Pr. Adriano Gama

Leitura: Salmo 08; Eclesiates 07:29

Texto: Dia do Senhor 03

 

Amada congregação do SENHOR Jesus e visitantes,
O sábio e velho Salomão vendo os pecados na vida do homem disse (Ec 7.29): “Eis o que tão somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias”.

O Rei Salomão disse que Deus criou o homem reto. Essa é a doutrina que encontramos em Gn 1. A palavra “reto” tem o mesmo significado que honrado, justo, probo, bom, sincero. O homem não era pervertido, não era malvado. Deus fez o homem reto.

A segunda parte de Ec 7.29 é baseada na doutrina em Gn 3. Nessa parte da Escritura aprendemos sobre a queda e desobediência de nossos pais: Adão e Eva. Ali o homem se “meteu” (buscou com muito interesse) preocupações muito grandes.

O homem deixou sua mente trabalhar para trazer problemas abundantes para sua vida. Isso o fez perder a sua retidão. O Espírito Santo revelou ao sábio rei Salomão o homem é quem trouxe todos a multidão de problemas causados pelo pecado.

O Dia do Senhor 3 vai nos ensinar sobre a origem do pecado na história do homem. Essa parte do Catecismo vai nos responder quem é o autor do pecado. Por isso, com base na doutrina da Palavra de Deus, ouça a mensagem do Senhor no seguinte tema:

Tema: O nosso Deus justo, bondoso e salvador não é o autor do pecado. Ele não nos criou maus e perversos

  • 1. Qual era o nosso estado original?
  • 2. O que aconteceu conosco?
  • 3. Como podemos ser restaurados?

1. Qual era nosso estado original?

O Livro de Gênesis diz que Deus viu todas as obras de Suas mãos e “eis que tudo era muito bom” (Gn 1.31).

O homem e mulher são parte da criação que Deus chamou de “muitíssimo boa”. Assim, não havia nada de ruim ou incompleto no homem. O homem foi criado muitíssimo bom.

Nós podemos ter certeza dessa bondade original do homem, pois, homem e mulher foram criados “a imagem e semelhança de Deus” (Gn 1.26,27). O nosso Catecismo nos ajuda a entendermos a essa declaração da Escritura: “isto é, em verdadeira justiça e santidade”.

A explicação do Catecismo vem do ensino do apóstolo Paulo em Cl 3.10: “… e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou”. Esse novo homem é a nova natureza em Cristo. Essa nova natureza é conforme a imagem de Deus. Essa imagem de Deus é “justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.24). O homem era imagem de Deus, ou seja, ele refletia a justiça e santidade que Deus possui em perfeição. Em verdade, o homem não era divino. Mas foi adornado de tantas honras que o Salmo 8 diz que o homem foi criado “um pouco menor que Deus”.

Essa expressão do Salmo nos mostra que Deus criou o homem à imagem de Deus e que fomos “criados para a esperança de uma vida bendita e imortal.

Esse estado original do homem dava condições a ele de, como diz o Catecismo, “… conhecer corretamente a Deus, o seu Criador, amá-lo de coração, e viver com Ele em eterna felicidade para o louvar e glorificar”.

Nós podemos dizer, concluindo esse ponto, que o homem não foi criado mau e perverso. Não havia nada mau em nossos primeiros pais. A vontade deles combinava com a vontade de Deus em tudo. Nenhum sentimento de Adão e Eva era impuro. O homem era completamente bom, justo e santo! Adão e Eva gozavam de verdadeira justiça e santidade. O estado original do homem era sublime e glorioso!

Agora, será que conseguimos perceber em nós e nos outros esse estado original de perfeita bondade, justiça e santidade?

O sábio Salomão viu a vida do homem nessa terra. Ele comparou essa vida com o estado original do homem revelado na Escritura. Qual a conclusão que Salomão chegou? O homem se meteu em muitas astúcias!

Chegaremos a essa sábia conclusão se olhamos a vida nossa nessa terra. Será que o amor a Deus está acima de tudo? Será que a sinceridade, a harmonia e a boa vontade tem sido perfeitas na vida do homem?

Em verdade, a nossa consciência nos acusa e a lei de Deus nos convence que em nós, na nossa natureza atual, não há bem algum. Temos em nós a ausência de perfeita bondade, justiça e santidade. Nem aqueles que estão em Cristo escapam dessa verdade. Os crentes podem até deseja o bem, mas o fazer não conseguem realizar.

2. O que aconteceu conosco, seres humanos?

A Escritura nos dá essa resposta em Gênesis 3. O bondoso e amoroso Senhor Deus deu um mandamento a Adão (Gn 2.16,17): “E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Esse mandamento de vida não foi obedecido por nossos pais, Adão e Eva.

Adão deliberadamente creu no diabo, se fez inimigo de Deus e desobedeceu a vontade de Deus revelada. A tão falada Queda foi a desobediência de Adão ao mandamento de Deus.

Saibam que o diabo sempre vai querer por dúvida na bondade de Deus, para poder atingir seus planos malignos. Ele fez isso com Adão e Eva, no Paraiso. Por exemplo, para atacar a bondade de Deus ele tem falado que Deus é o autor, ou, culpável por nosso pecado.

Ora, Deus não decretou tudo? – pergunta o diabo a nós – Então, o pecado foi decretado. O homem pecou por causa do decreto. Então, Deus é o autor do pecado, ou, pelo menos é culpável pelo pecado. Essa é a lógica do diabo.

O que o diabo fala não é lógica, pois é contra a revelação da Escritura. Deus decretou tudo sim. Mas, está Escrito o que Deus disse a Adão (Gn 3.17): “Maldita é a terra por tua causa”. Está Escrito (Rm 5.12): “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”. Está Escrito (1 Co 10.13): “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.” Está Escrito (Tg 1.13): “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta”. Está Escrito acerca de Deus: “Pois tu não és Deus que se agrade com a iniquidade, e contigo não subsiste o mal”.

A nossa lógica deve estar submissa a revelação de Deus que está na Escritura. Se algo que penso vai contra, ou, além da Escritura não é uma lógica verdadeira. Por isso, a lógica do diabo é falsa. Com base na Escritura podemos dizer que Deus decretou tudo, porém, Ele não é autor do pecado.

A doutrina reformada ensinada nas confissões e nos catecismos produzidos pela Reforma se limitam à Escritura. Por isso, nenhuma confissão reformada acusa Deus de ser o autor do pecado. Só pensar em tal coisa é uma blasfêmia abominável.

O nosso Catecismo é uma confissão reformada. Por isso, ensina que a natureza corrompida do homem veio “da queda e desobediência de nossos primeiros pais, Adão e Eva. Ali a nossa natureza tornou-se corrupta de tal modo que somos todos concebidos e nascidos em pecado”.

3. O que aconteceu com a nossa natureza depois da Queda?

O pecado tem consequência. Por isso, o Catecismo diz que “a nossa natureza tornou-se corrupta”. A natureza humana não era corrupta, mas tornou corrupta. Hoje sofremos com a corrupção da nossa natureza. Essa corrupção é conhecida como o pecado original.

Esse pecado original é a fonte de todos os pecados que acontecem em nossa vida. O pecado original é tão maligno e terrível que envenena até as criancinhas nos ventres de suas mães. Nós somos concebidos e nascidos em pecado (Sl 51.5).

O pecado original é suficiente para condenar toda a humanidade, pois “todos pecaram e carecem da glória de Deus … a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram … o salário do pecado é a morte” (Rm 3.23; 5.12; 6.23).

Por isso, pela Palavra, podemos entender que as nossas criancinhas mentem, brigam com irmãozinhos e coleguinhas na escola, nos desobedecem, etc. Nossos filhinhos cometem pecados por causa de uma natureza corrompida que eles tem.

A corrupção herdada de Adão explica por que em nosso coração surgem “os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contamina o homem” (Mc 7.21-23). A explicação bíblica é: Nós e nossos filhos herdamos uma herança maldita, a corrupção, o pecado original.

Essa compreensão da origem do pecado nos ajudará a tratarmos as nossas fraquezas com o evangelho e oração. Hoje se fala de educação para melhorar a humanidade. Da psicologia para corrigir os erros de conduta. Porém, o evangelho revela que o homem precisa, em primeiro lugar, de uma nova vida.

Os generais mais sanguinários de Hitler eram doutores nas diversas ciências humanas. Os “sábios” desse mundo são os mais blasfemadores contra Deus e quem mais lutam contra a Igreja de Cristo.

Nós precisamos discernir que um sistema de Educação ou a psicologia do mundo não produzirá homens sublimes, mas somente vai gerar pecador mais sofisticado, mais depravados e que não reconhecem a sua corrupção.

Então, segundo a Palavra, podemos dizer ao homem: Você pode perder toda esperança em consertar a sua natureza! Você está perdido em si mesmo!

O homem necessita ouvir que é incapaz de mudar sua natureza corrompida como uma onça é incapaz de retirar do seu coro as manchas pretas (Jr 13.23)! O homem necessita ouvir a Escritura que diz (Rm 3.12): “… todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer”. O homem necessita saber que somente uma nova vida pode recuperá-lo do estado de depravação total. Sem essa nova vida o homem permanecerá na sua incapacidade de fazer bem algum, continuará inclinado a todo mal. O Catecismo na P e R 8 nos diz essa verdade.

O estado atual do homem não é triste demais? É muitíssimo triste!

Mas, há restauração para o homem caído? Sim. Há restauração para o homem caído.

O Catecismo, na P. e R. 8, também nos ensina da soberania e da graça de Deus na salvação. O Catecismo fala da regeneração.

Deus é soberano em graça e misericórdia. O desejo dEle era que o homem vivesse com Ele em amor, alegria e felicidade eternas. O pecado do homem nunca vencerá a vontade de Deus. Ele restaura o que Adão corrompeu no Éden.

Jesus disse a Nicodemus (Jo 3.3,5,6): “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus … Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito”. Jesus ensinou que é o Espírito que nos faz nascer de novo, para que possamos ser salvos.

O Espírito, por Seu poder e por meio da pregação do Evangelho, nos concede a nova vida. O Espírito Santo nos faz novas criaturas, criados em Cristo Jesus, para as boas obras (2 Co 5.17; Ef 2.10). Em termos mais profundos, quando o Espírito nos regenera, então, a imagem de Deus começa a ser restaurada em nós. Essa é a boa notícia de salvação para o homem perdido.

Concluindo:
A vontade revelada de Deus para o homem era que, por meio da obediência, o homem vivesse com Ele em plenitude de vida, de amor, de alegria e de glória eternas. Para isso, o SENHOR Deus tirou o homem do pó para ser a coroa de sua criação, a imagem de Deus na terra.

Mas, qual foi a vontade do homem? Foi conseguir a glória por meio da desobediência. Então, o que aconteceu? O homem, duramente, aprendeu que a glória não se consegue por meio da desobediência.

Quando o diabo quiser dizer a você que a vida, a alegria e a glória para você e sua família se consegue por meio da desobediência aos mandamentos de Deus, então, lembre-se do que aconteceu com nossos primeiros pais: Adão e Eva. A desobediência somente nos leva à morte e à vergonha eternas!

Hoje somente temos a vida, a alegria e glória por causa da obediência e sacrifício de Cristo na cruz. Ele, como nosso representante, o Cabeça da Igreja, o Último Adão, cumpriu pagou o preço do nosso pecado. Assim, em Cristo, somos restituídos a nossa posição de coroa da criação. No Salvador Jesus Cristo está a nossa alegria e a nossa vida eterna.

Amados irmãos, esse evangelho nos traz consolo sem igual. Esse evangelho nos faz gemer por causa dos pecados que ainda nos restam contra a nossa vontade. O evangelho que ouvimos nos faz ansiar pelo dia quando seremos, de uma vez por todas, libertados do corpo dessa morte, da nossa velha natureza. Nesse esperado dia não mais pecaremos contra o Senhor que tanto nos ama.

O evangelho no Catecismo nos traz o consolo da Palavra, pois sabemos que o nosso bondoso, justo e soberano Deus não é o autor do pecado. Em verdade, Ele é o autor da nossa salvação.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Adriano Gama

Ministro da Palavra e dos Sacramentos da Igreja Reformada em Maragogi (AL). É missionário na Congregação Reformada em Colombo (PR).

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