Pregação preparada pelo Pr. Adriano Gama

Leitura: 1ª Coríntios 04:01-05

Texto: 1ª Coríntios 04:06-13

Amada congregação do Senhor e demais ouvintes,

O ensino nesse capítulo está bem relacionado com os assuntos já apresentados pelo Apóstolo Paulo no capítulo 3.

A igreja estava dividida. O apóstolo reprovou a divisão. O apóstolo denunciou a carnalidade, a imaturidade dos crentes que promoviam o partidarismo dentro da igreja. A igreja foi instruída a ver Paulo, Apolo e os demais pregadores como servos do SENHOR. Os pregadores são apenas servos. Esses servos estão a serviço do Senhor Jesus Cristo. Ele é quem utiliza Seus servos para edificar a igreja.

Os trabalhadores fazem a tarefa que receberam de Cristo. O SENHOR Deus é quem é o dono da Igreja. Ele é quem cuida e edifica a igreja por meio da Palavra. O SENHOR Deus é quem pedirá conta e retribuirá os seus servos pelo trabalho feito na igreja.

Os membros e líderes foram instruído sobre o amor de Deus pela igreja. O SENHOR fez a igreja ser o templo onde o Espírito dEle habita. O SENHOR admite que Seu santuário seja profanado. O SENHOR Deus tem amor zeloso pela igreja. Esse amor levará Deus a destruir quem destruir o santuário dEle, a igreja.

O apóstolo exortou sobre o autoengano. Ninguém deve se achar sábio aos próprios olhos deles, seguindo a sabedoria do mundo, alimentando o partidarismo.

O apóstolo mostrou que o partidarismo mundanizava e empobrecia a igreja. O partidarismo tira a visão da realidade que tudo temos em Cristo: Todos os ministros fiéis do evangelho (Paulo, Apolo, Cefas), o mundo, seja a vida seja a morte, sejam as coisas presentes, sejam futuras. Tudo foi subordinado a nós pois tudo foi subordinado a Cristo. Nós somos de Cristo, e Cristo, de Deus. Então, em Cristo somos herdeiros de todas as coisas (vs. 18-23).

Agora, no capítulo 4.1-5, exortou a igreja a honrarem a todos os pregadores como ministros de Cristo. O SENHOR usa esses homens para servir seu evangelho à igreja. Por isso, os crentes não devem ser precipitados no julgamento que fazem sobre os ministros de Cristo. Os crentes são exortados a confiarem em Cristo Jesus. No dia da volta de Cristo, os ministros fiéis serão revelados. Estes servos fiéis receberão o louvor de Deus.

Agora, o apóstolo vai, novamente, enfrentar a soberba entre os irmãos. O apóstolo exorta os crentes, dizendo: Aprendam com o exemplo de seus líderes fiéis a não ultrapassarem o que está escrito, para que a soberba não divida a igreja. Esse é o tema da nossa pregação de hoje.

Amados irmãos, vamos para o v. 6: “Estas coisas, irmãos, apliquei-as figuradamente a mim mesmo e a Apolo, por vossa causa, para que por nosso exemplo aprendais isto: não ultrapasseis o que está escrito; a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro”.

O apóstolos Paulo fala aos seus irmãos e irmãs em Cristo. O apóstolo escreve a quem com ele haviam recebido a graça de Deus.

Os irmãos puderam ver a vida de Paulo e Apolo. Os irmãos puderam ver como eles trabalharam na igreja. Os irmãos viram o esforço, sofrimento e a pregação do apóstolo para plantar a igreja em Corinto. Os irmãos puderam testemunhar o trabalho zeloso do pregador Apolo. Ambos, Paulo e Apolo, eram servos que serviram a Cristo, com toda fidelidade, conforme a Palavra de Cristo. Por isso, o apóstolo não tem receio de se colocar e colocar Apolo como ilustração de servos fiéis, de exemplos para a igreja seguir.

Os servos fiéis a Cristo é quem devem ser exemplo para os fiéis. A palavra pode até convencer, mas é o exemplo que arrasta. O exemplo ensina. O modo de minha vida é um bom professor para quem quero liderar. Não é a toa que os líderes e aqueles que pretendem ser oficiais devem ter testemunho diante dos homens (de dentro e dos de fora da igreja).

O apóstolo e Apolo eram exemplos de servos fiéis à Palavra, por isso, o apóstolo disse: “Estas coisas, irmãos, apliquei-as figuradamente a mim mesmo e a Apolo, por vossa causa, para que por nosso exemplo aprendais …”.

O que Paulo queria ensinar com o exemplo dele e de Apolo? A lição que Paulo quer que os irmãos aprendam é clara: “… não ultrapasseis o que está escrito”.

O desejo de Paulo é que os crentes permaneçam no ensino bíblico. Esse ensino Paulo escreveu a eles. Os irmãos não devem passar a fronteira do “que está escrito”. Os limites da Escritura devem ser respeitados.

A Escritura é suficiente. Ela é a base da nossa fé, da nossa vida, dos nossos julgamentos, dos nossos procedimentos. A Escritura é a regra para nossa fé e prática. Aquilo que creio e faço deve estar dentro dos limites da Palavra.

Qual o alvo do apóstolo? Por que ele ordenou os crentes a não ultrapassassem o que está escrito? O objetivo está escrito: “ … a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro”.

O apóstolo quer que a soberba seja mantida fora do coração dos irmãos. Já tinham crentes com o coração inchado de orgulho mundano. O orgulho fazia os crentes gritarem: Eu sou de Paulo, e outro: eu de Apolo!

Como num corpo machucado, o inchaço do orgulho se manifestava na mancha chamada partidarismo! O orgulho fazia crentes se vangloriarem em um líder e desprezarem os outros oficiais da igreja. Então, Paulo, como um médico, prescreve o remédio para o inchaço do orgulho: Se limitem à Palavra.

A Palavra de Deus é o remédio contra o orgulho e para tratar o partidarismo na igreja. Se cada crente permanece na Palavra, então, a soberba e o partidarismo não prosperam na igreja. Por isso, os crentes deveriam ficar nos limites do ensino apostólico para “que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro”.

A soberba é uma doença forte. A soberba ataca o coração, o nosso cérebro e os nossos olhos espirituais. Ela incha o nosso coração com arrogância. O nosso cérebro é afetado de modo que nos achamos melhores que nossos irmãos. A soberba cega os nossos olhos não nos deixando ver a graça de Deus para conosco.

Esses sintomas estavam muito presentes em certos irmãos dentro da igreja em Corinto. Por isso, o apóstolo foi com o remédio da confrontação direta. As perguntas do v. 7 e as declarações do v. 8 foram como um remédio pesado para tratar a soberba.

Quem te fez sobressair? Ou seja: Quem fez você superior a seus irmãos?

Os ensoberbecidos se consideram superiores sobre seus irmãos e sobre seus líderes. Eles não respeitavam Paulo e o ensino dele. Somente respeitavam as suas ideias. Porém, a Escritura mostra que o SENHOR Jesus não criou crentes especiais na igreja. Todos crentes são servos. Os oficiais e os membros são servos. Todos nós somos servimos a o superior, Cristo Jesus! Paulo usa o remédio-pergunta que nos traz à sanidade: Quem te fez sobressair? Quem faz você se achar superior?

Essa pergunta preparou para as perguntas seguintes (veja o resto do v.7): “E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebestes, por que te vanglorias, como se não tiveras recebido?”.

Quando estamos sofrendo de soberba, não reconhece a nossa miséria em Adão. O apóstolo Paulo estava dizendo ao soberbo: Deixe da sua arrogância. Você não é a origem dos dons e bens espirituais vistos na sua vida!

O que você tem: a vida, a salvação, a sua membresia, o seu ofício tudo mais, são dons vindos de Deus. Você é um miserável que recebeu a riqueza da graça de Cristo. O SENHOR Deus, em Cristo, nos doou, graciosamente, tudo que temos na nossa vida (material e espiritual). Então, qual a base para a arrogância em nossa vida? Porque desejo se mostrar superior, autossuficiente, se apenas sou um humilde pecador?

Essas perguntas do v. 7 nos lembram o Hino 63 do nosso hinário “provisório”. Neste hino você e eu cantamos:
“Nada mereço, eu só recebi. Só pela graça eu me converti. Eu não me orgulho. Sou pecador. Sou salvo no sangue remidor!

O refrão diz: Sou humilde pecador Salvo na graça do Senhor! Cristo me salva, e só pela graça, Sou salvo no sangue remidor.”

Quem nos fez sobressair? Quem nos doou todas as coisas? Foi Cristo Jesus. Nós somos humildes pecadores. Cristo Jesus, por meio do poder do evangelho da cruz, nos exaltou nEle, nos enriqueceu nEle!

Jesus fez essa obra usando a pregação do evangelho. Essa pregação que veio por meio dos oficiais fiéis. Jesus Cristo, por meio de Seus servos, nos alimenta, cuida de nós e nos enriquece com o Seu Evangelho. Os soberbos não reconheciam que eles eram humildes pecadores. Eles até desprezavam o apóstolo e outros que Deus usou para enriquecer a igreja com Cristo.

O apóstolo queria que cada crente pensasse nas perguntas feitas. Pois, a igreja tolerava os soberbos que se acham fartos (acham que não precisavam de nada), se achavam ricos (autossuficientes em si mesmos) e queriam fazer seu reinado (se achavam soberanos da própria vida deles). Essas são as marcas dos soberbos que o apóstolo descreve no v. 8: “Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco.”

Amados irmãos, vamos o final do verso 8. O apóstolo foi irônico, dizendo: “… sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco.”. Essa é uma ironia edificante.

A ironia do apóstolo mostra que o desejo dos servos de Deus não é dominar seus irmãos. Quem quer ser um dominador vá para o mundo. No mundo os homens lutam para dominar um ao outro (Mt 20.20-28). Mas, os servos imitam o Senhor Jesus. Ele veio servir à igreja com Sua vida. O desejo de todo servo de Cristo é que todos reinem juntos em Cristo. Esse reinado de Cristo e de todos os crentes é a realidade que viveremos no futuro. Todos nós reinaremos com Cristo (Ap 22.4). Mas, esse realidade não chegou ainda.

Os soberbos se achavam fartos, ricos e reis. Eles achavam que possuíam o triunfo final já. Mas, Paulo ironicamente, disse, que não via esse triunfo final realizado. O testemunho do apóstolo era que os servos de Cristo sofriam o escárnio por causa do evangelho da cruz de Cristo (Veja os versos v.9-13).

Deus entregou aos apóstolos e aos ministros uma mensagem que não trazia para eles a glória e louvor do mundo.

A mensagem do Evangelho da cruz faz os pregadores fiéis serem colocados em último lugar no mundo. O ministério do Evangelho da cruz faz os pregadores fiéis serem considerados como derrotados que merecem a morte. O Ministério da Cruz quando exercido com fidelidade expõe seus ministro no teatro do escárnio! Por causa do ministério do Evangelho, Deus fez Seus servos serem considerados loucos, fracos, desprezíveis. Um ministério que rendeu a fome, e sede, e nudez. Um ministério que fez seus ministros serem esbofeteados, errantes no mundo. Deus confiou a Paulo, aos apóstolos e aos pregadores um ministério que fez eles serem considerados “lixo do mundo, escória de todos” (v.13).

A declaração do apóstolo foi contrária ao triunfalismo que os ensoberbecidos buscavam ter na igreja. O evangelho da cruz traz o escárnio do mundo para nós, igreja. Pois o evangelho apresenta um Cristo que condenado a morte. Um Cristo que foi exposto na cruz como um espetáculo maldito. Um Cristo que se esvaziou da Sua glória, para ser o poderoso salvador dos crentes! Se alguém deseja ser aplaudido pelo mundo anticristão, então, não busque ser fiel ao Evangelho da cruz. Se algum pastor deseja ser louvado pelo mundo anticristão, então, que não pregue a mensagem da cruz de Cristo.

Mas, é nesse evangelho da cruz que se revela a nossa glória. Pois, revela Cristo, o nosso Salvador. O evangelho é o poder e a sabedoria de Deus para nossa salvação. O evangelho da cruz é o poder que nos fez vivos, nos fez sábios, nos fez fortes, nos fez nobres para Deus e que nos garante a glória do triunfo sobre o mundo, o pecado, a morte e o diabo.

O mundo e os soberbos não entendiam a riqueza escondida no evangelho. Mas, Paulo e seus colegas fiéis, entenderam a glória e a riqueza de Cristo. Por isso, os ministros fiéis, dentre eles, Paulo, trabalharam com força para enriquecerem a igreja com o evangelho da cruz.

Os servos fiéis, pela graça de Deus, abriram mão de si mesmos, não tendo suas vidas como preciosas, mas, como diz o v.12, afadigaram-se, “… trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; [v. 13] quando caluniados, procuramos conciliação; até, agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos.

Quanta renúncia lemos nesses versículos. A renuncia do Eu. A renúncia do louvor dos sábios e do mundo. A renúncia do estrelismo nessa terra. Essa, abnegação ou renúncia, somente existe em corações cheios de Cristo Jesus. O Cristo que se humilhou, desceu para morrer numa cruz, a fim de nos dar a vida e a glória. Assim, o apóstolo Paulo fechou sua instrução aos crentes, apresentando o quanto é ridícula a soberba dos ensoberbecidos. O testemunho dos fiéis ministros de Cristo era o exemplo para ser seguido. Por quê? Por que eles mostravam o exemplo de Cristo.

Assim, irmãos amados, concluindo:
Oremos para que o Senhor nos proteja da soberba. Que Ele nos mantenha na humilde, para nos submetermos ao que está escrito na Escritura. Roguemos a Deus para que o Espírito de Cristo encha os nossos corações de humildade, para não nos sentirmos fartos, ricos e desejosos de termos nosso pequeno reino.

Roguemos as misericórdia de Deus sobre os soberbos dentro da igreja. Que o Senhor converta aqueles que estão vivendo em arrogância, partidarismo e orgulho. Peçamos a Deus que eles entendam o evangelho da cruz de Cristo e que vivão para servir seus irmãos. Por que todos nós somos servos. Somente existe um superior na Igreja e no mundo: Cristo Jesus.

Oremos pelos oficiais da igreja, especialmente pelos ministros da Palavra, para que sejam homens humildes e abnegados. Para que eles não se dobrem a sedução da glória do mundo, para que eles sigam o exemplo de Seu Senhor, Cristo Jesus. Que eles suportem as oposições, os escárnios e as dificuldades resultantes do ministério da cruz. Oremos para que nossos oficiais sejam humildes servos de Cristo a serviço da igreja.

Oremos para que Deus nos mantenha, oficiais e membros, nos limites da Sua Palavra Escrita. Somente assim, pela graça de Deus, seremos resguardados da soberba que divide a igreja e que , cada vez, sejamos mais edificados na unidade da fé e no amor de Cristo Jesus.

Amém.

 

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Adriano Gama

Ministro da Palavra e dos Sacramentos da Igreja Reformada em Maragogi (AL). É missionário na Congregação Reformada em Colombo (PR).

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