Pregação preparada pelo Pr. Abram de Graaf

Leitura: Dia do Senhor 25

Texto: Dia do Senhor 25

 

Queridos irmãos em Jesus Cristo,

As semanas que vêm quero pregar sobre OS SACRAMENTOS: o batismo e a santa ceia. É bom falar sobre o uso certo dos sacramentos, pois existem muitas diferenças entre as igrejas em respeito disso. A igreja Católica trata os sacramentos como teriam um poder mágico; e as igrejas Pentecostais desprezam os sacramentos; há igrejas evangélicas que recusam de usar os sacramentos, dizendo que nós não precisamos dos sacramentos; O Exercito da Salvação, que trabalha muito na área social, no meio dos pobres, não administra os sacramentos; não querem saber nada disso, pois acham que os sacramentos causaram muitas brigas entre as igrejas e entre os crentes.

E neste ponto eles têm razão, mas o problema não está nos santos sacramentos santos que Cristo nos deu, mas nas pessoas impuras, que desprezaram as coisas santas. O sacramento é bom, mas muitas pessoas o tratam mal. Deus nos Deus os sacramentos e devemos honrá-los. E vamos fazer isso se entendermos POR QUE Deus nos deu estes sacramentos.

Vou mostrar isso com um exemplo simples que todo mundo pode entender. Vou comparar o sacramento com um anel. O anel do casamento. Este anel do casamento tem um certo valor. Não estou falando sobre o valor de ouro deste anel. Pois este anel vale mais do que o ouro me pode dar. Este anel é um SINAL e um SELO da aliança que foi feito entre me e a minha esposa. No dia do nosso casamento fizemos uma aliança. Eu e ela. E nós fizemos promessas naquele dia. Prometi de ser fiel a ela. Todos os dias da minha vida. Nos dias bons e nos dias maus. Na riqueza e na pobreza. Na saúde e na doença. Este anel me lembra naquele momento, pois dentro do anel está escrito o nome da minha esposa e o dia do nosso noivado e do dia do nosso casamento. Assim o anel funciona como um SINAL. O anel me lembra ao dia do meu casamento. O anel me lembra às promessas da minha esposa; me lembra ao amor dela. Um sinal e UM SELO. Pois no fim da cerimônia nos trocamos os anéis. Eu dei um a ela e ela me deu um outro igual. Dois anéis iguais que fecharam e marcaram a cerimônia da nossa aliança.

Agora, irmãos, uma pergunta. Por que os casais trocam anéis? Não pode fazer esta cerimônia sem anéis? Sim, pode! Mas todo mundo vai sentir falta da troca dos anéis, pois o anel tem um certo valor. Um casamento sem anel é como uma festa sem bolo. Um churrasco sem carne. Faz parte do casamento. O anel é o SINAL e o SELO do casamento.

Pois se um homem vai passear sozinho e antes disso ele tira o anel e coloca o anel na sua carteira. Todo mundo vai pensar uma coisa. Por que ele não quer andar com este anel? Por que ele não quer se lembrar o seu casamento? Como está com o seu casamento. Ele ainda ama a sua esposa? Naquele momento é bem claro que o anel é um sinal para todas as outras mulheres: olha, este homem está casado. Ele fez uma aliança com uma outra mulher. Na casa dele a sua esposa legitima está esperando. O anel é um sinal que este homem está ligado à uma outra mulher. Este homem não pertence a se mesmo, mas a sua esposa. O anel é um SINAL VISIVEL da aliança.

Por causa disso o anel é tal importante. Pois as palavras, que foram ditas no momento sagrado da cerimônia, estas palavras se esquecem. Para muitas pessoas estas palavras só valem naquele dia; depois disso ele esquecem estas palavras rapidamente; e depois de cinco anos eles não se lembram mais o dia do seu casamento; não levam mais um presente para casa naquela dia; o dia especial se tornou um dia como todos os outros dias. Eles não se lembram mais o dia, nem as palavras, mas eles não podem negar o anel, que está no seu dedo. Este anel é uma lembrança visível, que aperta seu dedo, se tocar uma outra mulher. Dessa maneira o anel protege a aliança. È um sinal visível. Uma lembrança, que não podemos esquecer.

E sabe, irmãos, NÓS, HOMENS, precisamos disso! Nós precisamos de SINAIS.

Deus sabe disso. Pois presta atenção! Cada vez quando Deus faz uma aliança, Ele dá um sinal, uma lembrança visível, aos homens. Quero mostrar isso.

A primeira vez que Deus faz uma aliança com um homem, é com Noé. Lemos sobre isso em Gênesis 9. Deus faz uma aliança com Noé e com toda a natureza. E Deus promete o seguinte: prometo que nunca mais os seres vivos serão destruídos por um dilúvio. E nunca mais haverá um outro dilúvio para destruir a terra. E Deus continuou e disse: “Como SINAL desta aliança vou colocar O MEU ARCO IRIS nas nuvens”. Então, irmãos, a ARCO IRIS, e o sinal da aliança da natureza. Cada vez quando vemos o arco íris, nós nos lembramos da aliança que Deus fez e da promessa que Ele fez: NUNCA mais haverá um dilúvio para destruir a terra!!! Assim será. O Arco íris é o sinal e o selo desta aliança.

A segunda vez que Deus faz uma aliança com um homem, é com Abrão. Lemos sobre isso em Gênesis 17. Deus faz uma aliança com Abrão e com todos os seus descendentes. E Deus promete o seguinte: “prometo que você será o pai de muitas nações. Eu serei para sempre o Deus de você e o Deus dos seus descendentes. Darei a você e a eles a terra onde você esta morando como estrangeiro. E Deus continuou e exigiu o seguinte: Você Abrão, será fiel à minha aliança, você e os seus descendentes, para sempre. E por causa disso todos os homens devem ser circuncidados. A circuncisão servirá como SINAL da aliança que há entre mim e vocês”. Então, irmãos, a CIRCUNCISÃO é o sinal da aliança da graça. Cada vez quando uma criança foi circuncidada, os pais se lembraram da aliança que Deus fez com Abrão e os seus descendentes.

E mais um exemplo. Lemos sobre isso em Êxodo 12. Deus renovou a sua aliança com os descendentes de Abrão. Ele mostrou que Ele foi o ALIADO de Israel. Por causa disso Ele ajudou o seu povo para sair do Egito. E no último dia ele deu um sinal ao seu povo. Este sinal foi A FESTA DA PASCOA. Cada ano o povo de Israel devia celebrar esta festa para se lembrar da aliança que Deus fez. Como Deus salvou o seu povo.

E vou ainda dar um exemplo. Pois depois disso Deus renovou a sua aliança mais uma vez no monte Sinai. Deus apareceu ao seu povo e lembrou o seu povo ao beneficio que Ele lhes deu: o Êxodo do Egito. Deus mostrou o seu amor e agora ele quer uma resposta. Uma resposta de amor. É como um casamento. Deus renovou a aliança com Israel e de novo ele deu um sinal: OS DEZ MANDAMENTOS! As duas placas dos dez mandamentos foram um sinal e um selo da aliança que Deus tinha feito com o seu povo.

Por que Deus faz isso, irmãos? Por que Deus dá tantos sinais ao seu povo?

Bom, irmãos, Deus quer ensinar. Deus quer que o seu povo não esqueça da aliança que Ele fez com eles.Deus conhece a sua criatura. Deus conhece o homem. Deus sabe que o homem aprende dificilmente e esquece facilmente. A memória do homem é muito fraca. A memória do homem é contaminada pelo pecado. E por causa disso Deus ajuda o seu povo. Deus trata o seu povo como crianças. Deus é como o professor na escola.

E todos os bons professores sabem como ensinar bem os seus alunos.

Cada professor deve saber a didática para ensinar os seus alunos.

E a didática nos ensina que uma criança tem OLHOS, E OUVIDOS, UMA MENTE E OS SEUS ORGÕES TATIS. As crianças aprendem as coisas com todos seus SENTIDOS. Não somente com o seu ouvido, mas também com os seus olhos.

Então, um bom professor, vai aproveitar dos todos os sentidos para ensinar os seus alunos. Ele vai CONTAR UMA HISTORIA e a criança vai OUVIR; e contando a sua historia, ele vai usar DESENHOS e a criança vai ver; ele até pode trazer UM OBJETO e as crianças podem tocar.

Não é assim, criançada? A professora falou sobre Holanda e vocês aprenderam um pouco sobre Holanda; A professora mostrou desenhos sobre Holanda e vocês aprenderam muito mais; e finalmente ela trouxe algumas bonecas de Holanda e vocês aprenderam ainda mais.

Assim, funciona na escola, irmãos. Um bom professor que só conta uma historia, sabe que só 20% da historia fica na memória da criança; Mas quando ele usa o quadro e mostra desenhos, o resultado já fica melhor: mais do 40% fica na memória; e quando as crianças devem escrever na sua caderna: o resultado atinge mais do que 60%. O melhor resultado é atingido quando o professor usa todos os sentidos das crianças para aprender uma coisa.

Assim funciona também na nossa vida. A vida é uma escola e Deus é o nosso grande professor. Ele nos ensina sobre o nosso passado e sobre o nosso futuro. Ele fala e nós ouvimos; Mas Deus sabe que só palavras não ajudam. E por causa disso Deus nos deu SINAIS. Sinais que podemos VER (os olhos!), sinais que podemos sentir (a circuncisão) sinais que podemos sentir com a nossa boca (pão e vinho); Deus deu sinais ao Israel: a circuncisão e a Páscoa; E quando Jesus renovou a aliança ele nos deu novos sinais: em vez da circuncisão ele nos deu O BATISMO; e em vez da mesa da páscoa, ele nos deu a mesa da Santa Ceia; SINAIS VISIVEIS, lembranças da aliança nova que Deus fez conosco. Estes sinais são lembranças das PROMESSAS que Deus nos deu.

Então, irmãos, há duas coisas importantes na aliança que Deus fez conosco. Como num casamento. No casamento vale a nossa PROMESSA e o SINAL que selou esta promessa. Assim funciona também na aliança que Deus fez. A PROMESSA DE DEUS E O SINAL DE DEUS. A PALAVRA DE DEUS E O SACRAMENTO. Os dois são importantes.

Mas A PALAVRA está no primeiro lugar. Não devemos isolar os sacramentos da palavra de Deus. Nenhuma pessoa foi salvo só por causa do seu batismo OU só por causa da sua visita na santa ceia. Há pessoas que pensam nisso. Há se o meu filho é batizado ele é salvo; Ou se eu vou comer o pão da santa ceia, sou salvo. NADA DISSO, irmãos. Isso é uma forma de superstição, que encontramos no mundo. Mas a Bíblia não ensina isso. Se missionários são mandados para um lugar, eles recebem a ordem de PREGAR. E eles só batizam, se a PALAVRA é aceita. E depois disso eles batizam as crianças dos crentes, mas isso é baseada na PROMESSA DE DEUS. Pois Deus tinha dito: a PROMESSA É PARA VOCÊS E PARA OS SEUS FILHOS E PARA TODOS OS QUE ESTÃO LONGE. (Atos 2,39).

A PALAVRA DE DEUS deve estar no primeiro lugar e ligado com isso vem O SACRAMENTO. Assim deve ser a ordem dentro da igreja. Como Paulo diz (Rom. 10,17): “Portanto, a fé vem por OUVIR a mensagem, e a mensagem vem por meio da PREGAÇÃO”.

Por causa disso, colocamos a pregação da Palavra no centro do nosso culto, irmãos! Cristo nos mandou pregar o evangelho, pois a pregação vai dar conhecimento e com o conhecimento a fé. Assim Deus está trabalhando. Por causa disso temos um púlpito no meio da igreja. Isso é o centro do nosso culto.

Há igrejas que não colocam o púlpito com a palavra no centro, mas o ALTAR com o SACRAMENTO. Assim é a situação na igreja de Roma. Naquela igreja o SACRAMENTO é mais importante do que a palavra. O Sacramento dá a salvação ao homem. É necessário de celebrar a missa, pois se não, uma pessoa perde a sua salvação; e necessário de ser batizado, pois se não, a criança vai para inferno; Sabemos que os missionários da igreja de Roma foram mandados de batizar no primeiro lugar e não pregar. Eles batizaram qualquer criança, que os pais ofereceram.

Conforme a igreja de Roma o sacramento tem um poder mágico para salvar. Por causa disso eles acham que uma criança deve ser batizada mais rápido que possível, para ser salvo. E por causa disso nenhum crente pode morrer sem receber a última unção. Cada crente deve receber os 7 sacramentos para ser salvo.

Nós não pensamos assim. E a bíblia também não. O assassino ao lado de Jesus na cruz foi salvo, apesar do fato que ele N O foi batizado. Ele foi salvo porque ele ouviu a palavra do Senhor e acreditou. Ele foi salvo por causa da fé. SEM TER RECEBIDO O SACRAMENTO.

Isso já mostra que o sacramento não salva. Quem nos salva é Deus. Somos salvos por causa da misericórdia de Deus e por causa do sacrifício de Jesus Cristo. O beneficio do sacrifício de Cristo é aplicado em nós se aceitarmos Jesus Cristo como nosso salvador. E baseado na aliança, que Deus fez com Abrão e todos os seus descendentes, cremos também que Deus salva os adultos e os seus filhos. Deus foi o Deus de Abrão e dos seus filhos. Assim foi a promessa de Deus no Antigo Testamento e assim é a promessa de Deus no Novo Testamento. Pois conforme Pedro a promessa é para vocês e para os seus filhos. E, baseado nesta promessa os apóstolos batizaram Lídia e toda a sua casa; e o carcereiro e toda a sua casa.

O sacramento não salva, mas isso não quer dizer que o sacramento não é importante. Deus quer nos ensinar pelos sacramentos. Devemos administrar os sacramentos. Cristo deu uma ordem aos seus apóstolos (Mt. 28,19). Os apóstolos deviam batizar os crentes; e eles deviam celebrar a santa ceia (1 Cor. 11, 24). Façam isso em memória de mim! Jesus disse.

Isso quer dizer que isso é importante. Fazendo isso, nós mostramos o nosso amor e a nossa fé em Jesus Cristo. O sacramento não salva, mas o sacramento me ajuda para crer em Jesus Cristo. Pois pelos sacramentos Jesus Cristo me ensina a importância do seu sacrifício na cruz. O sacramento me mostra que a remissão dos pecados é dada aquele que crê em Cristo e que é batizado no seu nome; a santa ceia me ensina que a remissão dos pecados e para todos que crêem e comem do pão; para todos que crêem que são salvos somente pelo sacrifício de Jesus Cristo na cruz. A santa ceia me ensina isso.

A palavra de Deus também. Sem a palavra de Deus eu não ia saber isso. Por isso a Palavra de Deus está no primeiro lugar. O sacramento está no segundo lugar. Os dois são usados pelo Espírito Santo para nos dar a fé.

O meio para criar a fé é a Palavra de Deus; o sacramento vem depois. O sacramento fortalece a palavra de Deus. O SINAL vem depois da promessa. O sinal fortalece a promessa. O sinal dá a garantia que a promessa é verdade. Como no casamento: o anel é dado depois da promessa. O anel prova que as palavras que foram ditas são verdadeiras. Este anel quer dizer: “Eu te amo; tu es preciosa para mim; eu quero ficar contigo; não somente hoje, mas todos os dias da minha vida; vou ficar com você, vou ficar fiel, sempre. Tu es preciosa como este anel de ouro. O meu nome está escrito neste anel. Dou a você. Este anel pertence a você. Toda a minha vida pertence a você! Te amo!”.

Assim fala o homem quando faz a sua aliança; Assim fala Deus quando ele faz uma aliança conosco; Ele nos deu dois sinais: o batismo e a santa ceia; E quem toma promete também: “Eu te amo; tu es preciosa para mim; eu quero ficar contigo; não somente hoje, mas todos os dias da minha vida; vou ficar com você, vou ficar fiel, sempre. Tu es precioso! Tu deste a sua vida para mim. O batismo me ensina isso; a santa ceia também. Aceito o pão e o vinho; tu me ofereces o seu corpo e sangue. Aceito e entrego a ti o meu corpo e o meu sangue. Vou ficar fiel. Toda a minha vida pertence a você, Jesus! Te amo!”.

Então, irmãos, nós devemos avaliar os sacramentos como o anel do casamento. Ninguém joga este anel fora, nem vai esconder numa gaveta. É o melhor presente que uma pessoa pode receber na sua vida. O Exercito da Salvação despreza os sinais da aliança, que Cristo nos deu. Isso é um lado. O outro perigo é que vamos sobreestimar os sacramentos. O anel do casamento tem valor, mas sem palavras o anel não tem muito valor. O anel é importante, mas a promessa vale mais. Os sacramentos são importantes, mas não vale nada sem a promessa de Deus. Deus promete a remissão dos pecados e a vida eterna por causa do sacrifício de Cristo. O batismo mostra isso; sem esta promessa, o batismo é um estrago de água; A mesma coisa com a Santa Ceia. A santa ceia não vale nade sem a promessa de Deus; sem esta promessa a Santa Ceia é um jantar pobre, sem valor.

A palavra de Deus santifica o batismo e a ceia do Senhor. A promessa de Deus muda o batismo no Santo Batismo; A promessa de Deus muda a ceia do Senhor na Santa Ceia; São os sinais da aliança! Não jogue fora! Mas tomem, comam, se lembrem e creiam que o corpo do nosso Senhor Jesus Cristo foi dado para a remissão completa de todos os nossos pecados.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Abram de Graaf

O pastor Abram de Graaf é “Doctorandus” (Drs) em Teologia e um dos professores do Instituto João Calvino (Aldeia, Camaragibe-PE). Ele é pastor da Igreja Reformada de Hamilton, Canadá, enviado como missionário às Igrejas Reformadas do Brasil, desde o ano 2000. É Diretor do Projeto Dordt-Brasil. Ele mora em Maceió e também desenvolve projetos nessa cidade.

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