Pregação preparada pelo Pr. Abram de Graaf

Leitura: Mateus 07:13-23

Texto: 2º Reis 05

Queridos irmãos,

O nosso texto é muito conhecido. Quase todo mundo conhece a história da cura de Naamã. Mas a cura é só uma parte dessa história. O mais importante é: Quem curou Naamã? A parte central nesse capitulo é o versículo 15, a confissão de Naamã: “Agora sei que não há Deus em toda a terra a não ser em Israel”. De certa forma podemos dizer que a história de Naamã fala sobre a verdadeira religião! Há três tipos de religião nesse capitulo. Três representantes:

I. Eliseu
II. Naamã
III. Geazi

 

I. Eliseu

Eliseu era um profeta. Um profeta era um homem muito especial! Um homem de Deus. Ele é um mensageiro de Deus com muito poder. Um profeta recebia revelações de Deus, que tinha que passar para o povo de Israel. E às vezes Deus mesmo mostrava que àquelas mensagens eram dEle; Como? Pela manifestação de poderes celestiais.

Como por exemplo, o profeta Elias, o patrão de Eliseu. Ele mandou fogo do céu para destruir três batalhões de soldados. E Eliseu, o aluno dele, tinha os mesmos poderes. Poderes para destruir, mas também poderes para curar. No capitulo 4 podemos ler sobre isso; sobre alguns milagres de Eliseu. Observando isso, podemos dizer que Eliseu era um profeta muito especial, com muito poder. Mas aquele poder não era dele mesmo, era Deus que permitia que Eliseu fizesse aqueles milagres. Eliseu mesmo confessou isso. Ele disse ao povo de Israel, que Deus existia, que Ele realmente tinha poder. Ele não era igual a todas as imagens de madeira ou de ferro, que as pessoas adoravam naquela época.

A situação parece igual a nossa época. Agora existem muitas religiões. Há pessoas que adoram imagens de Jesus, de Maria, Padre Cícero e muitos outros santos. E eles usam objetos santos porque pensam que aqueles objetos têm muito poder. Existem outras pessoas que têm contato com os espíritos dos mortos; elas vão para o Pai de Santos ou a Mãe de Santos, porque pensam que eles têm poderes. E há certas Igrejas, que dizem que têm poderes especiais; poderes para curar. E elas usam isso para dizer que são verdadeiras Igrejas de Deus. Elas dizem: O Espírito Santo está trabalhando em nossa Igreja, porque acontecem milagres de cura.

E se nós lermos sobre os poderes e milagres dos profetas, poderíamos pensar que elas têm razão. Mas elas não têm! Jesus mesmo disse em Mateus 7: 22 “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão: ‘Senhor, senhor, não foi em teu nome que profetizamos e em teu nome que expulsamos demônios e em teu nome que fizemos muitos milagres?” Então eu lhes declararei: ‘Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”.

Existem muitos profetas falsos. Pessoas que parecem como um verdadeiro profeta, mas na verdade não são. Eles falam com piedade sobre Jesus ou sobre a mãe de Jesus, eles podem bem orar com palavras doces, mas a motivação deles é diferente. O verdadeiro motivo deles é o dinheiro. Para aqueles profetas falsos a religião é um negócio. Eles falam sobre o amor de Cristo, mas não praticam. Existem várias religiões que estão zelosas para colecionar as ofertas e os dízimos, mas muito lentas e preguiçosas para ajudar os pobres com essas ofertas. ‘Lobos de dinheiro’ se chamam aqueles profetas falsos; Jesus avisa-nos em Mateus 7: 15: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes”.

Quem compara isso com o trabalho do profeta Eliseu, logo observa a diferença. Eliseu não usou o poder dele para se enriquecer. Quando Naamã foi curado e voltou para a casa de Eliseu com toda a sua riqueza: Dez talentos de prata, seis mil ciclos de ouro e dez vestes de gala. Hoje isso teria um valor de mais do que 500.000 Reais. Uma fortuna! Mas qual foi a reação do profeta? Ele não quis nenhuma grama de ouro, nem uma grama de prata. Ele não curou Naamã para se enriquecer, mas para mostrar o poder de Deus. Para mostrar a Naamã que não há Deus em toda a terra a não ser em Israel.

Eliseu mostrou a Naamã a única riqueza, que fica: Deus mesmo. Quem tem Deus, tem tudo. E o verdadeiro profeta tem que mostrar isso. Por causa disso Eliseu recusou a riqueza de Naamã. Naamã não podia pagar o serviço de Deus; nem comprar. Deus não precisava disso. A verdadeira religião não é um negócio. Você paga e Deus salva. Não é assim! De jeito nenhum! Mas muitas pessoas pensam assim e muitas Igrejas também: tem que pagar para ser salvo. Elas sabem muito bem como tirar o dinheiro da sua carteira, mas elas não sabem mostrar a misericórdia de Deus. A verdadeira Igreja de Deus tem que mostrar isso: a misericórdia de Deus para o seu povo. A graça de Deus que não custa nada.

Isso é a força das Igrejas Reformadas. Essas Igrejas chegaram aqui no Brasil para confessar e profetizar o Deus da Bíblia; eles mandaram missionários para o Brasil. Eles ajudaram o povo; sem pedir dinheiro; para mostrar o verdadeiro amor de Cristo. E qual é a reação de muitas pessoas se elas descobrem isso? Muitas falam mal da nossa igreja. E qual é a sua reação? Isso é muito importante! Podemos reagir como o Naamã ou como o Giezi.

2. Naamã.

É interessante para ver como Naamã se tornou crente. Antes ele não era crente. Ele não vivia em Israel e por causa disso ele não conhecia Jahweh. Ele vivia em Aram, um país perto de Israel. E lá ele adorava o deus Remon. Regularmente ele visitava junto com o rei de Aram o templo para adorar aquele deus. Ele adorava Remon, mas parece que aquele deus não tinha poder para curar Naamã. Porque Naamã estava muito doente. Ele era leproso. Uma doença que não podia ser curada. Provavelmente ele tinha tentado tudo, porque um chefe do exército não podia ser um leproso. Ele fez tudo, mas nada tinha ajudado. Ele já estava perdendo toda a sua esperança quando finalmente uma escrava disse: “Bastaria o meu amo se apresentar ao profeta de Samaria! Ele o livraria da lepra!”

Prestem atenção, irmãos! Como Deus estava trabalhando! Ele usou as palavras daquela escrava para chamar a atenção de Naamã. Olha, como ela falou sobre a religião dela. Ela falou com respeito. Ela admirava o trabalho do profeta Eliseu. Ela engrandecia Deus. A fé dela era muito forte. Mesmo quando nós sabemos que a situação dela não estava boa. Ela era uma escrava, num país estrangeiro. Mas apesar disso, ela continuava crer em Deus. Nós podemos aprender do exemplo dela: falar com respeito sobre Deus em qualquer situação! Você nunca sabe como as suas palavras podem tocar o coração das outras pessoas. Como aqui. Aquela escrava tocou o coração de Naamã. Ele queria encontrar aquele profeta. Ele queria ser curado. Mas… ele não queria pedir ajuda; ele queria comprar.

Isso nos mostra que Naamã era um homem muito orgulhoso. Ele não queria se submeter. Podemos ver isso claramente. Ele chegou a porta do palácio com muita gloria. O chefe do exército de Aram, com uma carta do seu rei; Assim Naamã se apresentou com seu carro e seus cavalos e assim ele foi para a casa de Eliseu. Ele não saiu do carro, mas ficou esperando. Ele não queria se humilhar em frente daquele profeta. Ele já se humilhou bastante para ir à casinha simples dele.

Mas não era o bastante! Olha, o que esta acontecendo. O profeta não saiu da casa, mas mandou um mensageiro…. um rapaz… não para se desculpar, mas para dizer: “Vai lavar-te sete vezes no Jordão e tua carne será restituída e ficará limpa”. A reação de Naamã mostra que ele ficou muito irritado. Ele se sentiu humilhado. Ele pensava consigo: certamente ele sairá e se apresentará pessoalmente, depois invocará o nome de Jahweh seu deus, agitará a mão sobre o lugar infetado e me curará da lepra. Porventura os rios de Damasco, o Abana e o Farfar, não valem mais que todas as águas de Israel? Naamã era um homem muito orgulhoso. Ele tinha que aprender que ele podia ser um homem grande em Aram, mas ele não podia mandar em Deus, nem no profeta de Deus. Ele tinha que aprender a lei do Reino de Deus: Todo o que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.

Naamã tinha que aprender a se humilhar perante Deus que queria que o general obedecesse às ordens daquele rapaz que tinha dito: “Vai lavar-te sete vezes no Jordão e tua carne será restituída e ficará limpa”. Sete vezes! Ele tinha que se desvestir e se lavar. Sete vezes! Quem vai se lavar sete vezes? Uma vez não é bastante? Então sete vezes não é ridículo? Entrar, lavar e sair, e depois de novo: entrar, lavar e sair; e de novo: entrar, lavar e sair, e mais uma vez: entrar, lavar e sair; e ainda não é bastante, de novo: entrar, lavar e sair. Irmãos, Vocês já estão abusados com isso? Então! Mas tem que fazer de novo: entrar, lavar e sair; e ainda mais uma vez: entrar e lavar e sair. Eu acho que todo mundo aqui pode sentir que isso é uma grande humilhação. Não existem muitos homens que fariam isso. Depois da terceira vez a maioria ia dizer: “Está bom! Já foi bastante! Vou embora!” Porque muitos são orgulhosos igual a Naamã. Eles não querem se humilhar perante Deus. Mas, prestem atenção irmãos, tem que se humilhar! Essa é a única maneira de receber as benções de Deus!

Vimos isso no caso de Naamã. Pois, depois da sétima vez ele estava purificado. Não só o corpo, mas também a mente dele. Ele descobriu o único Deus. Ele descobriu que os deuses do país dele eram uma mentira. Eles não tinham poder. Há só um Deus. E com esse conhecimento, com essa fé, ele voltou para a casa de Eliseu. E olha a diferença em comparação com a primeira vez. Agora, ele mesmo saiu do carro, entrou na casa e apresentou-se diante do profeta. Agora ele mostrou que tinha respeito pelo profeta do Altíssimo. Ele mostrou isso, dizendo: “Agora sei que não há Deus em toda a terra a não ser em Israel!”

Ele se tornara crente. E ele queria servir a Deus em seu país e na casa dele. Ele não queria mais oferecer holocausto, nem sacrifício a outros deuses, mas só a Jahweh. Para ele só existia uma verdadeira religião. Todas as outras eram falsas. Como dinheiro falso. Existem notas de dez reais que parecem muito com as verdadeiras notas de dez reais, mesmo tamanho, mesma cor, mesmas palavras, mas com pequenas diferenças. São notas falsas. Elas parecem verdadeiras, mas não são. Assim existem também profetas falsos, eles se reúnem numa Igreja, eles pregam, eles usam a nossa Bíblia, tudo isso, mas… eles são falsos. Eles não falam a verdade. Eles são como os políticos; eles falam o que o povo quer ouvir; eles não apontam os pecados; eles não dispensam com retidão a palavra da verdade.

Só a palavra de Deus pode desmascarar os profetas falsos. A verdadeira Igreja está lá onde a palavra de Deus é pregada E praticada. Pelo pastor e pelos membros. Quando o pastor fala sobre o amor de Cristo, mas ele mesmo não pratica isso, ele é falso; se os membros ouvem falar sobre o amor de Cristo, mas eles mesmos não praticam isso, eles são falsos. Quem diz uma coisa, mas faz o contrario, ele é falso. O exemplo disso é Geazi.

3. Geazi

Podemos dizer que Geazi é o contrário de Naamã. Naamã veio sem conhecer Jahweh, mas Geazi conhecia Jahweh muitíssimo bem. Ele foi ajudante de Eliseu! Ele foi uma testemunha de todos os milagres que Jahweh tinha feito pelas mãos de Eliseu! Ele viu tudo e ouviu todas as palavras do profeta; todas as mensagens, que Deus lhe tinha dado. Poderíamos dizer: como é possível que um homem que vivia tão perto de Deus; Tão perto do profeta de Deus! Como é possível que ele tentasse enganar o profeta de Deus, que sabe tudo!!

Não é? Deus sabe tudo. Cada detalhe da sua vida. As coisas que você fez escondido e que ninguém deve saber. Se alguma pessoa ia descobrir, você estaria com vergonha. Talvez os irmãos na Igreja não sabem nada do seu segredo, mas DEUS? Deus sabe, meu irmão! Ele sabe tudo. Leia Salmo 139. Uma homenagem ao Deus onisciente. Davi diz lá: “Iahweh, tu me sondas e conheces: conheces meu sentar e meu levantar, de longe penetras o meu pensamento; examinas meu andar e meu deitar, meus caminhos todos são familiares a ti”. Assim é o nosso Deus, irmãos! Talvez seja incrível, que Deus sabe tudo, mas é verdade. Porque Ele é Deus, onisciente. O poder dele é enorme. Muito maior do que todas as criaturas juntas.

Geazi não sabia disso? Ele não tinha conhecimento? Devia ter! Mas parece que ele não pensava em Deus! Ele só tinha medo do profeta. Talvez ele pensou, se o profeta não ver nada, Jahweh também não; ou talvez ele simplesmente esqueceu Deus. Não está escrito nada sobre os seus pensamentos; Mas podemos ler sobre os seus atos. Ele queria aproveitar do trabalho de Eliseu. Com dor no coração ele viu Naamã sair com todas as suas riquezas; com todo o seu ouro; com todos os vestidos. E agora aparece o que domina o coração de Geazi. O que ele adora mais. Não Deus, nem o profeta, mas o dinheiro. Ele quer se enriquecer por meio da religião.

A história da Igreja tem muitos exemplos disso. Exemplos de pessoas que visitam a Igreja para se enriquecer; para receber ajuda financeira; para receber dinheiro para comprar remédios ou comida; ou para ser pastor e receber um bom salário. Quando a torneira de dinheiro está aberta todo mundo chega para receber, mas quando a torneira fecha eles saem. Dessa maneira eles mostram qual foi o verdadeiro motivo delas: Não foi amor para Deus, nem para Cristo, mas pelo dinheiro da Igreja. Eles tomam o dinheiro, mas quando eles têm que mostrar o amor de Cristo; quando eles têm que dar dinheiro para ajudar as outras pessoas, eles não fazem isso, porque eles amam o dinheiro.

O exemplo de Geazi nos mostra como Deus pensa sobre isso: Geazi quer o dinheiro de Naamã? Ele também vai receber a doença de Naamã! Toma! Isso é o castigo dele. Ele ficou leproso. E conforme a lei de Deus isso quer dizer, que a comunicação com Deus foi atrapalhada. Ele se afastou de Deus e Deus se afastou dele. Como está escrito em Salmo 73:
“Os que se afastam de ti se perdem, tu repeles teus adúlteros todos”.
E também na primeira carta de Paulo para Timóteo, Cap. 6: 9:
“Ora, os que querem se enriquecer caem em tentação e cilada,
E em muitos desejos insensatos e perniciosos,
Que mergulham os homens na ruína e na perdição.
Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro,
Por cujo desenfreado desejo alguns se afastaram da fé,
E a si mesmos se afligem com múltiplos tormentos”.
Nesse capítulo Paulo fala sobre as pessoas que supõem que a piedade é fonte de lucro. Paulo diz-lhes: “A piedade é de fato grande fonte de lucro, mas para quem sabe se contentar”.

Geazi não sabia se contentar. E vocês, irmãos? Vocês estão contentes?
Sabe o que o que o apóstolo Paulo diz:
Não coloque sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus,
Que nos provê tudo com abundância para que nos alegremos.
Faça o bem, se enriqueça com boas obras,
Seja pródigo, capazes de partilhar
Estará assim acumulando para si mesmos um belo tesouro para o futuro,
A fim de obter a verdadeira vida”. Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

*** Encontre mais sermões do Pr. Abram de Graaf em: bramdegraaf.com

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Pr. Abram de Graaf

O pastor Abram de Graaf é “Doctorandus” (Drs) em Teologia e um dos professores do Instituto João Calvino (Aldeia, Camaragibe-PE). Ele é pastor da Igreja Reformada de Hamilton, Canadá, enviado como missionário às Igrejas Reformadas do Brasil, desde o ano 2000. É Diretor do Projeto Dordt-Brasil. Ele mora em Maceió e também desenvolve projetos nessa cidade.

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