Sermão preparado pelo pastor Jim Witteveen
Leitura: Salmo 139.1-12
Texto: Gênesis 03.01-08

Amada Congregação do Nosso Senhor Jesus Cristo:

Depois de dois breves capítulos descrevendo a criação em seu estado original, em toda a sua beleza, em toda a sua perfeição, após um versículo descrevendo o modo de vida da humanidade naquele estado perfeito, Gênesis 3 nos leva à trágica história da queda no pecado e suas consequências.

Não sabemos quanto tempo demorou para que Adão e Eva desconsiderassem a única proibição que o Criador lhes dera. Não sabemos quanto tempo eles viveram num relacionamento perfeito com seu Deus, uns com os outros e consigo mesmos. Não aprendemos como eles usaram esse tempo, quanto tempo foi, como eles trabalharam, como eles se alegraram, como eles glorificaram a Deus e serviram e amaram um ao outro. Tudo o que ouvimos sobre a vida de Adão e Eva antes da queda é este: “Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam” (Gênesis 2.25).

Esta frase simples nos diz muito mais do que apenas que nem Adão nem Eva usavam roupas. Este não é apenas uma informação interessante para nós, pessoas totalmente vestidas, nos sentirmos levemente envergonhados. Esta declaração nos fala sobre o relacionamento da humanidade com seu Deus, e seu relacionamento um com o outro. Não houve vergonha. Não houve constrangimento. Adão não escondeu nada de Eva, Eva não escondeu nada de Adão, e nem Adão nem Eva esconderam nada de Deus. Não havia nada a esconder e o fato de que os dois estavam nus e que, apesar de sua nudez, não tinham vergonha, deixa isso bem claro.

Mas aquele último versículo de Gênesis 2 leva ao primeiro versículo de Gênesis 3, a introdução da serpente. No jardim, no mundo que existiu em paz, vem o primeiro sinal do problema, o desastre que estava por vir. A serpente era perspicaz, ou inteligente – o animal ideal para o inimigo usar para se aproximar de Eva, porque refletia quem ele era. Adão e Eva não estavam sozinhos no jardim.

Adão foi instruído a cuida e proteger o jardim, mas parece que ele não havia feito o que Deus lhe dissera para fazer; o inimigo, o anjo caído, Satanás, o grande enganador, o pai de mentiras, foi de alguma forma capaz de entrar no que deveria ter sido um santuário. E a serpente vai, não para Adão, que recebeu diretamente o mandamento do Criador, mas para Eva. Adão deveria ter explicado cuidadosamente a Eva o que o Senhor esperava deles, e eles deveria estar protegendo sua esposa. Mas parece que Eva já não estava clara sobre o que Deus havia dito sobre a árvore do conhecimento do bem e do mal.

A serpente começa questionando a bondade de Deus, com sua primeira pergunta: “É assim que Deus disse: Nnao comereis de toda árvore do jardim?” E Eva sabe o suficiente para saber que isso não era verdade – mas ela acrescenta algo ao mandamento original de Deus sobre a árvore: ela diz à serpente que Deus havia dito: “Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais.” O fato é, Deus nunca disse nada sobre tocar a árvore – só que eles não deviam comer dela. Então Eva estava fazendo a proibição do Senhor parecer mais onerosa do que realmente era?

E então a serpente segue em frente, de um ataque sútil para um ataque frontal completo, uma mentira ousada e deliberada. “É certo que não morrereis,” ele diz a Eva. Deus estava mentindo. Ele não quer que você seja como Ele, porque Ele quer guardar a sua posição para si mesmo, e ele não quer nenhuma competição. Deu é tirano. Ele não quer que você tenha as coisas realmente boas. Ele quer manter tudo isso para si mesmo. Não, o que vai acontecer é isto: quando você comer aquela fruta que Deus proibiu, você se tornará como ele – seus olhos se abrirão. Você verá e entenderá as coisas que você não vê e não entende agora.

Essas palavras levam a mulher a dar mais uma olhada na árvore. Ela vê que o fruto parece bom para comer. Ela vê que é lindo, que é uma delícia para os olhos. Ela aceita o que a serpente disse a ela como verdade, e vê que o fruto da árvore era até mais desejável, porque a faria sábia. E então ela escuta a serpente. Ela é enganada completamente. Ela pega o fruto da árvore, ela come, e dá também ou homem.

Eva foi enganada. Em 1 João 2.16, João descreve o pecado, “tudo que há no mundo,” como “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.” E todos os três aspectos do pecado podem ser vistos nas ações de Eva aqui. Seus olhos vêem a beleza da árvore, e seu desejo, estimulado pela serpente, é desfrutar plenamente da beleza da árvore, desfrutando de seus frutos. Ela vê que a árvore é boa para a comida – o desejo de sua carne, de seu corpo físico, é provar um pouco daquela deliciosa e desejável fruta. E ela quer ser como Deus; ela toma a decisão de se rebelar contra sua posição de ser criado, como sujeito do Grande Rei, e decide que quer tomar suas próprias decisões sobre o que é realmente bom e mau.

Então ela come. Satanás foi o instigador, mas ela tomou a decisão. E o que é ainda pior, seu marido estava obviamente ali com ela, e ele não fez nada para impedi-la. Ele era o cabeça; Ele recebeu a revelação direta do próprio Deus. Ele deveria estar protegendo ativamente sua esposa da serpente. Mas ele não fez nenhuma dessas coisas, e como o cabeça pactual de toda a humanidade, como o cabeça da sua esposa, sua culpa é maior. Ela deu um pouco ao marido que estava com ela, e ele comeu. E assim, a mais vergonhosa e desastrosa ação da história da humanidade foi feita. A decisão foi tomada. Naquela única ação, naquele instante, a história mudou completa e irrevogavelmente. O homem, na verdade, tirou Deus do seu trono, subiu pessoalmente e disse: Eu tomo as decisões por aqui.

E, no momento, a serpente desaparece da cena. Os dois únicos personagens no palco agora são Adão e Eva. Momentos antes, eles estavam nus e sem vergonha, vivendo em perfeita comunhão um com o outro e com seu Deus. Mas agora tudo mudou. Num instante, essa imagem bela e quase inimaginável das perfeições e beleza da criação e da vida no jardim do Éden é substituída por uma imagem sombria e terrivelmente triste de como seria a vida após a queda, de como é a vida no mundo hoje.

Você não pode entender o mundo como existe hoje, sem a história da queda. Não pode entender nada além deste evento. Se você olhar para o mundo e todo o mal que o enche e olhar para ele através de olhos não abertos pela revelação de Deus, é impossível entender por que as coisas são como são. Por que existe tal ódio no mundo? Começa desde os primeiros dias de nossa infância – coloque duas crianças junto com um brinquedo, e você descobrirá a realidade da queda no pecado rapidamente, quando elas começarem a brigar sobre quem vai brincar com ele primeiro, sobre quem é o dono do brinquedo na verdade.

E só piora quando envelhecemos e nos tornamos supostamente mais sábios. Queremos coisas que não temos. Queremos coisas que não deveríamos ter. Odiamos, e matamos, seja em nossos pensamentos, ou com nossas palavras, ou com nossos atos. Queremos prazer, e queremos prazer agora, neste momento, independente das consequências. Colocamos nossas necessidades em primeiro lugar. O que faz outra pessoa feliz, o que dá prazer a outra pessoa – isso é secundário. Por minha natureza, como filho de Adão e Eva, o que eu quero? Eu quero o que agrada minha carne. Eu quero o que meus olhos desejam. Eu me orgulho de minhas posses, das coisas boas que a vida tem a oferecer. E farei o que for preciso para obtê-los.

Se você acredita que os seres humanos são inerentemente bons, essa verdade é impossível de explicar. Se você acredita que somos simplesmente os produtos da chance, que somos o resultado de alguma mistura fortuita de substâncias químicas e entrega durante um longo período de tempo, não há explicação para a existência do mal no mundo – e mesmo o conceito do mal em si é completamente sem sentido. Quando um aluno com uma doença mental compra uma arma e massacra um grupo de crianças indefesas numa escola, não há nenhuma explicação para isso que faça algum sentido, não há nenhum significado para o evento, exceto a verdade bíblica desses primeiros versículos de Gênesis 3.

E o relato de Gênesis chegará a isso, no próximo capítulo, com a história do primeiro homicídio, a história de Caim matando seu irmão Abel. Mas, por enquanto, o resultado da queda é descrito como a reviravolta da situação como existira no momento anterior à queda. A vida antes da queda foi caracterizada pela nudez desavergonhada – total abertura e transparência. E agora, a vida após a queda é caracterizada pelo exato oposto. Sim, os olhos de Adão e Eva foram abertos. Mas aquela abertura de seus olhos não era a grande e maravilhosa revelação que aquela mentiras, a serpente, dissera que seria. A serpente lhes dissera que eles seriam como Deus; mas nada poderia ser mais longe da verdade. Eles se tornaram inimigos de Deus. Uma vasta distância havia sido criada entre Deus e Sua imagem.

Seus olhas estavam abertos e eles sabiam que estavam nus. E essa nudez agora tinha um significado completamente diferente do que havia tido para Adão e Eva. Essa nudez agora trazia vergonha, e essa vergonha tinha que ser coberta. Então eles pegaram algumas folhas de uma figueira e consturaram as folhas juntas, e fizeram uma cobertura rudimentar. Não havia partes privadas antes disso, mas agora precisavam de algo para se cobrir – então eles faziam cintas dessas folhas. Foi uma tentativa patética para que Adão e Eva se escondessem um do outro.

Não é como se Adão e Eva de repente percebessem que eram diferentes um do outro fisicamente, e sentiram a necessidade de manter essas partes cobertas. Eles estavam envergonhados. Eles tiveram que se esconder um do outro. As folhas de figueira não poderiam ter feito uma cobertura muito boa. Eles não eram roupa eficaz, e mesmo se tivessem sido, nunca encobriam a verdadeira vergonha que Adão e Eva sentiam agora. Essas folhas de figueira nunca puderam esconder verdadeiramente Adão de Eva, ou Eva de Adão. O relacionamento entre eles tinha sido permanentemente danificado. As coisas nunca seriam as mesma entre os dois. A perfeita comunhão foi substituída pela desunião. A harmonia perfeita foi quebrada e substituída pela desarmonia. Eles sabiam que haviam errado, e esse conhecimento tornava insuportável para eles ficarem nus né presença um do outro. Eles tiveram que se esconder.

E é isso que nós seres humanos temos feito desde aqueles dia. Nos escondemos um do outro. Todos nós temos nossas folhas de figueira. Todos nós queremos manter nosso verdadeiro “eu” coberto – para que ninguém mais possa realmente nos descobrir. Estamos todos envergonhados. Temos vergonha das coisas em que pensamos, temos vergonha das coisas que fazemos em segredo, nos envergonhamos de nossas fraquezas, nossos desejos pecaminosos, nossas luxúrias. Temos vergonha porque não achamos que estamos à altura das expectativas dos outros.

Temos vergonha porque as pessoas acham que somos melhores do que somos na realidade. Temos vergonha porque não cumprimos as nossas próprias expectativas, as expectativas dos outros, e o que sabemos, no fundo do coração, é verdadeiramente bom, nobre e puro. Quer admitamos para nós mesmos ou para qualquer outra pessoa, quer acreditemos na realidade do pecado e a natureza pecaminosa ou não, se as pessoas acreditam na verdade da história da queda no pecado ou não, cada um de nós, aparte de um homem, o Senhor Jesus Cristo, teve que lidar com essa mesma vergonha, essa mesma culpa.

E assim todos nós temos nossas próprias técnicas de esconder. Nós construimos máscaras. Escondemos o nosso verdadeiro eu um do outro – sendo a alma da festa, o centro das atenções. Ou sendo sério. Sendo introvertido e tímido. Sendo extrovertido a falando muito. Vestindo-se de determinada maneira, ou adotando um certo estilo. Tentando nos mostrar como algo que não estamos, no modo como falamos, ou nos assuntos da nossa fala, ou os assuntos que evitamos.

Nunca falando sobre nada pessoal, ou de nossas próprias dificuldades ou fracassos. Ou tentando mostrar que somos mais santos e mais justos e retos do que realmente somos. Todos nós temos nossas folhas de figueira, e o problema das folhas de figueira é que elas não funcionam.

Mas é isso que a queda no pecado fez. Nos tornou pessoas que são culpadas, pessoas que têm vergonha e pessoas que não querem nada mais do que esconder nosso verdadeiro eu, mesmo de nossos amigos mais íntimos, de nossos irmãos na igreja, e de nossas mulheres e nossos maridos.

Quando Adão e Eva fizeram essas cintas, eles estavam se escondendo um do outro, e esse esconderijo era simbólico do colapso em seu relacionamento. E esse é o primeiro resultado da queda no pecado – separação – separação entre os seres humanos.

Mas o segundo resultado da queda é central, e esse resultado também foi separação – mas foi a separação entre o homem e seu Criador. Depois de se esconderem, Adão e Eva mostram como sua escolha pecaminosa levou à separação de Deus. Eles ouviram o som do Senhor Deus andando no jardim pela viração do dia, um som que deve ter sido conhecido para eles reconhecê-lo. Eles tinham desfrutado a comunhão íntima com Deus, e esse som deve ter sido tão positivo antes da queda. Mas agora, aquele Son of Man, o que quer que fosse, tornou-se sinistro.

O que uma vez trouxe prazer e alegria agora trouxe medo, culpa e vergonha. E mesmo que Adão e Eva agora tivessem um vasto abismo entre eles, separando-os um do outro, o abismo que agora existia entre eles e Deus era ainda maior. Eles poderiam superar a barreira que existia entre si e se unir para se esconder de Deus. Eles eram unidos nesta única atividade – em se esconder de Deus. Então, quando ouviram aquele som, “esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim.” Enquanto eles se envergonhavam na presença um do outro, uma vergonha muito maior os uniu entre as árvores, enquanto tentavam se esconder do Deus que haviam traído.

Claro, o esforço para se esconder era completamente inútil. As cintas das folhas de figueira de Adão e Eva não conseguiram escondê-los un do outro, e nenhuma quantidade de cobertura fornecida por árvores e arbustos poderia escondê-los de Deus. Lemos sobre isso em Salmo 139:

“Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos… Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?”

Ele está presente nos céus. Ele está presente no mais profundo abismo. Ele está presente do outro lado do mar. Mesmo as trevas completas não podem nos esconder do Deus Todo-Poderoso.

Adão e Eva logo descobririam que seus esforços para se esconder de Deus eram fúteis. Mas isso não impediu que as pessoas tentassem se esconder de Deus desde então. E mais uma vez, assim como nos escondemos de várias maneiras, fazemos o mesmo em nossas tentativas de nos esconder de Deus. Competimos nosso piores pecados em segredo, porque não queremos ser descobertos, porque não queremos ser pegos. E então, de alguma forma, imaginamos que Deus não nos vê, ou que podemos nos esconder dele de alguma forma. Achamos que, se pararmos de falar com ele, ele não saberá o que estamos fazendo. Quando estamos presos no pecado, paramos de orar. Paramos de ler a Bíblia. Paramos de nos comunicar com nosso Deus – como se isso pudesse de alguma forma impedi-lo de ver e saber o que realmente vive dentro de nós.

E nos escondemos dele, e do verdadeiro serviço a ele, amor verdadeiro por ele, verdadeira dedicação a ele, de outras formas também. Nós nos escondemos dele usando a máscar da obediência aos mínimos detalhes de seus mandamentos, enquanto ao mesmo tempo negligenciamos as grandes coisas. Esse foi o pecado dos fariseus – eles doaram o dizimo da sua hortelã, enquanto ao mesmo tempo oprimiam os pobres e as viúvas. Eles não apenas tentavam se esconder de outras pessoas, com demonstrações externas de piedade, eles tentavam esconder o mal que vivia em seus corações do próprio Deus.

Usamos a máscara de preocupação pela pureza da doutrina, como se isso de algum modo fizesse com que Deus se esquecesse dos pensamentos, fantasias e atitudes que guardamos em nós. Ficamos ocupados com atividades, no trabalho para a igreja; nos ocupamos com uma coisa após a outra, como se Deus pudesse ver isso e esquecer o que vive em nosso coração.

Irmãos, é assim que nós cristão, pessoas redimidas por Jesus Cristo, nos comportamos frequentemente. E é uma vergonha – porque nós, de todas as pessoas, sabemos melhor. Sabemos que não podemos nos esconder de Deus, sabemos que ele sabe mais sobre nós do que nós mesmos sabemos, mas ainda tentamos nos esconder dele. Quando pensamos em pessoas que se escondem de Deus, provavelmente pensamos sobre os descrentes, sobre o mundo ao nosso redor.

O mundo incrédulo vive como se ignorar a Deus o fizesse desaparecer. O mundo incrédulo suprime a verdade, como se isso de algum modo tornasse a verdade em mentira, como se de alguma forma fizesse o que é mais real, irreal. Sabemos disso – vemos isso em Romanos 1, que nos diz claramente como o mundo procura se esconder de Deus. Mas não podemos parar aqui em nosso pensamento, olhando com julgamento para o mundo e esquecendo a nossa própria posição. Precisamos nos examinar nesta área, precisamos nos arrepender no nosso esconderijo, precisamos deixar esse comportamento para trás.

É inútil tentar esconder-se de Deus, causa danos incalculáveis ao nosso relacionamento com ele e com nossos próximos. Precisamos ser transparentes com ele. Precisamos perceber que ele conhece nosso coração, nossos pensamentos mais íntimos, nossa vergonha secreta, e precisamos parar de tentar nos esconder dele. O rei Davi descobriu isso depois que cometeu o pior pecado imaginável, cometendo adultério com Bate-Seba e depois tentando esconder o pecado por ter Urias, o marido de Bate-Seba morto da maneira mais covarde possível.

Quando ele se arrependeu em pano de saco e cinzas, escreveu sobre isso em Salmo 51 – quando ele permaneceu silencioso, a mão de Deus pesou sobre ele. Mas quando ele se voltou para o seu Deus em arrependimento, quando ele parou de tentar de se esconder de Deus, quando ele abandonou sua hipocrisia e maldade, o Senhor o restaurou.

Porque mesmo que o Senhor esteja terrivelmente irritado com nosso pecado, mesmo que esteja triste quando tentamos nos esconder dele, ele ainda, em sua maravilhosa graça e amor, continua a nos procurar. Adão e Eva se rebelaram, e não havia como voltar atrás no resultado daquela rebelião separada do próprio Deus. E Deus enviou seu Filho para lidar com nosso pecado, nossa culpa, nossa vergonha – para que não precisemos mais esconder um do outro, e não temos mais que tentar nos esconder de Deus.

Quando confiamos nele, quando colocamos nossa confiança no Senhor Jesus Cristo, todo esse pecado que nos faz sentir tão sujos e envergonhados, todo o pecado que tentamos encobrir, que tentamos esconder de outras pessoas e mesmo do próprio Deus, está coberto. É removido de nós, tanto quanto o leste é do oeste. Quando nos afastamos de nossa maldade, quando nos voltamos para Jesus Cristo, cada barreira é removida, a barreira entre nós como seres humanos, e a barreira entre nós e nosso Deus.

Então, irmãos e irmãs, unidos uns aos outros por fé no Senhor Jesus Cristo, unidos ao Pai através do Seu Filho unigênito, o chamado é para cada um de nós para não nos escondermos. Não há necessidade de esconder mais se você confia no Senhor, se você o ama, se você crê. Não podemos fugir da Sua presença como povo de Deus, e isso é bom, porque significa que ele está sempre conosco. Não podemos nos esconder dele, e isso é algo que leva a alegria, porque significa que ele nos conhece e que ele nos ama, por causa do Seu Filho.

Precisamos jogar fora as folhas de figueira que usamos para nos escondermos. Precisamos parar de nos esconder entre as árvore que achamos que nos esconderão de nosso Deus. Para queles que estão fora de Cristo, para aqueles que não confiaram nele, esconder é natural – vergonha e culpa e medo e constrangimento são a atitude correta para aqueles que não se voltaram para o Senhor, porque todos nós devemos ter vergonha. Somos todos culpados.

Mas para o povo de Deus, podemos dar graças. Porque aquele resultado horrível da queda no pecado, a culpa, a vergonha e a separação um do outro e de Deus, foram desfeitos, pelo próprio Deus, para aqueles que se submetem a ele. Isaías colocou isso da maneira mais bela no capítulo 54.45, e concluiremos com essas palavras de conforto, palavras pelas quais podemos viver, por causa da graça de Deus:

“Não temas, porque não serás envergonhada; não te envergonhes, porque não sofrerás humilhação; pois te esquecerás da vergonha da tua mocidade e não mais te lembrarás do opróbrio da tua viuvez. Porque o teu Criado é o teu marido; o SENHOR dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; ele é chamado o Deus de toda a terra.”

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Jim Witteveen

Pastor missionário das igrejas reformadas do Brasil e diretor do Instituo João Calvino.