Pregação preparada pelo Pr. Abram de Graaf

Leitura: Amós 07:01-09

Texto: Amós 07:03

 

Queridos irmãos em Jesus Cristo,

Nos versículos 3 e 6 do capítulo sete lemos sobre o arrependimento de Deus. Deus preparou uma praga para castigar Israel, mas o profeta suplicou para não fazer isso. Então, o Senhor se arrependeu disso e disse: não acontecerá.

A pergunta é: como é possível? Deus pode se arrepender de alguma coisa? A Bíblia não disse que em Deus não pode existir variação ou sombra de mudança? (Tiago 1: 17) Ele não é imutável? Então como é possível que Deus se arrependeu e disse: não acontecerá? Vamos dar atenção a esta questão, lendo esta palavra de Amos no grande contexto da Bíblia, especialmente no contexto da aliança de Deus.

O arrependimento de Deus explicado no contexto da Aliança

A aliança tem dois lados:

  • 1) O arrependimento para a maldição;
  • 2) O arrependimento para a benção;

Tudo o que acontece com o povo de Deus na antiguidade, está no contexto da aliança que Deus fez com o patriarca Abraão. Lemos sobre isso em Gênesis 17. Deus fez uma aliança com Abraão e com toda a sua descendência. Naquela ocasião Deus prometeu que Ele seria o aliado de Abraão e de toda sua família; Deus ajudaria o filho Isaque, e o neto Jacó e os bisnetos etc. Toda família de Abraão. Todo Israel.

Deus prometeu isso e cumpriu essa promessa, quando Israel estava no Egito. O povo estava sofrendo na casa da servidão e chorou e orou pedindo socorro. E Deus se lembrou da aliança que fez com Abraão, com Isaque e com Jacó (Êx. 2: 24), Deus viu os filhos de Israel e os ajudou. O livro de Êxodo fala sobre isso: Sobre o Êxodo do Egito, sobre a viagem no deserto, sobre a renovação da aliança no monte Sinai, Deus deu os seus mandamentos, as regras da aliança, depois eles continuaram a viagem para Canaã e depois de quarenta anos chegaram à fronteira de Canaã onde Deus mais uma vez renovou a sua aliança que fez com Abraão. Isso aconteceu nos montes Ebal e Gerizim. (Deut. 27-30).

Naquela ocasião Deus lembrou-se da aliança que fez no monte Sinai. As leis que ele deu ao seu povo. Deus lhes disse que deviam obedecer a essas leis. Se obedecerem, receberão a benção de Deus; mas se não obedecerem, receberão a maldição de Deus. Deus vem com as suas promessas e com as suas ameaças. Deus promete vida e morte!

[Ler Deut. 30: 15-20].

Deus definiu os estatutos do convívio com o seu povo. A aliança tem dois lados. Um lado bom: a benção de Deus; e um lado mal: a maldição de Deus. Deus quer abençoar o seu povo, mas se o povo se afastar dele, ele se afastará da fonte da vida e encontrará a morte. Perto de Deus a vida é uma benção, longe de Deus a vida se torna uma maldição.

Tem que prestar atenção nisso, porque isso explica o que acontece na história do povo de Israel. Eles podiam viver na terra prometida; em Canaã, se amassem a Deus! Mas no momento que eles se desviassem e começassem a seguir outros deuses, a benção de Deus se tornaria numa maldição. Longe de Deus o povo não experimentará a benção de Deus. Se seguissem outros deuses, Deus tiraria o povo da terra prometida e o levaria em exílio para um outro lugar. Isso aconteceu. E já estava acontecendo nos dias de Amós.

Amós devia visitar os lugares santos de Betel e Gilgal. Ali estavam os templos para os outros deuses. Amós devia profetizar contra isso; Ele devia profetizar contra a idolatria com as estátuas, que o rei Roboão tinha feito. Amós devia despertar a lembrança do povo. Se lembrem o que Deus tinha dito na época de Moisés, quando ele renovou a aliança no monte Ebal. Vocês se lembram? Amós mostra ao povo que ele mudou de atitude. Ele mudou a sua religião. Ele trocou o culto a Deus para o culto aos ídolos. Eles seguiam a idolatria e por causa disso eles serão castigados. Deus disse isso.

Deus prometeu isso em Deuteronômio. E Deus é fiel as suas promessas! Ele não mente! Devemos pensar nisso, quando falarmos sobre o arrependimento de Deus. Deus é fiel às suas promessas e às suas ameaças.

O profeta Samuel também disse isso. Em 1 Samuel 15: 29: Também a Glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é homem, para que se arrependa. O arrependimento do homem é uma mudança de opinião; o homem muitas vezes faz uma promessa, mas depois se arrepende dessa promessa que fez, e ele não cumprirá a sua promessa. Ele é mentiroso. Mas Deus não é assim. Deus é fiel. A Glória de Israel não mente, nem se arrepende. O arrependimento do homem é pecaminoso; o arrependimento de Deus é puro. E isso tem a ver com o estatuto da aliança.

Deus já disse que faria essas coisas, se Israel se desviasse. Então Deus não mudou de opinião. Deus não mudou de posição. Deus é fiel a sua promessa e a sua ameaça. Ele fará o que prometeu. Então, de acordo com a sua palavra, dita em Deuteronômio, Deus começa a preparar uma praga de gafanhotos para castigar Israel (Deut. 28: 30).

O profeta Amós, observando isso, age como mediador e suplica na misericórdia de Deus. Ele pede perdão, porque se isso acontecer, como subsistirá Jacó? Pois ele é pequeno. Amós usa o nome de Jacó. Provavelmente de propósito, para lembrar a aliança que Deus fez com Jacó. Deus escolheu o seu povo, e agora destruirá este povo? Muitas vezes Moisés usou o mesmo argumento no deserto, quando ele agiu como mediador em favor do povo. Ele não justifica a vida do povo! Ao contrario. O Senhor tem razão. O povo está errado. Ele pecou e por causa disso Amos pede perdão.

E Deus se arrependeu disso e disse: não acontecerá.
Deus se arrependeu, mas ele não mudou de opinião ou de atitude! Presta atenção nisso.

Deus se arrependeu, porque ele é misericordioso e longânimo. Deus deu mais uma chance ao povo de Israel para se arrepender.

Mas se não se arrepender, ele continuará de acordo com as suas promessas e ameaças. E podemos notar que há um progresso neste processo. Deus está pronto para castigar o seu povo. Ele desistiu por causa da sua misericórdia e longanimidade. Mas o povo não muda. O povo continua no seu caminho pecaminoso. E Deus observando isso, veio de novo, e prepara um fogo para castigar o seu povo para que se arrependa.

E Mais uma vez Amós age como mediador. Mas nesta segunda vez, ele não pede mais perdão. Ele só diz: cessa agora, como subsistirá Jacó? E mais uma vez Deus é misericordioso e longânimo. Também não acontecerá, disse o senhor Deus. Quer dizer: não agora! Porque logo depois Deus informa a Amós que vai destruir os altares de Isaque e os santuários de Israel. Daqui a pouco Deus se levantará com a espada contra a casa de Jeroboão. E assim aconteceu.

Então, irmãos, O arrependimento de Deus neste capitulo é um arrependimento santo. Um arrependimento justo. Um arrependimento baseado no amor e na misericórdia de Deus. Este arrependimento não é igual ao arrependimento do homem, que quebra a sua promessa. Israel mudou a sua fé e mentiu. Israel mudou a sua religião. Os Israelitas trocaram Deus pela idolatria. Eles mudaram de opinião, de religião; entraram no outro caminho e se afastaram de Deus. Deus não aceita isso. Nunca. Deus retira a sua benção e manda a sua maldição. Deus se arrepende do bem para o mal. Mas dentro da aliança!

Deus ficou fiel na aliança que Ele fez com o seu povo. Ele não quebrou a sua Aliança com Israel, mas agiu de acordo com a sua Aliança. O povo podia observar uma mudança no seu convívio com Deus. O povo podia observar que Deus retirou as suas benções e mandou as maldições. Do ponto da vista humano, pode-se dizer: Deus se arrependeu. Mas quando o profeta disse: “O Senhor se arrependeu disso”, ele não falou sobre uma mudança dentro de Deus. O amor de Deus não mudou e a sua paixão também não. Porque Deus ainda ama o seu povo. Deus é misericordioso e longânimo. Ele não quer que o povo pereça, mas que todos venham ao arrependimento.

A mudança dentro da aliança serve para converter. Deus ama o seu povo, até na sua ira. Deus quer que o povo se arrependa e mude a sua direção. Assim Deus pode se arrepender do bom para o mal. Mas também do mal para o bom. Isso acontece aqui em nosso texto. Deus está indo para cumprir o seu castigo ao povo rebelde. Mas Ele é misericordioso e longânimo. Ele parou ouvindo a oração do profeta Amós.

Moisés experimentou a mesma coisa. Em Ex. 33 lemos que o povo pecou contra Deus fazendo idolatria com o bezerro de ouro. O povo se afastou de Deus e Deus quer destruir seu povo e continuar com Moisés, Ele mesmo disse isso a Moisés (Ex. 32: 10).

Agora, o que fazer? Moisés não acreditou que Deus poderia mudar de direção. Ele sabia que Deus é misericordioso e longânimo. Então ele agiu como mediador e falou em favor do povo. Joel experimentou a mesma coisa.

Mas mais uma vez o povo se desviou. E Joel devia falar sobre o Dia do Senhor; O dia da ira de Deus. Deus disse isso, mas ainda existe esperança. Joel diz em cap. 2: 13-14: “Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque ele é misericordioso e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal!

Deus é fiel. Volte para Ele e Ele voltará para você. O problema do arrependimento de Deus não está em Deus, mas está em nós. Deus não muda, mas o homem muda; Deus é bom para os seus filhos, mas Ele é ruim para àqueles que se afastam dEle. Não por que Ele mudou, mas porque eles mudaram e se afastaram.
Salmo 73 diz: Os que se afastam de ti, eis que perecem
Tu destróis todos os que são infiéis para contigo.
Quanto a mim, bom é estar junto a Deus.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

*** Encontre mais sermões do Pr. Abram de Graaf em: bramdegraaf.com

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Pr. Abram de Graaf

O pastor Abram de Graaf é “Doctorandus” (Drs) em Teologia e um dos professores do Instituto João Calvino (Aldeia, Camaragibe-PE). Ele é pastor da Igreja Reformada de Hamilton, Canadá, enviado como missionário às Igrejas Reformadas do Brasil, desde o ano 2000. É Diretor do Projeto Dordt-Brasil. Ele mora em Maceió e também desenvolve projetos nessa cidade.

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