Sermão preparado pelo pastor Jim Witteveen
Leitura: : Jeremias 10.1-16
Texto: Gênesis 02.10-14

Amada Congregação do Nosso Senhor Jesus Cristo:

Nosso texto pode aparecer um pouco estranho, um pouco misterioso quando você lê pela primeira vez. Para aqueles de nós que conhecem esta passagem, o fato de que esta pequena seção parece estar um pouco fora de lugar provavelmente não nos impressiona – sabemos que esta descricao dos rios e das terras ao redor do jardim está aqui, e nós esperamos isso. Mas se você examinar Gênesis 2 de perto, notará que esta descrição parece ser uma estranha intrusão no texto.

Se fôssemos simplesmente pular estes versículos, o versículo 9 de Gênesis 2 se encaixaria perfeitamente com os versículos 15 a 17:

“Do solo fez o SENHOR Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal. E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”

Assim, pode parecer, à primeira vista, que realmente não estaríamos perdendo muito se esses versículos não estivessem no texto de Gênesis 2. Mas estão aqui; Deus queria que nós soubéssemos sobre esses quatro rios e as terras pelas quais eles fluíam. O relato dos quatro rios em Gênesis 2.10-14 está aqui por uma razão, e deve ser uma boa razão, ou o Espírito Santo não teria assegurado que fosse incluído no texto, no lugar onde foi incluído. Mas qual é essa razão?

Os rios são o terceiro tópico principal de Gênesis 2, seguindo os relatos da criação do homem e a criação do jardim no qual Deus os colocou. Este é um relato da realidade histórica, uma verdadeira descrição do mundo como existia antes da queda no pecado, mas não é meramente uma lição de história ou geografia. E também não é para ser uma dica sobre onde o Jardim do Éden pode ser localizado, como uma espécie de mapa que nos ajudará a descobrir onde o jardim estava, e onde o anjo com sua espada flamejante poderia estar – embora esse fato não impediu que alguns tentassem usar essa descricao para mapear onde o jardim poderia estar.

É história – história real. Realmente havia um rio fluindo do Éden, e esse rio realmente se dividiu em quatro outros rios. Mas: toda a história é a história de Deus, e toda a história aconteceu e foi registrada por uma razão. Essa passagem também, como disse o apóstolo Paulo, é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Timóteo 3.16-17).

Então, para onde vamos daqui? E como sempre fazemos, lendo qualquer parte da Escritura, precisamos nos perguntar as mesmas duas questões: o que esta passagem nos fala sobre Deus, e o que esta passagem nos diz sobre o relacionamento entre Deus e os seres humanos?

Os rios são descritos por causa de sua importância para o jardim e sua importância para o homem. Deus estava sustentando a humanidade através desses rios. Havia um rio fluindo do Éden, da terra do Éden para o jardim. De lá, ele se dividiu em quatro cabeceiras, o início de quatro outros rios. O primeira era o Pisom, que passaria por Havilá, ou Arábia, onde havia our bom, assim como bdélio, que é uma resina aromática, e pedra de ônix. O segundo rio era o Giom – serpenteava pela terra de Cuxe, que fica no norte da África, a área que conhecemos como o Sudão. O terceiro era o Tigre e o quarto era o Eufrates.

O Tigre e o Eufrates são hoje importantes rios no Oriente Médio. Não sabemos nada sobre os rios Pisom ou Giom, mas seus nomes significam “o saltador,” e “aquele que irrompe.” Mas a localização geográfica real deles não importa muito para nós de qualquer maneira, já que a face da Terra deve ter mudado radicalmente de qualquer maneira, por causa do dilúvio, que cobriu e mudou todo o mundo.

Este rio regava o jardim, e quando saía do jardim, fornecia ao homem acesso ao resto do mundo, para que eles pudessem cumprir o chamado que havia sido dado pelo Criador: ser fecundo e multiplicar, enchendo a terra (Gênesis 1.28). O rio deu a Adão o que ele precisava para cultivar o solo, a água de que precisava para trabalhar no jardim; forneceu acesso ao mundo maior, e os rios foram um importante meio de transporte. O homem iria amadurecer e desenvolver. Ele iria crescer e aprender. Ele começaria a fazer ferramentas e implementos. Ele seria capaz de sair e explorar e a boa criação que o Criador lhe havia confiado, e ele poderia usar esses quatro rios para levá-lo aos quatro cantos da terra.

Assim, o Criador forneceu ao homem tudo necessário para ele fazer o seu trabalho, mas também forneceu itens que não eram meramente funcionais; essas coisas eram esteticamente agradáveis, agradáveis aos sentidos – o propósito deles era trazer prazer. Podemos ver que, mesmo na descrição das árvores no jardim – elas não eram boas apenas para comida, máquinas funcionais produzindo combustível para seres humanos. Sim, elas eram boas para comida, mas também eram muito mais do que isso – elas também eram agradavéis aos olhos. Elas davam ao homem prazer apenas olhando para elas.

O plano original de Deus era abençoar a humanidade. As bênçãos que ele preparou para o homem são descritas nesses versículos, e podemos ver essas bênçãos como o padrão que Deus seguirá novamente no futuro.

Mas essas bênçãos não eram coisas que viriam para a humanidade automaticamente. Às vezes as pessoas acham que Adão e Eva teriam passado a eternidade morando no Jardim do Éden, à sombra das árvores, esperando que a fruta madura caísse em suas bocas enquanto se abanavam com folhas de palmeira. Mas isso está longe da realidade da vida no Jardim, mesmo antes da queda no pecado. O jardim era santuário, o lugar onde Adão e Eva podiam se reunir com Deus. O jardim era onde andavam com Deus, onde tinham comunhão com ele. O jardim estava localizado nas montanhas – podemos ver isso no fato de que rios fluíam dele. Assim, o jardim no Éden era o protótipo do templo – um lugar no topo da montanha, onde as pessoas iam se encontrar com Deus.

Mas a vida não teria continuado no jardim para sempre. Havia esses rios; eles forneceram um meio para o homem sair do jardim e para o resto do mundo, nos quatro cantos da criação. E onde esses rios levaram? Para coisas que podemos considerar úteis, funcionais, ou práticas de alguma forma? Não, o fato é que é exatamente o oposto. Todos os itens que foram encontrados nas regiões para as quais os rios corriam não têm valor funcional; não são usados para fornecer comida ou abrigo; não são usados para fazer ferramentas, não são usados para desenvolver a terra.

O primeiro item mencionado é o ouro, que seria encontrado na terra de Havilá – bom ouro. O ouro se tornou uma das coisas mais desejáveis do mundo. Tudo mundo adora ouro, e o ouro tem sido o padrão das moedas ao longo da história. Mas o que é ouro? O ouro é um metal. Reflete a luz. Brilha como o sol. Mas: não pode usar ouro para fazer ferramentas, ou fazer qualquer coisa que vai sofrer muito abuso físico, porque é muito mole. A única função do ouro é adicionar beleza à vida.

Não é por acaso que o ouro figura tão proeminentemente nos materiais que Deus ordenou que o povo usasse quando deu os planos para a construção do tabernáculo e do templo. A beleza do ouro nos centros de adoração era para elevar nossos corações até a beleza do próprio Deus. A adoração é para ser alegre, celebrar a bondade de Deus. E assim o ouro era proeminente na adoração do povo de Deus sob a Antiga Aliança. E em Apocalipse 21, podemos ler sobre a Nova Jerusalém, a cidade de Deus – e novamente somos trazidos de volta à mesma idéia – a Nova Jerusalém é descrita como uma cidade feita de ouro puro.

O próximo produto mencionado é bdélio, essa resina aromática. Mais uma vez, é algo que não tem propósito realmente funcional. Não pode comer bdélio. Não pode alimentar os animais com bdélio. Não pode usar bdélio para fazer cola. Não pode construir nada com bdélio. No entanto, Deus colocou bdélio na terra, onde o homem poderia encontrá-lo, e ele formou um rio para que o homem pudesse alcançá-lo e usá-lo. Então, por que? Mais uma vez, é porque Deus ama a beleza. Quando ele terminou seu trabalho criativo, vimos como Ele declarou que tudo era muito bom. Mas Ele também deu à humanidade o trabalho, a vocação, para tornar a criação até melhor – de embelezar, de desenvolvê-la, de levá-la da glória a ainda mais glória.

E precisamos nos lembrar, Deus até ama um aroma agradável. As ofertas, todos os sacrifícios do Antigo Testamento, subiram em fumaça, e repetidas vezes nos livros de Levítico e Números podemos ler que essas ofertas faziam um aroma agradável ao Senhor. No tabernáculo e no templo, Deus ordenou a Seu povo que fizesse incenso, que foi queimado para produzir uma fumaça aromática. Esse incenso tinha que ser feito de acordo com as especificações exatas de Deus – tinha que ser feito usando uma fórmula que era precisamente o que Deus queria que fosse. E aquele incenso era santo – foi separado especificamente para o serviço do Senhor, e para nenhum outro uso. As pessoas não podiam fazer esse incenso para seu próprio prazer, usando a mesma combinação de ingredientes. E esse incenso deu um aroma agradável ao Senhor. Quando o incenso foi queimado, os sacerdotes foram autorizados a entrar no templo e no tabernáculo sem medo.

E mais uma vez, o bdélio, aquela resina de cheiro doce, aquele ingrediente do incenso, nos leva de volta ao Apocalipse, desta vez ao Apocalipse 8. Ali um anjo na presença do Senhor está diante do altar. Ele fica com um incensário dourado, cheio de incenso. E a fumaça daquele incenso, com as orações de todos os santos, subiu diante de Deus. Mais uma vez, é um símbolo – um símbolo que mostra como o Senhor ouve nossas orações, como nossas palavras se tornam aceitáveis e até mesmo agradáveis ao Senhor.

E finalmente, os rios poderiam levar o homem para uma região cheia de uma pedra preciosa, ônix. E, novamente, esses são objetos que têm apenas um propósito: parecer bonitos. Pedras preciosas são gloriosas, como ouro, e como o ouro elas nos lembram da glória de Deus; por isso que as achamos tão bonitas. Assim como o sol nos lembra da glória de Deus, assim como as montanhas nos lembram do poder de Deus, assim como as rochas nos lembram da estabilidade de Deus, Sua fidelidade, as pedras preciosas nos lembram da glória de Deus.

E assim elas têm um propósito. Pode ser que não chamamos esse propósito “prático,” mas é um propósito que traz glória a Deus. E esse propósito é criar beleza, glorificar ainda mais o que Deus já tornou glorioso e bom. E de novo somos levados a pensar nas visões registradas no livro de Apocalipse, a descricao da Nova Jerusalém em Apocalipse 21 – a muralha da cidade é feita de jaspe, as fundações devoradas com todo tipo de pedra preciosa. Os portões são pérolas, e não há necessidade do sol ou da lua, porque a glória de Deus lhe dá a luz, e o Cordeiro é sua lâmpada. É uma imagem verdadeiramente gloriosa.

Então, quando lemos o texto dessa maneira, podemos ver por que Moisés incluiu esses detalhes sobre os quatro rios e sua geografia em sua descrição da criação e a história primitiva da criação. Quando ele incluiu esses versículos, essa descrição, ele mostrou como nós, seres humanos, somos inteiramente dependentes de Deus, tanto para as necessidades quando para os luxos. Nosso Criador é a fonte de todo bem. E quando Ele criou o homem, ele supriu todas as suas necessidades, e para seu prazer, para que o homem pudesse trabalhar, desfrutar, glorificar e servir o Criador no mundo imaculado e não manchado pelo pecado.

Tudo isso, sabemos das Escrituras, da história e de nossa própria experiência, foi muito prejudicado pela queda. Daí em diante, todos nós teríamos que trabalhar na terra amaldiçoada por causa do homem, no suor do nosso rosto. A idolatria surgiu, e em vez de servir e adorar a Deus que criou o ouro e o bdélio e as pedras preciosas, o homem começou a adorar os próprios objetos. Prazer na beleza do ouro tornou-se o amor do dinheiro, que é a raiz de todo tipo de mal. Puro prazer, prazer sem pecado, desfrutando do agradável aroma e textura das resinas aromáticas que Deus deu ao home, foi poluído e transformado em sensualidade pecaminosa, buscando prazer por si só, fazendo do prazer o objeto da vida, em vez de buscar prazer em Deus, desfrutando seus dons.

Ficar rico tornou-se o objetivo da vida, em vez de viver em gratidão ao Senhor pelas dádivas que Ele deu. Homicídio, roubo, cobiça, ganância – é o que fazemos com essas dádivas preciosas e boas, sem a obra renovadora do Espírito Santo em nossa vida. Em vez de amar o Senhor que criou pedras de our e bdélio e ônix, amamos essas coisas criadas. E como o apóstolo João escreveu em 1 João 2: “Tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo” (v.16).

Foi isso que o Senhor acusou o seu povo em Jeremias 10. Eles usaram as árvores que Deus lhes deu para formar ídolos para adorarem. Eles usaram a prata e o ouro que Deus havia colocado no chão para decorar seus falsos deuses. Eles importavam metais preciosos de países distantes, para que seus artesãos e ourives usassem seus talentos dados por Deus para cuspir na face daquele que os dava. Eles dedicaram seu tempo, seu esforço, sua dedicação, a ilusões, a coisas que não eram reais em primeiro lugar.

Essa forma de idolatria não é uma tentação para nós, em nossa cultura. Mas nós temos uma forma muito mais perniciosa, muito mais perigosa de idolatria ao nosso redor, e é algo com que todos nós lutamos. E precisamos reconhecer essa luta, e não minimizá-la ou negá-la, como se ele não existisse, como se nossos motivos fossem sempre puros. Porque até mesmo os cristãos têm motivos mistos em tudo o que fazemos, e podemos ser desviados por essas coisas se não permanecermos alertas, se não continuarmos a manter nossos olhos no verdadeiro galardão.

Então precisamos ficar em guarda. Nós facilmente justificamos a nós mesmos e as nossas ações com muita facilidade. Mas precisamos examinar a nós mesmos e guardar nosso coração – precisamos amar e servir ao Criador, desejar Seu prazer e usar todas as coisas belas que Ele nos deu para esse fim, não para nossos próprios propósitos. O objetivo de nossa vida não é adquirir ouro, para o seu próprio bem, acumular pedras preciosas, por si só, para desfrutar prazeres sensuais, por si mesmos, sejam eles quais forem. Tudo isso é apenas coisas. Não pode dar a vida. Não pode prolongar a vida. A única coisa que pode fazer, por si só, é agir como anestésico, algo para amenizar a dor de uma vida breve que não tem nenhum significado à parte de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Se você confia no Senhor Jesus, não precisa fazer isso; você tem algo muito melhor nele.

Mas isso não significa que temos apenas que viver uma vida estritamente funcional. Nós não temos que ver comida, por exemplo, apenas como combustível para o corpo, e não como um meio de proporcionar prazer. Não temos que ver o relacionamento físico entre marido e mulher estritamente como meio de produzir filhos, enquanto tentamos minimizar o prazer, ou ver esse prazer como sendo de algum modo iníquo. Não precisamos usar roupa preta, tirar todo o cromados dos nossos carros, tirar todas as nossas joias e, em geral, tornar a nós mesmos e nosso entorno tão feios quanto possível. Este é um erro que tem sido muito comum em toda a história da igreja, e não devemos cair nessa armadilha nem no erro oposto, que predomina hoje, de estar completamente fascinado com as coisas deste mundo.

Deste lado do cumprimento da Nova Jerusalém, que esperamos, a qual temos uma antecipação de hoje na Igreja de Cristo, nossa tarefa permanece a mesma. Não somos apenas seres funcionais. Não somos apenas seres práticos, tendo que nos ocupar continuamente com coisas que poderíamos considerar “úteis.” Podemos pensar em coisas como arte, música, pintura, fazer coisas bonitas, como sendo opcionais para a vida cristã. Podemos pensar que deveríamos estar fazendo algo “prático,” que supostamente estaríamos envolvidos no “trabalho do reino,” não desperdiçando tempo com esse tipo de frivolidade. Podemos erroneamente nos sentirmos culpados quando fazemos coisas assim, porque temos a idéia errada sobre o prazer que Deus quer nos dar nas coisas que Ele criou para nós. Podemos desprezar pessoas artísticas, e podemos tender a perguntar, como bons e duros calvinistas, por que eles não estão fazendo algo “útil” com seu tempo.

Mas os rios do Éden têm uma mensagem importante para nós – especialmente para pessoas “práticas,” criadas por pais práticos para trabalhar arduamente, para ganharmos uma vida boa para nós mesmos, para evitar coisas desnecessárias e frivolidades. E essa mensagem é: a beleza é importante. Fomos criados para embelezar, para amar a beleza, para aprecisar a beleza e para fazer coisas bonitas. Mas não fomos criados para fazer isso para nós mesmos; é aqui que o mundo erra. Nós não fomos criados para fazer essas coisas apenas para agradar a nós mesmos. Isso é parte do nosso trabalho, e ter alegria e prazer na beleza é muito mais importante do que normalmente pensamos. Mas toda a beleza tem um propósito – e esse propósito é a glória de Deus. Quando criamos uma bela obra de arte, usando os talentos que Deus nos deu, estamos fazendo o que Deus nos criou para fazer, cumprindo nosso mandato e vocação cultural. E fazemos isso para o louvor do Senhor!

Quando fazemos música, quando fazemos isso da melhor maneira possível, seja cantando ou tocando um instrumento musical, quando usamos nossos talentos, estamos fazendo a mesma coisa. Todo mundo ama música bonita. Pode provocar emoções e paixões incríveis em nosso coração, é por isso é uma parte tão importante de nossa vida, seja para o bem ou para o mal, dependendo de como a usamos. A música deve nos levar a refletir sobre Deus – sobre quem Ele é, sobre como Ele é. E criamos música, usamos música para glorificar nosso discurso, transformando-o em música, para glorificar a Deus. Fomos criados para fazer isso!

E, finalmente, sabemos que este mundo pode ser, e muitas vezes é, lugar miserável e podre, cheio de lágrimas e sofrimento. Este mundo, desde a queda no pecado, é um lugar onde as pessoas gemem e choram de dor, e machucam e sofrem, muito mais do que talvez vemos ou entendemos. Mas o povo de Deus, aqueles cujos corações foram renovados pelo Espírito Santo, aquele que se entregaram ao serviço ao Senhor, podem se alegrar. Porque em Cristo, para nós, as consequências desastrosas da Queda foram revertidas. Podemos usar o ouro e aproveitá-lo – não para fazer ídolos mudos, não como um ídolo em si, mas para a glória de Deus. Podemos nos deliciar com pedras preciosas – não como ornamentos para falsos deuses que fazemos, ou como falsos deuses em si mesmos, mas como dom precioso que nosso Criador nos deu para desfrutar e deleitar-se, ao nos deleitarmos nele.

E mais uma vez, podemos olhar para o futuro. Na Novo Jerusalém, onde o Paraíso é restaurado, os efeitos do pecado humanos serão desfeitos. E quando Deus renova todas as coisas, experimentaremos a beleza e o prazer que a beleza traz de uma maneira totalmente diferente de tudo que já experimentamos antes. Sem cobiça. Sem ganância. Sem ódio, Sem inveja. Nenhuma tentação de adorar e servir a coisa criada em vez do Criador. Apenas puro e perfeito deleite, prazer, comunhão, e a capacidade de usar todas essas coisas belas sem medo, sem a mancha do pecado.

E se o pensamento desta glória por vir, e o conhecimento de que tudo isto foi dado por Deus, em Sua graça, através do Seu Filho e Seu perfeito sacrifício, não faz você querer glorificar o Deus Criador e Redentor, nada fará. Ele é bom, ele é digno do nosso louvor, da nossa adoração. Isso foi a verdade quando ele nos criou, e apesar da nossa rebelião, ele continuou sendo tão bom para nós. Vamos procurá-lo constantemente, para que possamos não apenas desfrutar das boas coisas da vida, mas verdadeiramente desfrutar o maior prazer de todos, o prazer de conhecer o único e verdadeiro Deus e servi-lo com tudo o que ele nos deu.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Jim Witteveen

Pastor missionário das igrejas reformadas do Brasil e diretor do Instituo João Calvino.