Pregação preparada pelo Pr. Elso Venema

Leitura: Filipenses 01:01-11

Texto: Filipenses 01:12-18

Amados irmãos no Senhor,

O texto da pregação nos coloca diante de uma questão difícil: O apóstolo Paulo declara que há pregadores do evangelho que pregam “por inveja e rivalidade” ( Filipenses 1: 16 ) e “por ambição egoísta” ( Filipenses 1: 17 ). Mas mesmo assim ele se alegra, pois, a final de contas, Cristo está sendo pregado. Esta questão é difícil. Há pregadores do evangelho, que atuam sem sinceridade. Só pregam para garantirem seu salário, ou para ganharem fama, para terem motivo de orgulho ou para sentirem-se melhores do que os outros. Os verdadeiros pregadores pregam para dar a honra e glória a Cristo. Eles amam ao Senhor, desejando engrandecer o seu nome e promover o seu reino. Mas há pregadores que não têm essa motivação espiritual. Existem inclusive pregadores que têm uma motivação carnal. Eles não buscam a honra de Cristo, mas somente se preocupam com sua própria fama, glória e bem-estar. Agora, o que o apóstolo Paulo comenta sobre esses dois tipos de pregadores? Será que ele ficou preocupado com isso? Ou será que ele revoltado com aqueles que falam a Palavra de Deus, mas não têm sinceridade? Nada disso, meus irmãos! O apóstolo Paulo, ciente da realidade de haver pregadores levados por ambição egoísta, simplesmente declara: “Que importa? O que importa é que, de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro” ( Filipenses 1: 18 ). Como isto é possível? Como é possível um apóstolo de Cristo dizer que não faz diferença quando há evidências de falsidade em pregadores do evangelho? Será que o apóstolo Paulo quis ensinar que qualquer um, seja qual for a sua motivação, pode pregar o evangelho? Será que ser pastor é igual a qualquer outra profissão? Será que aquele que só quer abrir a boca se é para garantir seu salário, pode ser pastor? Isto não significa que qualquer um poderia tornar-se pastor! Basta saber falar de forma convincente, em nome de Jesus.

Mas meus irmãos, não é isso que o apóstolo Paulo está ensinando.

Avaliemos a situação em que o apóstolo se encontrava. Desta maneira, contextualizando as informações, podemos entender qual o pensamento do apóstolo em relação àqueles falsos pregadores. O apóstolo Paulo, como todos sabem, pregou mais do que todos os outros. Ele fez viagens missionárias para pregar a Cristo. O apóstolo Paulo nunca ficou parado. Até na prisão, onde ele foi lançado por pregar a ressurreição, ele não parou de divulgar o evangelho. Ele falava sobre Cristo aos guardas, aos soldados, aos juizes e a todos aqueles que quiseram saber mais. Agora, por que o apóstolo se esforçou até o fim, pregando o evangelho em qualquer situação? Não era para ganhar nada. Não era por motivo de egoísmo. Não era por ser assalariado. Era apenas por uma só razão. O apóstolo Paulo amava a Cristo. Ele amava tanto a Cristo, que a única grande prioridade na sua vida era pregar o evangelho. Podemos notar isto muito bem no trecho que acabamos de ler. O apóstolo estava preso. Ele estava sendo processado e podia até ser condenado à morte. Mas ele não estava lamentando sua sorte. Ele não estava preocupado com seu julgamento. Ele não estava pensando em conquistar a liberdade. O interesse principal do apóstolo continuava sendo que o evangelho tivesse progresso. Mesmo preso, ele continuava querendo ser um instrumento para pregar o evangelho. Reparem, irmãos, que este trabalho do apóstolo Paulo tinha um impacto enorme! Os soldados que ouviram o testemunho do apóstolo ficaram maravilhados. Eles comentaram no quartel que Paulo não era um criminoso, e sim, um seguidor de Cristo! Eles falaram sobre isso em suas casas. Eles ouviram da existência das igrejas de Cristo, e queriam saber mais. Os irmãos das igrejas, vendo como o trabalho do apóstolo Paulo, mesmo na prisão, não tinha parado, mas continuava sendo frutífero, ficaram maravilhados. Aqueles irmãos, que antes tinham medo de serem discriminados ou perseguidos pelas autoridades, agora estavam anunciando com maior determinação e destemor o evangelho de Cristo. Quer dizer, devido ao desempenho do apóstolo na prisão, as igrejas ficaram mais animadas e houve até um crescimento espiritual entre os irmãos. Podemos então observar que a pregação do evangelho era a grande prioridade na vida do apóstolo Paulo.

Agora, parece que alguns irmãos tinham um problema com isso. Isso acontece mais vezes. Quando alguns fazem o bem, ou são muito prósperos, outros ficam doentes de inveja. Aparece o olho grande. Aconteceu também no caso do apóstolo Paulo. Alguns não agüentavam o desempenho extraordinário do apóstolo Paulo, que estava preso, mas chamou mais atenção do que todos os outros! Para alguns o apóstolo Paulo não precisava continuar pregando. Achavam muito melhor se ele se aposentasse. Pois, afinal de contas, ele não estava preso? Ele não estava sem condições de trabalhar? E ele não era idoso? Isso não quer dizer que chegou a hora para ele finalmente ficar calado e entregar a tocha a outros? Aparentemente havia alguns irmãos da igreja, que desejavam firmar-se como pregadores. Diante do grande ministério do apóstolo, eles ficaram com ciúmes e inveja. O ministério do apóstolo era tão frutífero, que todos os irmãos estavam comentando. Não havia ninguém que não falasse do trabalho do apóstolo Paulo! Muitos se animaram. Pois todos notaram que o apóstolo Paulo dava continuidade a sua única e grande missão e prioridade: pregar o evangelho de Cristo. Para alguns irmãos, porém, isto era um problema. Estes irmãos, vendo a animação e o sucesso do apóstolo, ficaram doentes de inveja. Eles invejaram ao apóstolo uma influência tão forte e positiva no meio das igrejas. Eles não agüentaram que a estrela dele continuava sendo a estrela mais brilhante. Eles não suportaram que o apóstolo, mesmo atrás das grades, continuava trabalhando mais do que eles! Por que alguns irmãos reagiram desse jeito? Por que eles não mostravam amor ao apóstolo Paulo, orando por ele e dando-lhe todo apoio para seu ministério? Podemos entender o porquê disso. O apóstolo Paulo tinha como prioridade a pregação do evangelho. Só isso. Mas aqueles outros, que tinham inveja dele, não tinham como prioridade a pregação do evangelho. Para eles a prioridade era que eles, sendo pregadores, pudessem ganhar um salário, ou espaço, ou influência ou fama. Para eles Cristo não estava em primeiro lugar, mas eles próprios estavam em primeiro lugar. Por isso, meus irmãos, eles ficaram doentes quando o apóstolo Paulo, continuava se dedicando totalmente à pregação do evangelho. Eles sabiam que o apóstolo Paulo estava realizando um trabalho muito bom! Porém eles não colaboravam com ele, pois eles próprios tinham outros interesses.

Então, havia irmãos muito fracos no meio das igrejas! Eles queriam pregar o evangelho. Mas eles não tinham a motivação certa. Eles queriam pregar a Cristo. Mas pregar a Cristo não era a prioridade deles. Neles não prevalecia o amor por Cristo, mas o egoísmo. Eles não queriam cooperar com o apóstolo, mas se posicionavam como rivais e buscavam competição. Eles não queriam andar juntos com o apóstolo, mas desejavam deixá-lo para trás. O que o apóstolo declarou em relação àqueles irmãos? Será que ele ficou muito chateado com eles, ou que ele exigiu que eles fossem disciplinados, para que não pregassem mais? Ou será que ele mandou expulsar aqueles pregadores da igreja? Não! O apóstolo declarou: “Que importa? O importante é que de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro” ( Filipenses 1: 18 ). Entendam bem, irmãos, o apóstolo não era ignorante ou inocente. Não foi por inocência ou falta de compreensão que o apóstolo não ficou preocupado com aqueles pregadores. O apóstolo Paulo notou que aqueles pregadores, apesar de terem inveja e ambição egoísta, e apesar de quererem aproveitar-se, pregavam a Cristo! Por maiores que fossem as fraquezas daqueles irmãos, por mais errados os seus motivos, eles pregavam o verdadeiro evangelho de Cristo! E como justamente isso era a única e grande prioridade do apóstolo, ele se alegrou. Ele se alegrou, não com a falsa motivação de alguns dos pregadores, claro que não, mas ele se alegrou com o fato que Cristo estava sendo pregado.

Isto não quer dizer que o apóstolo Paulo aprova qualquer um que queira tornar-se pastor. Isto não quer dizer que o apóstolo aprova qualquer indivíduo que tenha boa conversa, independentemente das suas convicções e motivações. O apóstolo Paulo não aprova nem desaprova ninguém. Ele apenas se alegra quando Cristo está sendo pregado. Pois isto é o que mais importa. Cristo precisa ser pregado. Pois Cristo é o único Salvador, o qual nos salvou por meio de seu sangue, mediante a fé, a qual vem pelo ouvir da pregação da Palavra. O resto não importa. Pode haver motivos falsos entre os irmãos. Pode haver fraquezas. Pode haver irmãos que só pensam em lucro e proveito. Pode haver irmãos gananciosos. Pode haver irmãos que sempre queiram se exaltar. Pode haver irmãos que só pensam em serem melhores do que os outros. Pode haver irmãos orgulhosos. Tudo isso é lamentável. Mas tudo isso, apesar de ser lamentável, dá para suportarmos. Pois o mais importante é que Cristo está sendo pregado. A obra de Cristo tem que continuar. Se isto de fato acontece, inclusive pelo desempenho de homens fracos e falhos, podemos alegrar-nos. Se Cristo está sendo pregado – conforme o evangelho, temos motivo de alegria. Meus irmãos, notando esta atitude, esta convicção do apóstolo, que valorizou o evangelho de Cristo como seu major tesouro, eu faço uma pergunta: Será que nós, que estamos aqui, amamos o evangelho? Será que nós amamos o evangelho tanto, que queremos sempre recebê-la com um coração aberto? Queremos inclusive receber o evangelho se o culto fosse dirigido por qualquer irmão, seja ele pastor, presbítero ou diácono? Esse negócio de só ir para a igreja se irmão fulano prega, ou não ir para a igreja se irmão tal prega, não é certo. O certo é amar o evangelho, a Palavra de Deus, a qual nos traz Cristo. Devemos amar este evangelho independentemente das pessoas e das motivações delas.

Há várias qualidades de pregadores. Há falsos pregadores e verdadeiros pregadores. Há pregadores que só pensam em tirar lucro e proveito, e que não se preocupam com a honra e a glória de Cristo. Há pregadores cheios de vaidade, pois só pregam querendo brilhar para serem melhores do que os outros. Eles não sobem o púlpito para o engrandecimento de Cristo, mas para seu próprio engrandecimento. Todas essas fraquezas, e ainda muitas outras podem ser encontradas na igreja de Cristo. Pode até haver irmãos que nos decepcionam, pelas suas atitudes, pelas suas palavras e pelos motivos que tenham. Desta maneira, olhando o lado humano, dá para ficarmos decepcionados. Mas não devemos ficar decepcionados ou desanimados. O lado humano não deve prevalecer. Cristo deve prevalecer. Enquanto ele está sendo pregado, conforme a Palavra de Deus, devemos ficar alegres e contentes. Reparem o exemplo do apóstolo Paulo! Ele estava preso. Havia um processo contra ele. Até determinados irmãos da igreja não o apoiaram, mas tentaram “causar-lhe sofrimento” ( Filipenses 1:18 ). Nem por isso o apóstolo Paulo perdeu sua alegria! Pois ele sabia o que importa: o evangelho de Cristo. Todas as outras coisas passarão. Mas a Palavra do evangelho permanece, bem como todo aquele que a ama com sinceridade. Valorizemos esta Palavra, meus irmãos! Amemos esta Palavra! Esforcemo-nos para sempre recebermos esta Palavra, acolhendo-a com carinho, independentemente de quem prega. Esforcemo-nos para que esta Palavra seja pregada. Cristo deve ser anunciado entre todas as nações! Isto deve ser a nossa única grande prioridade. Pois assim pecadores podem abraçar a Cristo, o único Salvador e serem salvos. Pela pregação, pecadores recebem a salvação, isto quer dizer, quando acolhem a mensagem com amor e se arrependem. Quando isto acontece, meus irmãos, quando pela pregação do evangelho pecadores perdidos se arrependem e recebem a eterna salvação, nada, nada mesmo, deve atrapalhar a nossa alegria.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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