Pregação preparada pelo Pr. Abram de Graaf

Leitura: Mateus 26:30-35; 27:27-44

Texto: 1ª Coríntios 01:18-25

Irmãos,

A crucificação de Cristo está no centro da atenção nesta semana santa. Em vários lugares no Brasil, mas especialmente aqui no Nordeste o povo vai memorizar a paixão de Cristo. O lugar mais famoso é Nova Jerusalém em Pernambuco. Há lá cada ano um espetáculo grande. Aqui no estado de Alagoas encontramos o maior espetáculo em Arapiraca. Eles esperam a presença de mais do que 40.000 pessoas nestes dias. E por que todas essas pessoas vão ver isso? Pode ser por vários motivos. Há turistas que visitam um espetáculo assim só por curiosidade. Para ver o que está acontecendo. Como se acontecer um acidente. Há muitas pessoas que correm para ver o que está acontecendo e como uma pessoa está sofrendo. Outros visitarão um espetáculo assim como eles visitam qualquer peça num teatro. E há também pessoas que se identificam com o sofrimento das pessoas em redor de Jesus. Assim, as reações das pessoas podem ser diferentes. Seria interessante para fazer uma pesquisa para descobrir o que as pessoas acham da crucificação de Cristo.

Quem conhece bem a sua Bíblia, entende o que está acontecendo, mas muitas pessoas não entendem. Para eles Jesus é um mártir. Um jovem, um judeu. Uma pessoa trágica que sofreu muito e morreu na cruz, sendo inocente. Não mais do que isso. Isso não seria estranho, pois até na época de Jesus ninguém entendia o que exatamente estava acontecendo. A maioria das pessoas não reconhecia Jesus como o Filho de Deus; eles não reconheciam Jesus como o Messias. Pois o Messias seria um vencedor e Jesus foi um perdedor. Ele perdeu tudo e foi crucificado. Uma morte maldita por Deus. Pendurado entre o céu e a terra. Ninguém queria este homem. Ele foi maldito pelo povo de Israel, abandonado pelos seus discípulos, pela sua família, e até por Deus mesmo. Uns homens fracos, trágicos e sem respeito.

E se pensamos bem sobre isso. Quem já viu uma execução dum prisioneiro. Aqui no Brasil, isso não existe mais. Nos Estados Unidos sim. E às vezes pode ver uma execução na televisão, num filme. Por exemplo, uma execução pela cadeira elétrica. Eles colocam um prisioneiro numa cadeira, colocam eletrodos no corpo dele e depois eletrocutam-no. Uma coisa horrível. Um sofrimento grande, mas curto, se comparar com a execução pela cruz. Agora, quero perguntar alguma coisa: já viu uma pessoa andando com uma pequena cadeira elétrica de ouro ou de prato no seu pescoço? Provavelmente não! Eu nunca vi. Seria uma loucura, um escândalo. Ninguém pensa nisso, andar com uma maquina de tortura no seu pescoço, mas no outro lado há muitas pessoas que estão andando com um crucifixo no pescoço. Também uma maquina de tortura horrível. Mostrando Cristo sofrendo. Para muitas pessoas isso é uma loucura, um escândalo.

Assim as pessoas, quem conheciam a realidade da cruz reagiram. O apóstolo Paulo fala sobre isso na sua primeira epístola aos Coríntios. (Ler 1 Cor. 1, 18-25) Ele escreveu (vs. 23): “nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios, mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo poder de Deus e sabedoria de Deus”. Assim a cruz divide a humanidade. Naquela época, até hoje. A cruz de Cristo está num cruzamento na vida de cada pessoa. Cedo ou tarde cada pessoa será confrontada com a cruz de Cristo. Deus coloca a cruz de Cristo no caminho de cada pessoa. E naquele momento temos que decidir qual é a nossa posição em relação a Cristo crucificado? É um escândalo? Que achas? Uma loucura? Ou reconheces o poder e a sabedoria de Deus? Quem não liga; quem acha que a cruz é uma loucura, irá num lado, num caminho escuro, sem conhecimento, sem esperança. Ele entra num beco sem saída. Mas quem admira a cruz de Cristo, quem reconhece o plano de Deus, a sabedoria e o poder de Deus, ele caminhará para outro lado. Um caminho esclarecido, com esperança e confiança, sabendo que o seu caminho está subindo para seu destino certo e fixo. Assim a cruz divide a humanidade. Se quiser ou não! Quem não está em favor está contra, e quem não quer se decidir, também está contra.

Paulo diz: Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. A palavra da cruz é o fundamento da congregação. A palavra da cruz da a garantia da nossa salvação. Paulo pregou a Cristo crucificado. Uma pregação com uma mensagem louca, um escândalo. Paulo não pregou Jesus Cristo, sendo um homem grande, interessante, com idéias novas, que cativaram as pessoas, com planos para melhorar o mundo; Ele não pregou Jesus como um homem famoso, com nome grande, o numero UM do mundo, um super estrela, mas ele pregou Jesus, um homem maldito, que perdeu sua honra, condenado a morte, pendurada numa cruz; Paulo não apresentou um homem poderoso na cena política, religiosa, ou econômica, um homem que vem para ser servido; mas ele apresentou o Servo de Deus, que vinha para servir e para dar a sua vida em resgate por muitos (Mat. 20:28).

Conforme os pensamentos dos homens a sua salvação chega da maneira seguinte: Quem quer ser liberado do mal, deve se fortalecer, para se manter; ganhar dinheiro, ficar forte, independente. Melhorar o seu conhecimento para que puder sobreviver; melhorar ao máximo as suas condições; para uma pessoa, que não crê, a sua confiança está nas condições humana: o poder do homem ou o seu conhecimento ou a sua sabedoria. Coisas importantes para sobreviver; qualificações importantes para ser líder neste mundo. Mas a palavra da cruz nos ensina o contrário e por isso a cruz é uma loucura e um escândalo neste mundo. A cruz não nos mostra o poder humano, mas a nossa fraqueza para sobreviver; a cruz nos mostra que diante de Deus o homem é nada, condenado a morte e somente pelo poder de Deus podemos vencer. Se o homem quiser ser forte, quiser ser como Deus, ele perderá tudo; A cruz nos mostra a nossa fraqueza e a cruz nos ensina também que precisamos de Deus.

Jesus mesmo disse uma vez: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo negue, tome a sua cruz e siga me. Quem quiser, pois salvar a sua vida perdê-la-á; Isso quer dizer quem quiser sobreviver para ser forte, ele vai perder, mas quem procura sobreviver procurando a cruz de Cristo ganhará. Isso não cabe com os sentimentos humanos, nem com a sabedoria humana! Mas assim é a sabedoria de Deus. Deus tornou louca a sabedoria do mundo, colocando uma cruz neste mundo. Um símbolo onde cada homem deve se humilhar, tirar todo o seu orgulho. Quem não entende nada da cruz, ainda está orgulhoso. Mas quem conhece a sua fraqueza, os seus pecados, a sua posição perante Deus, a sua condenação eterna; quem sabe e sente a ira de Deus por causa dos seus pecados, quem sabe que Cristo sofreu em seu lugar. Que Cristo foi o verdadeiro líder, que se sacrificou para salvar o seu amados. O verdadeiro líder, servindo e assim ajudando o seu povo. Ele será salvo.

Muitas pessoas não entendem nisso, pois estão criados conforme as idéias deste mundo. Os judeus estavam esperando o Salvador. Mas um vencedor e não um perdedor. Eles queriam sinais, Sinais que mostrariam que Jesus foi o verdadeiro Salvador. Os grandes salvadores do Antigo Testamento, os profetas Moisés e Elias, eles não mostravam pelas sinais que foram mandados por Deus? Por isso os Judeus num certo momento pediram um sinal de Jesus (Mat. 12:38), mas Jesus reagiu e disse: Uma geração má e adúltera pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas. Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra. Jesus estava falando sobre sua morte e a sua ressurreição depois. Ele morreu na Sexta feira santa e ressurgiu no terceiro dia, depois da sua morte. No Domingo. Isso foi o sinal, que mostrou que Jesus foi enviado por Deus para salvar o seu povo; mas os judeus não entenderam. Eles queriam sinais, mas negou o maior sinal. Quem já morreu e voltou? Ninguém! Isso só acontece se Deus quiser! E Deus queria isso. Os discípulos entenderam isso somente depois. Só depois da cruz. Antes eles também não entenderam nada. A cruz foi um escândalo, para todos os judeus. Também para os discípulos, pois eles fugiram e deixaram o seu mestre sofrer.

E para o resto do mundo é uma loucura. Pois não acreditaram numa vida depois desta vida. Quem não crê na ressurreição dos mortos, não entende nada da cruz onde Cristo perdeu a sua vida para sobreviver e ganhar a vida eterna. Isso não existe, conforme as idéias científicas. Depois a morte tudo acabe. Assim pensam muitas pessoas no mundo e por isso eles aproveitam ao máximo da vida: pensando “comamos e bebamos, que amanhã morreremos”. Amanhã pode ser o último dia da sua vida, então se aproveita. Faça tudo que quiser. Viva! Rapaz! Assim pregam os profetas sem esperança. Quem não crê na ressurreição dos mortos, não entende nada de Cristo. A cruz é uma loucura. O cristão é como uma vaca louca. Desprezada por todos. O Cristo crucificado não cabe com o raciocínio dos homens.

Por isso, irmãos, a fé não é uma coisa humana. A fé é uma coisa estranha na nossa vida. Não é humana para pensar assim. E por isso Paulo diz: “nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios, MAS PARA OS QUE FORAM CHAMADOS, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo poder de Deus e sabedoria de Deus”. Se Deus abrir os olhos, como Deus fez com os discípulos depois da ressurreição de Cristo; Se Deus abrir os olhos, descobriremos o poder e a sabedoria de Deus. Tudo isso depende de Deus. Para que são salvas as palavras da cruz é poder de Deus. Isso quer dizer. A cruz é a chave que Deus usa para abrir a nossa coração, para abrir os olhos, A cruz é um poder neste mundo. Já venceu milhares das pessoas. Então, não resiste; não fecha as portas do seu corpo, não fecha as suas orelhas, não fecha os seus olhos, nem o seu coração, pois Deus chama a sua atenção pela cruz. Pelo Cristo. Siga ele e será salvo!

Amém.

 

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** Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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Pr. Abram de Graaf

O pastor Abram de Graaf é “Doctorandus” (Drs) em Teologia e um dos professores do Instituto João Calvino (Aldeia, Camaragibe-PE). Ele é pastor da Igreja Reformada de Hamilton, Canadá, enviado como missionário às Igrejas Reformadas do Brasil, desde o ano 2000. É Diretor do Projeto Dordt-Brasil. Ele mora em Maceió e também desenvolve projetos nessa cidade.

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