Pregação preparada pelo Pr. Abram de Graaf

Leitura: Apocalipse 14.13-14

Texto: Apocalipse 14.13-14

Queridos irmãos em Jesus Cristo,

A semana passada faleceu a nossa irmã em Cristo, Maria Lourdes Barbosa da Silva. Ela era membro da nossa congregação desde 1997. Então completou quase um período de 7 anos. Ela foi enterrada na quinta feira e naquele dia não tinha muita oportunidade de consolar os irmãos com a palavra de Deus. Queria faze isso hoje. Queria falar mais sobre o nosso futuro em Cristo Jesus. E por causa disso escolhi este texto: Apocalipse 14, 13-14. “Ouvi então uma voz do céu, dizendo: Escreve! Felizes os mortos que morrem no Senhor desde agora; Sim, diz o Espírito, que descansem de suas fadigas, Pois suas obras os acompanham”.

Este texto é um bem aventurado. Um dos sete bem aventurados deste livro. O primeiro bem-aventurado encontramos em Apoc. 1,3 “Bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia o que nele está escrito, pois o tempo está próximo”. Este primeiro bem-aventurado tem por objetivo que vamos ler todo o livro de Apocalipse. Devemos ler atenciosamente, e devemos ouvir e guardar o que nele está escrito. Isso se refere também ao segundo bem aventurado, que é o nosso texto.

É uma palavra importante, pois é a oitava vez, que encontramos este ordem ESCREVE! Ouvimos esta ordem cada vez quando o apóstolo João devia escrever uma carta à uma das 7 igrejas em Ásia menor. ESCREVE ao anjo da igreja em Éfeso, e ESCREVE ao anjo da igreja em Esmirna. Sete vezes. E agora uma ordem para escrever a todos os cristãos.

Os setes bem-aventurados funcionam quase como um código dentre deste livro. O primeiro nos exorta para ler, ouvir e guardar as palavras desta profecia. E Quem faz isso, ele será preparado para o futuro (Apoc. 16,15 “Bem aventurado aquele que vigia”). Ele não será assustado quando Cristo voltará. Ele será preparado para dar as boas vindas a Jesus Cristo, o seu Salvador. E se ele morrerá antes da vinda do Senhor, ele morrerá NO SENHOR. E os que morrem no Senhor são também bem aventurados!!

Queria falar um pouco mais sobre este assunto. QUEM SÃO AQUELES QUE MORREM NO SENHOR? Como devemos entender esta palavra? Já disse que os 7 bem-aventurados estão ligados um com o outro. Eles são como um corrente de perolas. Todos juntos eles têm uma mensagem para os que são bem-aventurados.

O primeiro bem-aventurado é importante, pois este bem aventurado nos exorta de LER, OUVIR e GUARDAR as palavras desta profecia. Quem faz isso é bem-aventurado. Quem faz isso vive em comunhão com Cristo. Pois são as palavras de Cristo mesmo. E quem guarda as palavras de Cristo vive em comunhão com Cristo. São os fieis.

Ouvimos mais sobre isso no domingo passado. Falamos sobre a comunhão com Cristo. O Senhor fala sobre isso no EVANGELHO DE JOÃO, capitulo 15. Em João 15,10 está escrito: “SE OBSERVAIS MEUS MANDAMENTOS permanecereis em meu amor”.

Isso nos já ajuda de dizer alguma coisa sobre aqueles que morrem NO SENHOR. Só eles morrem no Senhor, quem VIVIAM no Senhor. O que acontece no INÍCIO da nossa vida e nos anos importantes da nossa vida é igual importante à o que acontecerá nos últimos momentos da nossa vida.

O trabalhador da última hora recebeu igual salário como os trabalhadores, que começavam pela manhã. O assassino na cruz chegou na última hora, ele entrou no descanso e a obra dele o acompanhou. Ele fez pouco, no fim da sua vida, mas foi bastante para mostrar o seu amor no Senhor. Apesar disso, ele não é um bom exemplo duma vida cristã.

Pensa por exemplo nos discípulos. Eles deixaram o seu trabalho e seguiram Jesus Cristo. E num certo momento eles lhe perguntaram (Lucas 18,28-30) “Eis que deixamos nossos bens e te seguimos!” Jesus lhes disse: “Em verdade eu vos digo, não há quem tenha deixado casa, mulher, irmãos, pais ou filhos por causa do Reino de Deus, sem que receba muito mais neste tempo e, no mundo futuro, a vida eterna”.

Ou pensem na parábola dos talentos => Mt 25. Os escravos receberam os seus talentos (6, 3 e 1). Os primeiros escravos trabalhavam com amor. Eles fizeram tudo para aumentar o capital do seu Senhor. Eles foram fieis e por causa disso o Senhor lhes disse: “Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!”.

Há uma tendência de focalizar a vida cristã nos últimos momentos da vida dum crente: o que é que aconteceu nos últimos momentos dum irmão que faleceu. Ele morreu no Senhor, sim ou não? Ainda disse alguma coisa? Ainda deu um testemunho? Como foi? É uma benção, se uma pessoa morrer assim, mas isso não diz nada sobre aqueles que morreram em silencio. Aqueles que não eram mais conscientes da sua existência; aqueles que estavam em coma, ou aqueles que estavam doentes e perderam a sua memória; ou aqueles que sofreram por causa duma hemorragia cerebral; Naquele momento é importante para saber se um irmão VIVEU NO SENHOR. Ele amou o Senhor? Ele mostrou este amor? Deu frutos na sua vida? O mistério do viver no Senhor encontra-se em João 15. Podemos resumir este mistério em uma só palavra: amor. O amor DE Cristo, que entrou na nossa vida como um arpão. Ele entra e depois disso ele não sai mais. E este amor nos leva para onde não queremos. Ele entra e não sai mais. Podemos cair em pecado, mas Cristo nos busca e levanta como no caso de Pedro.

Assim funciona na vida Cristã. Por causa disso Cristo está no meio das igrejas e observa a vida dos irmãos. Por causa disso Cristo enfatiza TANTO nas 7 cartas o amor, a fé, a dedicação e a perseverança. E quem fica fiel até o fim ele vencerá; e quanto ao vencedor ele receberá a vida eterna.

Felizes os que morrem no Senhor. Este bem-aventurado fala sobre os crentes, os fieis. São aqueles que vão sofrer nesta vida. São aqueles que o diabo está procurando; são aqueles que o dragão está perseguindo. Presta atenção nisso. Pois o fundo deste bem-aventurado é Apocalipse 12. E no Apocalipse 12 nos é revelado que a promessa de Gênesis 3,15 se realizou. A semente da mulher nasceu e lutou contra a serpente do paraíso. Esta serpente cresceu e se tornou um dragão. O dragão queria matar a mulher e a criança, mas não conseguiu. A criança foi levada para o céu e lá houve uma guerra. Uma guerra entre o Reino de Deus e os rebeldes. O diabo perdeu e foi expulso do céu; o domínio dele é a terra. A guerra continua, mas na terra. Assim termina Apocalipse 12. Enfurecido então o Dragão foi guerrear contra o resto dos descendentes da mulher, OS QUE OBSERVAM OS MANDAMENTOS DE DEUS E MANTÊM O TESTEMUNHO DE JESUS.

De novo irmãos, OS QUE OBSERVAM os mandamentos de Deus; OS QUE GUARDAM o testemunho de Jesus. Estes são os verdadeiros crentes. Os fieis. Eles viviam em COMUNHÃO com o Senhor. Eles viviam NO SENHOR. Até o fim da sua vida! Assim eles viviam e morreram NO SENHOR.

Isso combina também com a segunda parte do nosso texto. A parte em que o Espírito fala. O Espírito é o mesmo Espírito pelo qual Cristo falou às igrejas (Apoc. 2,7); O Espírito é dado por Cristo para esclarecer as palavras do Senhor. João 16,13 “Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à verdade plena, pois não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas futuras”. Assim funciona o Espírito de Cristo. Aqui também: Ele concorda e confirma o bem aventurado; e Ele revela mais sobre o futuro. Ele diz: Sim, diz o Espírito, que descansem de suas fadigas, Pois suas obras os acompanham”.

Quero dizer alguma coisa sobre estes OBRAS DOS QUE MORRERAM NO SENHOR. Pois há pessoas que usam este texto para defender a doutrina das boas obras. Parece que AS OBRAS são importantes. Eles acompanham os que morreram no Senhor? Por que? Estes obras são importantes para nossa salvação? A resposta certa é SIM E NÃO.
SIM AS OBRAS SÃO IMPORTANTES.

As obras nos acompanham; elas fazem parte da nossa vida cristã; Não existe uma vida cristã sem boas obras. Podemos de novo pensar em João 15. A parábola da videira que Jesus usou. Lá ele disse: Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele PRODUZ MUITO FRUTO; porque sem mim, nada podeis fazer”. Uma vida cristã é uma vida que produz muito frutos. Não existe uma vida cristã sem frutos. Pense nas palavras de Tiago (1,25): Mas aquele que considera atentamente a Lei perfeita da liberdade e nela persevera, não sendo um ouvinte esquecido, antes praticando o que ela ordena, esse é bem-aventurado naquilo que faz”. Um verdadeiro cristão não agüenta só ouvir a palavra e fazer nada. Ele quer fazer coisas boas; o amor de Cristo deixa ele ansioso; ele não pode ficar calmo; ele quer sair para fazer coisas boas. Ele mostra a mesma atitude como os escravos em Mateus 25. Eles amaram o seu Senhor e por causa disso eles começaram LOGO a trabalhar no serviço do Senhor. Assim é uma vida cristã. Queremos agradecer ao Senhor, pois amamos o Senhor. E este amor se mostra na nossa vida. Vamos produzir frutos de amor. Pensem na última parte de Mateus 25 que fala sobre o último julgamento. O Senhor deixa bem claro que seremos julgados baseados nas nossas boas obras; e os descrentes serão condenados por causa da falta de boas obras; quer dizer: por causa da falta da fé, pois as boas obras vem duma boa fé em Cristo Jesus. Então, SIM AS OBRAS SÃO IMPORTANTES. Estas obras fazem parte da nossa vida. Elas nos acompanham. É a fama do cristão. Presta atenção nisso: as boas obras são um elemento muito importante nas 7 cartas às igrejas em Apocalipse 2 e 3; Cristo está observando as igrejas e ele julgará as igrejas se faltará boas obras. Compare com Apoc. 2, 2.19: lá Cristo revela: “Conheço as tuas obras: o amor, a fé, a dedicação, a perseverança”. São obras do Espírito de Cristo em nossa vida. Tudo isso está ligado com a comunhão com Cristo. O Espírito de Cristo opera estas obras na nossa vida e só assim vamos ficar fieis até o fim.

E como será este fim? O Espírito diz: Sim, diz o Espírito, que descansem de suas fadigas. Com estas palavras o Espírito nos revela alguma coisa sobre o nosso futuro e sobre a nossa vida atual. A nossa vida atual é caracterizada pelas ‘fadigas’. A vida dum cristão é uma vida cansativa; uma vida que nunca pára. Podemos comparar isso com a profecia de Moisés, que encontramos em Salmo 90: “Nossos dias todos passam sob tua cólera, como um suspiro consumimos nossos anos. Setenta anos é o tempo da nossa vida, oitenta anos, se ela for vigorosa; e a maior parte deles é FADIGA E MESQUINHEZ, pois passam depressa, e nós voamos”. Isso é o nosso destino embaixo do sol. Nós vivemos num mundo que sofre por causa da maldição de Deus, que foi proferida depois da rebelião do homem no paraíso. A nossa fadiga e mesquinhez é um efeito do pecado, que cometemos. O livro de Eclesiastes fala muito sobre esta vida e começa assim, dizendo: VAIDADE DAS VAIDADES, TUDO É VAIDADE. Que proveito tira o homem de todo trabalho com que se FADIGA debaixo do sol? AS FADIGAS, irmãos, caracterizam a nossa vida inquieta e ansiosa aqui na terra.

Mas depois desta vida cansativa, os cristãos recebem a benção de Deus: aqueles que morrem NO SENHOR, podem descansar de suas fadigas. A vida depois da morte é um DESCANÇO. Isso é a grande diferença com aqueles que seguem a besta. Eles não conhecerão um descanso. Apocalipse 14,11 diz: Se alguém adora a Besta e a sua imagem, e recebe a marca sobre a fronte ou na mão, esse também beberá o vinho do furor de Deus, derramado sem mistura na taça da sua ira; será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos Anjos a diante do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos: os que adoram a Besta e a sua imagem, e quem quer que receba a marca do seu nome NUNCA TÊM DESCANSO, DIA E NOITE. As bestas nunca terão descanso, os cristãos sim!

E quando se fala sobre descanso, sabemos que há muitas conexões com o Antigo Testamento, como salmo 4,9 e Isaías 57, 1-2 e também no Novo testamento => Hebreus 4! Não vou ler todos estes textos. Deixa me dizer que este descanso é um descanso em paz, conquistado pelo sangue de Cristo. Paz com deus e Paz com todos que estão lá. Paz e amor caracterizam o descanso na vida eterna.

Isso é ainda uma coisa que quero dizer: o descanso é lá no céu. Há pessoas que falam sobre o descanso do cristão no sepulcro. O corpo e a alma descansariam no sepulcro até o dia, que o nosso Senhor voltará. Não acredito nisso. Com o nosso Catecismo nós confessamos que os cristãos se reúnem com Cristo no céu, depois da sua morte; Cristo mesmo revelou isso ao assassino na cruz: “Em verdade eu te digo, Hoje estarás comigo no Paraíso”. E a mesma coisa é revelada à João. Em Apocalipse 6,9 João viu os santos em baixo do Altar ALI NO CÉU. Eles reclamam e querem justiça, mas a resposta é o seguinte: A cada um deles foi dada uma veste branca e foi lhes dito, também que REPOUSASSEM POR MAIS UM POUCO TEMPO, até que se completasse o número dos seus companheiros e irmãos, que iriam ser mortos como eles.

E finalmente o nosso texto diz a mesma coisa, pois está escrito: Felizes os mortos que morrem no Senhor DESDE AGORA; Estas palavras não querem dizer: que há uma diferença entre os que morreram no Senhor antes do Apocalipse e aqueles que morreram depois da Apocalipse. Isso seria um absurdo. O destino de todos é igual. Mas estas palavras quer dizer, que desde o momento que uma pessoa morre NO SENHOR ele terá a felicidade, ele gozará o descanso. Por isso seria melhor para dizer: Felizes DESDE AGORA os mortos que morrem no Senhor; Estas palavras se referem ao momento em que entramos no descanso: logo depois da morte.

Assim é a vida na época intermediaria: depois da ressurreição de Cristo e a vinda de Cristo. Os que morrem no Senhor, entrarão no descanso. Por causa disso se encontra em cima de muitos sepulcros cristãos estas palavras: R.I.P. (=Requiescat In Pace) Descanse em Paz. Não é uma formula contra a profanação do sepulcro por ladrões ou demônios, mas originalmente uma lembrança a Salmo 4,9 “Em paz me deito e logo adormeço, porque só tu, Iahweh, me fazes viver em segurança”.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Abram de Graaf

O pastor Abram de Graaf é “Doctorandus” (Drs) em Teologia e um dos professores do Instituto João Calvino (Aldeia, Camaragibe-PE). Ele é pastor da Igreja Reformada de Hamilton, Canadá, enviado como missionário às Igrejas Reformadas do Brasil, desde o ano 2000. É Diretor do Projeto Dordt-Brasil. Ele mora em Maceió e também desenvolve projetos nessa cidade.

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