Pregação preparada pelo Pr. Pr. Elissandro Rabêlo

Leitura: Atos 01.08; 08.01-08

Texto: Atos 08.04,05

Amados irmãos no Nosso Senhor Jesus Cristo,

O Cristo exaltado à direita de Deus continua trabalhado pela Sua igreja aqui na terra. Do céu, Cristo dá pastores para anunciar o Seu evangelho e edificar os santos (Ef 4.11,12). Ele também acrescenta à Sua igreja, a cada dia, os que estão sendo salvos (At 2.47). Por que Cristo dá pastores à Sua igreja? Por que Ele nos une à Sua igreja como membros do Seu corpo? Cristo nos chama com um propósito: Ele quer nos abençoar com o ministério da palavra e a comunhão dos santos, a fim de trabalhar em nós e por nosso intermédio, para o crescimento da Sua igreja.

O livro de Atos dos apóstolos fala sobre o crescimento da Igreja de Cristo. O que vemos nesse livro são os Atos do Cristo glorificado, trabalhando pela Sua igreja. Por intermédio dos apóstolos e cristãos primitivos, Cristo fez a Sua igreja crescer. Antes de subir aos céus, Ele reuniu os Seus discípulos e lhes deu a promessa do Espírito Santo, e revelou Seu plano missionário (At1.8). O livro de Atos é o desenvolvimento desse plano de Cristo aqui em Atos 1.8. Primeiro, Ele abençoou a pregação dos apóstolos, convertendo milhares de judeus à fé cristã (At1-7). No capítulo 8, Lucas mostra como o evangelho chegou até aos samaritanos com a pregação de Filipe. E do capítulo 9 em diante, lemos sobre a obra de Cristo por meio de Pedro e Paulo que levaram o evangelho para fora de Jerusalém, para os gentios, até aos confins da terra. Cristo trabalhou nestes homens e por meio deles para fazer a Sua igreja crescer e alcançar o mundo.

Vamos olhar para obra de Cristo aqui em Atos 8. Chegamos a Samaria, e Cristo, no propósito de cumprir Sua agenda missionária, vai usar Filipe e os cristãos na obra missionária da Sua igreja. Em Atos 8.1-8, somos informados por Lucas, de que a Igreja de Cristo, logo depois do martírio de Estêvão, foi assolada por uma grande perseguição, e que essa perseguição foi usada pelo próprio Deus para promover a evangelização em Samaria. Mediante a pregação de Filipe e do testemunho dos cristãos dispersos, o Cristo Exaltado trouxe salvação e grande alegria para muitos moradores de Samaria. Com base nisso, eu vos proclamo a palavra de Deus no seguinte tema:

Tema: O CRISTO EXALTADO PROMOVE O CRESCIMENTO DA SUA IGREJA EM SAMARIA

  • 1) Por meio dos membros da igreja;
  • 2) Por meio de um ministro ordenado.

1) Por meio dos membros da igreja

Antes de atentar para o nosso texto, precisamos olhar o cenário em que ocorreu a evangelização em Samaria. A primeira coisa que chama a nossa atenção aqui, é que o martírio de Estêvão provocou uma grande perseguição contra a igreja de Jerusalém. Naquele dia em que Estêvão foi morto, levantou-se grande perseguição contra a igreja de Jerusalém (v.1). A perseguição dos judeus contra a igreja já existia, mas ela agora se intensifica (não só aos apóstolos, mas a todos os cristãos; não só prisão, mas agora há até morte). Estêvão foi morto nas mãos de judeus incrédulos e violentos. Lucas até destaca a perversidade de Saulo que aprovou a morte de Estêvão (v.1) e assolava a igreja, prendendo e matando mais cristãos (v.3). O verbo “assolar”, nesta passagem, traz a ideia de um animal selvagem despedaçando a sua vítima, indicando que a perseguição promovida pelo perseguidor (Saulo) era muito violenta (prisão, tortura e morte). Ver 9.1; 22.4; 26.10).

A segunda coisa que Lucas nos mostra aqui, é que a perseguição levou a uma grande dispersão (v.1c). Os cristãos fugiram de Jerusalém e se espalharam pela Judéia e Samaria. Eles tiveram de fugir para não morrerem. Somente os apóstolos ficaram em Jerusalém. Isso não quer dizer que eles não eram perseguidos. Eles ficaram em Jerusalém, onde já tinham sido perseguidos, mas não deixaram de anunciar o Cristo. Não só os líderes, mas todos os cristãos, em qualquer lugar, estavam sendo perseguidos. Poderíamos nos perguntar: Seria o fim da igreja?! Nada disso!

A terceira coisa que Lucas nos mostra aqui, é que a dispersão dos cristãos resultou numa grande evangelização. Não só os cristãos foram espalhados por outras cidades, mas a semente do evangelho também foi espalhada por eles na Judéia e Samaria. Os que foram dispersos, longe de se esconderem ou ficarem em silêncio, iam por toda a parte pregando a Palavra (v.4). Isso não quer dizer que todos aqueles cristãos dispersos eram pregadores ordenados da Palavra de Deus, com o ofício do ministério da palavra. Literalmente, o texto diz que eles evangelizavam, compartilhavam as Boas Novas da salvação com qualquer um que encontrassem de um modo informal.

Aprendemos aqui que a obra de evangelização não é uma obra exclusiva dos pastores e missionários ordenados, mas uma obra na qual Cristo envolve toda a igreja. Os apóstolos, sozinhos, não podiam alcançar os confins da terra com o evangelho de Cristo. Cristo usou os membros da igreja na expansão do Seu reino. Nem todos, no corpo de Cristo, são chamados para serem pastores, mas todos que foram unidos à Igreja de Cristo, como membros, têm o chamado de compartilhar a Palavra de Deus com os outros. Cristo dá pastores para equipar os membros a exercerem o seu serviço na igreja e fora dela (Ef 4.11,12; II Tm 2.2). A Bíblia diz que cada cristão deve estar preparado para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que há nele (I Pe 3.15).

Você que é membro da igreja, precisa aproveitar as oportunidades para comunicar o evangelho de Cristo a outros. Aqueles crentes dispersos continuavam anunciando o evangelho de Cristo (ver At 11.19,20). O evangelho estava no coração deles, e eles desejavam compartilhar isso com outros. Você que conhece o evangelho que o salvou, não pode guardar esse tesouro só pra você. Cristo o chama, seja na sua casa ou vizinhança; na escola ou no trabalho, a compartilhar o que o Senhor fez por você (ver Mc 5.19,20). Agora, é bom lembrar que evangelizar não é só trazer os de fora para Cristo. Os pais devem instruir seus filhos nos caminhos do Senhor; conduzi-los a Cristo por meio do evangelho; ensinar a eles, desde cedo, amar o Senhor e a guardar as coisas que Ele tem ordenado.

Percebam, irmãos, que não foi a organização de grandes campanhas evangelísticas ou a simples entrega de folhetos numa esquina, mas foi a comunicação verbal do evangelho que Jesus usou para promover o crescimento da Sua igreja. Às vezes nós falamos sobre tantas coisas com nossos parentes e amigos descrentes (esportes, política, filmes, tecnologia). Há até crentes que, quando chega a época de eleição, não medem esforços para convencer seus amigos a votar no seu candidato. Mas onde está o nosso zelo e a nossa alegria de compartilhar as Boas Novas de Cristo? Onde está a nossa paixão pelos perdidos? Irmãos, nós temos em nossas mãos o tesouro do evangelho! Temos uma notícia gloriosa para compartilhar: Cristo morreu pelos pecadores, e nEle há salvação! Temos tempo e liberdade! Conhecemos tanta gente! O que ainda nos resta? Falta-nos arrepender-nos da nossa frieza, do nosso egoísmo, da nossa vergonha e sermos corajosos em confessar Cristo diante dos homens, com nossos atos e palavras! Que Deus nos ajude a exercermos fielmente o nosso ofício de profetas e sermos porta-vozes fiéis da salvação de Cristo!

Aquele que busca ser um profeta fiel do Senhor, pode até ser perseguido (zombado, criticado, maltratado). Contudo, irmãos, as perseguições não nos devem desencorajar no serviço do Senhor. Deus é Soberano, e mesmo quando acontecem grandes injustiças e perseguições, Ele está no controle para cumprir Seus planos de salvação. Percebam que nada aqui no nosso texto está acontecendo por acaso ou em vão. A morte de Estêvão estava nos planos de Deus e foi usada para que a Igreja de Cristo fosse perseguida, e os crentes dispersos pudessem testemunhar de Cristo em Samaria. A grande perseguição que provocou grande pranto com a morte de Estêvão (v.2), agora resultaria em grande alegria e fé com a salvação de muitos (vs.8, 12). Debaixo da soberania de Cristo, a perseguição aos cristãos não aniquilou a igreja, mas promoveu o seu crescimento. Até aquele Saulo que assolava a igreja, mais tarde foi alcançado por Cristo e transformado em Paulo, o maior missionário de todos os tempos! (At 9). A fúria do mundo, as investidas do diabo não prevalecerão contra a Igreja de Cristo. Ele mesmo garante que vai edificar a Sua igreja: “Eu edificarei a minha igreja” (Mt 16.18)! Isso deve nos motivar como membros e oficiais a sermos perseverantes na obra do Senhor, mesmo em meio às adversidades! Pois o nosso trabalho no Senhor não é vão. Ele fará a Sua igreja crescer! Ele nos usa neste propósito. Mas Ele também chama e capacita homens ordenados para promoverem o crescimento da igreja Dele. É o que veremos agora.

2) Por meio de um ministro ordenado

No versículo 5, lemos que “Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo”! Há três perguntas que surgem aqui nesse texto! Quem era esse Filipe? A quem ele pregou e qual o conteúdo da sua pregação?

Quem era esse Filipe? O Filipe aqui do nosso texto, não era o Filipe apóstolo (um dos doze), mas o Filipe que foi escolhido em Atos 6 para ser um dos sete diáconos da igreja. Além de diácono, Filipe é chamado também de um evangelista (ver At 21.8). O termo evangelista indicava aqueles homens que auxiliavam os apóstolos no trabalho de pregação, assim como Timóteo que foi auxiliar direto de Paulo. Evangelista era um ofício especial na era apostólica, dado por Cristo (Ef 4.11). Os evangelistas do NT não eram homens que ficavam presos apenas a um lugar, a uma igreja local, mas eram pregadores itinerantes que, sob a autoridade dos apóstolos, saíam por todo canto pregando o evangelho. É provável também que esse Filipe tenha sido um daqueles setenta homens que Cristo enviou com autoridade para pregar, expulsar demônios e curar doentes em Seu nome (Lc10.9,17). Como um auxiliar direto dos apóstolos, o evangelista Filipe recebeu de Cristo o dom de realizar milagres para autenticar a mensagem que ele pregava (At 8.6,7). A ênfase de Cristo não era nos milagres em si, mas na pregação do evangelho que levava pecadores à salvação (Lc 10.20).

Esse ofício específico de evangelistas como auxiliares dos apóstolos, não existe mais hoje. Mas o fato é que Filipe não era um homem que, de si mesmo, resolveu pregar o evangelho. Ele era um ministro ordenado. Alguém que recebeu do próprio Cristo a tarefa de pregar o Seu evangelho. Isso é evidente pelo termo grego que é atribuído à pregação de Filipe aqui no versículo 5 (kerisso – pregar). Literalmente é dito que ele proclamava Cristo como um arauto, como aquele que fala com a autoridade do Rei que lhe enviou. É claro que Filipe também compartilhava o evangelho de modo informal como fez com o eunuco etíope (ver At 8.35,40). Mas ele tinha um ofício especial na igreja, era um servo ordenado pelo próprio Cristo por meio da igreja, com a tarefa de proclamar o evangelho. E Cristo usou esse homem com poder e graça para levar o evangelho aos samaritanos.

Pregar debaixo da autoridade de Cristo é a função exclusiva do arauto de Deus, do ministro da palavra. É Cristo mesmo quem dá ministros ordenados para pregarem em Seu nome e com Sua autoridade, a Palavra de Deus. Mediante a Sua igreja, Cristo escolhe, chama e envia pastores ordenados com a tarefa de proclamar publicamente o Seu evangelho. Que bênção para os membros da igreja, que precisam se fortalecer na fé! Que bênção para os pecadores que precisam ouvir a voz de Cristo para serem salvos! O próprio Cristo envia Seus servos em Seu nome e com a Sua palavra! (Rm 10.14,15). Aquele que é ministro de Cristo, na Sua igreja, ouça o que Cristo requer de cada um: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta, com toda a longanimidade e doutrina! Suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” (II Tm 4.2,5)! Saibas que Aquele que te chama e te envia, também te capacita e promete trabalhar em ti e por meio de ti, para o crescimento da Igreja Dele! Ele conserva em Sua mão direita os seus ministros fiéis!

A quem Filipe pregou? Aos samaritanos! Esses samaritanos que receberam a palavra, apesar de terem uma ligação racial com os judeus, não se davam com eles. Havia uma rivalidade histórica entre eles devido às suas diferenças culturais e religiosas. Os judeus consideravam os samaritanos como “combustível para o fogo do inferno”. Os samaritanos não recebiam bem os judeus na sua terra. E os judeus até se desviavam de Samaria em suas viagens. Mas Cristo veio para destruir essa barreira com o evangelho. Ele passou em Samaria antes. Ele conversou com uma mulher samaritana e por meio dela, conduziu muitos samaritanos à fé (Jo 4.29,39-42). Agora Cristo chega a Samaria novamente, com a pregação de Filipe e o testemunho dos cristãos. João, que num momento perguntou a Cristo se Ele queria que mandassem (João e Tiago) descer fogo do céu para destruir os samaritanos por não lhes dá acolhida (Lc 9.51-56), agora vai lá para abençoá-los com o Espírito Santo (At 8.14,15).

Irmãos! Cristo derruba qualquer barreira com o poder do Seu evangelho. O evangelho de Cristo quebra as muralhas do ódio, da inimizade; derruba as diferenças raciais e sociais; e faz de todos os que creem, um só corpo em Cristo. Amada Igreja, somos chamados à união com todos os que professam o nome de Cristo, independentemente de raça, cor ou posição! O evangelho nos une uns aos outros no amor de Cristo. Portanto, não há lugar para inimizade, acepção ou amargura no meio do povo de Deus! O evangelho que Cristo manda Seus ministros ordenados pregar é o evangelho da reconciliação de Deus com o pecador, e do pecador com o seu próximo. Cristo não está interessado apenas em que Seu evangelho alcance pessoas de nações diferentes, mas em que essas pessoas, agora unidas a Cristo pela fé, vivam em paz e amor com Deus e uns com os outros (Jo13.34,35)!

O que Filipe pregou aos samaritanos? Filipe não chegou a Samaria com um discurso intelectual recheado de sabedoria humana. Ele não iludiu os samaritanos com a mentira da teologia da prosperidade. Filipe simplesmente pregou Cristo (vs. 12, 35). Partindo das profecias e promessas do AT, Filipe pregou as Boas Novas da salvação em Cristo. Ele chamou os samaritanos ao arrependimento e à fé no Cristo que morreu, ressuscitou e que reina, soberano, sobre tudo e todos, e que voltará em glória para buscar a Sua igreja!

Pregar Cristo! Essa foi a principal obra dos apóstolos e evangelistas. Esse foi o meio pelo qual a Igreja de Cristo cresceu nos primeiros séculos! Pregar Cristo! Eis a tarefa principal do pastor e a maior necessidade do pecador para crer e ser salvo! Pregar Cristo é proclamar ao mundo que, em nenhum outro, há salvação, mas somente Nele. Pregar Cristo é ensinar ao rebanho todas as coisas que Ele tem ordenado! Não precisamos de outros métodos nem de outras mensagens! A pregação fiel do evangelho de Cristo é o meio que Ele usa para conduzir pecadores à salvação! “A fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). Foi isso que aconteceu em Samaria! É isso também que Cristo quer fazer hoje em nosso meio! Ele quer usar você e a mim para promover o crescimento da Sua igreja! Ele nos chama, independentemente da função ou dom que temos no Seu corpo, a comunicar a outros as Boas Novas da salvação! Está você disposto a servir a Cristo para o crescimento da Sua igreja?

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Elissandro Rabêlo

Pastor na Igreja Reformada em Cabo Frio - RJ.

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