Sermão preparado pelo pastor Jim Witteveen
Leitura: Salmo 8.1-9; Hebreus 2.1-18
Texto: Gênesis 01.26-31

Amada Congregação do Nosso Senhor Jesus Cristo:

O que significa ser humano? Como ser humano, o que sou? O que é o meu lugar no mundo? De onde eu vim?  Para onde eu vou?  Por que estou aqui?

Estas são questões fundamentais, questões que cada um de nós tem que responder para dar sentido à vida. Você pode ter se perguntado essas mesmas questões, ou perguntas como essas. Muitas pessoas não fazem isso, infelizmente – muitas pessoas vivem vidas não examinadas e, infelizmente, nunca pensam seriamente nessas questões, pelo menos conscientemente. Mas para continuar na vida, para que a vida humana tenha algum significado, essas perguntas devem ser feitas, e elas devem ser respondidas.

Nosso texto nos dá a resposta para essas perguntas. A última obra da criação de Deus no sexto dia da semana da criação foi também o coroamento de sua obra criativa. Depois que este trabalho foi concluído, o Senhor pôde fazer sua sétima e última avaliação de sua obra de criação. Nas seis avaliações anteriores, Deus havia examinado os resultados de Seu trabalho, e ele declarou que tudo era bom. Agora, com a peça final da obra criativa no seu lugar apropriado, o Criador poderia examinar o trabalho que Ele havia feito, e poderia fazer a declaração final: Isso é muito bom.

Até agora, nos vários estágios de desenvolvimento, diferenciação, formação e separação, cada etapa do processo foi considerada boa. Mas não foi completo. Algo, ou melhor alguém, estava faltando. E esse alguém era o homem. Para que o trabalho da criação fosse “muito bom,” a criação da humanidade tinha que acontecer. Mas agora, com a criação do ser humano, abençoado e comissionado, a obra da criação foi completa.

Então: o que significa ser “humano”? Em primeiro lugar, significa que somos o trabalho de coroação da criação de Deus. Significa que não somos apenas mais uma parte do ecossistema universal, não somos apenas mais um nível de fera, um nível mais elevado com certeza, mas no fundo não mais importante, nem mais glorioso do que qualquer outro animal que Deus criou anteriormente no sexto dia. Somos diferentes. Somos únicos. Fomos colocados numa posição muito especial. Não somos apenas mais um elo na cadeia de seres vivos, apenas outra parte da cadeia alimentar.

Quando pensamos sobre os seres humanos, sobre o que somos, quando nos examinamos como criaturas, quando realmente pensamos sobre essas coisas, podemos ver muitas coisas que são realmente incríveis, coisas que nos diferenciam dos macacos, golfinhos e pandas.

Temos polegares opostos, por um. Podemos fazer todo tipo de atividade intricada com nossas mãos. Eu poderia digitar o manuscrito para este sermão usando a maioria dos meus dedos, sem sequer pensar em como minhas mãos estavam se movendo, como meus dedos pareciam saber como usar as teclas certas. Isso é algo que praticamente todos nós fazemos todos os dias, muitas vezes, mas pensemos nisso por um momento.

Não apenas temos polegares opostos, o que por si só nos torna únicos, como também podemos usar nossos polegares e nossos outros dedos para fazer coisas que são realmente incríveis e diferentes de qualquer outra criatura.

Temos olhos em nossas cabéca – dois deles. De alguma forma estes pequenos instrumentos são capazes de absorver o mundo – em três dimensões! Podemos distinguir cor, forma e distância, eles se ajustam à luz mais brilhante e à escuridão mais profunda e, além disso, quando olhamos nos olhos de outras pessoas, podemos aprender muito sobre elas – suas emoções, como estão se sentindo, o que elas estão pensando. Mas o mais surpreendente é que também temos recebido mentes, para que possamos interpretar todas essas imagens, podemos entendê-las. E então essas mãos e aqueles olhos podem trabalhar juntos como máquina perfeita, sem que realmente pensemos no que estamos fazendo.

E nossa mente, o cérebro humano – podemos pensar numa coisa enquanto fazemos outra; pode estar ouvindo este sermão enquanto pensa sobre o que aconteceu ontem, ou o que você vai fazer amanhã – nossas mentes têm tanto poder que pode realmente ser prejudicial para nós, em casos como esse! Podemos planejar o futuro. Podemos lembrar o passado. Pensamentos podem chegar na nossa mente por causa de um cheiro, ou um som, quando somos lembrados de coisas que talvez não pensamos há anos. Podemos trabalhar com as fórmulas matemáticas mais complexas. Podemos escrever canções, poesias e histórias sobre coisas que talvez nunca tenhamos experimentado. Podemos imaginar coisas que estão além de nós. Podemos considerar conceitos, aprender e estudar.

Todas essas coisas são incríveis, e são todos aspectos do que significa ser humano, e a beleza e a maravilha dos seres humanos. Mas não são essas coisas que nos tornam verdadeiramente humanos. Não é nossa capacidade mental, nossa capacidade de pensar, que realmente nos diferencia do resto da criação. Não são nossas mãos e as coisas que podemos fazer com elas – o fato de podermos usar ferramentas e fazer coisas que nos diferenciam dos chimpanzés e esquilos. Não é a incrível maquinaria física com a qual estamos equipados, o fato de que podemos ficar de pé, que podemos andar e mascar chiclete ao mesmo tempo, que nos torna especiais. Se foram essas coisas que definiram a humanidade, o que podemos dizer sobre o feto, a criança que ainda está no ventre de sua mãe? Ele não pode fazer nada disso, mas ainda é tão humano quanto você e eu.

E quanto à pessoa que está gravemente incapacitada, a pessoa que nem consegue formar palavras, a pessoa que parece não entender realmente nada que está acontecendo ao seu redor? E as pessoas seriamente incapacitadas que precisam de ajuda 24 horas por dia? Elas são menos humanos que aqueles de nós cujas mentes podem realizar coisas tão incríveis? Não. Não é nossa capacidade de pensar e planejar e lembrar que nos torna humanos, porque se fosse, a pessoa idosa com doença de Alzheimer não seria realmente humana, seria?

Não é nossa capacidade de ver e interpretar o mundo ao nosso redor que nos torna humanos. Pessoas cegas são tão humanas quanto aquelas que podem ver. Não é nossa capacidade de fazer coisas com as mãos que nos tornam humanos, porque as pessoas que nasceram sem esses membros são tão humanas quanto o resto de nós. Não é nossa capacidade de usar nossas línguas e laringe para formar palavras em frases coerentes que nos fazem humanos também.

Tudo isso é realmente importante. Porque as pessoas que pensam em termos de categorias evolucionistas pensam dessa maneira. Somos membros altamente desenvolvidos do reino animal. Por isso os biólogos ficam tão emocionantes quando vêem um chimpanzé fazendo um martelo para abrir algo e encontrar comida, ou quando vêem um elefante que pode respingar tinta para fazer algo que se aproxima da arte, ou um esquilo usando uma rocha para abrir uma casca de noz.

O que realmente nos torna especiais, o que realmente nos torna únicos, é o fato de que somos criados à imagem de Deus. Do feto ao cientista mais inteligente ou mãe ou médico ou homem de negócios, ao idoso que não entende mais nada, que não consegue se comunicar, que precisa ser alimentado e levantado da cama, todos nós somos seres humanos criados à imagem de Deus. Somos diferentes. Somos especiais. Em termos de pensamento popular, quase parece sacrilégio dizer isso, porque o mundo quer que acreditemos que os golfinhos e as baleias estão no mesmo nível dos seres humanos, simplesmente porque alguns golfinhos são mais inteligentes do que alguns humanos. Mas esta é uma verdade Bíblica, a verdade da Palavra de Deus. Somos especiais, somos únicos, porque fomos criados à imagem de Deus.

Quem sou eu? Sou ser humano criado à imagem de Deus. Qual é o meu lugar neste mundo? Ser criado à imagem de Deus nos diz qual o nosso lugar no mundo, o que devemos fazer com essa vida, o que significa ser verdadeiramente humano no sentido mais pleno da palavra.

Em Gênesis 1.26, lemos que Deus conferiu a si mesmo, dizendo, “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança.” Aqui temos uma sugestão da natureza trinitária de Deus; Ele existiu desde a eternidade na perfeita comunhã do Pai, Filho e Espírito Santo. E esta introdução única ao último ato criativo de Deus nos dá uma dica sobre o que está por vir. Ser humano significa ser a imagem do Deus Triúno, um reflexo dele em sua criação. E então Deus diz: “Tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.”

Então, fomos criados para sermos seres relacionais; isso fica ainda mais claro no versículo 27, onde temos uma bela declaração poética do que Deus fez depois de conferir com Ele mesmo: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” Não foi apenas o homem que foi criado à imagem de Deus. Não foi apenas a mulher que foi criada à imagem de Deus. Foi a humanidade como uma unidade, masculino e feminina como uma unidade, criados para serem a imagem de Deus. Somos criados para viver em relacionamento, porque as três pessoas da Trindade sempre viveram em relação umas com as outras. Somos criados para amar, porque as três pessoas da Trindade sempre existiram num relacionamento de amor uma com a outra.

Somos criados como seres pactuais – para viver em relacionamentos de aliança, porque as três pessoas da Trindade sempre viveram num relacionamento pactual entre si. Não somos unidades individuais. Não estamos destinados a ficar sozinhos. Não fomos criados para ser indivíduos isolados. Fomos criados para viver em comunidade, em comunhão uns com os outros e em comunhão com nosso Criador.

Encontramos aqui mais uma distinção criada por Deus, como nos outros atos da criação – a distinção entre homem e mulher. A comunhão entre homem e mulher no relacionamento conjugal é outro aspecto de ser criaturas comunais, criadas à imagem de Deus. Mas neste momento, nosso cofo está nos relacionamentos em geral, nos relacionamentos pactuais, baseados no amor mútuo e no serviço mútuo. É isso que significa ser criado à imagem de Deus, e por isso nossa comunidade da aliança é tão importante.

Desde a queda no pecado, viver em comunidade não tem sido fácil. Nós adquirimos instrumentos de proteção para nos proteger de outras pessoas. Nós nos isolamos. Nós nos separamos da comunidade em que Deus nos colocou. É uma coisa terrível, porque significa que não estamos vivendo como o que fomos criados para ser. Participar de nossa comunidade da aliança, nossa comunidade eclesiástica, a igreja, por mais mundana que seja, por mais difícil que seja, é central para o que significa ser a imagem de Deus.

Mas há outro aspecto a ser criado à imagem de Deus e, como todas as outras partes dessa passagem, a sabedoria do mundo nega essa importante verdade: fomos criados para ter domínio. Fomos criados para governar. O salmista expressa isso em Salmo 115.16: “Os céus são os céus do SENHOR, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens.” Fomos criados para governar a criação, exercer domínio sobre a criação, em nome de Deus.

Bem, alguns dizem, este é o tipo de ensino que levou a todo tipo de dano à terra – destruição do meio-ambiente. A poluição na atmosfera e na água, o desmatamento, a perda de rios selvagens e o habitat dos animais, tudo isso vem da doutrina cristã do domínio que a humanidade supostamente teria sobre a criação. Em vez disso, precisamos perceber que somos apenas mais uma engrenagem na máquina, e nossas florestas são tão importantes quanto os móveis ou os pianos que construímos das árvores que crescem nelas.

Então, quando falamos sobre o domínio do homem sobre a criação, estamos definitivamente nadando contra a corrente da opinião popular. Mas fomos criados para governar. Fomos criados para subjugar a terra, para domar a criação. Mesmo a mentalidade de muitos cristãos é que o “deserto,” a selva, indomável e não desenvolvido, é bom em si mesmo e muito a ser preferido em relação a qualquer tipo de desenvolvimento. Mas isso não é o que a Bíblia ensina.

Devemos subjugar a criação – cultivá-la, até mesmo manipulá-la, para servir aos nossos propósitos. E devemos governar. Não fomos criados por causa dos animais e plantas, as rochas e os rios; eles foram criados por nossa causa. Somos chamados a usar essas coisas, mais uma vez para o próposito final de Deus, para o Seu louvor, para a Sua glória. Isso pode ser o máximo em politicamente incorreto, mas é verdade, e os fatos não podem ser ignorados.

Naturalmente, o que muitas vezes falta nesta discussão é o resultado da queda no pecado. Quando somos chamados a governar e ter domínio, não significa que somos chamados a começar uma missão de pilhagem, estupro e exploração sem cuidado. Não há noção de destruição ou devastação da criação neste chamado. Deus nos chama a participar no processo de “desenvolvimento ético e sustentável,” para Sua glória.

Esse chamado permanece tão real hoje quanto foi quando Deus deu o mandamento pela primeira vez; o desafio é reconhecer os resultados da pecaminosidade da humanidade, combatê-los no poder do Espírito Santo e procurar cumprir nossa vocação para subjugar e dominar a criação sem destruí-la. E o tempo todo precisamos nos lembrar das palavras do apóstolo Paulo em Romanos – que toda a criação está gemendo, esperando a revelação dos filhos de Deus, e a renovação de toda a criação é algo que ainda estamos aguardando ansiosamente.

Mas isso não torna nossa vocação diferente da vocação de nossos primeiros pais, porque nós, como eles, somos criados à imagem de Deus. E o mesmo vale para o chamado para ser frutífero e multiplicar e encher a terra.

Parece que estamos enfrentando muita sabedoria mundana popular nesta mensagem, e essa é outra área em que esse é definitivamente o caso. Parte integrante de ser feito à imagem de Deus, outro aspecto que não mudou, é nosso chamado para ser fecundos e multiplicar, enchendo a terra. Ao fazer isso, estamos funcionando como o Deus que fez os mares, enchendo eles com criaturas vivas; o Deus que fez os céus, enchendo eles com as criaturas aladas; o Deus que encheu a terra com plantas e árvores de todo tipo, e animais de todas as espécies. Em grande parte do mundo, especialmente no que chamamos do primeiro mundo, esse chamado para ser fecundo e multiplicar está sendo ignorado e está tendo consequências desastrosas. A terra não foi enchida e não será enchida ainda por muito tempo. Como imagem de Deus, devemos ser fecundos, frutíferos, e isso significa, em seu nível mais simples, ter filhos – e muitos deles!

As crianças são uma bênção do Senhor; o salmista diz isso em Salmo 127.3-5:

“Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta.”

Nossa sociedade frequentemente parece ver as crianças mais como uma maldição ou, na melhor das hipóteses, como um mal necessário. Elas roubam a nossa liberdade. Elas são caras. São difíceis de lidar. São fáceis de fazer, mas atrapalham. Então, as pessoas têm menos filhos. Ou elas os matam antes de nascerem. Ou quando nascem, eles são entregues nas mãos de pessoas desconhecidas para cuidar deles, para que nós, como pais, possamos fazer o que queremos, quando queremos, e no estilo ao qual nos acostumamos.

E muitas vezes, esse tipo de pensamento nos afeta como cristãos também. Mas precisamos ver essa ordem para ser fecundos e multiplicar e encher a terra como parte integrante do que significa ser criado à imagem de Deus. Isto não é apenas um mandamento, algo que temos que fazer; também é uma parte da nossa bênção. E precisamos nos apegar a essa idéia, com toda a nossa força. Devemos agarrar-nos a essa bênção, regozijar-nos nela e buscar com todo os nosso poder cumprir o chamado que Deus nos deu quando nos criou à sua imagem, porque é isso que significa ser verdadeiramente humano.

Quem somos nós? Somos seres humanos, o ápice do trabalho criativo de Deus. De onde nós viemos? Fomos criados pelo único e verdadeiro Deus. Porque estamos aqui? Assim como o restante da criação, estamos aqui para glorificar a Deus, louvá-lós, adorá-lós, servi-lo e fazer tudo isso em todos os aspectos do nosso ser, em cada aspecto do nosso ser a imagem de Deus. Devemos governar toda a criação – não por nós mesmos, não para nosso próprio prazer, não para nossas próprias recompensas, mas para Deus e Sua glória.

Devemos subjugar a terra – não nos tornarmos mais e mais confortáveis, não porque queremos tirar o máximo proveito da vida e deste mundo, para nós mesmos, mas por causa daquele que nos colocou na posição de subjugar, para seu louvor e sua honra. Devemos ser fecundos e multiplicar, não porque nossos filhos cuidem de nós quando ficamos velhos, o porque queremos a segurança de ter uma próxima geração para pagar a previdência, ou porque queremos ter certeza de que há uma geração de trabalhadores baratos disponíveis para fazer as coisas que não queremos fazer. Mas para a glória de Deus, trabalhando e vivendo como Sua imagem. E devemos viver em comunidade – como homem e mulher, como a comunidade da aliança, o corpo de Cristo, não porque nos dê tanto prazer e realização pessoal (porque às vezes com certeza não nos dá), mas porque é isso que significa ser a imagem de Deus.

Como igreja de Cristo, esse chamado para reconhecer que somos a imagem de Deus e para viver desse entendimento é central para nossa missão na terra. A queda no pecado significa que muitas pessoas se recusam a se submeter à idéia de que somos a imagem de Deus. E isso significa que precisamos estar mais vigilantes para refletir a luz de Deus num mundo sombrio e perdido, no mundo que se perdeu completamente, porque perdeu sua compreensao dessa verdade fundamental.

Deus se revelou mais plenamente desde a queda na pessoa de Jesus Cristo, o Filho, a segunda pessoa do Deus Triúno. O que significa viver como imagem de Deus? Significa refletir tudo o que Jesus Cristo foi em Sua vida na terra e tudo o que Ele é e seres. Ele é, Paulo nos diz em Colossenses, 1.15, “a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.” Ele cumpriu perfeitamente em Sua encarnação tudo o que significava ser a imagem de Deus. Ele exerceu o seu domínio perfeitamente, para a glória do Pai. Ele governa perfeitamente, em humilde submissão ao Pai, mostrando o que significa ser verdadeiro líder, o líder que serve.

Ele nunca teve filhos físicos, ele nunca foi marido físico de uma noiva humana, mas em  Hebreus 2, lemos quão frutífero Ele foi: “Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles. Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: A meus irmãos declararei o teu nome, cantar-te-ei louvores no meio da congregação. E outra vez: Eu porei nele a minha confiança. E ainda: Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu” (Hebreus 2.10-13).

Ele recebeu muitos filhos e, pela graça de Deus, somos contados nesse número. Como comunidade da aliança, somos Sua noiva e Ele é nosso marido.

O mundo não é o que era antes da queda no pecado. Tudo foi danificado de alguma forma pelo pecado, e esse dano é evidente em nós, entre nós e ao nosso redor. Fomos criados à imagem de Deus, mas essa imagem foi distorcida. Não vemos todas as coisas em submissão à humanidade. “Vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem” (Hebreus 2.9).

Nós olhamos para ele. Ele nos restaura para a nossa posição apropriada. Sem ele, não podemos cumprir nossa vocação para sermos a imagem de Deus. Mas nele, podemos começar a cumprir essa vocação, mesmo que ainda tenhamos que lutar contra essa velha natureza pecaminosa. Somente olhando para Ele, vendo-o como nosso grande exemplo, podemos ser verdadeiramente humanos. Mas Ele é muito mais do que o exemplo, um grande homem, um grande exemplo que devemos seguir. Somente em união com Ele, pela fé, podemos ser o que Deus quer que sejamos. Somente confiando nele, servindo a ele, seguindo a ele, os resultados da maldição que caiu sobre nós na Queda no pecado serão aniquilados. Somente nele, um união com ele, podemos fazer o que Deus nos criou para fazer.

O fato triste é o seguinte: muitas pessoas acreditam que somente negando que somos a imagem de Deus, podemos tirar o máximo proveito dessa vida. E o que elas não percebem é que, ao negar essa verdade central sobre o que significa ser humano, elas estão realmente se tornando algo menos que humano. Somente em Cristo podemos olhar para frente pelo grande e glorioso futuro, quando nós, como imagem de Deus, assumirmos aquela tarefa que Deus deu ao nosso primeiro pai, e cumprir esse papel em perfeição, trabalhando e nos esforçando, construindo e criando por toda a eternidade, na criação renovado, para o Seu louvor e para a Sua glória.

O apóstolo Paulo nos diz o que temos que fazer para realmente viver como imagem de Deus, e ele lembra o povo de Deus do que sempre precisamos lembrar:

“Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Colossenses 3.9-10).

Para nós, como o povo de Deus, a mensagem é essa: lembre-se quem você é. Continue a adiar essa velha natureza pecaminosa como todas as suas práticas pecaminosas. Deixe isso para trás. Lembre-se de quem você é, lembre-se do que Due fez de você; lembre-se do que Deus está fazendo com você. Você está sendo renovado na imagem de Deus – então viva assim. Esse é o chamado de Deus para nós hoje, e todo dia da nossa vida.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Jim Witteveen

Pastor missionário das igrejas reformadas do Brasil e diretor do Instituo João Calvino.