Sermão preparado pelo pastor Flávio José
Leitura: Romanos 3
Texto: Dia do Senhor 23

Amada Congregação de nosso Senhor Jesus Cristo.

A questão que tem atormentado a humanidade desde a queda no pecado é como lhe dá com a culpa do homem?

A culpa fez com que Adão e Eva se escondessem de Deus e se cobrissem com folhas de figueira. A culpa levou Davi tentar encobrir o seu pecado com Bate-Seba ao ponto de tramar a morte de Urias. A culpa é o que se experimenta quando a consciência acusa de ter pecado gravemente contra todos os mandamentos de Deus, e de não ter guardado nenhum deles, e ainda ser inclinados a todo mal.

Alguns vão tentar evitar sentimentos de culpa se embreagando, se drogando, ou mesmo, por meio do suicídio. Uma outra maneira comum para muitos é se livrar da culpa é através da religião. Querem fazer uma troca, fazer “boas ações ou obrigações religiosas”.

A Bíblia, no entanto, mostra-nos que a culpa do homem na verdade é muito maior do que ele quer reconhecer! É tão grande que não há nenhuma maneira que ele pode pagar por isso e fazer as certas coisas para aminizar sua culpa. Paulo diz em Romanos 3:19,20 “Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.

Não são os justos que são declarados aceitos por Deus, na verdade não existe nenhum justo, nem um sequer, mas pecadores são declarados justos. Deus vai salvar, culpados, por conta da obediência de Cristo. E tudo que devemos fazer é receber isso com um coração que crê. É sobre esse Evangelho que tenho o privilégio de pregar a vocês nesta manhã. Faço-o sob o seguinte título:

O Evangelho anuncia que Deus declara pecadores justos.

1. Somente em Cristo.
2. Por meio da fé.
3. Por pura graça.

1. Os pecadores são declarados justos somente em Cristo.

A palavra Justificação, que encontramos acima Domingo 23 de nosso Catecismo, é um termo legal e uma declaração que expressa a idéia de “não culpado”, “justo”. Não existem níveis de justificação: você é justificado ou não é. Assim como uma mulher não pode afirmar que está mais ou menos gravida, assim também é com a justificação. Alguém é justificado não por conta de suas próprias obras, mas por conta das obras de Cristo.
Os católicos romanos, no entanto, não tem o mesmo entendimento de como o homem é justificado. Eles acreditam que por meio do batismo, e também da missa, Deus coloca alguma justiça em você, e então você se torna justificada através de como você vive a sua vida. Para os romanos, portanto, o homem é feito justo aos olhos de Deus através de uma combinação de obras de Cristo e de suss próprias obras.

A maioria de nós está distante do ensino católico romano sobre a justificação através de obras. No entanto durante os últimos anos houve também outros pontos de vista em reinterpretar a doutrina de como somos justos aos olhos de Deus.

Um desses pontos ensina que devemos entender a doutrina da justificação do ponto de vista da aliança. Você se torna parte da aliança com o batismo. Isso é obra de Deus e só é possível por causa do que Cristo fez. Mas agora que você está no aliança, é de sua responsabilidade permanecer na aliança. E a maneira de permanecer na aliança é através de suas obras. Então, se você permanecer na aliança, obedecendo a sua obrigação com a lei, no final vai ser verdadeiramente justificados, ou declarados justos com base na sua fé em Cristo, bem como a sua vida e obra. Deus só vai declará-lo justo se você foi obediente a Sua lei.

Este ensinamento nos leva a pensar um pouco mais profundamente. Pois é verdade que Deus estabeleceu uma aliança conosco. E é verdade que, na aliança há uma promessa e uma obrigação, e que somos chamados e obrigados pelo Senhor para uma nova obediência. No entanto demos nos pergunta: somos justificados, declarados justos por Deus, porque, na aliança, vivemos em santidade perante o Senhor?

Isso não é o que o Catecismo ensina. O Catecismo nos ensina que devemos viver vidas santas e até nos ensina como viver vidas santas. Mas ele afirma muito claramente que não vivemos uma vida santa, a fim de nos tornar justos ou justificados. A razão pela qual o Catecismo diz que demos viver vidas santas e fazer boas obras é porque fomos justificados. As boas obras são fruto da gratidão. Você não pode confiar em suas obras.

O que diz a Bíblia? Lemos Romanos 3. Em sua carta aos Romanos, Paulo respondeu as perguntas de quem é salvo e como somos salvos. Em Romanos, Paulo declarou que o Evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, tanto judeus como gregos. Ele ensinou que os judeus não têm uma maneira diferente de ser salvo, nem eles têm uma posição mais elevada na igreja. Porque somos todos iguais. E ninguém pode ser salvo, pode ser justificado, pela obediência da lei, porque ninguém é capaz de guardá-la.

A carta aos Romanos é muito clara: Nossas obras não podem ser contadas para nossa justificação, porque não temos obras que Deus poderia dá crédito a nós, a fim de declarar-nos justos. Pecou contra todos os mandamentos de Deus, e somos inclinados a todo mal. Deus exige obediência perfeita, enquanto nós mesmos não podemos fazer nada de bom. Quando a Bíblia diz: “Não há justo, nem um sequer” significa exatamente isso: todos nós somos culpados. A nossa consciência nos acusa que ainda estamos inclinados a todo mal. Não podemos fazer nada de nós mesmos, a fim de ser justificado e receber o favor de Deus.

Tudo tem que vir de fora de nós mesmos. Tudo tem que vir de Cristo. Como o Catecismo coloca-lo em resposta 60, embora sejamos culpados, Deus, por pura graça, dá a perfeita satisfação, justiça e santidade de Cristo. A base da nossa justiça diante de Deus, é a justiça imputada de Cristo. Através da obra de Cristo Deus nos diz que nossos pecados foram pagos. E é somente através de Cristo que Deus me vê desta forma. Estou inclinado a todo mal, mas Deus vê-me como se eu nunca tivesse pecado. E essa é outra maneira de descrever a justificação. E é tudo de Cristo do começo ao fim.

2. Os pecadores são declarados por meio da fé.

Em Atos 16, lemos o que o carcereiro de Filipos perguntou a Paulo e Silas em, “O que devo fazer para ser salvo?” Quase podemos ouvir a culpa em sua voz. O carcereiro esteve envolvido no aprisionamneto de Paulo e Silas, ele foi aquele que tinha prendeu-os na prisão. Mas, ele não estava com medo de Paulo e Silas, mas do Deus a quem serviam. “O que devo fazer para ser salvo?” E, agora o que devo fazer?

A resposta de Paulo e Silas foi: para ser salvo e ser aceito por Deus, você não precisa fazer nada. Já foi feito tudo por você. A única coisa que resta é receber o que Cristo fez, e fazê-lo por uma verdadeira fé.

Esse é o único caminho. A simples verdade da justificação é: Deus nos declara justos apenas com base na satisfação, justiça e santidade de Cristo. Tudo o que precisamos fazer para desfrutar o que Cristo conquistou para nós é aceitar humildemente este dom da justificação com um coração que crê.

Domingo 23 nos ensina que a justiça obtida por nós através da obediência de Cristo é nosso apenas por uma verdadeira fé. Estas palavras nos trazer de volta para o domingo 7. Lá temos a pergunta: Todos os homens, então, tornam-se salvos por Cristo, assim como pereceram em Adão? A resposta é “somente aqueles que pela verdadeira fé são unidos a Cristo e aceitam todos os seus benefícios

Muitos cristãos dizem que, embora a salvação é obra de Deus, a fé é obra do homem. Mas não é assim, resposta 61 de nosso Catecismo diz. Eu o digo não porque sou agradável a Deus graças ao valor da minha fé, mas porque somente a satisfação por Cristo e a justiça e santidade dEle me justificam perante Deus. Somente pela fé posso aceitar e possuir esta justificação. Nossa fé não é uma espécie de uma obra que Deus recompensa com vida eterna, a nossa fé em si não é uma obra, mas um dom de Deus. Efésios 2:8, “Porque pela graça sois salvos mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus.” Não é a nossa fé que nos faz agradáveis ​​a Deus, mas em quem depositamos a fé – a perfeita satisfação, a justiça e a santidade de Cristo.

O que Romanos 3:28 nos ensina? “Concluimos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.” Fé não é o mesmo que a obediência à lei.

Fé simplesmente no liga a justiça de Cristo, e é através da fé que esta justiça é imputada a nós. A fé é simplesmente dizer “Sim” e “Amém” para o evangelho. O evangelho proclama a graça de Deus e a fé diz: “Sim, eu acredito nisso. Jesus Cristo fez tudo certo entre mim e Deus. “

É só a fé no que Cristo fez por nós e imputou a nós que podemos nos livrar da culpa. A verdadeira fé é uma confiança certeza de que Deus me concedeu o perdão dos pecados, justiça eterna e a salvação fora de mera graça apenas por causa dos méritos de Cristo. Essa é a nossa confissão. Esse é o evangelho de como pecadores pode ser declarado justo. Não vamos adicionar ao evangelho ou alterá-lo para que a nossa justificação de alguma forma torna-se dependente do que devemos fazer. Tudo foi feito por nós em Cristo. Receba este dom somente pela fé, aceitando que Deus concedeu a você somente pela graça.

3. Os pecadores são declarados justos pela graça.

A razão para a culpa é que sabemos o que fizemos de errado. A nossa consciência acusa, pois sabemos que, por natureza, somos pecadores e nada do que fazemos é bom o suficiente para enfrentar a justiça de Deus.

Mas a boa notícia é que nada disso depende de nós. Nossa justiça diante de Deus não se deve de forma alguma merecer algo. Deus veste-nos com a justiça e santidade de Cristo e, portanto, nos declara justos meramente pela graça. A graça é o favor imerecido que Deus nos mostra. A graça confessa que não havia nada em nós que levou Deus a dar uma segunda olhada e decidir nos salvar. Como se diz em Romanos 3:24, somos “… justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.”

E isso nos faz humildes. Em Sua graça, Deus escolhe não ver-nos como miseráveis ​​pecadores, mas como seus filhos, cobertos com a satisfação, justiça e santidade de Cristo.

Ele também nos torna humildes uns com os outros. Já não olhar nossos irmãos e irmãs com um sentimento de ser melhor ou de alguma forma mais digno do que ele. Em vez disso, chamar-lhes de beber da mesma fonte que temos bebido e buscar a sua pureza e salvação fora de si e em Jesus Cristo.

E então teremos uma mensagem de esperança não apenas para nós mas para todos aqueles que estão sobrecarregados com o peso da culpa e do pecado e a vergonha. Não diga a eles que não importa se deliberadamente continuam pecando, porque estaríamos desprezando o sacrifício de Cristo e do Espírito e insultando a graça. (Hebreus 10:29)

Nós não incentivamos abafar a voz da consciência. Em vez disso, apontamos para a única maneira de ter essa culpa encoberta que é a satisfação justiça e santidade de Cristo. E quando nós pela verdadeira fé recebemos a Cristo e todos os seus benefícios, quando Deus nos vê, Ele não nos vê em nossos pecados e fraquezas, mas Ele nos vê como justo e santo. Isso nos liberta do peso da culpa. Então, não precisamos mais nos punir, nem esperamos que Deus se vingue de nossos pecados passados. Porque em Cristo somos declarados justos, por graça de Deus.

O evangelho é que os pecadores são declarados justos. Portanto, receba o evangelho com as duas mãos e viva naquilo que o evangelho oferece! Olhe para Jesus e apegue-se ao que Ele fez por você com um coração que crê. Assim fazendo, você vai ser justo e um herdeiro para a vida eterna.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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