Pregação preparado pelo pastor Elienai B. Batista
Leitura: 2 Coríntios 9; 1 Crônicas 29.
Texto: 1 Crônicas 29.10-19.

Amada igreja do Senhor Jesus Cristo,
No Brasil de nossos dias, igreja virou sinônimo de negócio. Alguns até ironizam dizendo: “Pequenas igrejas, grandes negócios”. Uma das consequências disso é que as igrejas que não praticam tal comercialização, no medo de serem confundidas com as empresas disfarçadas de igrejas, se sentem constrangidas em falar sobre ofertas.

No entanto, as Escrituras falam sobre isso. Nas Escrituras aprendemos que como igreja devemos manter o ministério da Palavra e o ministério da misericórdia. Então precisamos ter uma perspectiva bíblica sobre essa questão. Para isso devemos começar no próprio fundamento da questão. Qual é a base para a mordomia cristã?

Em 1 Crônicas 29, encontramos a resposta.

Tanto o primeiro, como o segundo livro de Crônicas, foram escritos após o exílio do povo de Deus na Babilônia. Eles ficaram exilados durante 70 anos. E agora quando voltavam do exílio, Jerusalém estava destruída, já não havia templo e não havia um rei, uma vez que ainda estavam sob o domínio do império medo-persa.

O cronista apresenta então a história do povo de Deus a fim de orientar a restauração do reino nos primeiros anos pós-exílicos. Mas o cronista não só oferece uma perspectiva histórica, ele também oferece uma base teológica.

Em relação ao nosso texto, o cronista oferece não só a história a respeito das ofertas que foram levantadas por Davi para a construção do templo, mas também as bases teológicas para essas ofertas. Com isso, o cronista deseja encorajar aqueles que voltavam do exílio, a trilharem nas mesmas bases teológicas. Quem eram eles? Quem é Deus? Que esperança podiam ter quanto ao futuro? O que devia motivá-los na reconstrução do templo? Como deveriam ser suas ofertas?

Assim sendo…
Em capítulos anteriores, o cronista revela o desejo de Davi de construir um templo para o SENHOR (1 Cr 17.1-4). Ele tinha seu palácio, mas não havia um templo (palácio) para o SENHOR. O profeta Natã deu uma resposta favorável ao projeto de Davi, mas o SENHOR, depois deu Sua resposta. Davi foi impedido de construir um templo para o SENHOR em Jerusalém porque havia sido um homem de guerra (1 Cr 28.2,3). Entretanto, Deus lhe fez a promessa de que seu filho Salomão poderia construí-lo (1 Cr 17.7-12).

Com tal motivação Davi providenciou todas as coisas necessárias à construção. Ele contribuiu de duas formas: primeiro com recursos oficiais de sua posição como rei, e depois com seus recursos particulares. Ele fez uma generosa oferta de ouro, prata e coisas preciosas e convidou os chefes do povo a fazerem o mesmo. A resposta dos príncipes e depois do povo foi positiva excedendo as expectativas do rei Davi.

Quando Davi viu a voluntariedade, a generosidade e a abundância das ofertas que o povo trazia para a construção do templo, ele fez uma oração que está registrada em nosso texto.

Nessa oração aprendemos sobre aquilo que é mais básico no que diz respeito ao ofertar. Por isso, nessa noite ouviremos sobre: Os Fundamentos da Mordomia Cristã. Veremos três pontos:

  1. Primeiro Fundamento – Deus é o Dono de Tudo.
    2. Segundo Fundamento – Nós somos mordomos.
    3. Terceiro Fundamento – A disposição do coração é importante.

1. Primeiro Fundamento – Deus é o Dono de tudo.

Davi inicia sua oração e louvor a Deus diante de todo o povo dizendo quem Deus É. Ele se dirige a Deus como o Deus da aliança. Não só ao mencionar o nome Yahweh, mas também ao referir-se ao SENHOR como “o Deus de nosso Pai Israel”. Davi também fala da eternidade de Deus. O que o coloca em contraste com tudo que há neste mundo, que é passageiro.

Assim, Davi afirma que o Deus Eterno, que fez uma aliança com Seu povo, deve ser eternamente louvado. Isso quer dizer, estamos te louvando SENHOR, mas não somos capazes de oferecer o louvor que te é devido.
A seguir, Davi faz uma relação do que pertence ao SENHOR. Em primeiro lugar ele menciona o “poder”, isto Sua capacidade de fazer cumprir toda Sua vontade.

Depois menciona Sua “Grandeza” e com isso, nos lembra da posição exaltada do SENHOR. Ele é maior do que tudo e todos.

Em terceiro lugar, Davi menciona a “honra”. Honrar alguém significa reconhecer a posição e a obra de tal pessoa. Assim Davi está dizendo: “Deus merece toda honra por aquilo que Ele é e pelas obras que executa.”

Davi também diz que a “vitória” pertence ao SENHOR. A palavra vem da raiz “salvar”. É como se disse: a Deus pertence a Salvação.

Por fim, Davi fala que a “Majestade” pertence ao SENHOR. Isso fala de sua superioridade como Rei Supremo e Soberano sobre todas as coisas.

Além disso, Davi também confessa: “Teu é tudo quanto há nos céus e na terra”. Por trás dessa afirmação está a ideia de que tudo pertence a Deus por direito de criação e preservação. Portanto, Ele tem total direito de determinar como Sua criação deve ser utilizada. A vida, os dons, os bens, o tempo, etc., pertencem a Deus e devem ser utilizados como Deus quer.

Esse direito de Deus sobre todas coisas é também enfatizado na expressão: “Teu SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste como chefe sobre todos”. Deus tem o controle de tudo. A vontade de Deus é a razão fundamental de tudo o que acontece. Ao lerem essas palavras, os primeiros leitores do livro de Crônicas foram lembrados, de que apesar deles naquele momento estarem sem um rei, Deus é o rei dos reis.

Além de reconhecer o que Deus é, e o que lhe pertence, Davi também fala do que Deus faz (v.12). Ele concede riquezas e glória, Ele é quem doa tudo o que possuímos (vv.12,14,16). Nada que o homem tem vem do próprio homem. Tudo vem das mãos de Deus. Não podemos angariar ou conquistar nada por nós mesmos (Dn 2.20,21). Toda a criação, inclusive o homem, depende da graciosa mão de Deus para subsistir. Justos e ímpios dependem do sol e da chuva que Ele dá (Mt 5.45). Ele domina tudo, pois na Sua mão há força e poder. É Ele quem engrandece e dá força.

Portanto Davi, ao fazer esta oração louvou ao SENHOR por aquilo que Ele é, por aquilo que pertence a Ele, e por aquilo que ele faz. Pelo seu Ser e domínio, e por Suas obras.

Ao lembrar essa oração de Davi, o cronista desejava mostrar aos que voltavam do exílio e tinham de enfrentar a difícil tarefa de reconstruir Jerusalém e o templo, as bases de sua mordomia.

O Deus que havia estabelecido uma aliança com seus pais, e que havia lhes disciplinado ao enviá-los para o exílio na Babilônia, agora os havia tirado de lá, Ele é o grande e glorioso Deus, o rei dos reis, o Deus Todo-poderoso a quem tudo pertence. E o seu serviço e sua mordomia, estavam profundamente ligados com o reconhecimento da glória de Deus.

Amados irmãos, enquanto não houver reconhecimento de quem Deus é, do que lhe pertence e o que Ele faz, não podemos ofertar corretamente. A mordomia cristã se desenvolve a partir desse reconhecimento. Você vai até a Escritura e aprende quem Deus é, sobre seu domínio e obras, e então reconhece isso em sua maneira de viver, administrando corretamente seus bens para a glória de Deus.

Um bom conceito de mordomia cristã começa com a compreensão de que Deus é o dono de todas as coisas. Por isso, Ele nos diz em Jó 41.11: “Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois tudo quanto existe debaixo de todo o céu é meu”.

Nós mesmos estamos incluídos entre os pertences de Deus. Você não pertence a si mesmo, pertence a Deus e deve servi-lo por toda a vida. Este é o primeiro fundamento da mordomia cristã: tudo provém de Deus. Não há nada que Deus venha requerer de nós que antes, Ele mesmo, não nos tenha dado.

Portanto, a verdadeira oferta é dada como um reconhecimento de quem Deus é, como um reconhecimento de que tudo pertence a Deus, e como um reconhecimento do que Deus faz.

Então quando temos dificuldades nesta área, o problema é que não estamos vivendo sobre uma base teológica correta. Nós confessamos a grandeza e o poder de Deus, confessamos que Ele é o Rei do universo e que tudo lhe pertence, confessamos que é Ele quem nos dá todas as coisas, mas então, queremos agir não como mordomos, mas como senhores.

Se sua compreensão da glória e da grandeza de Deus fosse medida por sua disposição em ofertar, como seria avaliada? Seria reconhecida como uma compreensão consistente com as Escrituras?
Mas também devemos nos aperceber que nossa dureza em ofertar, pode indicar não só falta de compreensão, mas na verdade que nós temos levantado ídolos em nosso coração: talvez sejam nossos planos, nossa comodidade, nossa própria honra. Estamos de fato glorificando a Deus e reconhecendo sua grandeza, domínio e obras ao ofertar?

2. Segundo Fundamento – Nós somos mordomos.

No v.13, encontramos dois importantes elementos de uma oração. Ação de graças e adoração. Mas pelo que Davi está agradecendo e louvando ao SENHOR?

Davi não está agradecendo por ter recebido alguma coisa. Davi está agradecendo pelo privilégio de ofertar e pela quantidade da oferta. Só podemos entender a atitude de Davi à luz de seu reconhecimento de quem Deus é, do que pertence a Deus e do que Deus faz.

O reconhecimento de que Deus é o dono de tudo deve mudar nossa atitude na hora de ofertarmos. Alguns pensam que quando recebem devem agradecer, mas quando ofertam parecem esperar que Deus lhes agradeça. Mas aqui está Davi, e todo o povo agradecendo a Deus pelo privilégio de ofertar. Davi se vê como um privilegiado, porque sabe que Deus lhe deu recursos para que ele pudesse cooperar para a construção do templo.

No v.14, encontramos uma pergunta de Davi. Ele não só reconhece quem é Deus, o que lhe pertence e o que Ele faz, mas também olha pra si mesmo e o povo, contrastando sua condição com a glória de Deus. Vocês devem se lembrar que Davi era um rei, que estava acostumado com grandeza, poder, honra, vitória e majestade. Mas o que é isso quando olhamos para Deus? Davi perguntou: “Quem sou eu, e quem é o meu povo?”

Se nos comparamos uns com os outros, talvez equivocadamente pensemos que somos alguma coisa. Mas irmãos, quando olhamos para Deus, quando o vemos revelado nas Escrituras como o Deus Soberano, cheio de glória e majestade, Senhor de todas as coisas, nós devemos perguntar como Davi “Quem sou eu?”

Que grande contraste há entre olhar para Deus e olhar para nós mesmos. Em Deus Grandeza, em nós pequenez; em Deus, Poder, em nós fraqueza; em Deus Honra, em nós vergonha; em Deus Vitória (Salvação), em nós incapacidade de nos salvarmos; em Deus Majestade, em nós miséria.

Quando Deus por Sua graça nos faz ver quem Ele é, caem as escamas de nossos olhos e passamos a ver o quão miseráveis pecadores nós somos. Assim olhamos para nós mesmos e vemos que não seríamos capazes de fazer o que temos feito se não fosse a graça de Deus em nossas vidas. Não somente tudo pertence a Deus, como é o próprio Deus quem nos capacita a ofertar (v.18).

Portanto, ao ofertar estamos dando testemunho da graça de Deus; portanto devemos fazê-lo em atitude de gratidão.

Se perguntamos: Quem somos nós (vv.14-16)? Eis a resposta:

Somos incapazes de algum bem espiritual pela nossa própria força. A primeira coisa que Davi reconhece é que ele e o povo não tinha poder para ofertar tão voluntariamente tais coisas. Por causa de nossa natureza pecaminosa somos tentados a nos apegarmos aos bens materiais. O pecado no faz pensar e agir como senhores e não como mordomos. Por isso, quando chegamos a ofertar com voluntariedade, é a graça de Deus que nos capacita a fazê-lo.
Somos estranhos (estrangeiros) e peregrinos.
Essas expressões apontam para o fato de que dependemos completamente de Deus e que nossas riquezas não são daqui. Estamos de passagem, por isso, não devemos nos apegar àquilo que vai passar.

Como sombra são os nossos dias sobre a terra.
Não devemos sentir apego egoístico como se fossemos viver para sempre na terra. Esta é uma verdade constantemente enfatizada nas Escrituras, mas muitas vezes esquecida.

Somos mordomos (v.16).
“Vem da tua mão e é toda tua”. Davi reconhece ser um mordomo. Mordomo é aquele responsável pela direção e administração de uma casa. É aquela pessoa a quem é entregue tudo quanto o senhor possui para ser cuidado e desenvolvido. Nada que o homem tem é dele próprio. Tudo vem das mãos de Deus. Não podemos angariar ou conquistar nada por nós mesmos.

Amados irmãos, Deus é o dono de tudo e Ele nos colocou como mordomos de uma parte de seus bens. Ele nos concede privilégios de participarmos da expansão do Seu reino.

Você tem seu emprego, tem suas habilidades, tem seu salário, tem certos bens, tudo isso você recebeu da mão de Deus. Portanto, ao ofertar você não está fazendo um grande favor para Deus, na verdade, Ele é quem está lhe concedendo o grande privilégio de participar daquilo que envolve a expansão do Seu reino.

Agora pense, quando você recebe da mão graciosa de Deus todas as coisas, mas se recusa a entregar suas ofertas, agindo como se fosse senhor e não mordomo você está sendo infiel. Quando você se recusa a ofertar, utilizando os recursos que Deus lhe deu para sua própria glória, você deixa de participar do privilégio de cooperar para a expansão do reino de Deus.

Amados, lembremos que nós somos mordomos, a quem Deus por Sua graça salvou, nos chamando para servir no reino de Cristo.

Usemos portanto, aquilo que nos foi confiado para a glória de nosso bendito Salvador. Sejamos mordomos fiéis, usemos os recursos que Ele tem nos dado para que Seu nome seja glorificado por meio do ministério da Palavra e da misericórdia.

Os súditos de Davi entenderam sua responsabilidade como mordomos, o cronista convida seus leitores pós-exílio a fazerem o mesmo. A Igreja em Corinto entendeu sua responsabilidade em usar seus recursos para servir aos irmãos de Jerusalém que estavam, passando por dificuldades. Nós também somos chamados a entender nossa responsabilidade como mordomos.

3. Terceiro Fundamento – A disposição do coração é importante.

Nos versículos 1 a 9, lemos sobre a grande quantidade em ouro de Ofir, prata, bronze e ferro que Davi e o povo ofertaram. Toneladas e mais toneladas. Todos aqueles recursos, reconheceu Davi, pertenciam ao SENHOR. Mas Ele lhes estava dando o privilégio de participarem daquele grande projeto: a construção do templo.

Mas apesar de toda essa grande quantidade, existe algo mais importante que a quantidade, isto é, a disposição com que entregamos a oferta. De que forma devemos entregar nossas ofertas?

Davi havia confessado que as ofertas haviam sido entregues “com todas as nossas forças” v.2. No v.3, foi dito que o contexto da entrega das ofertas, era o amor de Davi pelo templo do SENHOR.

No v. 5, Davi convidou os chefes do povo a entregarem ofertas liberalmente. No v.9, é mencionada a alegria. Ainda no v.9, se fala da liberalidade da oferta dada pelo povo. Foi uma oferta abundante.

Aqui, nesta oração Davi fala das ofertas sendo dadas com voluntariedade. Esta é uma expressão que se repete várias vezes (vv.5,6,9,14,17). Quer dizer que as ofertas não foram entregues porque o povo foi forçado a fazê-lo. A contribuição não pode ser forçada.

Amados irmãos, Deus não está interessado em nosso dinheiro como se dele dependesse de nós. Ele pode sustentar Elias com corvos e alimentar uma multidão com maná. Deus está interessado em nossos corações. Deus quer ver alegria, voluntariedade, liberalidade quando ofertamos para a manutenção do ministério da Palavra e da misericórdia.

Portanto, a oferta não deve ser entregue com tristeza.

Se sabemos quem Deus é, o que pertence a Ele e o que Ele dá, se sabemos o que somos, e que ofertar é um privilégio, então nossas ofertas devem ser entregues, voluntariamente, com liberalidade, com sinceridade para a glória de Deus.

Foi isso que o apóstolo Paulo disse à igreja em Corinto:
“Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.”
2Co 9.7.

Então aprendemos que a disposição de nosso coração é muito importante. Não se trata simplesmente de entregar nossas ofertas, mas fazê-lo com alegria, com voluntariedade.

A salvação que temos em Cristo, deve resultar em uma mudança como encaramos os bens neste mundo, porque descobrimos no que consiste a verdadeira riqueza. Descobrimos nosso papel neste mundo.

Assim revelamos o que está em nosso coração, revelamos quem é de fato nosso Deus. Deus não se satisfaz com aparência, ou com serviço relutante.

Portanto amados irmãos, cada vez vamos ofertar, precisamos considerar nosso coração. Minha oferta está fundamentada em meu reconhecimento da glória, domínio e obra de Deus? Ela é uma expressão de minha gratidão? Ela é um reconhecimento de que tudo que tenho vem dEle e de que sou apenas um mordomo? É feita com alegria e voluntariedade?

Amados irmãos, que o Senhor nos ajude a ter uma disposição assim.

Amém!

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Pastor missionário da Igreja Reformada em Imbiribeira, trabalhando na congregação em Paulista-PE.

One Thought to “1 Crônicas 29.10-19”

  1. PAULO DA SILVA

    MUITO BOM,DIFÍCIL VERMOS PREGAÇÕES DESTE PORTE,ESTA PALAVRA ME ATRAIU,QUE BENÇÃO.QUE DEUS OS ABENÇÕE GRANDEMENTE

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