Pregação preparada pelo Pastor Laylton Coelho
Leitura: Atos 07.54-60 e 12.01-05; 1 Coríntios 06.19-20
Texto: Dia do Senhor 01

Amados irmãos no Senhor,

O livro de Atos foi escrito por Lucas. Lucas escreveu o livro de Atos para dar continuidade ao que ele registrou no seu evangelho. O evangelho de Lucas conta a história de Jesus Cristo. E o livro de Atos conta a história de como a mensagem de Jesus Cristo foi anunciada em todo o império romano. Começando em Jerusalém, o evangelho passou por várias cidades e chegou até Roma, a capital do império.

O livro de Atos também mostra o que aconteceu com aqueles que anunciaram o Santo Evangelho. A mensagem de Jesus foi recebida por alguns e rejeitada por outros. E esta rejeição foi muitas vezes violenta. Atos dos Apóstolos mostra o sofrimento dos mensageiros de Cristo. Mas isto já era esperado. Jesus disse que seria assim. Jesus disse: “Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus.” (João 16.2).

Então, não é nenhuma surpresa encontrarmos no livro de Atos o registro de cristãos sendo mortos por causa da sua fé em Jesus Cristo. As leituras bíblicas que nós fizemos neste livro mostram como aconteceu a morte do diácono Estevão e do apóstolo Tiago. Estevão foi apedrejado e Tiago foi morto à fio de Espada. Mas eles não foram os únicos a sofrer o martírio. A história da igreja conta que a maioria dos apóstolos, e muitos outros cristãos, foram torturados e assassinados por amor a Cristo.

As perseguições começaram com os judeus e depois continuaram com o império romano. Os cristãos foram acusados injustamente de formarem uma sociedade secreta que ameaçava a segurança do império romano. Eles também foram acusados de matarem e comerem crianças em sacrifício a Deus. Eles foram acusados de atrair inúmeras desgraças sobre os cidadãos do império devido à fúria dos deuses pagãos. Outras acusações contra os cristãos diziam respeito ao seu isolamento da sociedade, e de atrapalharem a vida econômica das pessoas que viviam da religião pagã, isto é, dos sacerdotes, dos fabricantes de ídolos, dos videntes, dos pintores, dos arquitetos e dos escultores. Todas essas acusações motivaram inúmeras perseguições aos cristãos nos primeiros séculos. Eles foram torturados e mortos, e seus bens foram confiscados.

E se alguém me perguntasse por qual motivo eles aguentaram tanto sofrimento, eu responderia que eles tinham o único consolo que alguém pode ter tanto na vida quanto na morte. Eles sabiam que não pertenciam a si mesmos. Eles tinham a plena certeza de que pertenciam a Jesus Cristo. Jesus Cristo pagou completamente os pecados deles com o seu sangue precioso, e os libertou de todo o domínio do diabo. Estas bênçãos espirituais são maravilhosas demais, e por isto eles não temeram a morte. Eles não negaram a fé. Eles foram fiéis até o fim!

Hoje em dia, aqui no Brasil, nós não sentimos tanta agressividade contra os cristãos. Mas isto não significa que está tudo bem. O diabo não está de férias aqui no Brasil. Ele continua agindo como sempre tem feito. Ao longo da história ele tem usado diversas armas contra o povo de Deus: A primeira arma é a perseguição; a segunda arma é a sedução para uma vida mundana; a terceira arma é espalhar sementes de erros doutrinários.

A perseguição não precisa ser de tal modo que pessoas venham a ser presas e mortas. Mas, geralmente, ela acontece quando uma igreja fiel passa a ser acusada de ser uma igreja radical e exclusivista. Radical pela simplicidade do culto, pela forma de governo e pela exigência quanto às questões de disciplina cristã. E quando acontece de não concordamos com eles, então somos taxados de exclusivistas, isto é, somos classificados como pessoas que se acham os únicos que estão certos.

Na verdade, irmãos, os nossos acusadores são adeptos de um cristianismo liberal. Eles gostam de um cristianismo fácil e divertido. Eles não querem saber de uma igreja onde o caminho estreito é pregado e vivenciado. Então, apesar de não haver morte em nosso país, mesmo assim, outras espécies de armas de perseguição são usadas: A calúnia, a zombaria e o desprezo. Eles não percebem, mas estão agindo como instrumentos de satanás para perseguir a igreja de Cristo.

A sedução também anda ao nosso redor. As pessoas afirmam que o mundo mudou. Por isso, a igreja precisa acompanhar as novas mudanças. Uma igreja que permanece com os mesmos valores éticos dos cristãos do passado é vista como uma igreja atrasada. “Uma igreja assim precisa de mudanças, pois o mundo mudou”. Por causa disso, nossos membros são assediados por falsos cristãos que vivem a nos mostrar o quanto nós estamos perdendo por sermos assim. Eles dizem: “Vocês precisam mudar, precisam fazer isso e aquilo; não há nada de errado nisso; vejam como o nosso modo de ser é mais legal”.

Estes falsos cristãos estão no erro e querem que façamos o mesmo. Ao tentarem nos seduzir, eles estão funcionando como verdadeiras flechas de satanás, as quais são lançadas para nos provocar a fim de errarmos moralmente. Estes falsos cristãos ridicularizam os processos disciplinares legítimos. Eles zombam da supervisão pastoral dos presbíteros. Eles dizem que ninguém deve se meter na vida de ninguém. Eles riem das nossas preocupações com a nossa conduta moral.

E o diabo não fica somente por aqui, perseguindo e seduzindo. O diabo também lança suas sementes de erros doutrinários. São tantos e tantos erros vistos nas igrejas de hoje em dia, que até parece que nós é que estamos remando contra a maré do cristianismo.

São mestres se intitulando apóstolos; são pastores operando falsos sinais miraculosos; são pregadores ensinando um cristianismo misturado com o amor ao dinheiro; são inúmeras doutrinas que negam, distorcem ou modificam o bom depósito ensinado pelos apóstolos.

Meus irmãos, o diabo não está de férias. A cada dia uma nova doutrina está sendo produzida na sua oficina infernal. E a cada dia uma dessas igrejas modernas e liberais está agindo como um porta-voz da mensagem de satanás. Satanás tem enviado seus ministros para semear o erro. Satanás continua a perturbar o arraial dos santos. Ele não vai desistir de tentar nos induzir ao erro. Basta uma simples olhadela num programa religioso de televisão. Basta uma simples lida num livro emprestado de alguém aparentemente piedoso. Basta uma simples conversa com um velho amigo cristão.

Irmãos, nós não devemos vacilar um só instante. Nós somos convocados por Jesus Cristo a permanecermos no mesmo fundamento. Nós somos uma verdadeira igreja do Senhor Jesus Cristo. Aqui é ensinada a doutrina apostólica. Aqui o culto é bíblico e reverente. Aqui temos homens que foram dados pelo Senhor Jesus Cristo para serem pastores no meio deste rebanho. Aqui é apresentado o caminho estreito. Aqui a cruz de Cristo é pregada tal como foi no passado.

Cabe a nós permanecermos constantes e fiéis. Cabe a nós conservarmos a mesma fé dos nossos antepassados espirituais. Durante a Reforma Protestante, eles reafirmaram o mesmo consolo que trouxe conforto para os mártires da igreja primitiva. Os reformadores reafirmaram qual era o único consolo tanto na vida quanto na morte. Juntos com os cristãos de todos os tempos e lugares, os reformadores deixaram claro que Jesus era o fundamento da sua salvação.

Eles escreveram que não pertenciam a si mesmos, mas que pertenciam de corpo e alma, tanto na vida quanto na morte, ao seu fiel Salvador Jesus Cristo. Pois Jesus pagou completamente todos os seus pecados com o seu sangue precioso, e os libertou de todo o domínio do diabo. Eles sabiam que eles eram propriedade de Jesus Cristo. E um dos textos bíblicos que fundamentam a fé dos cristãos reformados, conforme está expresso no rodapé da primeira pergunta e resposta do catecismo, é 1ª Coríntios 6.19-20:

“Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo,
Que está em vós,
O qual tendes da parte de Deus,
E que não sois de vós mesmos?
Porque fostes comprados por preço.
Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.”

Paulo escreveu estas palavras para exortar os irmãos de Corinto a não entregarem seus corpos à imoralidade sexual. O corpo de um cristão não é propriedade dele mesmo. O cristão não deve usar o seu corpo para o mal. O nosso corpo não pertence mais a nós. Ele foi santificado por Deus. O Espírito Santo habita dentro de nós. Nós somos templos do Espírito Santo!

Irmãos, ter o Espírito Santo habitando dentro de nós é uma honra muito grande. Isto confirma ainda mais o fato de que nós não somos donos do nossa própria vida. Jesus Cristo nos comprou inteiramente, corpo e alma, para fazer habitar neles o seu Santo Espírito. E assim como os escravos eram comprados para servir ao seu senhor, Jesus também nos comprou para servi-lo. Cristo agora é o nosso Senhor e o nosso Mestre.

Vocês pertencem a Deus. Este é o seu único consolo tanto na vida quanto na morte. E, cientes desta verdade, vocês enfrentarão a tudo e a todos. Vocês não temerão mal nenhum, mesmo que o mundo todo se levante contra vocês. Vocês não desistirão diante do sofrimento e da dor. Vocês não abandonarão o seu Senhor e Mestre. Não importa aquilo que vocês tenham que enfrentar nesta vida. Vocês têm o consolo eternal: Jesus Cristo comprou vocês com o sangue que ele derramou na cruz do calvário.

E pelo fato de sermos a sua propriedade, Cristo cuida de cada um nós a todo instante. Ele providencia o nosso sustento físico e espiritual. Ele nos guarda do maligno e dos homens maus. Ele cuida de tudo, até mesmo de cada fio de cabelo da nossa cabeça! Irmãos, ninguém tocará num só fio do nosso cabelo, se isto não for permitido por ele. E se alguém tocar, então tenha a plena certeza de que isto contribuirá para o nosso bem espiritual.

Estevão e Tiago possuíam esta certeza. Todos os outros cristãos que morreram por amor a Cristo também tinham esta certeza. E nós temos esta certeza, pois confiamos plenamente que somos propriedade de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Este é o nosso único consolo tanto na vida quanto na morte.

Que o SENHOR nos abençoe.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Laylton Coelho

Pastor na Igreja Reformada em Imbiribeira.

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