Pregação preparada pelo Pr. Abram de Graaf

Leitura: 1ª Coríntios 12:12-27

Texto: 1ª Coríntios 10:17

Queridos irmãos em Jesus Cristo.

Para várias pessoas, a participação na Santa Ceia é uma coisa particular. Sozinhos, eles se preparam antes disso. Meditando sobre a sua vida, sobre os seus pecados. E no dia de domingo eles vão para a igreja para participar na santa ceia. Eles acham isso importante. Eles acham uma necessidade. Pois dessa maneira eles receberão remissão dos seus pecados.

Então, elas participam na Santa Ceia humildemente. Estão sentadas, tímidas; não olham a sua direita, nem a sua esquerda, nem a frente; não estão vendo os irmãos, que estão sentados ao seu lado, mas os olhos delas ficam fixados no pedacinho do pão em no copinho de vinho. Pois pelo pão e pelo vinho eles terão a comunhão com o corpo e a sangue de Cristo para a remissão dos pecados.

A maioria dos participantes pensa somente na comunhão vertical, de cima para baixo, a comunhão com Cristo. E poucas pessoas experimentam também a comunhão horizontal, com os irmãos de Cristo. Esta comunhão com os irmãos de Cristo é também um aspecto importante da Santa Ceia, irmãos. É um aspecto que não podemos negar. Quem só sente amor por Cristo, mas não sente amor pelo corpo de Cristo, quer dizer a sua congregação, não é digno de participar na santa ceia. Paulo fala sobre isso em 1 Cor. 11. 27-29.

Houve membros na congregação que participavam na santa ceia, só para comer e beber e sem amor no coração. Eles negaram os membros mais fracos. Uma falta de respeito e uma falta de amor. Eles comeram e beberam sem discernir o corpo de Cristo. Sem respeitar os outros membros do corpo de Cristo. Isso foi um grande pecado! E por causa disso Paulo avisou a congregação: Eis por que há entre vós tantos doentes e aleijados, e vários morreram. E por causa disso ele exige de cada participante: examine-se cada um a si mesmo, antes de comer deste pão e beber deste cálice. Paulo queria que cada membro se examinasse. Um auto-exame para ver se há amor. Amor no nosso coração. Não somente amor por Cristo, mas também pelo corpo de Cristo, quer dizer, a sua congregação. Os irmãos dentro da igreja. Isso é necessário para todos os participantes da santa ceia. Pense nas palavras de João (1 João 4,20): “Se alguém disser: “Amo a Deus”, e odeia seu irmão, é um mentiroso. Com efeito, quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, quem não vê. E este é o mandamento que dele recebemos: aquele que ama a Deus, também ame seu irmão.

Este é o grande mandamento, irmãos. Amar a Deus e amar a seu próximo. Neste caso: a seu irmão. Nesta mesa experimentamos os dois. O amor por Deus e por seu filho amado Jesus Cristo; E TAMBÉM o amor pelos os irmãos. A comunhão vertical, de baixo para cima, e a comunhão horizontal, de lado a lado.

Paulo fala sobre esta comunhão em 1 Corintios 10, 17. Neste capítulo ele fala primeiramente sobre a comunhão com os ídolos. Todos que estão participando dos sacrifícios nos templos. Ele mostra que isso não é uma coisa inocente. Não pode participar ali e aqui. Quem participa no culto duma outra religião tem comunhão com o ídolo. Quem participa no sacrifício feito num outro templo, tem comunhão com o ídolo.

A participação não é uma coisa neutra. Também a participação na santa ceia não é uma coisa isolada. Quem participa, participa na comunhão com Cristo. Quem participa, participa no beneficio do sacrifício de Cristo; Quem participa, participa na remissão dos pecados. Junto com os outros que participam. A participação na santa ceia significa também comunhão com os outros participantes. A paz de Cristo não é para cada um individualmente, mas para todos juntos. E esta paz com Cristo estabiliza a paz entre todos os irmãos. Onde isso não acontece, onde não há paz entre dois irmãos, aí falta também a paz de Cristo no coração. Quem procura reconciliação com Deus encontra paz em Cristo; e quem encontrou paz em Cristo, procura a paz com todos.

Paulo fala sobre esta comunhão em 1 Cor. 10, 16-17. Ele escreveu: O pão que partimos não é uma comunhão com o corpo de Cristo? Visto haver um só pão, todos nós somos um só corpo; porque todos participamos desse pão único.

Como devemos entender isso, irmãos? Bem, normalmente as igrejas celebraram a santa ceia com pão e vinho. O pão não era o mesmo pão que nós usamos atualmente. O pão era maior antigamente. E para celebrar a santa ceia, eles partiam um pão inteiro. Quer dizer, o pão completo que estava na mesa era destinado a todos os participantes. O pão serviu para simbolizar a união de todos os participantes. Cada um recebe uma parte e todas as partes formam um pão completo. Por isso Paulo disse: Visto haver um só pão, todos nós somos um só corpo; porque todos participamos desse pão único.

Então, irmãos, o pão é um símbolo da UNIÃO de todos os participantes, mas também um símbolo da COMUNHÃO de todos os participantes com Cristo. O pão na mesa nos lembra as palavras de Jesus, que disse (João 6,51): “Eu sou o pão vivo que desce do céu. Quem comer deste pão viverá para a eternidade. E o pão que eu darei é a minha carne, dada para que o mundo tenha a vida”. É exatamente isso que o pão simboliza: o corpo de Cristo que é dado para todos os participantes. A COMUNHÃO COM CRISTO e A UNIÃO DOS PARTICIPANTES. Tudo isso simbolizado neste único pão. Quem come, acredita nisso; quem come deve pensar em Cristo, que está no céu; quem come deve observar os irmãos de Cristo, que estão reunidos nesta mesa. Talvez não às pessoas que nós escolheríamos a primeira vista, mas às pessoas que Cristo escolheu. São as pessoas que Cristo chamou para ser justificadas perante Deus e para serem glorificadas pelo poder do Espírito Santo. Rico e pobre, casados e solteiros, negros e brancos, todos eles são iguais na mesa de Cristo, Todos somos ricos em Cristo; todos somos pobres por causa dos nossos pecados; todos somos unidos na mesma fé, como Paulo escreveu em Ef. 4,4-5: “Há um só corpo e um só Espírito, do mesmo modo que a vossa vocação vos chamou a uma só esperança; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos.”.

Amém.

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Abram de Graaf

O pastor Abram de Graaf é “Doctorandus” (Drs) em Teologia e um dos professores do Instituto João Calvino (Aldeia, Camaragibe-PE). Ele é pastor da Igreja Reformada de Hamilton, Canadá, enviado como missionário às Igrejas Reformadas do Brasil, desde o ano 2000. É Diretor do Projeto Dordt-Brasil. Ele mora em Maceió e também desenvolve projetos nessa cidade.

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