Pregação preparada pelo Pr. Elso Venema

Leitura: 1ª João 02.15-17

Texto: 1ª João 02.15-17

Amados irmãos no Senhor,

Uma expressão bem interessante que todos vocês conhecem, é a expressão “olho grande”. Já vi essa expressão num adesivo, na mala de uma kombi. O que dava para ler era o seguinte: “Sai olho grande”! É uma expressão bem interessante, pois ela nos explica e transmite exatamente o sentido do décimo mandamento da lei de Deus. O décimo mandamento diz: “Não cobiçarás”. “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a esposa dele, não cobiçarás nenhuma coisa que pertença a ele”. Agora, qual é o problema? Muitas vezes o problema é o nosso olho. Vendo riquezas e as mulheres dos outros, somos capazes de sentirmos inveja. Tudo que os outros têm (empresas, empregos bons, carros, eletrodomésticos, telefone celular e não sei o que mais), pode encher os nossos olhos, fazendo-nos inveja. É contra essas coisas, irmãos, que avisa o décimo mandamento da lei de Deus, quando diz: “Não cobiçaras”. Este mandamento ensina que para você a melhor casa que existe, não é a casa de fulano, mas é a sua própria casa. Este mandamento ensina que para você o melhor emprego não é o emprego do outro, que ganha mais do que você, mas é o seu próprio emprego. Este mandamento ensina que para você a mulher mais bonita e atraente do mundo, não a mulher de um colega, mas é sua própria mulher.

Há apenas uma só coisa, irmãos, que atrapalha o cumprimento deste mandamento. É o nosso olho grande. Quando os nossos olhos se enchem, a nossa vida fica logo complicada. No princípio, no paraíso, o homem teve a primeira experiência com isso. Ele tropeçou quando seu olho viu que não havia fruto mais gostoso do que o fruto proibido. Deus tinha liberado todos os frutos. O homem podia comer a vontade. Tinha maçã, manga, jambo, tinha todos os frutos do mundo. Mas quando seu olho viu aquele fruto, que era proibido de comer, o coração dele não desejava mais nada senão comer somente aquele fruto. “A mulher viu que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos”, diz a Bíblia. Irmãos, é isso mesmo que sempre nos atrapalha também. Os nossos olhos são o portal de entrada, que dá acesso ao nosso coração. Pelo portal dos nossos olhos, o mundo e todas as suas cobiças entra em nosso coração. As coisas desejáveis, as riquezas do shopping center, as mulheres bonitas, os nossos olhos tiram retratos, os quais ficam guardados bem escondidinhos em nosso íntimo. E não só isso. Os desejos que entraram em nosso coração, ficam lá como uma bomba-relógio. É só esperar para a bomba explodir. “A cobiça em nosso coração, tendo engravidado, dá à luz o pecado, quando por esta é arrastado e seduzido (Tiago 1:14). Ou seja, o desejo em nosso coração, ela seduz e arrasta a nossa alma, e é capaz de dominar-nos totalmente, até que aquele desejo seja consumado.

De fato a cobiça, que entra em nosso coração, através daquilo que o nossos olhos vêem, é igual a uma pequena fagulha. Uma pequena fagulha parece a coisa mais inocente e inofensiva que existe. Mas não é. Se jogamos um fósforo aceso numa floresta ou num bosque, a pequena agulha pode incendiar tudo e provocar uma imensa tragédia ecológica. O fogo começa a comer, e não pára mais. A fagulha se transforma num fogo incontrolável e insaciável. A tendência é só piorar, crescer e aumentar. É isso mesmo que acontece quando através dos nossos olhos muitos desejos entram em nosso coração. É isso que acontece quando os nossos olhos se alimentam com as coisas dos outros. Aquele que fica impressionado com aquilo que os outros possuem, desejando possuir as mesmas riquezas, começa a sonhar. Depois aquele sonho vira uma obsessão. E a pessoa não cansa mais até realizar aquilo. Ela faz seus planos. Para realizá-los vale tudo. Acredito, irmãos, que muitos, vendo as riquezas dos outros, tendo cobiça, se desviaram da fé. Isso já foi comprovado. Realmente, a cobiça, o fortíssimo desejo de ter o que não é teu, é um poder muito grande.

Que ninguém diga que desejar ou cobiçar não é tão ruim quanto praticar. Podemos ter esse pensamento. Podemos achar que cobiçando a mulher de outro homem, não é tão ruim quanto de fato ter um caso com ela. Podemos achar que os atos são muito mais pesados do que os nossos pensamentos e planos. Planos e pensamentos não são apenas realidades em nosso coração? Porém, irmãos, não devemos ficar enganados por nosso coração enganoso. A cobiça começa como se fosse uma pequena agulha. Agora, irmãos, vocês já tentaram por seu dedo numa pequena agulha? Certamente ninguém que já tentou agüentou. Pois até a agulha mais pequena, queima e dói bastante. Irmãos, da mesma forma opera também a cobiça. A cobiça parece uma coisa pequena, uma coisa que não deve preocupar ninguém. Mas ela é uma pedrinha em nosso sapato. Ela incomoda constantemente, e incomoda muito. Só para dar um exemplo. O marido que está cobiçando outra mulher, o que ele faz? Ele está só cobiçando, não teve ainda um caso com ela! Mas o que aquele marido, que cobiça outra mulher, faz? Ele chega tarde em casa. Ele mente, dizendo que tinha que trabalhar mais, ou ele invente outra mentira. Ele assume uma atitude fria para com sua própria esposa, mostrando-se cada vez mais desinteressado. Depois vem os mal-entendidos e as brigas, e por aí vai.

Irmãos, por isso não devemos achar que a cobiça é uma coisa menor. Por isso não devemos achar que pior do que cobiçar alguma coisa é praticá-la. Não, irmãos, a própria cobiça mexe com a nossa vida toda. A cobiça mexe e acaba com a vida e a tranqüilidade de casais e famílias inteiras. Aquele que se deixa dominar pela cobiça, ele deixa de ser uma pessoa transparente. Ele começa a levar uma vida escondida. Ele procura satisfazer seus desejos sem ninguém perceber. Ele começa a ter problemas com as pessoas ao seu redor. Ele se torna uma pessoa desagradável. A cobiça se transforma em vício. A cachaça toma conta, ou o sexo, ou ainda outras coisas. A vida das pessoas vira uma bagunça, uma palhaçada. A cobiça está no meio das confusões. A cobiça, que parecia tão inocente, se manifesta como se fosse uma dose de veneno mortal. Os casamentos se desmancham. As famílias carecem de estabilidade.

O que está no coração, irmãos, parece bem escondidinho. O que está no coração parece estar guardado a sete chaves. Não há senha que abre o coração de ninguém. Porém, irmãos, a cobiça é tão forte que ninguém é capaz de escondê-la por muito tempo. Mais cedo ou mais tarde o negócio estoura. Aquele que começa um caso com a mulher de outro homem sem ninguém ver, é só uma questão de tempo, e o mundo todo já sabe tudo, inclusive a esposa traída. Podemos tentar esconder os nossos maus desejos. Mas não. A cobiça é um bicho bravo. Ninguém segura ela. Não demora muito, e o que está no coração, está na cara, como a própria palavra de Deus ensina. “Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem” (Provérbios 27:19). Ou seja, assim como nós, olhando na água, vemos um retrato exato do nosso rosto, assim também, olhando o homem e seu jeito, podemos ver nitidamente o estado do coração dele. Aquele que anda sempre de cara feia, reclama dos outros, fala grosseiro, cai em contradições, faz e não diz, ou somente faz as coisas a pulso, ele de fato mostra que determinados maus desejos tomaram conta de seu coração. Tal pessoa mostra que está insatisfeito. Por trás disso está o quê. Justamente: a cobiça.

Irmãos, aquele que não são crentes em Cristo, eles são levados por sua cobiça. Dizem: “Eu só faço o que eu quero”. Parece a coisa mais natural. E de fato, é uma coisa natural. É natural fazer o que você quer fazer. Só que infelizmente a nossa natureza está totalmente corrupta. A natureza humana não presta. Dentro da carne humana, se encontra, já desde o nascimento, ou até mesmo já antes de nascermos, o vírus da cobiça. Este vírus da cobiça, reina no mundo. O homem que é homem, ele faz sexo com qualquer pessoa que quer, ele mata qualquer pessoa que quer, ele não se importa com ninguém. Ele vive como um robô, como um escravo, obedecendo cegamente à sua cobiça, que está no trono dentro do seu coração. Desta forma vive aquele que é descrente. Ele vive, mas de fato está morto, pois a cobiça, que está no comando, tendo engravidado, produz o pecado, e o pecado gera a morte. Agora, irmãos, nós também, nós crentes também, temos cobiça. Em nossos corações entram também maus desejos. Não somos cegos. Temos olhos. Entram muitas coisas em nossos corações. Realmente, o grande perigo, que ameaça todos os homens, ameaça também os crentes em Cristo.

Porém, irmãos, nós que pertencemos a Cristo, nós cujos corpos foram comprado por Cristo, devemos assumir uma atitude diferente. A cobiça jamais poderá dominar-nos. Não podemos ser escravos do pecado. Não podemos perder o autocontrole para fazer besteiras, destruindo o nosso casamento, destruindo a nossa família, destruindo a nossa vida. Para o mundo, o único jeito de acabar com a cobiça é não resistir a ela. Para nós, o único jeito de a cobiça não acabar com a gente, é resistir a ela. Não somos imunes. A nossa carne é fraca. Sabemos que o mundo oferece tanta coisa que dá para ficar com medo. Mas devemos resistir. Melhor arrancarmos o nosso olho direito, e entrar sem olho direito no céu, do que ter dois olhos, e ser lançado no inferno, como disse o Senhor. Por isso temos que ser fortes! Temos que lutar, e nunca parar de lutar. Mas, irmãos, é esta pergunta que gostaria de fazer ainda: Como é que podemos lutar contra a nossa cobiça? Como é possível uma pessoa solteira nunca comer do fruto proibido? Como é possível não trair se seu casamento já não é mais aquela maravilha de tantos anos antes? Como é possível ser sempre honesto e direitinho, se dá para ganhar muito bem fazendo trambique. Como é possível ver as tentações do mundo, que enchem os seus olhos, sem querer satisfazer os seus desejos. Realmente, é difícil demais, irmãos. Por isso muitos fazem às escondidas coisas que não devem fazer.

Irmãos, temos apenas uma só arma, uma só defesa. Temos apenas uma só fortaleza, um só refúgio. O único jeito para não fazer o que todos fazem, e para não desejar o que todos desejam, é estarmos em Cristo Jesus, nosso Senhor. Contra a cobiça do mundo, não há jeito senão ele: Cristo. Se amamos a ele, se o nosso desejos sincero é servir e obedecer a ele, louvando-o sempre, podemos resistir ao diabo, ao mundo e aos maus desejos do nosso coração. Se Cristo é o nosso Senhor, a cobiça não vai estar no trono em nosso coração. Se Cristo é o Senhor da nossa vida, não seremos dominados por nossos maus desejos. Se Cristo é tudo para nós, não teremos olho grande. Então, irmãos, o que devemos fazer? Devemos andar no Espírito, o que significa: não fazer qualquer coisa que queremos, mas seguir a palavra de Cristo. É isso que devemos fazer, de coração. Não é suficiente ser membro da nossa igreja. Não é suficiente ter feito profissão de fé, e marcar presença aqui na casa de Deus. Tem que ter o desejo sincero de obedecer a Cristo. Esse desejo tem que estar em nosso coração. Esse desejo de querer servir a Cristo, de coração, em Espírito e verdade, servindo ao nosso amado Senhor com tudo que temos e podemos, tem que estar na cara. A nossa alegria tem que estar em Cristo, pois senão, a nossa alegria estará no mundo. É só assim, irmãos, estando em Cristo, tendo um vida dominado por ele e por ninguém mais, que podemos escapar da cobiça, do pecado, da morte e da condenação. É só assim, irmãos, agarrando-nos a Cristo, nosso grande e divino Senhor, que podemos cumprir a santa lei, que nos ensina: A casa mais bonita para você, é sua própria casa; o melhor emprego para você, é o emprego que você tem; a mulher mais bonita para você, é ela, esposa; o único homem para você, é ele, seu marido.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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