Sermão preparado pelo pastor Laylton Coelho
Leituras: 1ª Coríntios 5.9-11; 1ª Coríntios 11.17-22; 1ª Coríntios 11.27-30.
Texto: Dia do Senhor 30

Amados irmãos no Senhor,

Eu acredito que todos vocês já saibam que nem todo mundo que visita a nossa igreja pode participar da Santa Ceia. Normalmente, quem pode participar da Santa Ceia nesta igreja são os nossos membros comungantes, e os membros comungantes das demais igrejas da nossa confederação. Porém, é necessário que aqueles irmãos que vem de outros lugares tragam junto consigo uma carta de testemunho do conselho da sua igreja, ou que os seus presbíteros entrem em contato conosco por um outro meio de comunicação. Essa a prática das Igrejas Reformadas do Brasil.

Infelizmente, muitas pessoas de outras igrejas evangélicas ficam indignadas por causa disso. Elas se sentem rejeitadas e começam a questionar o nosso cristianismo. Elas acham que, quando nós impedimos a participação de algumas pessoas na Santa Ceia, nós estamos nos comportando de um modo sectário e exclusivista. Entretanto, essa tem sido a prática das igrejas reformadas espalhadas pelo mundo inteiro. É verdade que existem exceções. Porém, a prática mais comum dentro da história das igrejas reformadas tem sido essa. Assim sendo, uma vez que existem diferentes posições dentro do cristianismo sobre quem deve ou quem não deve participar da Santa Ceia, no sermão de hoje, nós veremos duas coisas:

1. A responsabilidade dos membros na Santa Ceia
2. A responsabilidade dos presbíteros na Santa Ceia

A responsabilidade dos membros na Santa Ceia

De fato, irmãos, existe sim um aspecto pessoal que envolve a nossa participação na Santa Ceia, pois em 1ª Coríntios 11.27-29 o apóstolo Paulo disse as seguintes palavras: “Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si”.

Esse texto é bem claro. Todo aquele que participar indignamente da Santa Ceia irá sofrer debaixo do juízo de Deus. Isso acontece porque a Santa Ceia não é uma refeição qualquer. Ela é uma refeição sagrada. É por isso que os participantes da Santa Ceia devem fazer um autoexame.

No que diz respeito à sua responsabilidade individual, cada membro da igreja deve avaliar a sua própria vida diante de Deus. É imprescindível que ele faça as seguintes perguntas para si mesmo: “Eu realmente reconheço que sou um vil pecador? Estou mesmo ciente do tamanho da ira de Deus? Será que eu verdadeiramente me arrependi dos meus pecados? Será que eu confio plenamente no sacrifício de Jesus Cristo para a minha salvação? Será que existe uma gratidão dentro do meu coração que me disponha a amar verdadeiramente a Deus e a meu próximo?”.
Irmãos, o autoexame é muito importante. Pois, mesmo que o conselho da igreja autorize um membro a participar da Santa Ceia, ainda assim é preciso que o próprio comungante faça uso da sua consciência para não tomar a Santa Ceia de um modo indigno. Ele deve se lembrar do que a Santa Ceia significa. Ele deve olhar para ela como algo muito sagrado. Ele deve discernir o corpo de Cristo na Santa Ceia. Como assim? O que significa discernir o corpo de Cristo?

O cristão precisa enxergar a ligação espiritual que existe entre o sacramento da Santa Ceia com o próprio corpo de Cristo. Ele precisa ver que a Ceia do Senhor anuncia a morte de Cristo, que naquela mesa está havendo uma representação simbólica daquilo que aconteceu na cruz do calvário. O cristão também precisa enxergar que o corpo de Cristo, ali representado pelo pão, está servindo de selo de garantia da promessa evangélica que diz que o corpo do Senhor foi entregue para a salvação dos filhos de Deus. E, por último, o cristão precisa enxergar o corpo de Cristo que está sendo entregue espiritualmente no momento em que ele participa do pão.

Portanto, se alguém não faz o autoexame, se alguém não consegue enxergar o corpo de Cristo sendo anunciado, sendo assegurado e sendo dado espiritualmente na Ceia do Senhor, então esse alguém não pode participar daquela refeição sagrada. Participar da Santa Ceia sem ter o entendimento correto é profanar o corpo e o sangue de Cristo. E é por causa da falta desse tipo de discernimento que as criancinhas da nossa igreja não podem participam da Santa Ceia. As criancinhas ainda não discernem – elas não enxergam – o corpo de Cristo espiritualmente presente na Santa Ceia.

O que acontece é que, quando nós impedimos a participação das criancinhas na Santa Ceia, muitos cristãos concordarão conosco. Porém, quando nós falamos que eles também não podem participar, então eles ficam profundamente indignados com a nossa igreja. Eles dizem assim: “A Santa Ceia não é de Cristo? Ela não pertence a todos os cristãos? Quem vocês pensam que são? Vocês se acham melhores do que nós? Isso é sectarismo! isso é exclusivismo! Não foi o próprio apóstolo Paulo quem mandou que nós nos examinássemos a nós mesmos?”.

Essas palavras parecem bastante piedosas. Mas essa forma de pensar está errada. Essas pessoas estão olhando somente para um lado da moeda. Existe sim um elemento de responsabilidade individual na Santa Ceia, mas também existe um aspecto que envolve a liderança da igreja. E é aqui que entra a responsabilidade dos presbíteros.

A responsabilidade dos presbíteros na Santa Ceia

Vamos ler o que está escrito nas perguntas 81 e 82 do nosso catecismo. Vocês acham que esse ensinamento está errado? O que está escrito aqui tem a aprovação de Deus? Ou será que as igrejas reformadas estão exagerando as coisas? Essas perguntas são realmente importantes, pois, se estivermos errados, nós estaremos impedindo a plena participação das pessoas num sacramento que Cristo deu a todos os cristãos. Portanto, nós devemos investigar quais são as bases bíblicas do zelo das nossas igrejas em relação à participação de outras pessoas na Ceia do Senhor.
Inicialmente, é bom lembrarmos daquilo que já ouvimos nesse sermão. Ou seja, que a Santa Ceia é uma refeição sagrada e que ela pertence ao nosso Senhor Jesus Cristo. Desta forma, cabe a nós sermos zelosos para com as coisas santas, para com aquilo que pertence ao Senhor. Isso significa que nós não temos o direito de fazer uso da Santa Ceia de um modo indiscriminado. Ou seja, nós não devemos servir a Santa Ceia para todos aqueles que visitam a nossa igreja. A razão para isso é que os nossos presbíteros não conhecem a fé e nem conduta daquelas pessoas que vêm até nós.

Nós sabemos que um verdadeiro cristão pode muito bem visitar a nossa igreja. Porém, também estamos cientes de que podemos receber a visita de alguém que apenas confessa a fé cristã, mas que continua a viver na prática do pecado. Então, como os presbíteros podem saber disso? Como eles podem avaliar a fé e a conduta de alguém que eles não conhecem? Os nossos presbíteros não são os pastores daquela pessoa. Eles não visitam e nem acompanham a vida daquele visitante. Assim sendo, existe bastante prudência da parte dos nossos presbíteros quando eles não permitem que todos aqueles que nos visitam também participem da Ceia do Senhor.

Os presbíteros sabem que na mesa da Santa Ceia estão sinais e selos sagrados que Jesus Cristo deu ao seu povo. Quem violar aqueles sinais e selos deve pagar por seu erro: “Pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si”. Assim sendo, seria uma grande irresponsabilidade dos presbíteros que eles permitissem que qualquer pessoa participasse do corpo e do sangue de Cristo ali representados. Será que Jesus Cristo ficaria satisfeito em ver pessoas comendo do pão que representa o seu corpo, e bebendo do vinho que representa o seu sangue, quando essas mesmas pessoas vivem na prática do pecado?

Vocês já sabem a resposta. É claro que não! Então cabe aos presbíteros impedir que pessoas desconhecidas, que pessoas que não creem no verdadeiro evangelho, que pessoas que estão em processo de disciplina em suas igrejas, ou pessoas que não sabem o que estão fazendo na Santa Ceia, venham a profanar a mesa do nosso Senhor. O apóstolo Paulo falou das consequências que cairão sobre a cabeça daqueles que profanam a Santa Ceia. Veja o que está escrito em 1ª Coríntios 11.30: “Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem”.

E devemos lembrar de que essas consequências não atingem somente o participante de um modo individual. Essas consequências igualmente atingem toda a igreja. Sendo assim, haveria uma grande insensatez da parte dos presbíteros se eles permitissem que uma pessoa indigna tocasse nos elementos sagrados que foram separados para servir de sinal e selo das promessas do evangelho. Os presbíteros devem proteger o rebanho de Cristo. Eles devem ter cuidado para que a ira do Senhor não caia sobre a nossa igreja.

Os presbíteros não podem de modo algum ser coniventes com os pecados dos outros. Se alguém é irresponsável para se atrever a comer das coisas santas, sem estar digno para isso, então que faça isso em outro lugar. Não aqui. Aqui os presbíteros são zelosos para com os sinais do pão e do vinho. Eles sabem que não podem comer juntos com aquele que se diz cristão, mas que vive uma vida de pecado.
Não é isso que Paulo nos ensina em 1ª Coríntios 5.9-11? Prestem atenção no versículo 11: “… não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais”. Ora, meus irmãos, se não devemos partilhar o nosso feijão e arroz com uma pessoa que se diz cristã e que vive como um ímpio, então imagine partilharmos com ele a Santa Ceia do Senhor? Isso seria um pecado terrível!

Além disso, não existe necessidade alguma de que um cristão de outra igreja insista em participar da Santa Ceia em nossa igreja, quando ele já vem participando da Santa Ceia na sua própria igreja. Se alguém é um verdadeiro cristão, se ele está em paz com Deus, se ele está em plena comunhão com os seus irmãos, então ele já está tomando a Santa Ceia na sua igreja. Ele não deve insistir que os nossos presbíteros joguem fora o zelo que eles têm pela Ceia do Senhor somente para satisfazer o seu desejo pessoal.

Queridos irmãos, por mais que nós respeitemos os outros cristãos, a nossa principal responsabilidade é com os irmãos dessa igreja. Vocês são as ovelhas que Jesus Cristo nos entregou para pastorearmos. Os nossos presbíteros foram chamados para cuidar e para alimentar o rebanho que Cristo confiou a eles. Vocês é que são supervisionados por eles. Eles conhecem vocês. Eles cuidam de vocês. Eles sabem quem de vocês pode ou não participar da Santa Ceia. E isso deve ser respeitado!

Lembrem-se de que os presbíteros não impedem somente os visitantes que são desconhecidos, ou aqueles visitantes que vem daquelas igrejas que possuem uma fé completamente diferente da nossa. Os presbíteros também impedem que as nossas criancinhas também participem da Ceia do Senhor. Eles igualmente impedem aqueles do nosso meio que estão disciplinados. Eles também não permitem que membros que vem de outras igrejas reformadas tomem a Santa Ceia sem um testemunho do seu conselho, por meio de carta ou outro meio de comunicação.

Há outro aspecto que também precisa ser considerado por nós: Não é correto que alguém que não tem comunhão conosco na mesma fé venha a participar da nossa comunhão na mesa do Senhor. Pensem bem: Como é que alguém que não crê como nós cremos, que não confia no evangelho que nós pregamos, que não acredita nas mesmas doutrinas que nós cremos, que fica zombando da nossa fé, que não aceita o fato de que Cristo está sendo realmente dado espiritualmente na Santa Ceia, poderia comungar conosco na mesa do Senhor? Isso seria uma verdadeira incoerência.

Meus irmãos, quem quer participar conosco da nossa Santa Ceia deve ser uma pessoa que também abraça a mesma fé que nós abraçamos. Ou seja, a comunhão na Santa Ceia deve ser uma comunhão plena: Todos que participam dela devem ter um só Senhor e uma só fé.

Que o SENHOR nos abençoe.
Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Laylton Coelho

Pastor na Igreja Reformada em Imbiribeira.