado. Agora, Lameque leva o auto-engrandecimento de Caim e ele o multiplica. Ele está dizendo: “Estou aqui. Sou digno do seu respeito e até do seu medo, e não serei esquecido e não serei ignorado.”

Quanto aos filhos, não nos dizem que eles seguiram os passos do pai no que diz respeito à violência e desejo de poder. Na verdade, somos informados de que eles realmente fizeram algumas conquistas dignas de valor e louváveis. Jabal era o pai dos que moram em tenda e têm gado; isso não significa que ele era o ancestral dos beduínos ou de outros pastores errantes, mas significa que foi ele quem desenvolveu a tecnologia que essas pessoas usavam. Jabal fez um impacto. Ele deixou sua marca. E essa marca ainda é sentida em muitos lugares do mundo hoje, onde a tecnologia de Jabal é central para a vida humana.

O irmão de Jabal, Jubal, não era tão prático quanto seus irmãos. Ele era artista, um homem que inventou instrumentos musicais. Ele descobriu que quando você sopra um junco ou um bastão oco, você poderia fazer um som bonito; quando você arranca uma corda, ele vibra e ressoa, e que o som produzido é agradável de se ouvir. Ele desenvolveu essas coisas – provavelmente experimentou diferentes materiais e desenhos, mas no final desenvolveu instrumentos musicais do tipo que ainda tocamos hoje. Para aqueles que tocam o violão, toda vez que você usa seu instrumento, você tem que agradecer a Jubal pelo desenvolvimento da idéia em primeiro lugar.

Finalmente há Tubal-Caim. Tubal-Caim era trabalhador de metal, que fabricou instrumentos de bronze e ferro. Poderia dizer que ele foi o primeir cientista e engenheiro. Os historiadores evolucionistas falam de eras como a idade do bronze e a idade do ferro como se esses conceitos fossem a realidade estabelecida; mas as Escrituras nos mostram que a arte e a ciência da fundição de metal eram os produtos de alguns dos primeiros seres humanos.

Então, há essa linha ímpia, essa raça de homens violentos e arrogantes, e eles estão fazendo algumas grandes realizações, todas com impacto até hoje. O mundo incrédulo pode não querer incluir Jabal, Jubal e Tubal-caim nos livros de história, mas nós os conhecemos como homens de renome, na ciência, nas artes, no mundo da invenção. Em termos do desenvolvimento da sociedade humana, essas homens formam o alicerce.

Então, é óbvio com Caim, é ainda mais óbvio com Lameque, que o legado que deixaram para seus filhos e os filhos de seus filhos foi negativo. Mas quando falamos sobre os filhos de Lameque, fica mais difícil dizer isso. Afinal, estes são homens que fizeram grandes coisas. Temos muito a agradecer nas vidas e no trabalho de Jabal, Jubal e Tubal-caim. Mas apesar disso, não podemos olhar para esses homens e seu legado como algo positivo. Eles não podiam sentar-se como idosos e rever com alegria suas realizações, e com razão dizer, “Sabe de uma coisa, eu realmente fiz a diferença.”

Pode pensar que um grande inventor ou inovador, alguém cujo trabalho mudou o curso da história, pode ser pensado como alguém que levou uma vida plena. Mas em João 10.10, o Senhor Jesus disse: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e tenham em abundância.” Jabal, Jubal e Tubal-caim – aos olhos do mundo, eles podem ter parecido ter levado uma vida plena – mas esses homens não estavam unidos a Cristo por fé. Por isso, independente do quanto eles conseguiram, nunca poderíamos dizer que a sua vida estava realmente abundante em qualquer sentido.

Tudo o que eles realizaram, todos os dons que Deus lhes deu, dons de curiosidade e inteligência e inovação, todas as habilidades que eles tinham, todos os materiais com que trabalharam, tudo o que produziram, só serviriam como testemunho da bondade de Deus, tornando-os ainda mais culpados por sua desobediência e incredulidade. Deus lhes mostrava a sua glória, mas eles a ignorou. Eles adoraram e serviram a coisa criada em vez do Criador, e com todos os dons que receberam, sua culpa, sua responsabilidade, cresceram ainda mais.

Mas isso nos leva ao segundo grupo. Eva tem outro filho. Ela o nomeia Sete, porque ela o vê como substituto para Abel. E acontece que ele era exatamente o que Eva disse que ele seria. Abel tinha sido fiel e justo, e Sete seguiu seus passos. Sete começa uma família própria; ele se casa a tem um filho, Enos. E daí se começou a invocar o nome do SENHOR.

Não é que as pessoas antes daquela época não soubessem o nome “SENHOR,” ou o Senhor, ou que as pessoas não tivessem orado antes, nem adorado antes. João Calvino, o reformador, explica que foi com Sete e Enos e sua família que “a face da Igreja começõu a aparecer claramente.” Pais e filhos, Sete e sua família, a semente da mulher, começaram a se reunir para adorar a Deus. O que havia começado informalmente, individualmente, com Adão e Eva e seus filhos oferecendo seus próprios sacrifícios, por si mesmos, foi instituído, pode dizer, mais formalmente. E fundamental para isso foi a passagem da fé de pais para os filhos, de uma geração para outra. Isso marcou o surgimento da Igreja Cristã, mesmo em nossa história mais antiga, milhares de anos antes da encarnação do nosso Salvador. Mas, como confessamos na Confissão Belga, a igreja existiu desde o começo do mundo e vai existir até o fim, pois Cristo é o Rei eterno que não pode ficar sem súditos.

Sete sabia o que significava estar sujeito ao grande Rei, e ele ensinou seus filhos a sua posição como dependentes e súditos também. Enquanto Caim e Lameque estavam construindo reinos terrenos, enquanto Caim estava construindo a cidade do homem, Sete estava construindo a cidade de Deus, trabalhando para encher aquela cidade espiritual com cidadãos piedosos. Enquanto Lameque estava construindo um império terreno, enquanto Lameque se engajou em políticas práticas para construir uma dinastia para si mesmo, enquanto Caim trabalhava na construção de projetos para se manter seguro e criar um legado para seus filhos, Sete e sua semente cuidavam de suas vidas diárias – presumivelmente não fazendo nada tão notável quanto os filhos de Lameque. Eles estavam apenas fazendo seu trabalho, ensinando seus filhos, cumprindo o mandato de Deus havia dado a Adão e Eva, sendo frútiferos e multiplicando de um modo piedoso e glorificados de Deus, trabalhando para subjugar e desenvolver a terra.

Vou explicar nos termos de hoje. Sete não era o tipo de homem para ter artigos publicados sobre ele nos jornais. Ele não era o tipo de cara citado no Facebook. Ele nunca ganhou o prêmio para atores ou cantores, ou se tornou o homem do ano celebrado pela alta sociedade. Esse tipo de adulação era reservado para pessoas que tinham feito grandes coisas – como aqueles incríveis irmãos, os filhos de Lameque.

Mas a vida de Sete, a vida de Enos, as vadas de suas famílias, o trabalho que realizaram, tudo o que fizeram, tiveram uma importância suprema, um significado eterno. Sua fidelidade impediu que a Cidade de Deus desmoronasse diante da pressão da Cidade do Homem. Sua compreensão de sua posição, sua humildade diante de seu Criador, o serviço que ofereceram a Ele, mesmo na monotonia, no mundano, no dia-a-dia da vida regular, tudo era significativo. Foi tudo importante.

Aqueles que viviam do outro lado, que na verdade eram seus irmãos e irmãs fisicamente, viviam do outro lado de um vasto abismo, na verdade. Apesar de suas linhagens compartilhadas, o fato de que eles compartilhavam o mesmo DNA, que eles não estavam muito longe de seus pais e avós. E eles podem ter sido escarnecidos e menosprezados pela semente da serpente que vive na cidade do homem, a cidade de Enoque. Aqueles moradores da cidade podem ter rido dos setitas e do que eles viam como sua patéticas e humildes vidas; e alguns dos Setitas podem ter olhado com algum tipo de desejo para a Cidade do Homem, imaginando o que eles estavam perdendo.

Mas ainda assim eles invocaram o nome do Senhor. Eles viveram como deveriam – a serviço do eterno Rei, adorando-o, dando-lhe a glória, dedicando suas vidas a ele. Eles estavam ansiosos para a cidade eterna, a cidade não construída com as mãos; nós conhecemos aquela cidade de Apocalipse 21.18-22:

“A estrutura da muralha é de jaspe; também a cidade é de ouro puro, semelhante a vidro límpido. Os fundamentos da muralha da cidade estão adornados de toda espécie de pedras preciosas. O primeiro fundamento é de jaspe; o segundo, de safira; o terceiro, de calcedônia; o quarto, de esmeralda; o quinto, de sardônio; o sexto, de sárdio; o sétimo, de crisólito; o oitavo, de berilo; o nono, de topázio; o décimo, de crisópraso; o undécimo, de jacinto; e o duodécimo, de ametista. As doze portas são doze pérolas, e cada uma dessas portas, de uma só pérola. A praça da cidade é de ouro puro, como vidro transparente. Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro.”

Nenhuma quantidade de música bonita que os filhos de Jubal produzissem poderia abafar a verdade de que suas vidas eram vazias e sem sentido para além de Deus. Isso poderia aliviar a dor, poderia fazê-los esquecer por um pequeno momento que todos eles estavam indo para o túmulo, poderia elevar seus espíritos por um tempo, mas nunca poderia substituir um relacionamento vivo com o Criador. Nenhuma quantidade de tecnologia, nenhuma quantidade de realizações científicas e de engenharia poderia substituir a alegria de pertencer ao Único Deus Verdadeiro.

Poderia facilitar a vida. Poderia tornar a luta mais suportável. Poderia tornar as pessoas mais confortáveis. Poderia simplificar o trabalho e aumentar a produção. Mas nunca compensaria a eternidade de viver como Caim, fora da presença amorosa, a mão paternal de Deus. Nenhuma adulação humana jamais poderia compensar o fato de que quando esses homens viessem diante do trono do julgamento, eles nunca ouviriam estas palavras: “Muito bem, servo bom e fiel.” Como nosso Senhor Jesus disse, esses servos inúteis podiam antecipar nada mais do que ser lançados para fora, nas trevas. Alí haverá choro e ranger de dentes (Mateus 25.30).

Irmãos, como crentes, somos os filhos de Sete. Estamos reunidos aqui hoje, estamos unidos como pessoas que invocam o nome do Senhor. Nossa vocação é edificar a cidade de Deus, não a cidade do homem; para erguer o nome de Deus, não o nosso. Podemos estar na mesma posição que os filhos de Sete – podemos olhar para o outro lado da grande divisão com saudade. Podemos ver tudo o que os filhos espirituais de Caim estão realizando, e podemos querer a mesma coisa por nós mesmos.

Podemos olhar para os filhos espirituais de Lameque e queremos copiá-los usando quaisquer meios necessários para construir nossos próprios reinos terrenos – seja na política, nos negócios, no trabalho, ou em qualquer área da vida. Podemos ver, como Davi disse em Salmo 37, homens perversos e implacáveis, espalhando-se como cedros do Líbano. Podemos ver os Jabal e Jubals e Tubalcains deste mundo experimentando o que parece ser sucesso incrível, e podemos querer ser como eles. Mas embora Davi se espantas-te com o aparente sucesso do homem iníquo, ele conhecia a verdade:

“Passei, e eis que desaparecera; procurei-o, e já não foi encontrado. Observa o homem íntegro e atenta no que é reto; porquanto o homem de paz terá posteridade” (Salmo 37.35-37).

O dom que Deus nos deu, nosso trabalho, nossa vocação é construir a cidade de Deus, não a cidade do homem. É trabalhar no reino de Deus, não construir nosso próprio império terreno. Isso pode significar que perdemos algumas das oportunidades que o mundo tem. Nossas opções não são tão abertas. Estamos limitadas nas escolhas que podemos e devemos azar, sobre onde devemos viver, que tipo de trabalho devemos buscar, como podemos usar nosso tempo, que tipo de posição será aberta para nós. Temos outras coisas para considerar além do sucesso terreno. Mas finalmente, a cidade de Enoque era nada mais do que uma pilha de gravetos que desapareceram há muito tempo, enquanto a cidade de Deus é perfeita, inacreditavelmente bela, eterna, e vale a pena fazer sacrifícios. Nenhuma quantidade de sucesso terreno é suficiente para compensar a eternidade passada fora da presença amorosa de Deus, a eternidade passada na presença de sua ira.

Jesus veio para que pudéssemos ter a vida e a vida em abundância. A definição de Jesus de uma vida abundante é muito diferente do que a definição do mundo. Mas Sua definição é a correta, o que não é surpreendente, já que Ele é quem dá a vida. Então, irmãos, pensem nisso: como estamos trabalhando para construir a cidade de Deus? Como estamos trabalhando para o avanço do reino de Deus? Como estamos trabalhando para a Sua glória?

Somos pessoas que querem construir reinos terrenos? Estamos trabalhando para construir nossa própria cidade de Enoque para nos proteger do mundo exterior, quando já temos a cidade de Deus, com as muralhas de Deus, com os fundamentos de Deus, para nos apoiar e proteger? Para aqueles que professam fé em Cristo, é aí que precisamos nos examinar. Estamos trabalhando para servir a Deus, estamos pensando no legado espiritual que transmitiremos aos nossos filhos, ou estamos trabalhando para servir a nós mesmos? Estamos mais preocupados com o legado financeiro que deixaremos?

Para aqueles que não confiaram em Cristo, que não deram suas vidas a Ele, a única vida possível é a vida nas favelas de Caim. Mas em Cristo, as portas para a cidade de Deus, com suas estradas pavimentados com ouro, com seus alicerces de pedras preciosas, com suas muralhas seguras feitas de jaspe, foram abertas. Confie nele. Pense no que você precisa fazer para construir o reino dele. Busque primeiro o Reino de Deus e Sua justiça. E como Ele mesmo disse, todas essas coisas serão acrescentadas a você. Construa a cidade de Deus. Construa em sua fundação. Use seus dons para glorificá-lo. Invoque o nome do Senhor, junto com sua família, unido ao povo de Deus. Esse é o propósito real da vida.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Jim Witteveen

Pastor missionário das igrejas reformadas do Brasil e diretor do Instituo João Calvino.