Pregação preparada pelo Pr. Elso Venema

Leitura: 1ª Coríntios 10:23-33

Texto: 1ª Coríntios 06:12

Amados irmãos no Senhor,

O apóstolo Paulo, como também os outros apóstolos do Senhor, sempre ensinaram a liberdade cristã. O cristão, o filho de Deus, ele não vive amarrado, mas ele foi posto em liberdade. Porque “Cristo nos libertou” (Gálatas 5:1). “Vocês são livres” (1 Pedro 2:16). Os irmãos em Corinto também receberam estes ensinamentos sobre a liberdade cristã. Várias vezes os irmãos devem ter ouvido o apóstolo Paulo dizendo (em sermões e aulas): “Tudo é lícito” (1 Coríntios 6:12, 1 Coríntios 10:23). Ou seja: “Tudo é permitido! Vocês podem tudo! Vocês não são filhos de Deus, filhos do dono do mundo? Por isso vocês são herdeiros de todas as coisas! Isto significa que vocês são livres e podem tudo! Podem tomar banho no mar, pois o mar é de quem? É de seu Pai. Vocês podem tomar um copo de vinho, pois quem criou a videira? Foi o seu Pai. E ele criou todas as coisas para quem? Não é para nós, que somos seus filhos amados?”. Desta maneira, irmãos, dá para entender que ser cristão significa ser livre. Ser filho de Deus significa ser totalmente livre, pois todas as coisas são dos filhos de Deus, como ensina o apóstolo Paulo: “Seja o mundo, a vida, a morte, o presente ou o futuro; tudo é de vocês (1 Coríntios 3:21-22)”. Desta forma, irmãos, o apóstolo queria deixar bem claro para todos: Aqueles que pertencem a Cristo, eles têm espaço e liberdade para serem alegres e felizes.

O outro lado desta moeda, o outro lado da liberdade que nós temos em Cristo, é a rejeição de qualquer tipo de escravidão. Não somos filhos de Deus para sermos escravos, ou para termos uma vida de escravo. A salvação de Cristo significa a abolição definitiva de qualquer escravidão. Por isso ninguém na igreja de Cristo deve levantar-se para impor leis e regrinhas que não procedem de Deus mas que são preceitos humanos que só servem para domar os outros. Por isso ninguém na igreja deve voltar para trás para curvar-se novamente debaixo do regime das antigas leis do antigo Testamento, leis que foram feitas para serem cumpridas por pessoas que não conheciam a Cristo. Por isso ninguém na igreja de Cristo, seja quem for, tem o direito de definir como deve ser o vestido das mulheres, ou como deve ser o vestido dos homens, ou o que se pode comer e beber e o que não se pode comer e beber. Para a igreja de Cristo, o negócio não é inventar regrinhas para fechar brechinhas. A nossa vocação é celebrarmos e vivermos conscientemente a liberdade em Cristo.

Irmãos, vocês podem conferir que todos os apóstolos do Senhor nos ensinaram estas coisas. Os apóstolos do Senhor ensinaram que os filhos de Deus, que foram salvos por Cristo, nasceram para serem livres. Eles ensinaram também que aqueles que vêm ensinando outras doutrinas, dizendo que nada pode ou que isto e aquilo é proibido e que crente tem que ser assim e assim, criando novas regras, preceitos e ordenanças, não merecem crédito. Por exemplo, o apóstolo Paulo perguntou aos irmãos da igreja em Colossos: “Por que vocês se submetem a regras: ‘não manuseie!’, ‘não prove!’, ‘não toque!’? Todas essas coisas são destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos” (Colossenses 2:21-22). Então, irmãos, se nós pertencemos a Cristo, somo livres, e não deve existir regra nenhuma para destruir essa liberdade nossa. Se Cristo nos libertou, ninguém tem o direito de nos oprimir ou escravizar. Quem pertence a Cristo não é igual a um boi que anda todos os dias com um jugo pesado nas costas. Aquele que pertence a Cristo, é igual a uma ovelha que segue o bom pastor e se deita em pastos verdes.

Agora, irmãos, o que aconteceu na igreja em Corinto? Os irmãos ouviram que os filhos de Deus têm liberdade, e que ninguém deve criar regras humanas. Os irmãos ouviram o apóstolo Paulo dizendo em seus sermões: “Tudo é lícito! Tudo é permitido! Somos livres! Nada de regrinhas humanas aqui na igreja! Podemos comer qualquer comida, e podemos beber qualquer bebida, como o nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou”! Então, alguns irmãos em Corinto, tendo ouvido estes ensinamentos do apóstolo Paulo, disseram: “Tá certo! Se tudo é permitido, a gente vai fazer tudo! Nós vamos fazer tudo que queremos. Se podemos comer qualquer comida, vamos comer qualquer comida! O apóstolo Paulo não disse que tudo pode? Ele não disse que tudo é lícito? Então, estamos esperando o quê? Vamos lá! Vamos nos divertir, vamos beber bastante, vamos farrar, vamos atrás das mulheres. O apóstolo não disse que tudo é permitido”? Assim foi a reação de alguns irmãos na igreja em Corinto. Ouviram que tudo é lícito e logo soltaram os freios e mergulharam no mundo da imoralidade sexual.

Como foi a reação do apóstolo Paulo? Será que ele levou um susto? Será que ele foi logo dizer: “Ó irmãos, me desculpem, estou vendo que liberdade para vocês não dá, pois vocês são burros demais! Peço desculpas por ter dito uma palavra que podia ser mal-entendida, e proponho voltar para trás: vamos agora, sim, criar regras, para que ninguém saia mais da linha. Vamos acabar com a liberdade, fechando todas as brechinhas”! O apóstolo Paulo reagiu assim? O apóstolo Paulo foi logo inventar regrinhas para apertar os irmãos, regrinhas sobre roupa, comida, bebida e condutas? Não, irmãos, nada disto! O apóstolo Paulo não passou os ensinamentos do Senhor para depois retroceder. Ele não passou o que aprendeu com o próprio Senhor Jesus Cristo, para depois recuar e até ficar sem jeito. Pelo contrário, o apóstolo do Senhor, que era um homem cheio do Espírito, ele insistiu, pois o erro não estava nos ensinamentos de Cristo, o erro não estava nos ensinamentos dos apóstolos, mas no coração perverso do homem. Por isso o apóstolo insistiu, e disse em 1 Coríntios 6:12: “Todas as coisas me são lícitas”. E ele repetiu, naquele mesmo versículo: “Todas as coisas me são lícitas”. E, como se não fosse suficiente ainda, mais uma vez ele repetiu: “Todas as coisas são lícitas” (1 Coríntios 10:23).

Então, irmãos, o que vale para nós é a seguinte regra de Cristo: “Todas as coisas nos são lícitas”. Esta regra vale para todos os filhos de Deus. A nossa liberdade em Cristo é intocável. Porém, existe uma restrição. Pois, como acrescentou o apóstolo, “nem todas as coisas convêm”. “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm”. Só para dar um exemplo: Se todas as coisas são lícitas, podemos tomar um copo de vinho? Podemos, sim. Mas o que acontece se alguém, alegando que tudo é permitido, começa a beber muito ou começa a beber sempre, entregando-se às bebidas e deixando de fazer os seus deveres? Aquela pessoa perde, de fato, a sua liberdade! Ela se torna um escravo da bebida! Beber se torna um vício e o vício acaba dominando mais uma vítima e pode até destruir a vida de outras pessoas! Como resultado a pessoa perde a liberdade que tinha. Então, irmãos, por isso o apóstolo disse: “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convém”. Vocês podem tomar um copo de vinho. Isto é lícito. Isto não é pecado. Mas tenham consciência! O nosso Senhor é Cristo. A nossa vocação é sermos livres, livres em Cristo. Devemos ser senhores das coisas. Ou seja, a liberdade que nós temos, deve ser uma liberdade controlada. Perdendo o controle, a liberdade vira anarquia, vício e escravidão. Aquele que perde o controle e o domínio próprio, perde a sua liberdade.

Pois, a final de contas, o que é liberdade? Liberdade significa fazer qualquer coisa? Não, pois quem fizer qualquer coisa ou besteira, acaba sendo um pobre coitado, um destruído, um viciado, um escravo. Isto é liberdade? Não, não é liberdade, mas é libertinagem. Liberdade é outra coisa. Liberdade significa ter consciência e ter domínio próprio. Liberdade é ser capaz de não fazer uma coisa que se poderia fazer. Liberdade é tomar um copo de vinho, e dizer, enquanto outros não param mais de beber: “Não, obrigado, quero mais não”. Assim somos livres: podendo tudo, sim, mas não querendo tudo. Outro exemplo: Podemos jogar bola? Lógico, podemos! Praticar esporte não é pecado. Mas o que acontece, muitas vezes? Aqueles que gostam de dominar a bola, acabam sendo dominados por ela. Aquela coisa redonda e vazia de couro é capaz de fazer a cabeça dos jogadores. Onde tiver uma bola rolando, as pessoas vão atrás. Se tiver um torneio ou um campeonato, até se fosse em outro estado, as pessoas não querem perder de jeito nenhum, e deixam tudo, inclusive família e igreja para trás. Agora, irmãos, vamos dizer que jogar bola é pecado? Vamos proibir jogar bola? Não, nós vamos dizer o que os apóstolos do Senhor nos ensinaram: “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convém”. O jovem da nossa igreja pode jogar bola. Mas ele precisa ter a inteligência para nem sempre querer jogar. Ele deve ter a inteligência para dizer: “Eu posso jogar bola, até gosto de jogar, mas hoje, no dia do Senhor, não quero jogar”.

Irmãos, é assim que Deus nos chamou para sermos livres. Ele nos libertou, permitindo-nos que fizéssemos qualquer coisa, menos besteiras. Cristo nos libertou. Ele nos libertou para quê? Para voltarmos à escravidão? Para ficarmos viciados em comidas, bebidas, jogos, prazeres ou qualquer outra coisa? Ele nos libertou para ficarmos iguais às pessoas do mundo que vivem sem Deus e sem Cristo? Não, Cristo nos libertou de um “procedimento fútil” (1 Pedro 1:18). Ele nos libertou para deixarmos de ser descontrolados. Ele nos libertou para que servíssemos a ele, não a pulso ou por obrigação, mas conscientemente, de livre e boa vontade, seguindo a lei de Cristo, que é “a lei da liberdade” (Tiago 2:12). Podemos fazer tudo? Sim, irmãos, nós, que somos de fato filhos de Deus, podemos tudo! “Todas as coisas são lícitas”! Mas, “nem todas as coisas convêm”. Aquelas coisas, que acabam com o nosso relacionamento com Cristo, o qual nos libertou, não convêm. Desta maneira a nossa liberdade é diferente da liberdade do mundo. No mundo cada um acha que é o dono de seu nariz, e faz o que quer. Não há regras, não há limites, não há fiscalização. Assim é o liberdade do mundo, uma liberdade que de fato é uma verdadeira escravidão, pois as pessoas se tornam escravos dos seus próprios maus desejos, escravos do pecado. Nós temos outra lei. Temos a lei de Cristo, a lei da liberdade. Podemos tudo, sim, mas vamos fazer qualquer coisa? Vamos fazer aquelas coisas que nos impedem de amar o nosso Senhor amado? Vamos beber muito, jogar bola durante os cultos, nos prostituir? Não. A nossa lei é a lei da liberdade, a lei que nos ensina a valorizar o nosso Senhor Jesus Cristo para que possamos sentir-nos alegres e felizes como filhos verdadeiros de Deus.

Irmãos, jamais devemos esquecer que somos de Cristo. “Todas as coisas são de nós: o mundo, a vida, a morte, o presente ou o futuro, tudo é de nós” (1 Coríntios 3:22). Mas “nós somos de Cristo” (1 Coríntios 3:23). Por isso o apóstolo Paulo ensina: Podemos tudo, sim. De fato todas as coisas são lícitas. Mas nem todas convêm. Podemos tomar um copo de cerveja. Mas se este copo de cerveja atrapalha o nosso relacionamento com Cristo, se não temos domínio próprio, não convém tomar. Podemos fazer sexo? Sim, podemos. É lícito cada um ter relações sexuais com sua própria esposa ou com seu próprio marido. Mas convém fazer sexo com o marido de outra mulher, ou com prostitutas? Não, pois assim acabaríamos com o nosso relacionamento com Cristo e perderíamos a nossa liberdade e a nossa alegria em Cristo. Podemos jogar bola? Podemos, pois todas as coisas são lícitas. Mas convém jogar aos domingos, perdendo os cultos? Não convém, irmãos, pois assim a bola atrapalharia o nosso relacionamento com Cristo. Em resumo: liberdade nós temos. Mas a nossa liberdade é liberdade em Cristo. A nossa liberdade é a liberdade cristã. É a liberdade de poder tudo, mas de não querer tudo. É a liberdade que nunca se esquece daquele que nos libertou, a liberdade que valoriza Cristo mais do que todas as coisas deste mundo.

Amém.

 

___________________________________________________________________________________________________

* Exceto onde o contrário esteja explícito, todos os conteúdos deste site estão licenciados sob uma Licença Creative Commons “Atribuição – Não Comercial – Sem Derivados 3.0 Não Adaptada“.

** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

Compartilhe!

Leave a Comment