Sermão preparado pelo pastor Jim Witteveen
Leitura: Gênesis 03.09-24; Apocalipse 12.01-17
Texto: Gênesis 03.15

Amada Congregação do Nosso Senhor Jesus Cristo:

Eu imagino que há muitos aqui que compartilham comigo num medo muito específico. Esse medo tem o nome técnico de ofidiofobia. Ofidiofobia é o medo de cobras. Falando sobre as estatísticas, um em cada três adultos exibe alguma forma de ofidiofobia, o que torna o medo de cobras a fobia mais comum. Alguns cientistas evolucionistas teorizaram que o ofidiofobia é um medo inato – que é algo com que os seres humanos nascem – um medo natural que nos protege do perigo que muitas cobras representam para a vida humana. Algumas pessoas que acreditam que a história da queda no pecado e que a narrativa da criação e da queda de Gênesis são mitológicas tentaram explicar nosso text como um tipo de explicação para a antipatia que existiu ao longo da história entre cobras e humanos – como uma história que explica por que a maioria de nós tem medo de cobras, e por que pareceu ao longo da história que os seres humanos e as cobras simplesmente não se dão bem.

Mas há algo muito mais profundo em jogo aqui na segunda parte de Gênesis 3, uma verdade que torna o medo e a repulsa do ser humano em relação às cobras uma coisa pequena. Porque o que recebemos aqui, especialmente em Gênesis 3.15, é a primeira promessa de Deus. Está dirigido à serpente, mas é uma promessa que é para nós. Em Seu amor, o Senhor não deixaria a humanidade no estado para o qual eles haviam caído. Aqui temos o verso chamado de protevangel – a primeira mensagem do evangelho. E nessa primeira proclamação das boas novas, vemos dois aspectos:

  1. O programa de Deus para a vida humana ao longo da história
  2. A promessa da vitória de Deus no clímax da história

Já aprendemos como Adão e Eva se esconderam e como se reuniram para se esconder de seu Deus. Eles eram culpados, tinham vergonha e sabiam que o relacionamento deles com o Criador estava completamente destruído. E então nós os vemos começando a fazer algo que os seres humanos têm feito desde então: eles começam a culpar outros. Em seu primeiro ato de graça, o Senhor Deus os procura; eles haviam se escondido dele, mas ele os chama.

Eles não estavam procurando Deus – eles estavam procurando se afastar dele. Mas Deus fala. Ele faz o primeiro movimento. É o modo dele de trazer a salvação. Em todo este relato, veremos a verdade de 1 João 4.10 sendo claramente demonstrado:

“Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.”

O envio de Seu Filho ainda estava muito longe, e falaremos sobre isso em breve. Mas já aqui Deus estava mostrando Seu amor por Sua criação humana.

E o homem e a mulher respondem da única maneira que podem, dada a mudança em sua natureza que a queda provocou. Adão culpa a mulher, e ele chega a ponto de implicitamente culpar Deus – “Foi a mulher que meu deu o fruto – a culpa é dela.” E pior ainda, “Foi a mulher que tu me deste que me deu o fruto. É culpa dela, e realmente, a culpa é tua, porque tu me deste ela em primeiro lugar!”

Mas então Deus fala com a mulher. “O que fizeste?” Ele pergunta. E ela segue o exemplo de Adão – é culpa da serpente. A serpente me enganou e eu comi.

E isso nos leva a três declarações que o Senhor faz – a primeira para a serpente, a segunda para a mulher e a terceira para o homem. E todos os três são maldições – a mulher é amaldiçoada a sofrer dor ao ter filhos. Ela é amaldiçoada com uma luta ao longa da vida, baseada em seu relacionamento com o homem – seu desejo seria para ele, e ele iria governar sobre ela. O homem é amaldiçoado, antes de mais nada indiretamente, por uma maldição na terra. O trabalho agora traria dor. A produção de comida se tornaria uma luta. Espinhos e cardos brotariam onde antes não havia nenhum, e seria necessário trabalho e suor para cultivar a comida de que ele precisava para sobreviver. E no final, ele voltaria ao pó. Sua alma seria separada do seu corpo, o Senhor removeria o fôlego da vida dele, e ele morreria.

Mas a primeira maldição, a maldição que o Senhor Deus lançou sobre a serpente, foi uma promessa gloriosa para o homem e sua mulher, e para todos os seus descendentes, e foi para Adão e Eva ouvirem, junto conosco, tanto como foi destinado para a serpente.

Ele seria amaldiçoado acima de todos os rebanhos e animais; ele rastejaria sobre seu ventre e comeria pó todos os dias da sua vida – aquele pó da terra que seria amaldiçoada e se tornaria impura, ele viveria naquele pó. E o SENHOR colocaria inimizada entre a serpente e a mulher, entre a semente da serpente e a semente da mulher. A semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente, enquanto a serpente só seria capaz de atacar o calcanhar da semente da mulher.

Superficialmente podemos ver isso como o programa para a relação entre homens e cobras. As cobras rastejam no ventre, geralmente não conseguem se erguer mais no corpo de um homem do que em suas pernas, e os homens esmagam regularmente as cabeças de cobras ao longo da história.

Mas essa cobra não era apenas uma cobra. Esta serpente não era apenas uma criatura anfíbia que pode ter originalmente andado sobre quatro pernas antes da queda e depois ter sido amaldiçoada a rastejar em seu ventre pelo resto da história. Satanás, inimigo de Deus, assumiu a forma da serpente, e ele foi o único a ser abordado aqui. Esta maldição marca o começo da antítese – a divisão entre o bem e o mal, a separação dos justos e dos ímpios, entre os filhos de Deus e os filhos dos homens, que se tornará claro em Gênesis 4 a 6. De agora em diante, a unidade da raça humana seria quebrada, e haveria dois tipos de pessoa – haveria a semente da mulher, de um lado, e a semente da serpente, do outro.

Então nós temos um program para batalha, para guerra, aqui. Há dois grupos colocados em conflito um com o outro, num conflito perpétuo. A semente da mulher, seus descendentes, esmagariam a cabeça da serpente. Mas também haveria dano à semente da mulher, dano limitado, pois a serpente e seus descendentes fariam o máximo para infligir seu próprio dano. Mas a serpente acabaria falhando em alcançar seu objetivo. Vemos isso em Apocalipse 12, onde o dragão, a grande serpente, faz tudo o que pode para destruir a semente da mulher. Ele fica furiosos. Ele faz guerra. Ele tenta devorar a semente da mulher. Ele tenta afogar a mulher. Mas apesar de todo o seu esforço feroz, ele não tem sucesso.

Em toda a Escritura, vemos a importância da semente divina, a importância das crianças para o povo de Deus. Repetidas vezes encontramos mulheres que sofrem de infertilidade, a incapacidade de conceber, e vemos a dor e a angústia que a infertilidade delas causou. Mas repetidamente vemos Deus derrubando essa maldição da infertilidade, a fim de gerar uma semente, a fim de gerar descendentes – vemos o Seu poder, vemos Sua obra graciosos – em mulheres como Sara, a esposa de Abraão, que finalmente recebeu Isaque, o filho da promessa, quando seu marido já era velho. Mulheres como Raquel, a esposa de Jacó, que finalmente deu à luz a José depois de anos incapazes de conceber – e José acabaria sendo o salvador de seus irmãos. Vemos a mesma coisa na história da esposa de Manoá, que havia sido estéril, mas que iria dar à luz a Sansão, que libertaria Israel dos filisteus. Em Ana a mãe do profeta Samuel.

Todas essas mulheres, mulheres fiéis, foram abençoadas por Deus. Ele removeria todos os obstáculos e permitiria que essas mulheres tivessem filhos, crianças que possibilitariam que a linha fiel, a semente da mulher, continuasse. O SENHOr Deus continuaria a levantar para si um exército que iria batalhar contra o maligno. Há um padrão fascinante que percorre todo o Antigo Testamento, e parece meio estranho, mas está lá, e está lá por uma razão. E esse padrão é um dos inimigos de Deus tendo a cabeça esmagado. Em Salmo 108, o salmista fala sobre a derrota esmagadora que Deus infligiria a Seus inimigos, e vemos a mesma coisa proclamada em Salmo 68.

Talvez o exemplo mais conhecido desse padrão seja o de Golias, o inimigo do povo de Deus, o filisteu. Este gigante estava zombando de Israel e seu Deus enquanto vestia uma cota de malha que, ironicamente, parecia uma escama de serpente. Mas apesar de toda a aparência de ser invencível, o gigante foi derrotado por um menino, a semente da mulher, Davi, quando ele pegou uma pedra na testa.

Mas há uma série de outros exemplos do mesmo tipo de coisa acontecendo – Jael, a mulher de Eber, esmagou o crânio de Sísera com um prego de tenda. Uma “certa mulher,” mencionada em Juízes 9, jogou uma pedra de cima na cabeça de Abimeleque e esmagou seu crânio (Juízes 9.53). Em todas essas histórias, que deixam muita gente desconfortável, vemos a batalha da mulher com a serpente, a semente da mulher com a semente da serpente. E vemos a promessa de Deus em Gênesis 3.15 sendo cumprida, de maneiras que prefiguraram a grande vitória do Senhor Jesus Cristo – pouco a pouco, a cabeça da serpente estava sendo esmagada, pela semente que Deus havia escolhido, pelo povo que Ele tinha abençoado por reivindicá-los como seus.

Porque com essa bênção ele também deu um comando, um chamado – e esse chamado foi para lutar – lutar contra a maldade. Para se manter firme na verdade. Foi um chamado que não permitiu nenhum compromisso, porque não há compromisso possível entre o bem e o mal. Não existe terceiro caminho. Há inimizade, há divisão. Tiago diz isso em Tiago 4.4: “Não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” Existe separação, separação ordenada pelo próprio Deus. E essa separação, essa antítese, deve ser mantida. Nunca deve ser esquecido e não pode ser ignorado.

Podemos ver isso na última exortação do apóstolo Paulo à igreja em Roma, em Romanos 16.19-20:

“Quero que sejais sábios para o bem e símplices para o mal. E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás. A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco.”

Esta é uma clara alusão ao evangelho proclamado em Gênesis 3.15, e a exortação de Paulo aqui nos lembra que a batalha entre a semente da mulher e a serpente não é apenas a batalha do único Salvador que viria, embora seja central. É também nossa responsabilidade – estamos recebendo nossas ordens de marcha aqui.

A promessa é, “O Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás.” Em última análise, é a obra de Deus, é a vitória de Deus, não a nossa. Deus esmagará a Satanás. Mas Ele usa meios, e Ele escolheu nos usar, Seu povo, a semente da mulher, para fazer isso. É um dos grandes privilégios de ser filho de Deus, de ser guerreiro no exército do Senhor. Nós temos uma tarefa importante; nós temos uma tarefa vital.

Isso era verdade antes da vinda de Cristo, a semente da mulher, e é igualmente verdade hoje. Antes de Cristo, esse esmagamento da cabeça da serpente preparou o caminho para a vinda da Semente da mulher, o Senhor Jesus. Mas agora que Cristo veio e conquistou a vitória final, nosso chamado permanece o mesmo, embora nossa posição seja diferente – recebemos a honra de completar a vitória que já foi conquistada. E nosso chamado às armas vem com essa promessa: Deus vencerá.

Irmãos, muitas vezes a igreja esquece a antítese, e isso tem consequências desastrosas. Com demasiada frequência, nós cristãos parecemos pensar que temos que nos adaptar ao mundo para permanecermos relevantes, quando o que realmente precisamos fazer é nos manter firmes. Como indivíduos, queremos viver em paz, mas uma paz que é meramente paz terrena não é paz alguma; pensar que podemos viver em paz com o mundo, que podemos viver confortavelmente, sem luta ou conflito, com o mundo, é erro grave, e é um que todos estamos propensos a fazer. Nós não queremos nos destacar. Queremos ser amados, apreciados. Queremos imaginar que realmente não há muita diferença entre nós e o mundo, no fim das contas. Muitas vezes, somos como aqueles profetas que Ezequiel descreveu em Ezequiel 13.10, aqueles profetas, e os pregadores e cristãos que seguem os passos daqueles profetas hoje, enganam o povo de Deus, dizendo “Paz” quando não há paz.

Não podemo negar a antítese em nossa pregação, mas pregar isso não é suficiente – dizer “Amém” ao sermão que você ouvi dentro das quatro paredes do edifício da igreja não é suficiente. Nós também precisamos vivê-lo – em casa, no trabalho, na praça pública. Caso contrário, os pregadores que pregam a paz e as pessoas que vivem como se a paz terrena fosse possível, terão o mesmo destino que o Senhor traria sobre os profetas mentirosos nos dias de Ezequiel.

O Senhor fez esta promessa em Ezequiel 13.9:

“Minha mão será contra os profetas que têm visões falsas e que adivinham mentiras; não estarão no conselho do meu povo, não serão inscritos nos registros da casa de Israel, nem entrarão na terra de Israel. Sabereis que eu sou o SENHOR Deus.”

Aqueles profetas, que enganaram o povo de Deus, que não proclamaram a verdade, seriam varridos num dilúvio; seriam esmagados por grandes pedras de granizo; seriam levados pelo vento tempestuoso. Irmãos, se seguirmos esses profetas, não apenas em nossas palavras, mas também em nosso estilo de vida, a mesma cois acontecerá conosco.

Nós falamos contra a maldade? Ou ficamos silenciosos, querendo viver em paz? Nós falamos quando a lei de Deus é ignorada ou ridicularizada, ou mantemos nossas bocas fechadas, porque queremos continuar nosso trabalho sem ser incomodados? Nós reservamos nosso conversadorismo para nossa teologia, enquanto engolimos cada vez mais o que vem do campo do inimigo em nossa vida diária, seja no que consumimos para nosso entretenimento, a forma como passamos nosso tempo de lazer, ou a maneira em que gastamos nosso tempo sonhando e esperando coisas mundanas?

Há uma grande promessa em Gênesis 3.15, mas com essa promessa vem um lembrete e uma obrigação. Precisamos nos lembrar de que lado estamos, com qual exército estamos lutando. Precisamos lembrar que não houve um tratado de paz assinado entre a semente da mulher e a semente da serpente, então não devemos viver como se houvesse. Mas enquanto lutamos, enquanto pegamos as armas espirituais nesta batalha espiritual, não precisamos nos desesperar, porque isso é uma promessa – a serpente acabou sendo derrotada e estamos lutando contra um inimigo vencido.

E isso é por causa da última semente da mulher. Na hora certa, o tempo que se tornaria o ponto central de toda a história, Deus enviou Seu filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos (Gálatas 4.4-5). Ele é a semente da mulher – aquele que esmagaria a cabeça da serpente de uma vez por todas, aquele que seria capaz de fazer o que nenhuma outra semente da mulher poderia fazer – Isaque, José, Sansão, Samuel, Davi – nenhum deles, nenhum juiz ou profeta ou rei meramente humano, por mais sagrado que fosse, poderia obter a última vitória.

Esses homens de fé tinham papéis importantes a desempenhar na história da salvação; todos eles eram vitais para os propósitos de Deus e os planos de Deus. Mas eles não podiam fazer o que o Filho de Deus faria – trazer redenção perfeita para todo o povo de Deus. Toda a história, todas as histórias registradas para nós nas Escrituras, seguem esse enredo – o surgimento dessa semente. Deus procurou o homem no jardim quando ele estava escondido, para que Ele pudesse fazer essa promessa. E Ele continuou ao longo da história suportando pessoas que eram rebeldes, que não vivia de acordo com seu chamado, que estavam tão longes de serem a semente justa que Ele queria. E Ele usou aquelas pessoas para cumprir esta primeira e gloriosa promessa.

E na cruz, quando parecia a todo o mundo que a semente da mulher havia sido derrotada, que a semente da mulher havia sido esmagado, exatamente o oposto aconteceu. No que pareceu aos olhos humanos a derrota final, a vitória final foi conquistada. Aquelas maldições que Deus proclamou após a maldição da serpente foram derrubadas, porque Ele cumpriu essa promessa.

A terra foi amaldiçoada; toda a criação recebeu o peso do pecado de Adão. Por causa da queda, o apóstolo Paulo nos diz,

“A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (Romanos 8.19-22).

A futilidade e a decadência foram o resultado da queda; a morte e a desordem e a luta entre todos os aspectos da criação vieram ao mundo por causa do pecado de Adão e Eva. A vida se tornou uma luta; medo e perigo tornaram-se realidades vivas. Mas por causa da vitória da semente da mulher, podemos esperar pelo dia que Isaías profetizou em Isaías 11.6-9, quando:

“O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.”

O trabalho foi amaldiçoado. Não é o prazer ininterrupto e imaculado que Deus quis que fosse desde o começo. Mas por causa da grande semente da mulher, aguardamos com expectativa o dia de que Isaías falou em Isaías 65:

“Eles edificarão casas e nelas habitarão; plantarão vinhas e comerão o seu fruto. Não edificarão para que outros habitem; não plantarão para que outros comam; porque a longevidade do meu povo será como a da árvore, e os meus eleitos desfrutarão de todo as obras das suas próprias mãos. Não trabalharão debalde, nem terão filhos para a calamidade, porque são a posteridade bendita do Senhor, e os seus filhos estarão com eles” (Isaías 65.21-23).

Mas as notícias não são boas para a serpente. A maldição da serpente permanece. O lobo habitará com o cordeiro, o leão comerá palha como o boi, mas a situação da serpente permanecerá inalterada: ela vai continuar a comer o pó da terra. A vitória é completa, e tudo o que o maligno pode esperar é registrado para nós em Apocalipse 20.10:

“O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos.”

Depois de seus três pronunciamentos, depois de proclamar sua palavra de julgamento e misericórdia, o Senhor mostra sua misericórdia de duas maneiras. Primeiro, ele fornece roupas de pele para Adão e Eva, para cobrir sua nudez. Mais uma vez, é uma ação simbólica, e de novo essa ação aponta para a grande obra da semente da mulher, que veio para tirar nossa culpa e vergonha. Os animais tinham que morrer, o sangue deles tinha que ser derramado, para que a primeira cobertura fosse feita; da mesma maneira, o Filho de Deus teve que dar a sua vida para prover a cobertura real e completa do pecado e vergonha do seu povo.

E finalmente, enquanto a expulsão de Adão e Eva do jardim no Éden foi ato de julgamento da parte de Deus, foi também uma demonstração da misericórdia de Deus. Ele colocou querubins e uma espada flamejante ao redor da árvore da vida, para que nenhum homem pudesse comê-la e viver para sempre naquele estado caído. Não haveria vida interminável de pecado e dor para o povo de Deus; e agora, como confessamos no Catecismo de Heidelberg, a nossa morte não é pagamento por nossos pecados, mas põe fim ao pecado e é a entrada na vida eterna. Mas de novo, o futuro glorioso aguarda todos aqueles que confiam no único Salvador, a participação na árvore da vida e na cidade santa, como aprendemos em Apocalipse 22.

Irmãos, esta passagem nos diz muito sobre o amor de Deus e Sua misericórdia. Ele nos amou primeiro; ele nos resgatou; ele providenciou o caminho perfeito para a salvação mesmo depois da nossa rejeição dele. E para nós, como o povo de Deus hoje, Ele nos adotou, ele nos fez seus filhos, através da obra vivificante de Seu Filho. Essa verdade, a realidade do amor misericordioso de Deus por nós, deveria ser motivação suficiente para redobrar nossos esforços na batalha contra o pecado e o mal, no mundo ao nosso redor, mas mais importante, dentro de nós. Como poderíamos desejar ser amigos do inimigo, quando recebemos muito daquele que o derrotou?

Essa verdade e a perspectiva de certa vitória devem fortalecer-nos na luta. A batalha pertence a ele, e ele nos chamou para lutar por Ele, em qualquer lugar no campo da batalho que ele nos colocou. Nós servimos a grande e gloriosa semente da mulher. Ele é o Senhor; Ele é o mestre. Nesta guerra, Ele é o nosso comandante, aquele que nos levou para a batalha. Na realização da promessa de Gênesis 3.15, ele esmagou o inimigo. Então em gratidão a ele, vamos viver à luz da promessa que ainda precisa ser cumprida:

“E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás. A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco” (Romanos 16.20), enquanto você trabalha para suprir sua vocação, em perfeita confiança, sabendo que Ele está operando através de você.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Jim Witteveen

Pastor missionário das igrejas reformadas do Brasil e diretor do Instituo João Calvino.