Sermão preparado pelo pastor Elissandro Rabêlo
Leitura: Lucas 11.1-13
Texto: Dia do Senhor 45 (pode ler o catecismo dentro do sermão)

Amados irmãos no Senhor Jesus Cristo

A oração é a respiração da alma. Assim como não nos pode faltar o fôlego da vida, tampouco pode nos faltar a oração. Se nos falta a respiração, nosso corpo enfraquece, pára de funcionar e nós morremos. Da mesma forma, se não há oração em nossa vida, se não buscamos a presença de Deus, nossa vida espiritual fica fraca e podemos morrer por causa disso. Nós precisamos orar irmãos! Pois a oração é parte fundamental da vida cristã e não pode faltar de jeito nenhum. Ela é a parte principal da gratidão que Deus requer de nós. Por meio da oração somos fortalecidos espiritualmente, experimentamos a comunhão com Deus e também mostramos a Ele a nossa gratidão. Não existe cristão sem gratidão e não existe gratidão sem oração.

É claro que precisamos orar. Mas devemos também aprender a orar. Não podemos orar de qualquer jeito. Nossa oração não pode ser um ritual frio e monótono que fazemos sem prazer e até mesmo de forma forçada. Também não pode ser algo que fazemos às pressas, porque não temos tempo para Deus e estamos envolvidos com tantas outras coisas. Nada disso! Temos de orar ao Nosso Pai Celeste de todo o nosso coração. Ou seja, com sinceridade, com alegria, com ações de graças e com o prazer de estar na presença do Nosso Deus.

Além disso, temos de orar com persistência e conscientes da nossa necessidade da graça de Deus. A oração não pode ser um apêndice ou uma coisa chata em nossa vida, mas tem de ser uma prioridade, algo em que nos deleitamos, pois por meio dela damos graças a Deus por nossa salvação. Um crente agradecido é um crente que ora. Aquele que reconhece o grande amor de Deus em salvá-lo por meio de Cristo vai ter prazer na oração. Ele vai buscar a presença de Deus para lhe dar graças pelas muitas bênçãos recebidas, especialmente a salvação.

Meus irmãos! Nosso catecismo traz muitos ensinamentos sobre a oração. Do Domingo 45 a 52 ele nos traz uma explicação prática da oração do “Pai Nosso” que Jesus nos ensinou. Ao lado da lei de Deus, o catecismo coloca a oração na parte que fala da gratidão do crente a Deus pela salvação. Obedecer à lei de Deus, viver uma vida de oração são coisas que um crente faz não para ganhar sua salvação, mas para agradecer por esta salvação. Um crente agradecido tem prazer de orar. Aqui no domingo 45 nós aprendemos sobre a necessidade do crente de mostrar sua gratidão a Deus por meio da oração. “A oração é a parte principal da gratidão que Deus requer de nós”. Com estas palavras, somos motivados a sermos crentes agradecidos, a sermos homens e mulheres de oração. Qual o lugar da oração na sua vida? E como você tem orado? Você tem dado graças a Deus por meio da oração? O Senhor quer nos encorajar a sermos homens e mulheres de oração. Portanto, ouça o chamado que Ele tem para você:

O SENHOR NOS CHAMA A MOSTRAR GRATIDÃO POR MEIO DA ORAÇÃO

1) A Necessidade da Oração
2) A Natureza da Oração
3) O Conteúdo da Oração

1) A Necessidade da Oração

Um fato que não podemos negar é que nós precisamos orar ao Nosso Deus. Ele é o Nosso Pai e dele dependemos para viver. Sem o seu auxílio, perecemos. Precisamos colocar diante dele nossos pedidos e fazer nossos agradecimentos. A verdade é que todos nós precisamos de Deus e que devemos buscá-lo em oração.

Porém, há algumas objeções que são levantadas contra a necessidade de oração por parte do crente. Há pessoas que dizem que o crente não precisa orar. O pensamento é este: o crente não precisa orar porque Deus já sabe de tudo o que ele precisa. Se Deus já sabe por que orar? Mas será mesmo que é assim? Na verdade Deus sabe de tudo o que necessitamos antes de lhe pedirmos (Mt. 6.32). Mas ele próprio nos chama a orar em sua palavra: “Buscai o Senhor enquanto se pode achar; invocai-o enquanto está perto” (Is. 55.6). “Orai sem cessar” (I Ts. 5.17). Deus sabe o que precisamos, mas deseja que oremos a ele. Pois Ele quer ver filhos que o amam, que o buscam, que dependem dele e confiam nele. E é por meio da oração que mostramos a nossa fé e amor pelo Nosso Pai. Portanto, temos de orar, pois Deus quer dar o que precisamos se o buscarmos e lhe pedirmos (Lc.11.13).

Há também outro pensamento errado de que o crente não precisa orar porque a oração não muda nada, pois tudo já está decidido por Deus nos seus decretos eternos. É verdade que Deus já planejou tudo o que vai acontecer na história da humanidade e que tudo vai cooperar para o bem na vida do seu povo. Mas devemos entender também que a oração é necessária, pois nos planos eternos de Deus estão também incluídas as respostas às nossas orações. Lembre-se, por exemplo, do rei Ezequias. Ele ficou muito doente e foi avisado pelo profeta Isaías que iria morrer. Ezequias então clamou ao SENHOR e em resposta à sua oração, ele recebeu de Deus mais 15 anos de vida (Is. 38.5). Não sabemos o que nos espera amanhã. Só Deus sabe e ele quer o nosso bem. Portanto, precisamos orar para que Deus cumpra sua boa vontade em nossas vidas. A oração é necessária para cada um de nós.

“Por que a oração é necessária aos cristãos? Porque a oração é a parte principal da gratidão que Deus requer de nós. Além disso, Deus quer conceder sua graça e seu Espírito somente aos que continuamente lhe pedem e agradecem de todo o coração” (perg. e resp. 116). Há duas verdades bíblicas que aprendemos aqui sobre a necessidade da oração:

Em primeiro lugar, orar é necessário porque expressa a gratidão do crente a Deus por sua salvação. O crente não só ora porque Deus exige isso dele, mas ele faz isso com alegria porque ele sabe o que Deus fez por ele. Deus o salvou por meio de Cristo. O crente reconhece que era um pecador perdido e digno do castigo eterno, mas que Deus o resgatou dos seus pecados no sangue de Cristo e lhe deu a graça de ser um filho de Deus e herdeiro da vida eterna. Agora ele não quer fazer outra coisa senão louvar, engrandecer e agradecer ao Seu Redentor. E o meio que ele usa para isso é a oração. Ele deseja agora dar graças a Deus em todas as coisas (I Tess. 5.18). Seu prazer é estar na presença de Deus em oração. É assim em seu viver? Você reconhece o amor de Deus na sua vida? Dar graças a ele por sua salvação? Saiba que um crente redimido vive em constante agradecimento a Deus.

Em segundo lugar, orar continuamente é necessário para que Deus nos conceda sua graça e Espírito. Não temos de orar a Deus somente na hora da angústia. Têm pessoas que só se lembram de Deus nas aflições. Quando ficam doentes ou desempregadas ou têm qualquer outro problema, lembram-se de orar e pedem aos outros que orem por elas. Mas não se lembram de Deus quando as coisas vão bem com elas. O verdadeiro crente não age dessa maneira. Ele ora sem cessar. Ele busca a Deus nos bons e maus momentos. Ele estabelece tempos fixos para buscar o Senhor em oração assim como fez Davi e Daniel (Sl. 55.17; Dn. 6.10). Na adversidade, ele busca o auxílio do Senhor. Na prosperidade, dar graças a Deus. Pois ele sabe que somente orando continuamente, agradecendo e pedindo, ele pode receber de Deus sua graça e seu Espírito.

Temos de orar com persistência para que Deus nos ouça e nos dê o que lhe pedimos. Jesus nos ensinou isso na parábola do homem que insistiu com seu amigo à meia noite para que lhe emprestasse alguns pães para seu hóspede. Ele não deu descanso até obter seu pedido. Foi importuno. Seu vizinho lhe atendeu não por causa da amizade, mas por causa da insistência (Lc. 11.5-8). Podemos procurar Deus em oração sabendo que ele vai nos atender (Lc. 11.8,9). “Se o vizinho acorda à meia noite e se levanta para emprestar pães a seu amigo, muito mais fará Deus, Nosso Pai Perfeito, respondendo a oração de seus filhos que o procuram em necessidade”.

Portanto, a oração é necessária, pois ela é o meio indicado para obtermos de Deus a satisfação das nossas necessidades. Ele quer nos dá da sua graça e do Seu Espírito, mas temos de pedir. O Espírito do Senhor já habita em nós, mas precisamos nos encher dele. Deus quer dar do Seu Espírito aos que lhe pedem (Lc. 11.13). O Espírito está pronto para vir sobre nós com todos os seus dons preciosos para nos santificar, nos fortalecer, nos consolar, nos encorajar, nos ensinar e guiar a toda a verdade e fazer de nós membros vivos da sua igreja. Ele aguarda ser buscado intensamente por nós. Temos clamado a Deus que nos encha do Seu Espírito? Temos suplicado que Ele nos conceda a sua graça? Temos pedido a Deus de todo coração que nos ajude a crescer espiritualmente? Essa é a nossa maior necessidade: ser crentes dedicados ao Senhor com bom testemunho e cheios do Seu Espírito. E somente por meio da oração constante o Senhor pode nos dar essa benção. “Pedi e dar-se-vos-á, buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-à” (Lc. 11.9). Mas não temos só de pedir. Temos de saber como pedir para que nossa oração seja agradável a Deus e ele nos ouça. Isso veremos agora.

2) A Natureza da Oração

Deus deseja que todos nós oremos a ele. Mas ele não atende a todas as orações. O Senhor atende a oração que lhe agrada. Como então devemos orar para que a nossa oração seja agradável a Deus e ele nos ouça? (ler Dom. 45 resposta 117). Há três coisas que aprendemos nessa resposta que constituem uma oração agradável a Deus:

Em primeiro lugar, uma oração que agrada a Deus é uma oração reverente. Orar com reverência é invocar o nome do único e verdadeiro Deus que se revelou na Bíblia. Invocar o nome de Deus é reconhecer sua glória e seu poder em nos ajudar e se colocar diante dele com temor. A Bíblia diz que Deus atende os que o invocam em verdade e com temor (Sl. 145.19,20). Há pessoas que oram a Deus de forma indigna e irreverente exigindo coisas de Deus e ordenando-lhe que lhes dê isso ou aquilo, como se Deus fosse seu escravo. Esse tipo de oração não agrada a Deus, mas provoca a sua ira. Quem somos nós para exigir coisas de Deus? Ele é Soberano e sua vontade é a que prevalece. A única coisa que temos de fazer é invocar o seu nome com temor, chamá-lo para que nos ajude em nossas necessidades. Afinal de contas, Ele se revelou na Bíblia como um Pai Bondoso, Poderoso e Fiel para cuidar de nós. Por isso também, não precisamos orar a santos falecidos ou falsos deuses. O Único e Verdadeiro Deus pode cuidar de nós. Ele mesmo prometeu: “Invoca-me no dia da angústia, eu te livrarei e tu me glorificarás” (Sl. 50.15).

Em segundo lugar, uma oração que agrada a Deus é uma oração humilde. Quando oramos temos de reconhecer quem somos diante de Deus e quem Ele é. Ele é Santo e nós pecadores. Ele é Todo Poderoso e nós seres humanos fracos e limitados. Orar com humildade é reconhecer nossa total dependência de Deus pra viver. É se humilhar diante dele por ser pecador e clamar por sua graça e misericórdia. Não é orar como o fariseu orgulhoso, mas como o publicano humilde, pois Deus olha e atende o contrito e abatido de espírito que se humilha na sua presença (Is. 66.2; Lc. 18.14). Não confie em suas obras nem se ache melhor que os outros, mas se humilhe na presença de Deus para que Ele o abençoe, pois Deus “resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg. 4.6).

Em terceiro lugar, uma oração que agrada a Deus é uma oração acompanhada de fé. O Senhor prometeu em sua palavra ouvir e atender nossas orações (Mt. 7.8;). Portanto, cabe a nós confiar nas promessas de Deus e ter a plena certeza de que Ele nos ouve e atende apesar de nossa indignidade. Portanto, temos de orar com fé em nada duvidando, porque aquele que duvida não alcançará coisa alguma do Senhor (Tg. 1.6,7). Mas por que Deus atende a nossa oração? Por que somos pessoas boas? Por causa da nossa fé? Por que merecemos suas bênçãos? Nada disso! Deus atende nossas orações, primeiro porque ele é fiel e cumpre suas promessas para conosco.

E segundo, Deus nos atende somente por causa de Cristo. O próprio Jesus afirmou que tudo quanto pedirmos ao Pai em seu nome, o Pai o fará em nosso favor (Jo. 16.23). Deus nos abençoa por causa de Cristo que é o Nosso Mediador. Ele cumpriu perfeitamente a obra de redenção para nos salvar. Por causa de sua obediência perfeita, o Pai nos aceita em graça como seus filhos e nos abençoa com toda sorte de bênçãos em Cristo Jesus. Jesus é a fonte das bênçãos que Deus nos dá em resposta às nossas orações. Ele é também a fonte do ensino sobre a oração. Ele nos ensinou com seus atos e palavras a orar como convém (Lc. 11.1-4). Foi Ele quem determinou o conteúdo da nossa oração. É o que veremos agora.

3) O Conteúdo da Oração

Toda boa dádiva vem de Deus. Ele quer nos encher de suas ricas bênçãos. Ele nos abençoa em Cristo Jesus. Deus Pai tem coisas boas para nos dar. Mas isso não significa que devemos pedir qualquer coisa ao Senhor. Se pedirmos mal para esbanjarmos em nossos prazeres e buscarmos a nossa própria glória, não vamos ser atendidos por Deus (Tg. 4.3). Se desejamos que Deus nos ouça e atenda nossos pedidos, então, temos de definir o conteúdo da nossa oração de acordo com o padrão que o próprio Senhor estabeleceu para nós em sua palavra.

Não somos nós que decidimos o que pedimos a Deus, mas é ele quem faz isso. Temos de pedir as coisas que ele nos manda pedir, ou seja, as coisas que realmente precisamos (ler perg. e resp.118). Além da persistência na oração, outra lição que a parábola do amigo importuno nos ensina é que temos de pedir a Deus o que realmente precisamos. Observe que o homem pediu apenas três pães, que era uma refeição suficiente na época, para suprir a necessidade do seu hóspede. Ele foi atendido de acordo com a sua necessidade (Lc.11.5-8).

Não temos de pedir aquilo que achamos ser melhor para nosso conforto e comodidade aqui na terra. Mas temos de pedir aquilo que realmente precisamos para exercer a tarefa que o Senhor nos deu e cumprir a razão da nossa existência que é viver para a glória de Deus. Na oração do Pai Nosso, Jesus nos ensinou a pedir as coisas que devem ser prioridade em nossas vidas e que nos são necessárias (ler perg. e resp. 119). Observe que Jesus coloca nossas necessidades espirituais antes das materiais. Antes de pedir que Deus nos sustente (pão de cada dia) e proteja (livra-nos do mal) aqui na terra, temos de pedir que santifiquemos seu nome com nossa vida e nos submetamos ao seu governo e vontade.

É como Jesus também colocou em Mateus 6.33: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. É triste dizer isso, mas essas palavras de Jesus não combinam com o que vemos hoje em muitas igrejas que se dizem evangélicas. Milhares de pessoas estão lotando os prédios dessas igrejas não em busca de arrependimento, mudança de vida, uma vida justa, perdão de pecados e salvação eterna, mas em busca de curas e prosperidade material. Mas não é este o caminho estabelecido por Cristo para sua igreja. Segundo o Senhor, primeiro temos de buscar a santidade, a honra do seu nome, a obediência e a glória de Deus. As demais coisas que precisamos para nos manter nesta vida, Deus nos acrescentará, pois é um Pai Bondoso e Fiel.

Qual tem sido o conteúdo da sua oração? Você tem orado como convém? Tem mostrado a Deus a sua gratidão por meio da oração? Se você tem falhado nisso, peça perdão a Deus por sua negligência na oração. Peça-lhe sabedoria para orar como convém e a graça do Seu Espírito para ajudá-lo a ser um crente agradecido por meio da prática contínua e alegre da oração. Além disso, olhe para Jesus e seja encorajado com o seu exemplo a ser um crente que ama e pratica a oração. Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

Pr. Elissandro Rabêlo

Pastor na Igreja Reformada em Cabo Frio – RJ.