Pregação preparada pelo Pr. Abram de Graaf

Leitura: 1ª Coríntios 14:26-39

Texto: 1ª Timóteo 02:11-13

Irmãos,

Hoje vamos falar sobre um texto que sempre dá muitas discussões. Falando sobre as mulheres, Paulo diz: “A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja porém, em silêncio. Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão”.

São palavras claras, não são irmãos? Paulo fala claramente sobre a posição das mulheres na igreja. Elas devem estar em silêncio. Muitos homens já louvaram Paulo por causa dessas palavras, e ainda mais pessoas maldisseram Paulo por causa dessas palavras. Ele seria antifeminista, ele teria odiado as mulheres. Ele era judeu demais e por isso ele disse essas palavras. Etcetera, etcetera. Muitas pessoas se zangavam por causa dessas palavras. Muitas mulheres que queriam ser lideres, presbíteros ou pastoras na igreja, criticaram Paulo e concluíram que ele não prestava. Enquanto outras pessoas usaram essas palavras para defender o púlpito contra os ataques das mulheres que queriam falar e ensinar publicamente na igreja, dizendo: a mulher não pode pregar. Pois Paulo disse: “A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade como o homem; esteja porém em silêncio”. Então, parece que Paulo é um machista que diz “cala boca, mulher”. Assim, as palavras de Paulo parecem duras, dito com um coração duro, sem amor. Mas não é assim. Quem pensa assim não entende ou quer entender Paulo. Devemos estudar essas palavras muito bem para entender o que o apóstolo Paulo quer dizer. E por isso temos que conhecer a situação durante os cultos nas igrejas cristãs naqueles dias. Sabemos que Paulo era um judeu. Ele cresceu na sinagoga. Sabemos também que muitas outras cristãs da primeira hora eram Judiam. Eles saíram da sinagoga para se reunir na igreja. Por isso quero dizer alguma coisa sobre os cultos na sinagoga e sobre a posição das mulheres na sinagoga. É importante para saber isso, para bem entender o que Paulo está dizendo.

A sinagoga era o local dos judeus onde eles se reuniam para ler a Bíblia e para rezar. Em frente há uma arca onde eles guardam os rolos da Bíblia, e antes a arca há o púlpito. A sala é dividida em duas partes. Uma parte para os homens e a outra parte para as mulheres. E as mulheres. Ficam separadas dos homens por uma cortina.

Durante só os homens podem ler a Bíblia e explicar as profecias no púlpito. O principal da sinagoga podia pedir á qualquer homem, que fosse membro da sinagoga. As mulheres não podiam ler ou pregar. Elas podiam visitar a sinagoga, mas não precisavam estar lá. Se, porém queriam aprender alguma coisa, podiam interrogar, em casa, a seu próprio marido. Os rapazes recebiam ensinamentos, as moças não. Não precisava ensinar, pois elas não podiam ensinar. Conhecemos umas expressões rigorosas dum pastor, que tinha dito: “É melhor queimar as palavras da Bíblia do que as dar para as mulheres”. Então, na sinagoga as mulheres ficavam ignorantes: não podiam estudar e discutir. Só os homens tinham esse direito para discutir e estudar profundamente as profecias antigas.

Assim era a situação na sinagoga antigamente. E assim era também mais ou menos a situação originalmente nas igrejas cristãs. Pois no inicio os primeiros cristãos saíram da sinagoga para, depois, se reunir na igreja de Cristo. Assim era a situação em Coríntios! Em Atos 18 lemos que muitos judeus foram convertidos por Paulo. Até um principal duma sinagoga, Crispo. Todos eles saíram e levaram os seus costumes para a igreja de Cristo. Não acho que no inicio a diferencia entre os cultos era tão grande! Para receber uma impressão devemos ler 1 Coríntios 14:26-40. Lá Paulo fala sobre a necessidade de ordem durante o culto. Parece que ás vezes faltava essa ordem. Muitas pessoas falavam e ás vezes no mesmo tempo, assim que ninguém podia entender o que eles estavam dizendo. Como numa sinagoga. Na Holanda temos uma expressão. Quando uma pessoa entra numa sala onde muitas pessoas estão falando, e onde há um barulho enorme, ela dizer: parece aqui uma sinagoga dos judeus! Lá também as pessoas discutiam muito. Um conhece uma profecia e dá uma explicação, mas um outro não concorda e dá a opinião de uma outra pessoa; eles fazem isso com muita emoção e com voz alta. Paulo quer regular isso, quer que haja uma boa ordem no culto. E por isso ele também diz: “Como em todas as igrejas dos santos, conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina. Se, porém querem aprender alguma coisa, interroguem, em casa, a seu próprio marido; porque para a mulher é vergonhosa fala na igreja”.

Quem prestou atenção, já descobriu que o apóstolo Paulo fala sobre As mulheres casadas. As mulheres casadas não são permitidas falar. Elas devem interrogar seus próprios maridos na casa; porque para a mulher é vergonhoso falar na igreja. Por que é vergonhoso? Quem já viu isso uma vez? Pois quem viu uma reunião em que um assunto seria discutido. Foi uma reunião da igreja. E foi sobre o direito das mulheres para votar. O conselho queria ouvir as opiniões dos membros sobre isso e por isso os tinha convidado. Deu uma discussão grande e a maioria das mulheres não disseram muito, só algumas viúvas idosas com muita sabedoria perguntavam os presbíteros sobre os motivos. Mas num momento uma mulher casada se levantou e começou a criticar essas palavras de Paulo. O marido estava perto dela e não disse nada. Já viu isso alguma vez? Talvez aqui no Brasil não isso não aconteça, mas quem já viu, sabe que é uma vergonha. É uma vergonha para o marido, e especialmente para a mulher. Ele estava lá sentado e ela levantada e discutindo. Foi humilhante para ver. Acho que ela sentiu isso também, pois no fim ela disse para o marido: olha, diga também alguma coisa! Naquele momento ela humilhou o marido em frente de todas as pessoas. Foi uma coisa feia. É sobre isso que o apóstolo está falando. Sobre a mulher casada em relação com o seu marido. Por isso Paulo diz: “não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém em silêncio”.

Ensinar na igreja não só quer dizer também: dar regras, explicar a lei de Deus, falar com autoridade, dar orientação, corrigir idéias erradas, criticar uma idéia ou opinião errada. Então! Imagine que a esposa vai criticar o seu próprio marido durante uma reunião na igreja ou durante um culto! Isso não seria feio! Não seria humilhante quando uma mulher falasse com o seu marido como ela fala com uma criança. Isso não pode. Paulo não permite que a esposa exerça autoridade sobre o homem. A palavra que Paulo usa aqui é bem forte. Ele não permite que ela domine O seu marido. As esposas devem estar silenciosas para dar oportunidade aos seus próprios maridos para falar.

Por isso também não cabe a mulher pregar na igreja. Pregar não é só explicar a palavra de Deus. É explicar, mas também falar com autoridade, dar orientação. Isso só cabe aos homens, sendo os cabeças da família; e também não cada homem pode fazer isso. O homem deve ter permissão, autorização. Como o apóstolo Paulo diz: não permito. Isso quer dizer que Paulo tinha a autoridade de dar permissão. Isso já é uma diferença com a carta aos Coríntios. Lá cada homem podia falar. Assim era a situação no inicio do trabalho de Paulo, mas esta epistola a Timóteo é escrita mais tarde; a situação já mudou, não mais cada homem que recebeu autorização. Os oficiais, os presbíteros e os pastores têm autorização para pregar. Para explicar a palavra de Deus com autoridade. Essa autorização só foi dada para os homens e não para as mulheres.

Isso quer dizer que as mulheres não podem ensinar? Não podem no culto! Mas isso não quer dizer que as mulheres não podem ensinar as crianças na escola dominical, ou as próprias crianças na casa. Isso pode, pois ela tem autoridade sobre as crianças. Mas ela não tem autoridade sobre o homem. Deus não deu. As viúvas idosas podem dar orientação ás viúvas novas, diz Paulo. Isso também é possível; mulheres que ensinam mulheres. Mas não homens. Isso não pode. A ordem de Deus não é assim, a ordem no casamento não é assim; Lá o homem é a cabeça da família, ele tem autoridade. Isso é a ordem de Deus. Na sua casa e na casa dele.

Há pessoas que estão dizendo que essa ordem pode ser diferente, conforme a cultura dos judeus. É uma cultura antiga, pois muitas coisas mudaram e nós estamos vivendo numa outra cultura. Então, as palavras dele não cabem na nossa cultura, não estão mais atuais. Se esta idéia fosse verdade, o pastor judeu tinha razão: seria melhor queimar toda a Bíblia e jogá-lo no lixo; quem quer rasgar um texto da nossa Bíblia, pode também rasgar o resto. Pois o apóstolo não fala sobre um costume dos judeus, mas sobre uma ordem de Deus. Uma ordem que Deus pôs na criação quando criou primeiramente o homem e depois a mulher. Paulo não diz: “olha, isso não é conforme nosso costume. Em Israel não fazemos isso”. Nada sobre isso. Ele não comparece uma cultura com a outra, mas ele vai para o inicio de todas as culturas, o paraíso, onde tudo estava bem, conforme a vontade de Deus. a ordem era assim: primeiro o homem, depois a mulher. E conforme essa ordem o homem recebeu a sua autoridade. A norma de Deus é assim e essa norma é independente de qualquer cultura. Nenhuma cultura é melhor do que a outra, todas são pecaminosas, rebeldes. A cultura nunca pode ser a norma certa, a palavra de Deus deve ser. E conforme as normas de Deus devemos organizar e estruturar a vida na igreja de Deus.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Abram de Graaf

O pastor Abram de Graaf é “Doctorandus” (Drs) em Teologia e um dos professores do Instituto João Calvino (Aldeia, Camaragibe-PE). Ele é pastor da Igreja Reformada de Hamilton, Canadá, enviado como missionário às Igrejas Reformadas do Brasil, desde o ano 2000. É Diretor do Projeto Dordt-Brasil. Ele mora em Maceió e também desenvolve projetos nessa cidade.

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