Sermão preparado pelo pastor Elienai B. Batista
Leitura: Êxodo 20.12
Texto: Dia do Senhor 39

Amados irmãos em Cristo Jesus nosso Senhor,

Como já temos visto o resumo dos Dez Mandamentos é este: amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a nós mesmos. Assim sendo, geralmente falamos dos Dez Mandamentos em termos de duas tábuas: na primeira temos os quatro primeiros mandamentos, os quais nos ensinam como devemos amar a Deus, nossos deveres diante de Deus; na segunda temos os outros seis mandamentos, que nos ensinam como devemos amar ao próximo, nossos deveres para com o próximo.

Se vocês observarem aquilo que a igreja de Cristo tem julgado ao longo dos séculos como sendo o mais básico da fé cristã, isto é, o Credo Apostólico, os Dez Mandamentos e a Oração do Senhor, todos começam com Deus: Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Eu sou o SENHOR teu Deus, Pai nosso que estás nos céus.

De forma que podemos dizer: nossa fé deve se fundamentar em Deus, em quem Ele é e o que fez por nós (Criação, Providência e Redenção). Nossas orações começam com o interesse de Deus (Seu nome, Seu reino, Sua vontade). E a nossa vida de gratidão, também deve com Deus. Os quatro primeiros mandamentos nos falam da confiança no SENHOR, do culto ao SENHOR, do nome do SENHOR e do descanso no SENHOR. Nos ensinam que devemos confiar, amar, servir, adorar, e honrar ao único Deus. Se Deus não ocupa o devido lugar todo o mais estará errado. Tudo será em vão sem este fundamento. Se não amamos a Deus tal como Sua Palavra nos ordena, não podemos amar o próximo de verdade.

Mas, uma vez que pela graça de Deus amamos a Deus, como fruto deste relacionamento, devemos amar o próximo. Mas por onde começa este amor? O que vem primeiro? A posição do Quinto Mandamento mostra a importância deste mandamento. Deus a paternidade e a maternidade acima de todos os outros estados que estão abaixo de Deus. Dessa forma Ele separa e destaca os pais acima de todas as outras pessoas.

Quando Deus quer nos ensinar como nós devemos tratar o próximo, Ele faz com que nosso olhar se volte para o lar. O amor ao próximo começa em casa. É do lar que surgem os fundamentos para os demais relacionamentos. É do lar que estrutura a sociedade.

Portanto, não é de estranhar que seja justamente contra a família que tantos ataques são movidos pelo mundo e pelo diabo. Se alguém que destruir uma nação, deve destruir suas famílias, e se alguém quer destruir uma família, faça com que os filhos não honrem seus pais e que os pais não ensinem seus filhos.

Mas aqui está a Palavra de Deus. O que Deus disse ao Seu povo quando com eles entrou em aliança no Monte Sinai? O que vem em primeiro lugar em termos de nosso relacionamento com o próximo? O que está na mais alta conta diante de Deus no que diz respeito ao nosso amor para com o próximo?

Honra a teu pai e à tua mãe”.

Em primeiro lugar devemos notar que não diz “honrai”, mas “honra”. Assim sentimos como se Deus estivesse falando particularmente a cada um de nós. Cada um de nós tem esse imperativo diante de si. Os filhos aqui presentes, devem atentar a essas palavras, os pais aqui presentes devem reconhecer nela seu ofício.

Mas o que significa “honrar”? A palavra hebraica usada aqui, literalmente significa “pesada” ou “que pesa”. É uma palavra usada no Antigo Testamento também para falar da glória do SENHOR, para referir-se ao peso de Sua Majestade.

Por exemplo, aqui mesmo em Êxodo 14.17,18, lemos o seguinte: “Eis que endurecerei o coração dos egípcios, para que vos sigam e entrem nele; serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército, nos seus carros e nos seus cavalarianos; e os egípcios saberão que eu sou o SENHOR, quando for glorificado em Faraó, nos seus carros e nos seus cavalarianos.

Portanto, essa palavra é usada para referir-se à glória do SENHOR, ao peso de Sua majestade.

Honrar os pais é dar a eles o devido peso de sua posição. É dar a eles o devido reconhecimento, respeito, amor, obediência e honra que lhes cabe por terem recebido de Deus a autoridade sobre as nossas vidas. É reconhecer, estimar e apreciar os pais como dádivas de Deus a nós.

Assim fica evidente que não se trata apenas de atos externos. Mas o que Deus requer é o coração.

Para honrar seus pais você precisa tê-los como elevados, grandes, dignos de honra em seu coração. Eles devem ocupar a posição mais alta depois de Deus em seu coração. Se você não os considerada pesados, dignos de honra em seu coração, você não os honrará como ordena a Escritura.

A pergunta a ser feita é: como vejo meus pais? Eu os considero como dignos de honra? Eles são pesados em meu coração? O quanto estão elevados em meu coração? Se seus conceito sobre seus pais é baixo, então você não os honrará como Deus ordena.

Mas antes que você apresente em sua mente uma lista de razões porque seus pais não tem peso em seu coração, deixe lembrá-lo que a razão para esta honra, não se encontra neles. A honra deve ser dada não porque você julga que são bons pais, mas por causa da posição que ocupam. Deus lhes deu autoridade sobre sua vida, Ele deseja governar sua vida e cuidar de você por meio de seus pais. E mesmo quando você pode apontar para muitos defeitos e fraquezas de seus pais, assim mesmo lhes deve honra.

Nosso catecismo nos explica que devemos “ser pacientes com as suas fraquezas e defeitos, pois é a vontade de Deus nos governar pelas mãos deles.” Em 1 Pedro 2.17, a respeito de outra autoridade o Espírito Santo nos diz: “Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei.”

E se você lê Romanos 13.1-7, verá que ali a Palavra de Deus nos ensina a nos submetermos às autoridades, não por causa de serem boas ou fiéis, mas porque são ministros de Deus, recebem de Deus Sua autoridade. Não submeter-se à sua autoridade é desobedecer a Deus, não honrá-las é desonrar a Deus.

Assim os filhos, independentemente de quem são seus pais, são chamados a honrá-los, respeitá-los, e obedecê-los em tudo aquilo que não contraria a Palavra Deus. Os filhos só devem desobedecer respeitosamente, quando os pais lhe pedem contrário a Palavra de Deus. A honra a Deus, como nos ensinaram os quatro primeiros mandamentos, vem em primeiro lugar. No entanto, lembrem-se não honrar aos pais é desonrar a Deus.

Mas como essa honra se manifesta no dia a dia? Na obediência aos pais, na forma de falar respeitosa, na boa disposição para com eles, na forma como você fala aos amigos sobre eles, inclusive encobrindo suas falhas diante dos outros, ainda que orando e tratando das mesmas biblicamente. Você honra seus pais, ouvindo o que dizem, informando a eles as coisas importantes de sua vida, procurando o conselho deles, obtendo a bênção e a aprovação deles.

Mesmo quando os pais não são crentes, os filhos ainda lhe deve honra. Portanto, mesmo quando não puder obedecer ou seguir seus conselhos o fará de maneira humilde e respeitosa. Mas se eles querem lhe separar do SENHOR, você é chamado a honrar ao SENHOR.

E se alguém não pode ter bons conselhos de seus pais, porque estes não amam a Deus, deve procurar em sua família espiritual o apoio e cuidado que não tem em sua família sanguínea.

Mesmo depois que os filhos se tornam adultos e se casam, ainda que não estão mais sob a autoridade dos pais, devem honrá-los. Eles ainda devem ser importantes em suas vidas. Devem amar, respeitar e estimar seus pais, inclusive cuidando para que tenham tudo que é necessário até o fim da vida.

É bom destacar que essa honra, obediência e respeito deve ser dada não somente ao pai, mas igualmente à mãe. O mandamento diz: honra teu pai e tua mãe. Os dois devem ser pesados no coração dos filhos.

Se procuramos a razão para isso, como já observei, a razão não está nos próprios pais, mas em Deus. Essa é razão principal, os filhos devem honrar seus pais porque Deus ordena. Filhos aqui presentes vocês receberam um sinal de que pertencem a Deus. Ele se declarou como você Deus através do batismo, o sinal da aliança. Vocês carregam essa marca que os diferencia dos demais filhos neste mundo. Deus lhes fez promessas, mas há também deveres. E o primeiro dever, depois dos deveres para com Deus, é este: honrar seu pai e sua mãe. Isto é justo é agradável ao SENHOR: “Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor.”

É no lar, na obediência, no respeito, na fidelidade, no serviço e na honra aos pais que vocês filhos começam a demonstrar sua gratidão a Deus. Aqui está uma boa obra ordenada por Deus. Não fique procurando por outras formas de agradar a Deus quando você despreza seus pais. É nessa honra que os frutos do evangelho devem começar a se manifestar em sua vida. Então não pense dar uma grande contribuição no reino de Deus, quando seus pais são leves em seu coração. Deus abomina isso.

Vocês conhecem a palavra leviandade? Ela vem de um termo latino que significa “de pouco peso, leve”. Tratar alguém de forma leviana tem relação com não dar a ela o devido peso, em termos de honra e respeito. Ter por ela pouca consideração.

Para mostrar que abomina tal coisa, Deus em Sua palavra nos mostra que reserva a pena mais severa para o que trata seus pais de forma leviana:

Em Levítico 20.9, se lê: “Se um homem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, será morto; amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue cairá sobre ele.”

E em Deuteronômio 21.18-21, se lê: “Se alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedece à voz de seu pai e à de sua mãe e, ainda castigado, não lhes dá ouvidos, seu pai e sua mãe o pegarão, e o levarão aos anciãos da cidade, à sua porta, e lhes dirão: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz, é dissoluto e beberrão. Então, todos os homens da sua cidade o apedrejarão até que morra; assim, eliminarás o mal do meio de ti; todo o Israel ouvirá e temerá.”

Provérbios 30.17, ensina: “Os olhos de quem zomba do pai ou de quem despreza a obediência à sua mãe, corvos no ribeiro os arrancarão e pelos pintãos da águia serão comidos.

Deus revela a importância deste mandamento ao estipular penas severas na lei civil de Israel para aqueles que eram rebeldes. Nós não temos leis assim nos Brasil, mas o princípio fica estabelecido: filhos que não honram seus pais, se não se arrependerem, receberão do Senhor o justo pagamento, nesta vida e no porvir.

Mas Deus nos mostra o valor deste mandamento não só por meio dos seus juízos, mas também pode meio de uma promessa, pois no diz no mandamento: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.”

Há aqui uma promessa. Paulo em Efésios 6, nos diz que este é o primeiro mandamento com promessa. E mesmo que possamos encontrar promessas de Deus nos mandamentos anteriores, é a primeira promessa no que diz respeito à segunda tábua da lei.

Aqui devemos lembrar do contexto em que este mandamento foi dado. Saída do Egito em direção à terra prometida. Nesse contexto Deus faz essa promessa. É um incentivo aos filhos.

Não é uma garantia incondicional. Há aspectos da Providência de Deus que também devem ser contados. Mas de forma geral é o que os filhos podem esperar.

Vale destacar que os termos prolongar os dias, tem o sentido não se quantitativamente mas também de qualitativamente. Não significa só viver muito, mas viver bem. Paulo em Efésios 6, como assim: “para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.

Se você quer vida longa e prospera, deve lembrar que a Escritura associa isso a honrar seus pais.

No entanto, amados irmãos isso não se aplica só a relação entre pais e filhos. Assim como os demais mandamentos, a abrangência do mandamento alcança uma certa categoria de deveres e proíbe uma certa categoria de pecados.

Qual o princípio estabelecido a partir da relação com os pais? O nosso catecismo nos diz: “Que eu demonstre toda honra, amor e fidelidade a meu pai e à minha mãe, e a todos os meus superiores”.

Essa honra, devemos em primeiro lugar a nossos pais, mas ele se estende a todas as pessoas que Deus colocou com alguma autoridade sobre nossas vidas.

O quinto mandamento nos chama a honrar as autoridades que governam o Estado e seus agentes (por exemplo, o guarda de trânsito), cada qual dentro de sua esfera de atuação.
Como?

O quinto mandamento nos chama nos chama a honrar as pessoas para quem trabalhamos, aos professores e aos oficiais na igreja de Cristo.

Devemos tratar todas as autoridades com honra, respeito e gratidão.

Todas as autoridades são ministros de Deus para o nosso bem.

É bom lembrar que essas autoridade são responsáveis diante de Deus, e que se não cumprirem adequadamente seus ofícios receberão a justa punição.

O Quinto Mandamento tem duas vias. De um lado os deveres dos filhos, de outro a responsabilidade dos pais. Por isso o apóstolo Paulo escreve em Efésios 6.1-4: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.

Nós pais também temos as promessas da aliança, mas também temos os deveres da aliança. Deus nos ordena criar nossos filhos para Ele. Ele os reenvindica para si por meio do batismo. Assim como Deus prometeu ser o Deus dos filhos de Abraão, Ele promete ser o Deus dos nossos filhos. Essa promessa é selada por meio do batismo. Assim como os filhos de Abraão receberam o sinal da antiga aliança, a circuncisão, nossos filhos recebem o sinal que foi dado em substituição à circuncisão, o batismo.

Aqueles que estão fora da aliança, devem primeiro crer e depois serem batizados. Os que estão dentro da aliança, recebem o sinal da aliança, e depois devem responder com fé.

Para isso, os pais devem ensinar com todo zelo na disciplina e admosestação do SENHOR. Devem nutrir seus filhos da verdadeira doutrina da Palavra de Deus, e devem inculcar em suas mentes a palavra Deus. Devem ensinar o caminho da obediência por meio de instruções e disciplina.

Miguel e Cibely assumem esse compromisso nessa manhã. Diante de Deus e de Sua igreja. Daniel deve aprender a obedecer com Miguel e Cibely. Ele não aprenderá por si mesmo. Na verdade, o coração de Daniel não está inclinado a obediência.

A natureza pecaminosa dentro de nossos filhos tende a guiá-los para o caminho tortuoso. A sua própria depravação torna a criança naturalmente propensa a rebelião. Lemos nos Salmo (51:5): “Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe.”

De forma que tanto nós quanto nossos filhos precisam da graça de Deus.

E não há outra forma de cumprir os deveres da aliança. A graça de Deus. Nós somos fracos, pecadores, incapazes, insuficientes. Em nós mesmos não temos esperança.

Minha esposa sabe que sou fraco, meus filhos sabem que sou um pecador. Conhecem minhas fraquezas, meus erros. Que esperança posso ter de ver minha família caminho no SENHOR?

A resposta se encontra em um filho. Eu tenho quatro filhos homens, mas não me refiro a nenhum deles, porque assim como eu eles são pecadores. Eu sou um pai imperfeito, e eles são filhos imperfeitos.

Mas o evangelho nos anuncia um Filho perfeito.

Ele assumiu nossos pecados: dos pais e dos filhos. Ele recebeu as maldições da alianã por termos quebrado o Quinto Mandamento. Ele foi desamparado pelo Pai por causa de nossos pecados.

O Filho perfeito, morreu pelos filhos imperfeitos, o Pai perfeito deu seu filho por pais imperfeitos. Então há esperança para Miguel e Cibely, há esperança para Daniel. Há esperança para mim, minha esposa e meus filhos. Há esperança para todos nós: Cristo, o Filho Perfeito.

Ele não só sofreu por nossos pecados, mas Ele obedeceu perfeitamente a seu Pai. Ele viveu para honrá-lo. Essa perfeita obediência de Cristo é colocada na conta de todos os que havendo se arrependido de seus pecados, creem em Cristo Jesus. Deus nos considera justos em Cristo, em Cristo Deus nos trata como se nós fossemos filhos e pais perfeitos. Não estamos nus como Adão e Eva no Éden logo depois da queda. Deus já nos cobriu, cobriu nossa vergonha e miséria, nossa sujeira e fraqueza, nossa desobediência e infidelidade, nossos pecados e injustiças, cobriu com a justiça e a obediência perfeitas de Cristo.

Então como devemos responder a tão grande salvação? Que resposta vocês filhos devem dar a esta graça? Que resposta nós pais devemos dar?

Filhos honrem seus pais porque isso é justo diante de Deus. Pais nutram seus filhos com a Palavra de Deus criando na disciplina e admoestação do Senhor.

Que o Senhor nos ajuda a cumprir o Quinto Mandamento com corações agradecidos.

Amém.

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** Sermão do site elienaibatista.com.

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Pastor missionário da Igreja Reformada em Imbiribeira, trabalhando na congregação em Paulista-PE.