Pregação preparada pelo Pr. Alexandrino Moura

Leitura: Tito 03.03-07

Texto: Dia do Senhor 01

 

Amados irmãos no Senhor Jesus Cristo,

O Catecismo de Heidelberg foi escrito no ano de 1563 por Zacarias Ursinus e Gaspar Olevianus. Eles receberam a ordem de fazer este catecismo por um dos príncipes do Palatinado, que governava a cidade de Heidelberg. Aquele príncipe, Frederico III, se tornou um crente reformado. Ele conheceu a doutrina da graça. Confessou essa fé publicamente. Por isso ele pediu para fazer este pequeno catecismo. Porque naquele época não existia um padrão confessional. Ele queria mostrar no que cria. Ele queria mostrar que era diferente dos Católicos Romanos.

Havia uma guerra sacramental entre os Reformados e os Romanos. Os católicos Romanos criam que a carne e o sangue de Cristo estavam realmente no pão e vinho da missa. E que só aqueles que comiam literalmente o corpo e bebiam o sangue de Cristo é que seriam salvos. Com esse ensinamento estavam dizendo que a morte de Cristo não era perfeitamente eficaz para a salvação dos pecadores. Por isso, o sacrifício de Cristo tinha que ser repetido todas as vezes na missa. Em cada missa Jesus é morto, conforme os católicos romanos.

Mas, os calvinistas ou reformados criam que a Ceia do Senhor é em memória de Cristo. Relembrando o sacrifício de Jesus na cruz do calvário para aplacar a ira de Deus e salvar pecadores. O príncipe Frederico III pediu a fabricação deste catecismo para mostrar no que ele e sua província criam. A religião da sua província era a reformada. E uma exigência do príncipe aos responsáveis pela confecção do catecismo era que colocasse referência embaixo de cada pergunta e resposta. Isso mostra como foi sério o trabalho daqueles homens. O catecismo não é, e nem tem a mesma autoridade da Bíblia. Mas, ele reflete o ensino da Bíblia claramente. E por ensinar o que a Bíblia ensina, ele ainda serve hoje para nossa instrução.

O catecismo é dividido em três partes. E hoje nós vamos ouvir qual o ensino bíblico que o catecismo nos ensina da Bíblia. Eu vos proclamo a Palavra de Deus no seguinte tema:

Tema: O que o crente deve saber para viver e morrer em Jesus Cristo?

  • 1. Reconhecer a sua miséria
  • 2. Reconhecer como ele é salvo de sua miséria
  • 3. Reconhecer que deve ser grato a Deus pela Salvação

1. Reconhecer a sua miséria

Irmãos, reconhecer que somos pecadores é o primeiro passo para viver em Cristo. Porque aquele que reconhece seu estado de miséria busca a Cristo. Porque o seu orgulho já foi arrancado do seu coração. Ele já foi transformado em uma nova criatura. Por isso ele confessa que é um pecador miserável. Ele sabe do seu estado de miséria. Em Mateus 9.12 Jesus disse para os fariseus: “Os são não precisam de médico, e sim os doentes”. Jesus veio para aqueles que reconhecem os seus pecados. Aqueles que sabem que estão mortalmente sujeitos ao inferno.

Sabendo disso o crente pode descansar no fundamento que é Jesus Cristo. É isso o que o nosso catecismo ensina. Ele diz que a primeira coisa que precisamos saber para VIVER é ter Cristo como nosso fundamento firme. Assim como um pedreiro sabe que para uma construção se manter em pé precisa ter uma base muito firme para não cair. Assim também deve ser o crente. Ele deve reconhecer sua total incapacidade. Sua incapacidade de viver por si mesmo. Ele deve reconhecer que Jesus é o seu fundamento. Jesus é a sua vida. Jesus é tudo para ele.

Mas o catecismo diz também que o crente deve descansar em Cristo também até na MORTE. Reconhecer nossa miséria é o primeiro passo para morrermos em Jesus. Quer vivamos quer morramos, somos do Senhor. Essa deve ser a confissão do crente. Ele está, em tudo, ligado ao seu Senhor. Por causa da sua transformação, ele reconhece seus pecados e sua miséria. Ele sabe que é imensa a sua divida para com Deus. Porque a Escritura diz que: “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.10-12).

Esse é o estado do homem sem Deus em sua vida. Ele não busca a Deus. Ele não se importa em fazer a vontade de Deus. Ele satisfaz seus próprios desejos carnais. Ele está morto em seus delitos e pecados (Ef 2.1). Um homem não regenerado, não reconhece seus pecados. Ele nunca erra. Ele não é culpado perante Deus. Ele acha que Deus é o culpado pela sua miséria. Tudo isto acontece porque ele não conhece a Deus. Ele não foi transformado ainda. Ele está em pecado. Ele anda no curso deste mundo caído, que caminha para a morte e perdição sem Deus.

Mas o crente sabe muito bem reconhecer seus pecados e sua miséria. Ele sabe que tem uma divida para pagar a Deus. Ele sabe que está perdido se andar em seus próprios caminhos. Como a Escritura diz na 1 João 1.9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. Porque o pecador deve reconhecer seus pecados para poder viver e morrer em Jesus, seu único e eterno fundamento. O apóstolo João diz que Deus é fiel e justo para nos purificar de todo mal que existe em nós. Para receber o perdão basta você reconhecer que é um pecador maldito. Que merece a ira de Deus e o fogo eterno. Quando confessamos isto, estamos em Cristo recebendo o perdão dos pecados. Estamos reconhecendo nossa dependência de Deus. Porque pecamos e carecemos da graça de Deus em nossa vida. Precisamos urgentemente de socorro. Precisamos urgentemente de um Salvador.

Devemos confessar nossos pecados a Deus. Porque se fizermos como o apóstolo João diz em 1 Jo 1.10: “Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”. Esse é o perigo de não confessarmos nossos pecados. Quando não admitimos nossa culpa; quando dizemos que nunca cometemos pecados. Estamos dizendo que Deus é um mentiroso. Estamos negando o seu testemunho através de sua Palavra, que testifica e confirma que todo homem na face da terra pecou. Também estamos negando o que o próprio Jesus Cristo falou. Pois todo homem é pecador e não busca a Deus. Todos se desviaram do caminho da verdade. Estão distantes do seu Criador. Estão adorando a criatura em vez do Criador.

Quando o homem se põe por essas veredas, está caminhando para a morte. Está desprezando ao Deus todo poderoso. Por isso que o catecismo faz questão de ensinar que o homem precisa reconhecer seus pecados e sua miséria para viver e morrer no fundamento que é Jesus Cristo. Só quando o homem confessa seus pecados é que ele está realmente disposto a viver e morrer em Jesus Cristo. Por isso, irmãos, nunca esqueçam desse primeiro princípio básico para a fé cristã. Reconhecer que, sem Deus, o homem está morto. Sem Deus o homem não pode nada. Então, confessem seus pecados. Mostre sua dependência de Deus. Reconheça que é um pecador. Reconheça seus pecados. E vivam e morram no Senhor Jesus. Assim deve ser a vida de um crente que quer servir a Deus. Ele sabe que é um pecador. E que, por isso, deve reconhecer que necessita de Um Salvador. Isso nos leva ao segundo ponto.

2. Reconhecer como ele é salvo de sua miséria

Irmãos, como somos salvos de nossos pecados e de nossa miséria? Essa é uma pergunta que faço, mas o catecismo coloca como uma afirmação. Ele diz que todo crente deve saber como ele foi salvo de seus pecados e de sua miséria. Isso deve ser uma marca presente na vida do crente. Assim como uma pessoa sabe no que trabalha e porque deve trabalhar. Assim deve ser o cristão. Ele deve saber no que ele crê. Ele tem que ter condições de explicar sua fé. Ele deve saber o porque ele se tornou um servo do Senhor Jesus Cristo. Quando ele sabe dessa verdade básica da fé bíblica, ele saberá explicar como ele foi salvo de seus pecados e de sua miséria.

As Escrituras nos ensinam que somos salvos através de Jesus Cristo. Atos 4.12 diz que: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. Pedro e João estavam presos e os líderes do Sinédrio estavam querendo proibi-los de pregar a Jesus Cristo. Mas, eles sabiam que se não pregassem a Jesus Cristo, as pessoas não poderiam ser salvas pelo Senhor Jesus. Porque não iam escutar fala sobre a salvação que só podemos encontrar em Jesus. O nosso catecismo na resposta da pergunta 1 diz que: “O meu único conforto é que – corpo e alma, na vida e na morte – não pertenço a mim mesmo, mas ao meu fiel Salvador, Jesus Cristo, que, ao preço do seu próprio sangue pagou totalmente por todos os meus pecados e me libertou completamente do domínio do diabo”. Esse é o ensino de todas as Escrituras. Nós fomos comprados pelo sangue de Jesus Cristo. Ele se sacrificou por nós. Ele quis se entregar na cruz em nosso favor. Um justo pelos injustos. Ele quis sofrer a morte maldita. Ele se fez maldição para nos livrar do inferno. Ele nos comprou com seu precioso sangue. Ele deu a sua vida para salvar a nossa. Como 1 Coríntios 6.19 e 20 diz: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo”.

Nós não pertencemos a nós mesmos. Não somos o dono do nosso corpo nem da nossa alma. Nosso corpo e nossa alma tem um dono. Ele pagou muito caro por eles. Quem pagou o preço foi o Senhor Jesus Cristo. Nós somos de Jesus Cristo. Ele nos comprou a Deus. Ele nos salvou da condenação eterna de Deus.

Foi através do seu único e perfeito sacrifício que fomos salvos. Essa é a grande verdade que devemos saber. Cristo baixou à amarga cruz por nós. Ele sofreu para nos dar a vida eterna de graça. Assim, ele pôde nos livrar de nossos pecados e de nossa miséria. Não foi com ouro ou prata que nos resgatou da morte eterna. Mas, foi com o seu precioso sangue. “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna” (Tt 3.4-7).

Não foi por nossos méritos que fomos salvos. Porque não tínhamos nada para oferecer como pagamento pela nossa divida. Nós somos salvos mediante a graça de nosso bom Deus. Ele teve compaixão de nós. Ele resolveu salvar alguns mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo. Assim ele aplicou a justiça de Jesus Cristo a nós. Desta maneira nós fomos justificados diante de Deus.

Somos salvos no sangue de Jesus Cristo. Somos redimidos através do sangue dEle. Ele foi a propiciação pelos nossos pecados (1 Jo 2.2). Essa verdade nunca devemos esquecer em nossas vidas para vivermos e morrermos em Jesus Cristo, nosso único fundamento eterno. Por isso vivam de modo digno do evangelho. Vivam em gratidão. Isso nos leva ao terceiro ponto.

3. Reconhecer que deve ser grato a Deus pela Salvação

O seu corpo não é seu. Sua alma não é sua. A sua vida não é sua. Você pertence a Jesus Cristo. Porque ele libertou-lhes da escravidão do diabo e do pecado. Por isso, vivam como crentes gratos a Deus por esse presente imerecido que recebemos dele. “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1 Co 6.20). A sua função como um crente salvo da miséria e do pecado é de gratidão a Deus. Porque você foi comprado pelo sangue de Jesus. Isso é real em sua vida. Leve uma vida de gratidão diante de Deus. Glorifique a Deus em vosso corpo mortal. Vocês foram comprados com esse propósito. Vocês foram tirados das trevas para a sua maravilhosa luz. Por isso brilhe em vós a vossa luz. Resplandeça como luzeiro no meio das trevas. Não deixe de viver para o Senhor. Porque viver sem gratidão é estar se rebelando contra o Senhor. E o Senhor não tolera rebeldia. Ele castiga aqueles que não se achegam a Ele para agradecer. Porque terrível coisa é cair nas mãos de Deus.

Por isso, seja o vosso procedimento agradável a Deus. Que as pessoas possam ver Deus em vossa vida e venham a glorificar a Deus. Porque Deus entregou o seu único e amado Filho para nos salvar. Pois, isto é realmente motivo de muita alegria para os crentes, saber que recebeu a salvação de graça. Sem esforço algum.

O Salmo 116.12-13 diz: “Que darei ao SENHOR por todos os seus benefícios para comigo? Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do SENHOR”. Nós não temos nada para oferecer ao Senhor pelas bênçãos que ele deu. Mas, o Senhor resgatou nosso corpo da perdição e quer que o ofereçamos como sacrifício vivo de gratidão. A nossa vida deve ser de gratidão ao Senhor Jesus Cristo. Não existe coisa melhor do que o crente levar uma vida de gratidão a Deus. Porque, quando cumprimos sua lei, não é por obrigação, mas por gratidão. Sejam gratos a Deus. Sejam crentes que vivem para o louvor de sua glória. Essa é a terceira coisa que devemos saber para vivermos e morrermos no fundamento que é Jesus Cristo, nosso Salvador.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Alexandrino Moura

É formado pelo Centro de Estudos Teológicos das Igrejas Reformadas do Brasil. Serve à Igreja Reformada do Grande Recife (PE) como Ministro da Palavra e dos Sacramentos na Igreja Reformada de São José da Coroa Grande (PE). Casado com Simone Moura com a qual tem dois filhos: Daniel e Davi.

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