Pregação preparada pelo Pr. Abram de Graaf

Leitura: 1º Samuel 01

Texto: 1º Samuel 02.01-11

Queridos irmãos em Cristo Jesus,

O culto hoje está “cheio de graça”, porque vamos ouvir a história de Hannah, a mãe de Samuel. O nome dela significa: “Cheia de Graça” e sabemos que ela experimentou esta graça na vida dela. Ela canta sobre isso e por causa disso escolhi o cântico de Hannah como texto para o sermão.

Este cântico é um louvor. Hannah deu à luz uma criança e ela cantou um hino para engrandecer o nosso Deus. Ela disse: O meu coração se regozija no Senhor; a minha força está exaltada no Senhor; a minha boca se ri dos meus inimigos, porquanto me alegro na tua salvação. Não há santo como o Senhor; porque não há outro além de ti; e Rocha não há, nenhuma, como nosso Deus! Hannah agradeceu a Deus e glorificou o Seu nome. Vamos dar atenção a Hannah e seguir o exemplo dela: engrandecer o nome do nosso Senhor.

JUNTO COM HANNAH ENGRANDECEMOS O SENHOR NA ALEGRIA E NA DOR.

  1. O SENHOR É O DEUS DOS MORTOS;
  2. O SENHOR É O DEUS DOS VIVOS;

1. O SENHOR É O DEUS DOS MORTOS.

Quando digo isso, penso no primeiro lugar no povo de Deus, que vivia na época de Hannah e que estava espiritualmente morto. Hannah vivia na Idade Media de Israel: Uma época escura em que poucas pessoas adoravam a Deus. A maioria do povo de Deus fazia o que achava reto nos próprios olhos; eles viviam de acordo com as suas compaixões, mas não viviam de acordo com a palavra de Deus. Havia muita idolatria; Muitas pessoas adoravam outros deuses: os deuses dos Cananeus.

No meio dessa escuridão espiritual apareceram Juízes para guiar o povo no caminho do Senhor. Samuel foi um deles. De fato ele foi o último dos Juízes. Samuel realizou a transferência do poder entre os Juízes e os Reis. Ele mesmo ordenou Saul como Rei e depois também Davi. Hannah era a mãe de Samuel.

Então a situação na época de Hannah não era boa. Não havia uma boa liderança no país; não havia um servo de Deus, que guiava o seu povo. Até a situação no tabernáculo era lamentável. O Sacerdote Elias já era um homem velho e os seus filhos foram perversos e safados. (veja 1 Samuel 2, 12-17); Em poucas palavras: a situação era ruim. O povo vivia em escuridão espiritual; e o templo devia resplender a luz do Senhor, mas a luz do templo estava quase apagada. Quase não brilhava mais.

E nós podemos sentir esta falta de piedade na casa de Elcana. O livro de Samuel começa com a história de Elcana junto com as suas duas mulheres. O fato que Elcana teve duas mulheres já é um sinal. Ele fez também o que achou reto nos seus próprios olhos. O coração dele era dividido. Por um lado podemos dizer que ele visitava o santuário de Deus, mas por outro lado devemos notar que ele fez isso só uma vez por ano; Então ainda existia fé no coração dele, mas essa fé recebeu pouquíssima alimentação e isso explica que ele não vivia 100% de acordo com a lei de Deus, porque tinha duas mulheres: Penina e Hannah. Penina teve filhos, Hannah não.

A atmosfera na sua casa também não era boa, porque ali faltava uma boa harmonia. Não havia paz. Isso acontece muitas vezes se o cabeça da família não respeita a Palavra de Deus. A palavra de Deus é uma lâmpada para os nossos pés; ela esclarece a escuridão e nos mostra o bom caminho: O caminho do Senhor. Ele traz paz e perdão.

Mas não era assim na casa de Elcana. Penina estava com ciúmes de Hannah e a provocava excessivamente. E com certeza Penina usava o fato que ela teve muitos filhos e filhas para humilhar e provocar Hannah. Porque receber filhos é uma benção de Deus, mas quem não consegue ter filhos sente uma dor fina quando observa a alegria das outras. E essa dor fica ainda mais profunda numa casa onde mora outra mulher, que está cheio de ciúmes; Isso causa irritações, porque a outra pode explorar a sua situação para humilhar a sua rival.

Como aconteceu na casa dos antigos patriarcas. A família de Abraão por exemplo. Sarai não podia ter filhos. E por causa disso ela deu a sua serva Hagar a Abraão. Hagar teve um filho. E isso causou um conflito na casa de Abraão. Porque Sarai sentiu que Hagar a desprezou por causa disso. Com certeza Hagar, que era escrava, não manifestou isso abertamente, mas apesar disso Sarai sentiu.

Como também Raquel na casa de Jacó. Ela também não podia dar à luz a filhos, mas Lia sim. Raquel sentiu a falta de crianças. Ela estava com inveja. Ela ficou traumatizada. Isso até se tornou uma obsessão. Ela queria tanto, que disse a Jacó: Dá-me filhos, senão morrerei. Jacó ficou brabo quando ouviu isso, e lhe disse: Acaso estou eu no lugar de Deus que ao teu ventre impediu frutificar? Jacó disse o que é certo. Deus dá a vida e não o homem. O cântico de Hannah diz a mesma coisa (vs. 6): O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir;

Então, irmãos, Hannah sofreu por causa da sua deficiência: o corpo dela não podia dar à luz a vida. O corpo estava parcialmente morto. E com certeza ela se sentiu assim: morta; inútil, incapaz de dar à luz um filho.

Hannah sofreu por causa disso. E a dor dela era ainda maior, porque o marido dela não sabia consola-lá. O coitado viu a tristeza de Hannah e deu um pedaço de carne extra a Hannah, pensando que isso seria um remédio para aliviar a sua dor. Ele queria consola- lá, mas não sabia como fazer isso. Infelizmente só pensava em si mesmo. Ele disse a Hannah: Hannah, por que choras? E por que não comes? E porque estás de coração triste? Não te sou melhor do que dez filhos?Com todo respeito, irmãos, mas ele só pensava em si mesmo. Ele não entendeu a dor da sua esposa. Pode ser que ele valeu muito mais do que dez filhos, mas um bom homem sabe que não pode substituir a falta de um só filho. Claro, o marido deve amar a sua esposa, mas nunca consegue tirar essa dor da falta de um filho, só Deus pode fazer isso.

Hannah sabia disso. Ela é uma mulher maravilhosa, irmãos. Uma verdadeira crente. Ela é uma luz na escuridão. “Cheia de graça”, significa o nome dela; pois é, ela esta cheia de graça. O pai dela era um sacerdote – ela é a filha de um pastor – e ele lhe ensinou o caminho do Senhor. Então provavelmente ela sabia que Deus tinha dito na sua lei, no livro de Deuteronômio, que Ele castigaria o seu povo com infertilidade, se o povo se desviasse dos seus caminhos. Ela viu a idolatria do povo de Deus; e ela sentiu a falta de crianças. Com certeza ela pensou muito sobre isso. Mas ela não desistiu!! Ela não ficou amarga, observando as crianças de Penina; ela não ficou irritada com as provocações de Penina e observando a idolatria do povo de Israel. Com certeza ela sofreu por causa disso, mas ela acreditava no Senhor na alegria e na dor.

Imagine, irmãos, todo ano a família foi para o santuário de Deus, e todo ano esse caminho era um sofrimento. Nós conhecemos a paixão de Cristo, – comemoramos isso na Sexta Feira Santa! – mas aqui temos a paixão de Hannah. A Bíblia diz (1 Sam. 1,7): “E, todas as vezes que Hannah subia à Casa do Senhor, a outra a irritava, pelo que chorava e não comia” . Temos um salmo (Salmo 133) que diz: Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos. Pois é, irmãos, e como é horrível e insuportável ir para uma casa onde o convívio é como no inferno!! Assim foi a situação de Hannah. Ela vivia no inferno. Ela visitava a Casa de Deus, mas ali também sofria tanto, que só chorava e não comia.

Imagine isso, irmãos! Quantas pessoas iam continuar visitar a igreja, se ali existem pessoas que lhe irritam e provocam! Com certeza a maioria das pessoas aqui não ia mais à igreja. Mas Hannah é diferente. Ela não desistiu. Ela foi, porque estava cheia de graça; porque ela acreditava no Senhor na alegria e na dor. Ela teve uma fé firme. A fé dela estava fundada na Rocha eterna, que é o nosso Deus! Ela foi para a Casa de Deus e ela se humilhou perante o altar e buscou o trono de Deus e derramou a sua alma perante o Senhor (1 Samuel 1,15); E fazendo isso, ela descobriu que o Senhor é o Deus dos mortos, mas também o Deus dos vivos. O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir. Ela dá vida à estéril e tira o vigor daquela que já tem muitos filhos.

2. O SENHOR É O DEUS DOS VIVOS.

Prestem atenção às orações de Hannah, irmãos! A Bíblia fala sobre as orações do justo e diz (Tiago 5,16): Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo. E depois disso, Tiago menciona o profeta Elias como exemplo, mas ele poderia ter usado também o exemplo de Hannah, porque a oração de Hannah tem também muito poder, porque era a súplica de uma pessoa justa, cheia de graça. Deus deu poder a sua oração.

A primeira oração de Hannah era longa (1Sam.1,12); nós temos somente um resumo (1,11), que diz: Senhor dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha. Assim foi a oração de Hannah e o Senhor ouviu essa oração e deu poder à essa oração; Ele deu vida a Hannah; Ela ficou grávida e deu à luz um filho: Samuel! E de acordo com o voto dela; ela preparou Samuel para ser servo do Senhor.

E quando ela tinha dado à luz o seu filho, ela cantou um cântico. Um hino de gratidão! Nós não podemos dar atenção ao hino inteiro hoje à noite. Isso seria demais, porque esse hino é um hino muito bonito e também muito profundo. Só quero fazer algumas observações em geral sobre este hino e no final uma observação particular sobre o versículo 6, que tem tudo a ver com o dia de hoje. O dia da Páscoa.

A primeira observação, que devemos fazer é sobre o início. Hannah vivia numa época em que os Israelitas adoravam o Baal e as Astartes: Os deuses dos Cananeus. Os deuses da fertilidade!!! Mas ela não buscou a solução nos templos de Baal, mas na Casa de Deus. E ela reconheceu que Deus é o único Deus, o Todo-poderoso!
Não há santo como o Senhor; porque não há outro além de ti; e Rocha não há, nenhuma, como nosso Deus! Assim é o nosso Deus, irmãos. Que todos os nossos filhos possam conhecer esse Deus na sua vida, como a grande Hannah o conheceu!!

A segunda observação é sobre o conteúdo desse Hino. Hannah fez um cântico cheio de contrastes! O arco dos fortes é quebrado, porém os débeis estão cingidos de força. Os fartos se alugam por pão, mas os famintos não sofrem mais fome;

A estéril tem sete filhos, mas a que tinha muitos filhos perde o vigor.

O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta.

Este cântico fala sobre os contrastes na vida humana e sobre a soberania de Deus. Tudo está sob o controle de Deus, o Todo poderoso. Ele exalta e abaixa, enriquece e empobrece. Assim funciona a providência de Deus.

Hannah aprendeu isso. Ela aprendeu também a ter paciência em toda a sua adversidade, e depois ela mostra a sua gratidão na sua prosperidade; e ela mostra também a firme confiança para o futuro que criatura alguma nos pode separar do amor dele. Hannah aprendeu isso com muita humildade e com muita fé. Assim nós também devemos ler esse hino, quando queremos entendê-lo.

Hannah confiou em Deus. Ela orou e pensou no plano de Deus. Ela não pediu um filho para satisfazer o seu próprio desejo, mas ela pensou na vontade de Deus. Ela viu a decadência do povo de Israel e pediu um filho que deveria ser um servo do Senhor. E Samuel foi um servo do Senhor. Ele foi um dos maiores profetas de Israel!

A última observação é sobre o versículo 6 e 9. Em versículo 9 ela diz: O Senhor guarda os pés dos seus santos; e o versículo 6: O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir. Provavelmente Hannah não pensou na ressurreição de Jesus Cristo, mas quando nós lemos essas palavras hoje, no dia da Páscoa em que comemoramos a ressurreição de Jesus Cristo, nós não podemos negar a profundidade desse cântico. O que Hannah disse é profetico. O nosso Deus guarda os pés dos seus santos. Especialmente os pés de Jesus Cristo, que foi O Santo e Justo. Ele morreu na cruz, mas três dias depois ele foi ressuscitado. O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir. Esse Hino de Hannah, se me não engano, é um dos primeiros testemunhos da Bíblia sobre a ressurreição da morte. A nossa Hannah, cheia da graça, é uma grande profeta. Ela descobriu o poder de Deus na sua própria vida. Deus é o Deus dos mortos e dos vivos. Ele deu a vida a Hannah; e Ele dará a vida a Cristo Jesus e a todos que crêem nele.

O nome de Hannah significa cheia de graça; Sim, cheia de graça, porque Deus é misericordioso para conosco. Recebemos graça por causa do sacrifício de Cristo. O batismo nos ensina isso. O batismo nos ensina a nossa purificação no sangue do Senhor.
O Senhor levanta o pobre do pó e exalta o necessitado da lama.
Quem é mais pobre que uma criança recém-nascida?
Nascemos com nada e morreremos com nada.
Mas o Senhor levanta o pobre do pó e exalta o necessitado da lama.
Para (os) fazer assentar entre os príncipes,
Para os fazer herdar o trono da glória;

Lendo isso, penso nas palavras de Jesus (Luc. 18:16):
Deixai-vir a mim os pequeninos e não os embaraceis,
porque dos tais é o Reino de Deus! Amém!

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

*** Encontre mais sermões do Pr. Abram de Graaf em: bramdegraaf.com

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Pr. Abram de Graaf

O pastor Abram de Graaf é “Doctorandus” (Drs) em Teologia e um dos professores do Instituto João Calvino (Aldeia, Camaragibe-PE). Ele é pastor da Igreja Reformada de Hamilton, Canadá, enviado como missionário às Igrejas Reformadas do Brasil, desde o ano 2000. É Diretor do Projeto Dordt-Brasil. Ele mora em Maceió e também desenvolve projetos nessa cidade.

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