Pregação preparada pelo Pr. Adriano Gama

Leitura: 1 Coríntios 15.01-28; Romanos 06.01-11

Texto: Dia do Senhor 17

 

Amada congregação de Cristo Jesus e demais ouvintes da Palavra,

A morte é o salário do pecado (Rm 6.23). A morte é a retribuição pela desobediência do homem no Éden. Todos morreram em Adão e de lá para cá a morte entrou em nossa história, em nossa vida. Então, desde a Queda de Adão no Éden, o mero homem não tem o poder de dizer não à morte. Nenhum mero ser humano teve o poder de se ressuscitar.

Na Escritura há registros de ressurreições, por exemplo, o filho da viúva dos dias de Elias, o soldado que foi depositado no túmulo de Eliseu, a pequena Talita e o amado Lázaro. Essas são algumas das poucas ressurreições registradas na Escritura.

Quem operou essas ressurreições? Foi Deus. Elas foram executadas pelo poder de Deus e não pelo poder do mero homem. Além disso, quem foi ressuscitado por Deus voltou a morrer. Assim, a morte nunca foi vencida por um mero homem.

A morte não teve poder sobre Jesus, porque Ele era o Filho de Deus. Ele era Deus. Ele era o Justo. A morte não tem poder sobre Deus. A morte não tem poder sobre um homem sem pecado. Assim, Jesus Cristo, o Deus encarnado e homem justo (sem pecado), venceu a morte.

A ressurreição é o primeiro degrau da escada da exaltação de Cristo. A subida de Jesus sobre o degrau da ressurreição mostra a Sua glória. O nosso catecismo ensina a Escritura, pois diz: “pela ressurreição Ele [Jesus] venceu a morte”.

O catecismo fala também dos favores que recebemos com a “ressurreição de Cristo”. A exposição desses favores é o evangelho que trago para vocês hoje no seguinte tema:

Tema: O Filho de Deus venceu a morte. Jesus subiu o glorioso degrau de Sua Ressurreição.

Essa ressurreição nos favorece com:

  • 1. A justiça dEle
  • 2. A nova vida
  • 3. A garantia da nossa ressurreição gloriosa

1. O Filho de Deus venceu a morte. Jesus subiu o glorioso degrau de Sua Ressurreição: Somos favorecidos com a justiça dEle.

O primeiro favor: somos feitos participantes da justiça de Cristo. O evangelho nos diz (Rm 4.25): “o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitado por causa da nossa justiça”. Jesus morreu em nosso lugar para pagar os nossos pecados. Jesus ressuscitou para nossa justiça diante de Deus. Esse é o evangelho pregado pelos apóstolos.

A ressurreição era necessária para que Deus me considerasse justo. Sem a ressurreição meus pecados ainda seriam uma dívida com Deus. O apóstolo Paulo disse (1 Co 15.16,17): “Porque, se é certo que os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados”.

A ressurreição é que torna a fé cristã algo válido, para ser pregado e crido pelo pecador! É a ressurreição de Cristo que garante o perdão dos nossos pecados. Se Jesus somente morresse o evangelho não seria evangelho. Qualquer homem pode morrer por outros homens. Mas, morreu e ressuscitou por nós. A ressurreição dEle nos dá a certeza que Deus aceitou Sua morte como perfeito sacrifício em nosso favor. O evangelho somente é evangelho por que Jesus ressuscitou.

A nossa fé não é vã, porque Cristo ressuscitou. É através dessa fé a justiça de Deus nos é concedida por pura graça. Quando creio de coração no evangelho da ressuscitou de Cristo, então, a justiça dEle é colocada em minha conta, em meu favor. Esse é o modo bíblico de justificação: a justificação pela fé. Foi pela fé que Abraão foi declarado justo. Foi pela fé que justo vivia na Antiga Aliança. Assim é conosco também. Nós cremos em Cristo recebemos a Justiça que vem pela ressurreição do Senhor. O evangelho diz (Rm 4.24,25): “… mas também por nossa causa, posto que a nós igualmente nos será imputado [a justiça], a saber, a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou para por causa da nossa justiça”.

A justiça para salvação é um dom de Deus, uma graça que recebemos pela fé somente. Não é uma justiça que adquiro por obras humanas. Mas, a justiça de Deus que vem pela fé no Filho de Deus. Jesus conquistou essa justiça pois venceu a morte. Ele subiu o degrau da ressurreição.

2. O Filho de Deus venceu a morte. Jesus subiu o glorioso degrau de Sua Ressurreição: Somos favorecidos com a nova vida.

A ressurreição de Cristo também nos favorece com a capacidade para vivermos como justos diante dos homens. Nós fomos ressuscitados com Cristo para uma nova vida. O Evangelho nos diz (Rm 6.4): “Fomos, pois, sepultados com ele [Jesus] na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida”.

Meus irmãos, antes de crermos em Cristo com verdadeira fé, éramos mortos em delitos e pecados. O nosso velho homem nos dominava. O pecado nos escravizava. Éramos escravos da prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e avareza, que é idolatria. Nós éramos aprisionados por ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena, da mentira, da hipocrisia. Em nossa escravidão éramos “néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros”.

A nossa história só mudou quando Cristo mudou a nossa história. O poder de Cristo operou em nós pelo Evangelho. O Espírito, graciosa e soberanamente, através da pregação nos regenerou e nos concedeu a fé no evangelho. Nesse dia a nossa história, nossa vida foi mudada por Cristo. A vida entrou na nossa história, pois Cristo veio a nós e nos uniu a Ele.

Pela verdadeira fé fomos unidos a Cristo. Então, por estarmos unidos a Cristo pela fé, o nosso velho homem foi morto e sepultado junto com Cristo. Estamos mortos para o pecado. Essa deve ser a nossa consideração para com o pecado (Rm 6.11): “Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado …”.

Pela verdadeira fé também fomos unidos a Cristo na ressurreição dEle. Em Cristo estamos vivos para Deus, ressuscitados para uma nova vida. Assim você, em Cristo, pode viver a vida de obediência aos mandamentos de Deus. Você, apesar das lutas, fraquezas e quedas, pelo poder da ressurreição de Cristo, pode viver Cristo. Pois, o nosso viver pela fé, é viver Cristo, o ressurreto dentre os mortos! Assim, você pode buscar as coisas do alto, onde Cristo está. Pela graça de Deus, nós recebemos o poder para cumprir o mandamento (Rm 6.11b): “Assim também vós considerai-vos … vivos para Deus, em Cristo Jesus”.

Esse ensino deve estar sempre vivo em nossa mente. Especialmente, quando o cristianismo nominal se encontra morto. A vida de muitos cristãos é a imitação barata da vida daqueles que estão mortos em delitos e pecados.

O interesse desses cristãos pelas coisas celestiais é menor que o interesse deles pelo seu time de futebol preferido. A vida de torcedor deles é mais empolgante que sua vida como membro da igreja. A conversa, as vestes, as amizades, os relacionamentos, o modo de tratar as coisas na vida fedem a morte espiritual. São vidas terrenas, mundanas e que exalam o mau cheiro das paixões malignas da carne nos seus casamentos, na sua convivência com seus irmãos na igreja, na rua, na escola e no trabalho. Em resumo: São vidas cristãs que não revelam a ressurreição de Cristo.

Não é coerência entre fé na ressurreição e uma vida dominada por mundanismo. Precisamos pensar como estamos vivendo a fé que confessamos. A nossa confissão é: “Como somos favorecidos com a ressurreição de Cristo? R. … Pelo Seu poder nós também somos ressuscitados para uma vida nova”.

O nosso chamado é viver a fé. A fé que nos leva a vivermos mortificando-nos para o pecado. A fé que nos leva a vivermos como eleitos de Deus, santos e amados. A fé que nos leva a nos revestir de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. A fé que opera pelo amor. A fé que é viva por que é uma obra do Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos. Então, se cremos na ressurreição, podemos viver como justos, vivos para Deus, em Cristo Jesus”. O Cristo que subiu o glorioso degrau da ressurreição.

3. O Filho de Deus venceu a morte. Jesus subiu o glorioso degrau de Sua Ressurreição: Somos favorecidos com a garantia da ressurreição gloriosa.

A morte nos veio por Adão. Ele era o representante de toda a raça humana. Nós temos uma ligação espiritual e física com Adão. Por isso, herdamos o pecado e a morte que veio por meio da desobediência de Adão.

Jesus veio como o último Adão. Ele é o novo homem. O representante da nova humanidade que é a igreja de Deus. Jesus como homem foi obediente até a morte. Jesus foi morto como representante da igreja. Mas, Jesus não ficou na sepultura. O Seu corpo não provou a corrupção. Jesus ressuscitou.

O apóstolo Paulo ensinou o evangelho da ressurreição de Cristo, dizendo (1 Co 15.20): “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo. Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda.”

O evangelho é muito claro. A ressurreição de Jesus é a garantia da ressurreição gloriosa dos crentes. Jesus foi chamado de “as primícias dos que dormem”. Essa é uma ilustração tirada da agricultura do povo de Deus.

As primícias da lavoura eram o primeiro molho retirado dela e consagrado ao SENHOR. A retirada das primícias era a certeza que a colheita aconteceria. Então, Jesus foi chamado de “as primícias dos que dormem”. Se Cristo é as primícias, então, os que são de Cristo ressuscitarão. Essa é a revelação do Evangelho. Pelo evangelho, é certa a ressurreição física daqueles que são de Cristo, pois a ordem da ressurreição é essa (veja o v. 23): Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda”.

Meus irmãos, se morrermos em Cristo nós podemos morrer na certeza que seremos ressuscitados. Esse é o evangelho que nos consola em meio as decadências de nossos corpos.

Nós temos corpos físicos decadentes. Nossos corpos sofrem a ação da Queda. Eles não mostram a glória, mas a ignomínia imposta pelo pecado. Eles sofrem com as doenças, com a velhice, com a morte!

O mundo tem uma paixão pelo corpo humano decadente e sem glória. Por isso, o crescimento grande da indústria cosmética e dos serviços que visam melhorar a estética do corpo. O mundo quer negar e camuflar a decadência corporal com cosméticos, cirurgias plásticas e com exercícios físicos. Mas, o espelho amado é sincero. Ele é uma testemunha fiel do evangelho. O espelho mostra que seu corpo é decadente e não tem glória.

Os crentes podem cuidar dos seus corpos? Devem. O nosso corpo é criação de Deus e é templo do Espírito Santo. Mas, os crentes não devem idolatrar o corpo decadente. A alegria dos crentes não está em uma estética corporal. Uma estética obtida por técnicas que não conseguem reverter as consequências da queda em Adão.

Os crentes se alegram na ressurreição que teremos na vinda de Cristo. Essa ressurreição gloriosa reverterá as consequências da queda. Pois, Jesus venceu o pecado e a morte por nós. Ele ressuscitou em glória.

Na certeza da ressurreição gloriosa somos as pessoas mais felizes de todos os homens. Os ímpios que não tem esperança na ressurreição gloriosa são infelizes. A esperança deles está nessa terra e nessa vida que morre a cada dia. Mas, os crentes em Cristo podem buscar consolo, pois o evangelho nos dá a certeza da nossa vitória sobre a morte, da nossa ressurreição gloriosa, pois, a Escritura diz: “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. … Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda”.

A morte não é o fim da nossa existência. A morte não eliminará os nossos corpos. Nós, que pertencemos a Cristo, venceremos a inimiga chamada morte. Nós seremos favorecidos com a ressurreição corporal. Teremos um corpo semelhante ao corpo ressuscitado de Jesus. Um corpo transformado, restaurado, purificado das consequências impostas pelo pecado, incorruptível.

Nós temos a garantia da nossa ressurreição glorioso. Nós podemos esperar um corpo incorruptível e que não sofrerá mais. Nós seremos vitoriosos sobre a morte e viveremos, em corpo e alma, eternamente com o Senhor Jesus.

Quando será essa ressurreição corporal? Essa ressurreição será na volta de Cristo. O apóstolo disse (1 Co 15.23): “Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda”. Quando Cristo voltar, então, todos os crentes que morreram na verdadeira fé, ressuscitarão em glória.

Nada pode impedir essa ressurreição gloriosa, pois Cristo nos deu a seguinte promessa (Jo 5.24-27): “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão. Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo. E lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem. Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiveram feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo”.

Amados irmãos, enquanto Cristo não voltar, então, vivamos na esperança da fé da volta do Senhor e de nossa ressurreição gloriosa. Jesus Cristo já nos mostrou Seu poder, regenerando-nos pelo poder do Espírito e da Palavra, fazendo-nos crer no evangelho da Sua ressurreição. Jesus cumprirá Sua palavra totalmente na Sua vinda. Jesus Cristo Glorificado, naquele dia glorioso, mostrará Sua gloriosa glória.

O Senhor Jesus eliminará, de uma vez por todas, a morte. Ele punirá os rebeldes que se mantiveram em incredulidade nessa vida. Jesus submeterá tudo aos pés do Pai. Assim, tudo estará completo e Deus será tudo em todos.

Jesus cumprirá Sua palavra totalmente na Sua vinda. Neste Dia veremos a nossa glória. A glória de Cristo. Na volta de Cristo, de modo pleno, participaremos da glória que é dEle. A glória que Jesus conquistou por Seus próprios méritos e para Seus eleitos. A glória que é nossa pela fé.

Na volta de Jesus veremos Ele no topo do monte da glória. O topo que foi subido por Aquele que venceu a morte por nós, subindo o degrau glorioso da ressurreição. O poder pertence somente a Jesus. A Ele seja somente a glória pelos séculos dos séculos. Maranata.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Adriano Gama

Ministro da Palavra e dos Sacramentos da Igreja Reformada em Maragogi (AL). É missionário na Congregação Reformada em Colombo (PR).

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