Pregação preparada pelo Pr. Adriano Gama

Leitura: Isaías 06.01-13

Texto: Dia do Senhor 47

 

Amada congregação do Senhor.

O Senhor Jesus nos ensinou a orar. Ele nos deu um modelo de oração perfeita. Esse modelo se encontra na oração dominical. As seis petições que Jesus ensinou buscam a glória de Deus, o Pai nosso. As primeiras três petições colocam a glória de Deus em primeiro lugar. As três últimas nos educam a buscarmos o que precisamos para glorificar a Deus em corpo e alma. Assim, a oração dominical é a oração baseada no Soli Deo Gloria. Essa é uma oração que agrada a Deus.

Os cristãos precisam ser educados a orarem de modo que agrade a Deus. Uma oração que não busca a glória de Deus não agrada a Deus. Uma oração que não busca a glória de Deus não é uma oração bíblica. Hoje, muitas orações não agradam a Deus e nem são bíblicas. As pessoas buscam a Deus a fim de conseguirem glória para si. Deus é apenas um meio para elas conseguirem a glória nesta terra. As orações dos cristãos precisam ser cristãs. A oração dos cristãos precisa obedecer ao ensino de Cristo. O ensino de orarmos primeiro pela glória de Deus. Orarmos para que o nome de Deus seja santificado. Por isso, precisamos ouvir o ensino de Cristo. Prego a Palavra do Senhor no seguinte tema:

Tema: O SENHOR Jesus nos ensina a orar pedindo que o nome de Deus seja santificado.

A primeira petição da oração do SENHOR é: “Santificado seja o teu nome”. Deus já é santo e puro. Nada pode ser comparado a Ele. O profeta Isaías viu os serafins clamando (Is 6.3): “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia de sua glória”. Então, Deus é santíssimo. A santidade dele não pode ser aumentada nem diminuída. O Senhor é Santo, Santo, Santo.

Agora, Jesus nos ensina a orarmos para que o nome de Deus seja santificado.

O que significa isso?

Santificar é considerar e tratar algo como santo. O nome de Deus representa o próprio Deus. Santificar o nome de Deus é considerar e tratar toda revelação de Deus como santa. Orar a primeira petição é o mesmo que buscar o louvor das qualidades que Deus revela a nós.

Que qualidades são essas?

A sabedoria d’Ele, a bondade d’Ele, o poder e a justiça d’Ele, a verdade e a misericórdia d’Ele. Essas são algumas das qualidades de Deus. Os crentes desejam e oram para que essas qualidades sejam reconhecidas e exaltadas por todas as criaturas (homens e anjos).

Jesus nos ensinou a orar para que o nome do Pai seja santificado. Essa oração é somente necessária por causa da nossa Queda em Adão. Se não fosse a queda em Adão, então, não precisaríamos da primeira petição. Pois, antes da queda, com todo o nosso coração, reconhecíamos a majestade de Deus em todas as suas obras. Foi o pecado que levou o homem a desonrar a santidade de Deus. O homem natural não reconhece a majestade de Deus revelada. O homem caído se agarra a todo engano do diabo e da carne. O homem natural não reconhece, de coração, a soberania e governo de Deus. Quando é castigado por Deus, blasfema contra Ele. Quando é abençoado por Deus, não reconhece a bondade do Senhor. Quando o evangelho de Cristo é apresentado ao homem natural, então, ele não crê na misericórdia e no amor gracioso de Deus em Cristo Jesus. O estado original foi corrompido pelo pecado. A queda tornou o homem num verdadeiro blasfemador.

Quando Jesus nos salva do pecado e do domínio do diabo, então, nós passamos a desejar e orar para que o nome de Deus seja santificado. Esse desejo e oração estão na primeira petição. Assim, quando de coração oro “Santificado seja o teu nome”, então, vejo a obra do Espírito Santo em mim. O desejo de considerar e tratar a revelação da majestade de Deus como santa é uma obra do Espírito Santo. É fruto da regeneração que Jesus Cristo opera em nós. Estamos orando conforme a vontade original de Deus para nós: que santifiquemos o nome d’Ele.

Agora, para santificar o nome de Deus, ou seja, considerar e tratar como santa a revelação de Deus, precisamos conhecer a Deus. Como Deus se revela ao homem?

Ora, Deus se revela a nós de dois modos. Primeiro, pela criação e providência (governo, manutenção da criação). O profeta viu os serafins dizerem (Is 6.3): “[…] toda a terra está cheia de sua glória”. A terra está cheia da glória de Deus. A criação (com sua grandiosidade, complexidade e simplicidade), o seu governo, a sua manutenção e seu sustento mostram os atributos de Deus: poder, sabedoria, santidade, bondade, justiça, misericórdia, eternidade, infinitude, etc. Aquilo que o salmista disse no Salmo 19.

A revelação que vem da criação e da providência é tão clara que nos torna indesculpáveis diante de Deus (Rm 1.18-20). Mas, devido a queda no Éden, a revelação de Deus na criação e providência é deturpada pelo homem. Por isso, ela somente serve para a perdição do homem. Se Deus nos deixasse somente com a revelação que vem pela criação e providência, então, nós não estaríamos aqui adorando a Deus. Estaríamos adorando pau, pedra, madeira, o vento ou um pedaço de papel (dinheiro). Por quê? Porque, por causa da queda, deturpamos a revelação de Deus na criação. Nós passamos adorar a criação e não o Criador (Rm 1.21-25). Para conhecermos corretamente a Deus, precisamos de outro modo de revelação.

Que revelação é essa pela qual podemos conhecer a Deus corretamente?

Pela sagrada e divina Palavra de Deus. Esse é o segundo modo de Deus se revelar a nós. Nós conhecemos corretamente a Deus pelo evangelho revelado na Escritura. O Apóstolo Paulo disse (1 Co 1.21): “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação”. Vejam que para conhecermos corretamente a Deus, precisamos do evangelho de Cristo. Sem o evangelho não podemos conhecer a Deus corretamente. Esse conhecimento correto tem a ver com Cristo. Pois, foi Cristo que nos revelou o Pai como o Deus Criador e Salvador, e que deve ser santificado por nós, criaturas, anjos e homens.

O nosso Catecismo relaciona a primeira petição com a necessidade de conhecermos a Deus corretamente (veja a primeira parte da resposta 122): “[…] Que nos concedas, antes de mais nada, que possamos Te conhecer de maneira correta, […]”. O catecismo reconhece a necessidade que temos do evangelho, de conhecer as boas novas e crer no evangelho de Cristo. Sem o conhecimento e a fé no evangelho, o nome de Deus não pode ser santificado pelo homem.

O catecismo também mostra que precisamos do evangelho para santificar o nome de Deus em “todas as obras” d’Ele. Que obras são essas? São as obras de Deus na criação, as obras da providência e as obras da redenção. Dessas obras brilham: o poder infinito de Deus, a sabedoria, bondade, justiça, misericórdia e verdade. Das obras de Deus brilham os atributos, qualidades que mostram que o nome d’Ele é Santo, Santo, Santo! O profeta viu e ouviu os serafins dizendo (Is 6.3): “[…] toda a terra está cheia de sua glória”.

O catecismo também mostra que precisamos viver uma vida cristã santa, para santificar o nome de Deus (veja o segundo parágrafo da resposta 122). O novo dever é viver o terceiro mandamento. Esse mandamento nos leva a não desonrar a Deus com nossa boca e vida. Somos ordenados a falar e viver de modo que o nome de Deus seja honrado. Mas, Jesus nos ensinou a orar para que dirijamos toda a nossa vida – pensamentos, palavras e ações – de tal maneira que o nome de Deus não seja blasfemado por nossa causa, mas que seja sempre honrado e glorificado. Foi Jesus quem nos disse (Mt 5.16): “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”. O SENHOR Jesus, antes de nos ensinar a primeira petição, nos ensinou a viver de modo que o nome de Deus seja santificado. Então, a nossa vida e a nossa oração não devem ser contraditórias, não devem ser incoerentes. A minha oração pela santidade do nome de Deus deve ser vista em minha vida!

Agora, você deve estar pensando: Sou tão fraco (ou fraca). Minha vida é tão cheia de pecados e vícios que não santifico o nome de Deus. Não sou digno de estar na igreja. Ora, não pense assim. O evangelho de Deus está sendo pregado aqui. Note que o catecismo diz: “Que tu me concedas (…) [depois de novo] (…) também que nos concedas”.

Sabe o que isso significa?

Significa que o poder para conhecer a Deus corretamente e santificar o Seu nome, não está em você e não é sustentado por você. O santificar o nome de Deus é um dom da graça de Deus. Você é um pecador (ou pecadora) fraco (a). Você precisa depender totalmente de Deus; orar confiando na promessa de Jesus Cristo. Foi Deus quem nos deu o Salvador. Foi Ele quem nos enviou o evangelho e os pregadores a nós.

Foi Ele quem deu a você a capacidade de entender o evangelho. Foi Deus que operou a fé e o arrependimento em você. Foi Deus que ressuscitou Cristo em você. Foi Deus, em Cristo, que deu a você uma nova vida e um novo coração. Um coração que ama a Ele e deseja santificar o nome d’Ele, em Cristo Jesus. É Deus, através do Espírito e da Palavra, que está reconstruindo em você a imagem de Deus, Cristo Jesus.

Então, como você ora olhando para suas fraquezas?

Ore pensando no evangelho de Cristo Jesus. Ore pensando na ordenança de Cristo na primeira petição.

O SENHOR Deus, em Cristo, foi quem operou, quem opera e quem operará em nós, até o dia em que não precisarmos orar para que o nome de Deus seja santificado por todos (anjos e homens). Sabe que dia é esse? Esse dia é o Dia da volta de Cristo. Naquele Dia nós, depois de restaurados plenamente; depois de sermos libertados do corpo, a morte; depois de recebermos corpos incorruptíveis; depois de o diabo, os anjos rebeldes e os homens rebeldes serem lançados no inferno. Então, nós e todos os anjos e homens eleitos por Deus conheceremos a Deus face a face; adoraremos perfeitamente o nome do SENHOR em Cristo Jesus!

Porém, enquanto não chega esse dia, oremos com confiança somente em Cristo Jesus. Não confiando em nossa carne ou em qualquer outra coisa. Pois, o Soberano e Santo Deus usa as nossas orações para nos conceder o dom e a força para santificarmos o nome d’Ele. Portanto, oremos e vivamos conforme Cristo nos ordenou a orar: “Santificado seja o teu nome”.

Amém.

___________________________________________________________________________________________________

* Exceto onde o contrário esteja explícito, todos os conteúdos deste site estão licenciados sob uma Licença Creative Commons “Atribuição – Não Comercial – Sem Derivados 3.0 Não Adaptada“.

** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

Compartilhe!

Pr. Adriano Gama

Ministro da Palavra e dos Sacramentos da Igreja Reformada em Maragogi (AL). É missionário na Congregação Reformada em Colombo (PR).

Leave a Comment