Pregação preparada pelo Pr. Elso Venema

Leitura: 1º Samuel 02.12-17

Texto: 1º Samuel 02.22-25

 

Amados irmãos no Senhor Jesus Cristo,

Às vezes é preciso fazer reformas. Quando uma casa está decaindo, quando aparecem rachaduras na parede, quando boa parte da madeira está podre, é preciso fazer uma reforma. Tal reforma, é muita coisa. É muito mais trabalho do que dar um retoque na pintura. É muito mais trabalho do que varrer os quartos. Estas coisas não são reforma. Reforma é um trabalho profundo e abrangente. Reforma custa caro, e é uma questão de decisões e muito dinheiro. Mas, às vezes não há solução. Em certas ocasiões uma reforma precisa ser feita, tanto nos prédios, como também no meio do povo de Deus. Uma das grandes reformas que aconteceram no meio do povo de Deus, foi aquela que aconteceu sob a liderança do profeta Samuel. Quando Samuel assumiu a liderança, havia muita podridão e imoralidade no meio do povo de Deus. O povo de Deus era como uma casa prestes a cair, uma casa cheia de rachaduras e cupim. Então, o profeta Samuel iniciou uma grande reforma. Ele fez um grande esforço, acabou com os falsos deuses e começou a ensinar a palavra de Deus. Outro exemplo aconteceu séculos e séculos depois, quando Martinho Lutero se levantou. Na época deste grande reformador, a igreja estava podre. Então, Lutero pôs a boca na trombeta, e, junto com muitos outros, derrubaram os muros que já estavam caindo, tiraram a madeira podre, e reformaram a casa de Deus. Foi muita coisa que eles fizeram. Houve também muita oposição de pessoas que condenaram a reforma. Mas não tinha outro jeito.

Acabamos de ler a história do sacerdote Eli e seus filhos. Aqueles filhos, também sacerdotes, se chamavam Hofni e Finéias. Estes dois, juntos com seu pai, o sacerdote Eli, eram responsáveis pelo templo de Deus e pelos sacrifícios que o povo trazia. A carne dos animais devia ser queimada, junto com a gordura, para assim oferecer um cheiro agradável ao Senhor de toda a terra. Isto Deus havia ordenado na santa lei. Mas o que os filhos de Eli faziam? Eles tiravam logo as carnes nobres e a gordura, e deixavam os restos para Deus. Certamente os filhos de Eli tinham direito a uma determinada parte da carne. Para ser mais exato: o peito e a coxa direita eram para eles (Levítico 7:1-3). Mas os filhos de Eli não se contentavam com isso. Eles tomavam muito mais. E isso não aconteceu apenas uma vez. “Assim se fazia a todo Israel que ia ali a Siló”. Cada vez de novo Hofni e Finéias tiravam a carne nobre antes de sacrificar o animal para Deus. Provavelmente as pessoas não conheciam a lei, e tinham se acostumado ao comportamento dos sacerdotes. Mas se havia, incidentemente, uma pessoa que reclamava, os sacerdotes diziam àquela pessoa: “Cala boca, leigo, senão daremos uma lição em você”. Desta forma os dois intimidavam as pessoas, e até chegaram a praticar atos violentos. Não é preciso dizer que tudo isso era gravíssimo e insuportável. Servos do SENHOR, “não se importavam com o SENHOR” (1 Samuel 2:12). Homens que deviam ensinar a lei de Deus ao povo, não guardavam a lei. E como se tudo isso não fosse suficiente, aqueles homens aumentavam ainda mais sua culpa. Eles se deitavam com as empregadas que faziam a limpeza da área do templo. Realmente: “Era muito grande o pecado destes moços perante o SENHOR” (1 Samuel 2:17).

Então, o que era preciso fazer? Claro, havia a maior necessidade de uma reforma. Tinha que ser feito, com urgência e corajosamente, uma reforma profunda e radical no meio do povo de Deus. Aqueles homens, Hofni e Finéias, não tinham a menor condição de continuar no ofício. Eles escandalizavam a casa Deus e blasfemavam o santo Nome. Então, o pai deles, que mais ou menos funcionava como sumo-sacerdote, tinha que reagir. Parece que num certo momento, ele chegou a entender isto. Então, o velho Eli usou da palavra, e perguntou a seus filhos: “Por que fazem tais coisas? Pois de todo este povo ouço constantemente falar do vosso mau procedimento. Pecando o homem contra o próximo, Deus lhe será o árbitro; pecando, porém, contra o SENHOR, quem intercederá por ele”? Assim Eli criticou seus filhos. Assim Eli até falou palavra sábias. Demorou muito para ele falar, mas no fim, não tinha outro jeito, pois todo o povo já estava comentando e criticando o procedimento daqueles dois vagabundos que eram sacerdotes na casa de Deus. Então, por isso, Eli abriu a boca e falou com seus filhos. Como foi a reação destes dois filhos? Eles deixaram o velho falar, viraram as costas, e continuaram praticando as mesmas coisas. O pai deles falou, sim. O pai tentou fazer o dever dele. Mas suas palavras não tinham o mínimo efeito. Pior ainda, Eli continuava comendo da carne que seus filhos roubaram do povo, tornando-se cúmplice (1 Samuel 2:29). Depois da conversa a vida continuava como antes. Só que Deus já tinha tomado uma decisão irrevogável: Vou matar aqueles dois sacerdotes (1 Samuel 2:25).

Agora, irmãos, por que isto aconteceu? Por que os filhos de Eli não deram ouvidos às palavras sábias de seu pai? Por que isto acontece também muitas vezes em nossas casas? Acontece que em nossas casas filhos que já são adolescentes ou jovens também não prestam atenção às reclamações e às críticas de seus pais. Acontece que os próprios pais, que são responsáveis pela sua casa e pelos seus filhos, não têm domínio. Às vezes, ou até muitas vezes, os filhos fazem o que querem, sem ligar para nada. Os pais continuam reclamando, e criticando, e até suplicando, mas tudo fica como está. Por que coisas como essas acontecem? Podemos aprender com a história de Eli e seus dois filhos. Ele falou, sim. Ele tinha conhecimento e sabedoria, sim. Mas faltava o que não podia faltar. Faltava o que não podia faltar para reformar a vida do povo de Deus: Faltava a força. Eli não tomou uma posição. Ele pensava: “Vou falar mas já sei que não vai adiantar nada”. Desta forma ele era um fraco no serviço do Senhor. Mas assim não dá para conseguir uma reforma. Assim não dá para realizar mudanças necessárias. Para uma reforma, ou seja, para uma mudança necessária e radical, é preciso ter força e poder.

Na época da reforma, Lutero conhecia um certo padre, que era muito amigo dele. Aquele padre era simpático e sábio. Uma vez, quando Lutero estava no fundo do poço, aquele padre disse a Lutero: “Pense mais naquele artigo do Credo que fala do perdão dos pecados”. Que palavras boas de um homem sábio! Mas será que aquele homem sábio desencadeou a reforma da igreja? Será que ele conseguiu mudar alguma coisa na igreja católica romana que estava totalmente podre? Não. Aquele homem não tinha força. Irmãos, assim não dá. Nós que somos filhos de Deus, nós que fazemos parte do povo de Deus, não podemos ser pessoas fracas, pessoas que não tomam uma posição. Não podemos ser pessoas que ficam assistindo. Não podemos ser covardes, que fogem e não vencem batalha nenhuma. A palavra de Deus nos aponta outro rumo: “Sejam fortes e corajosos” (Josué 1:6). “Fortaleçam-se no Senhor e no seu forte poder” (Efésios 6:10). O nosso dever é sermos fortes. Pois a honra de Deus é mais importante do que a honra dos homens. A honra de Deus é mais importante do que a nossa honra. Deus tem que estar em primeiro lugar em nossas vidas. “Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim” (Mateus 10:37). Eli errou neste ponto. Ele amava mais a seus filhos do que a Deus. Ele era fraco. Já fazia anos e anos que aqueles filhos deviam ter sido expulsos do templo. Mas Eli ficou sentado e não fez nada. Ele nunca fez o que devia ter feito: denunciar as imoralidades praticadas por Hofni e Finéias. Assim não dá, irmãos. Se há grandes problemas e grandes pecados, não podemos ficar parados. Nós temos que tomar uma posição firme diante da podridão e diante da imoralidade. Se o nosso filho é rebelde, se o nosso filho querido está usando drogas, se o nosso filho chega bêbado em casa, se ele se recusa a obedecer a seus pais, se ele vive atrapalhando a vida dos outros, se ele é preguiçoso, se ele anda blasfemando o nome de Deus, é preciso agirmos com determinação e rigidez. “Não retire da criança a disciplina, pois se você der nela com a vara, não morrerá. Tu darás nela com a vara, e livrarás a sua alma do inferno” (Provérbios 23:13-14). A palavra de Deus quer deixar claro que às vezes é preciso ser duro, para evitar coisas piores. Às vezes é necessário usarmos força. A nossa vida e a vida dos nossos filhos, não deve ser uma vida podre. A nossa vida deve ser uma vida  em que Deus é honrado, uma vida renovada. Vamos sempre orar a nosso Deus, pedindo sabedoria e força para podermos alcançar cada vez mais tal vida.

Amém.

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