Pregação preparada pelo Pr. Abram de Graaf

Leitura: Eclesiastes 11.01-08

Texto: Eclesiastes 11.01-08

 

Queridos irmãos em Jesus Cristo,

Faz pouco tempo que um dos irmãos me pediu para pregar sobre este texto. Ele nunca ouviu um sermão sobre este texto na igreja reformada. E eu também não! Então foi um desafio! E, realmente irmãos, este texto se mostra um desafio. Lendo o texto e estudando ele, descobri que o texto tem uma mensagem forte para todos nós.

SETE OBSERVAÇÕES A RESPEITO AO NOSSO TRABALHO NO REINO DE DEUS

1) Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias acharás.
2) Reparte com sete e ainda com oito, porque não sabes que mal sobrevirá a terra.
3) Estando nuvens cheias, derramam aguaceiro sobre a terra;
4) Caindo a árvore para o sul ou para o norte, no lugar em que cair, aí ficará.
5) Quem somente observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.
6) Assim como tu não sabes qual o caminho do vento,
7) nem sabes como se formam os ossos no ventre da mulher grávida
Conclusão: Assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas.
Conselho: Semeia pela manhã tua semente e à tarde não repouses a sua mão, porque não sabes qual prosperará;

1) Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias acharás.

A primeira observação se refere ao inicio de todo trabalho. Quando se começa um trabalho, devem-se fazer investimentos; o resultado destes investimentos não se manifesta logo, mas depois de muitos dias ou semanas.

O texto diz: Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. Muitas pessoas se perguntaram sobre o sentido deste texto, pois ‘lançar pão sobre as águas’ em si não é um bom investimento. Ao contrário! Em si, jogar pão sobre as águas é uma perda. O pão cai na água, fica mole e se perde.

Mas não sempre! Conheço uma pessoa que gosta de pescar. Ela tem os seus lugares favoritos para ir e lá joga o seu pão sobre as águas. Ele faz isso uns dois ou três dias, e depois disso ele vai para o mesmo lugar com a sua vara e com a isca de pão. Ele criou um lugar de alimentação para os peixes, que vieram para comer o pão. No terceiro dia, os peixes vêm de novo para comer, mas desta vez dentro do pão tem um anzol. Então, podemos dizer: essa pessoa jogou o seu pão sobre as águas e depois de muitos dias ele achou peixe. Foi um investimento, que deu lucro.

Outros dizem que este exemplo não tem nada a ver com os pescadores, mas com os agricultores. Os agricultores tinham o costume de semear a semente de trigo na época em que as chuvas começam a cair. O campo fica molhado e mole e pronto para receber a semente. Muitas vezes a água ainda está no campo. Então, o agricultor lança a semente do trigo sobre as águas, e no início, parece que ele jogou tudo fora; parece um gasto de dinheiro. O trigo que servia bem para fazer pão foi jogado no campo, mas só depois de muitos dias podemos ver que foi um bom investimento, pois o trigo se tornou uma planta que dará trinta, sessenta ou cem vezes mais do que foi semeado.

Então: quando você começa um trabalho, tem que investir e depois de muitos dias achará. Isso se aplica também no trabalho da igreja: às vezes se começa um projeto evangelístico, e a gente investe muito energia e muito dinheiro; logo no início não podemos ver o resultado, mas o semeador tem que ter paciência. Só depois de muitos dias achará!

2) Reparte com sete e ainda com oito, porque não sabes que mal sobrevirá a terra.

A segunda observação está cheia de sabedoria. Esta observação nos ensina que devemos trabalhar com cuidado e não nos concentrar num ponto só.

Os nossos irmãos fazendeiros em Unaí trabalham de acordo com esta sabedoria. Eles são fazendeiros, mas não se concentram em só um tipo de trabalho. A maioria tem dois ou três tipos. Eles trabalham com gado, com porcos, com milho, ou com soja; Trabalhar somente com vacas pode dar lucro, mas se algo acontecer, todo trabalho pode se perder. Quem trabalha não somente com gado, mas também com milho e soja, tem um fundamento mais forte e não depende de um tipo de trabalho.

Isso se aplica também no mundo do comércio. Quem trabalha nas bolsas onde se vendem ações sabe que não deve comprar somente ações de Petrobras. Se o preço do óleo está subindo, ganhará muito lucro, mas se o preço está caindo, ele pode perder tudo. Por causa disso é melhor investir o dinheiro em várias empresas. Isso dá uma garantia melhor para o futuro. Muitas pessoas experimentaram isso nos últimos meses. A crise global pegou muitas pessoas de surpresa. E muitas pessoas perderam quase todo o seu dinheiro, porque investiram tudo na Petrobras. Então, deve-se dividir ou repartir com sete e ainda com oito, porque não sabes que mal sobrevirá sobre a terra.

Isso se aplica também no trabalho da igreja. O trabalho na igreja não deve depender de uma ou duas pessoas, por que se acontecer alguma coisa com essa pessoa, o trabalho sofre muito. Por causa disso é melhor repartir o trabalho com sete ou com oito; sete ou oito homens é um bom grupo para liderar a igreja. Um pode até mesmo morrer, e mais um pode se mudar por causa do seu trabalho, mas perder oito homens é quase impossível. Então: Reparte com sete e ainda com oito, porque não sabes que mal sobrevirá a terra.

3) Estando nuvens cheias, derramam aguaceiro sobre a terra;

A terceira observação tem a ver com a providência de Deus, que usa os processos da natureza.

Existem certos processos que devemos observar. Por exemplo: sabemos que existem certas épocas em que as chuvas caem na terra. O bom fazendeiro conta com isso. Ele semeará antes dessas chuvas para que possa colher depois da época das chuvas. Se não me engano, funciona assim em Alagoas. Os produtores de cana preparam as terras no início do ano, porque sabem que as chuvas vêm no meio. E, depois de setembro, a safra da cana começa.

Mas, além disso, sabemos também que às vezes estamos esperando para as chuvas, mas elas não vêm. Às vezes os nossos irmãos em Unaí esperam à chuva, mas não cai nada. Ou pior ainda: a chuva cai no campo do vizinho, mas nada no seu campo. Isso tem a ver com a providência de Deus. Só existe UM que manda o vento e consequentemente as nuvens. E se as nuvens estão cheias, elas derramam aguaceiro sobre a terra. Isso quer dizer: nem tudo depende do nosso trabalho. Devemos estar conscientes que somos dependentes da misericórdia e da providência de Deus. Nós devemos fazer o nosso trabalho, mas devemos estar cientes que o nosso trabalho não depende somente de nós. Isso nos protegerá contra as grandes decepções.

4) Caindo a árvore para o sul ou para o norte, no lugar em cair, aí ficará.

Esta quarta observação nos mostra que existe a possibilidade que o produto do nosso trabalho cair, e lá ficar. No lugar em que cai, aí fica. Não consegue mais levantá-lo.

Existem situações em que o trabalho cresce. Uma planta se torna uma árvore. Um pequeno negócio pode se tornar uma grande empresa. Mas essa grande empresa é menos flexível do que no início. Uma plantinha é mais flexível que uma grande árvore. Quando os ventos vêm e batem naquela árvore, ela resiste, pois tem raízes na terra. Mas quando a árvore fica velha, os ramos quebram e até a árvore mesmo pode cair. Especialmente se a copa da árvore está cheia de folhas que a deixam pesada.

Assim uma empresa grande, que tem uma diretoria pesada, que consume uma grande parte do lucro da empresa, se tornará frágil quando os ventos contrários vierem e baterem contra a empresa. Muitas empresas caíram porque todo o peso estava na diretoria. Eles não investiram no trabalho fundamental da empresa, mas na diretoria dela. Tal empresa cairá e no lugar em que cair, ali ficará.

Podemos aplicar isso também na vida da igreja, irmãos. Até uma igreja pode cair. Se a cabeça da igreja fica pesada e se todo investimento da igreja é consumado pela liderança da igreja, a igreja fica muito frágil. Se os ventos batem contra esta árvore, ela facilmente cairá, para não mais se levantar. A maior parte do dinheiro da igreja deve ser investida no trabalho fundamental da igreja: pregação, evangelização, e diaconia. Assim o trabalho fica com os pés no chão e terá raízes para ficar de pé.

Pensem nisso, pois Caindo a árvore para o sul ou para o norte, no lugar em cair, aí ficará!

5) Quem somente observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.

A quinta observação nos avisa contra o perfeccionismo no trabalho, e contra o medo de correr riscos. Quem somente observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.

Isso nos leva de novo para a agricultura. O agricultor que está olhando o dia todo para as nuvens, esperando para o momento perfeito para semear ou para colher, nunca semeará e nunca colherá. Porque a situação ideal não existe. Num certo momento o fazendeiro tem que tomar uma decisão e tem que correr um risco. Ele não deve continuar olhando para o céu, mas deve se levantar e começar a trabalhar.

De certa forma nós também podemos aprender dessa observação, irmãos. Especialmente no nosso trabalho eclesiástico; Por exemplo, em relação com ao trabalho evangelístico. Há situações em que a igreja quer começar um trabalho evangelístico e está procurando um local ideal; a igreja está procurando e observando vários lugares, mas não encontra este lugar ideal; quem é assim, deve pensar nessas palavras: Quem somente observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará. O texto nos ensina que devemos trabalhar, até não sabendo onde nós vamos chegar. Pois existem coisas que nós não sabemos.

6) Assim como tu não sabes qual o caminho do vento,

A sexta observação nos ensina isso! Nós não sabemos o caminho do vento. Ninguém conhece este caminho. Jesus usou esta palavra e aplicou-a no caminho do Espírito Santo, dizendo: O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito.

Nós não sabemos o caminho do vento, mas isso não deve nos deixar paralisados. Nós não conhecemos o caminho do Espírito Santo, mas isso não deve nos deixar parados. Devemos trabalhar, ate mesmo não sabendo onde vamos chegar;

7) Nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida,

A sétima observação combina com a anterior. Nós não sabemos o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida; Pois é, irmãos. Isso não é uma coisa maravilhosa!?

Como se formam os ossos no ventre da mulher. Salmo 139, 14 diz: “Conhecias até o fundo do meu ser: meus ossos não te foram escondidos quando eu era feito, em segredo, tecido na terra mais profunda”.

Nós não sabemos como se formam os ossos no ventre da mulher, mas Deus sabe.
Isso é escondido pelos olhos do homem, mas não pelos olhos de Deus.
Existem coisas que o homem não sabe, mas isso não nos deixa parados.
Nós não sabemos como se formam os ossos no ventre da mulher, mas isso não deixa a mulher com medo; isso não causa uma resistência para ter filhos. Nós não sabemos, mas Deus sabe. E nós devemos continuar a nossa vida e trabalhar na procriação, confiando em Deus. A nossa ignorância não pode ser um motivo para ficar parado. Esta é a conclusão deste capítulo, porque no final ele diz:

Conclusão: Assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas.

Exatamente! Prestem atenção nisso, irmãos! Assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas. DEUS faz todas as coisas. Devemos acreditar nisso. Devemos ter fé para trabalhar no reino de Deus. A fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se vêem! Nós não temos conhecimento das obras de Deus, mas isso não quer dizer que Deus não está trabalhando. Deus ESTÁ trabalhando e o fato que nós não sabemos as obras de Deus, não deve nos deixar paralisados. Tal atitude é falta de fé! Devemos trabalhar, pois trabalhamos no reino de Deus. Devemos trabalhar, não sabendo como será a obra de Deus. Devemos trabalhar, pois Deus está trabalhando! Ele forma os ossos no ventre da mulher grávida; ele também forma a fé no coração do homem. Nós não podemos ver nem um nem outro. Deus guia os ventos, e assim guiara também o seu Espírito Santo, que nos ajudará. Devemos preparar a igreja, para que Deus a possa encher. Devemos preparar o campo, acreditando que Deus dará frutos. Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias acharás.

Conselho final: Semeia pela manhã tua semente e à tarde não repouses a sua mão, porque não sabes qual prosperará;

Este é o conselho para o trabalhador no reino de Deus. Semear pela manhã e CONTINUAR a trabalhar à tarde. Quem está semeando o campo, deve continuar a trabalhar no campo, para caçar os pássaros que querem pegar os grãos; para tirar o joio, para preparar a terra, para regar o campo com água, para cuidar das plantinhas. Etc. etc. Não é somente semear e mais nada. O semeador não está pronto quando ele semeou tudo. Ele deve continuar com seu trabalho e cuidar do campo de trigo.

O trabalho na igreja é assim também. Não é somente pregar a palavra; não é somente evangelizar, mas depois disso se tem que continuar com o trabalho, tanto na igreja, como no campo evangelístico. Deve-se visitar os membros, deve-se visitar os visitantes, deve-se tirar dúvidas, deve-se ajudar pastoralmente, deve-se fortalecer as plantas frágeis, deve-se regá-las, e deve-se orar, por que estamos no reino de Deus. DEUS trabalha também! Essa igreja é a obra do SENHOR! Não se esqueça disso. ESSA IGREJA é O CAMPO DO SENHOR! Então: Semeia pela manhã tua semente e à tarde não repouses a sua mão, porque não sabes qual prosperará; Amém!

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Abram de Graaf

O pastor Abram de Graaf é “Doctorandus” (Drs) em Teologia e um dos professores do Instituto João Calvino (Aldeia, Camaragibe-PE). Ele é pastor da Igreja Reformada de Hamilton, Canadá, enviado como missionário às Igrejas Reformadas do Brasil, desde o ano 2000. É Diretor do Projeto Dordt-Brasil. Ele mora em Maceió e também desenvolve projetos nessa cidade.

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